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Bruxismo pode causar cefaleias, dores na face e no pescoço

Você acorda de manhã com dor de cabeça, os músculos da face doloridos, e tem torcicolos com frequência? Muita gente leva essas queixas para diferentes médicos até descobrir, na cadeira do dentista, que o bruxismo estava por trás dos sintomas. O termo tem origem na palavra grega “brychein”, que significa ranger os dentes. Isso acontece de maneira involuntária, por isso tanto o diagnóstico quanto o tratamento representam um desafio para os especialistas.

Em alguns casos, quem range os dentes provoca um ruído típico que chega a acordar quem estiver no mesmo quarto. Mas o bruxismo também pode ser silencioso, tanto que a maioria das pessoas só descobre o problema quando o dentista percebe suas consequências, como desgastes ou pequenas fraturas.

Qualquer que seja o tipo de bruxismo, o tratamento é fundamental: há quem tenha dores crônicas ou até perca dentes e implantes por causa do problema.

Tipos de bruxismo

Além do bruxismo noturno, há quem tenha o hábito de contrair os músculos envolvidos na mastigação durante ao dia, principalmente em momentos de concentração, raiva ou estresse. Nesse caso, chamado de bruxismo de vigília (também chamado de bruxismo diurno ou briquismo), é possível ao menos controlar o movimento uma vez que se tome consciência dele.

O bruxismo também pode ser chamado de cêntrico (quando a mandíbula fica centrada e, por isso, não há desgaste considerável nos dentes) ou excêntrico (quando há movimentos laterais que destróem o esmalte e até mesmo a dentina). Estes últimos representam cerca de 95% dos casos.

 

 

Prevalência

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Sinais ou sintomas possíveis

– Ruídos noturnos (provocados pelo ranger dos dentes, mas nem sempre presentes)

– Desgastes ou pequenas fraturas nos dentes (sem outra causa aparente)

– Rachaduras ou quebras em obturações e próteses (sem outra causa aparente)

– Encurtamento dos dentes (quando o problema não é tratado)

– Sensibilidade dentária ou dor nos dentes não justificada

– Mobilidade dentária (o dente pode ficar mole ou mudar de posição por causa do apertamento)

Dores de cabeça (principalmente ao acordar ou no fim da tarde, no caso do bruximo de vigília)

– Dores na face ou na articulação temporomandibular (ATM)

Dores cervicais ou torcicolos frequentes

– Dor ou cansaço para mastigar

– Hipertrofia (aumento visível) dos músculos masseter (ao lado da boca) e temporal (das têmporas)

– Alterações na audição (como zumbidos ou sensação de ouvido tampado)

– Presença de marcas de mordida na língua ou na bochecha

Causas e fatores de risco

Tem uma origem multifatorial, na qual fatores gerais e locais estão envolvidos. Essa patologia é modulada por fatores gerais, entre os quais os distúrbios do estresse e do sono desempenham um papel importante; e por fatores locais, como má oclusão dos dentes.

As causas do bruxismo não são completamente claras, embora pareçam ser devidas a várias razões que podem até estar associadas uma à outra

Em certos pacientes, o bruxismo é classificado como primário quando não é encontrada nenhuma condição que o justifique. As causas da contração involuntária dos músculos durante à noite ainda são alvo de estudos, mas especialistas acreditam que fatores genéticos, fisiológicos e psicológicos estejam envolvidos. Antigamente achava-se que os problemas de mordida eram a origem do bruxismo, mas o avanço no conhecimento sobre o distúrbio modificou esse conceito.

Pesquisas já determinaram, por exemplo, que o apertar dos dentes é uma reação natural do corpo durante as transições do sono, e sofre influência de neurotransmissores (mensageiros químicos do cérebro) como dopamina, noradrenalina e serotonina. Estudos também confirmaram que esse ato inconsciente está diretamente relacionado ao estresse, inclusive entre as crianças.

Um trabalho publicado por brasileiros no periódico Journal of Oral Rehabilitation, com 1344 jovens de 13 a 15 anos que viviam em Itabira (MG), encontrou uma forte associação entre o bruxismo e o bullying. Estudantes que eram agredidos verbalmente por colegas apresentaram seis vezes mais chances de apertar ou ranger os dentes durante o sono. É como se os adolescentes extravasassem a raiva e as tensões vividas de dia ao dormir.

Ainda é possível que o hábito seja secundário, ou seja, vinculado ao uso de certas substâncias que estimulam o apertamento dos dentes, ou, ainda, seja consequência de algum tipo de doença. Veja, a seguir, alguns fatores que podem provocar ou agravar o problema, segundo evidências:

Alterações neurológicas

Doença de Parkinson ou paralisia cerebral, Doença de Huntington e apnéia do sono, além de efeitos adversos de antidepressivos

Distúrbios do sono

Rinites ou sinusites crônicas, que obrigam a pessoa a respirar com a boca aberta, enurese noturna, sono agitado e síndrome da apneia obstrutiva do sono – uma em quatro pessoas com essa síndrome também apresenta bruxismo

Transtornos psiquiátricos

Estados demenciais, ansiedade, esquizofrenia, hiperatividade

Uso de drogas ilícitas

Cocaína, ecstasy, anfetamínicos e outros estimulantes

Ingestão exagerada de cafeína

O estimulante está presente em produtos como café, chás, chocolates, refrigerantes de cola, energéticos e em diversos analgésicos

Ingestão de álcool

A substância prejudica a qualidade do sono, e os microdespertares aumentam a frequência de apertamento dos dentes

Tabagismo

A nicotina é um estimulante do sistema nervoso, e os prejuízos do cigarro para a circulação agravam os riscos associados ao bruxismo

Uso de certos medicamentos

Como derivados da anfetamina, remédios para TDAH, antidepressivos como fluoxetina, sertralina, escitalopram, paroxetina, venlafaxina e bupropiona, entre outros

Problemas de oclusão dentária

Ou seja, de encaixe entre as arcadas

Complicações de dor orofacial

Embora nem todo bruxômano tenha dores crônicas, o hábito está muito associado a esse risco. Não é incomum a pessoa abusar de analgésicos por conta própria por causa do incômodo ao acordar, e isso pode colaborar ainda mais com a cronificação da dor.

Se não for tratado, o bruxismo também pode trazer danos irreversíveis para a saúde e a estética bucal. Além de provocar microfraturas, sensibilidade, e quebra de obturações e próteses, o desgaste sucessivo pode causar amolecimento e levar à perda de um ou mais dentes. Revisões de estudos ainda mostram que o bruxismo pode comprometer o sucesso de implantes.

Nem todo bruxômano (nome que se dá a quem tem bruxismo) possui uma disfunção temporomandibular (DTM), mas as duas condições podem estar associadas. Apertar os dentes durante a noite também pode levar ao agravamento da DTM, que, por si só, provoca travamento, estalidos e problemas graves na articulação.

 

O bruxismo não é percebido imediatamente; portanto, em alguns casos, o nível de dano à estrutura dental pode ser muito alto se for feito um diagnóstico tardio.

Diagnóstico de bruxismo ou dor orofacial

Em geral, o exame físico e a análise dos sintomas são suficientes para se suspeitar do bruxismo, ainda mais quando o dentista observa desgastes ou fraturas injustificadas, ou quem dorme com o paciente percebe o problema. É comum solicitar radiografias para investigar essas alterações e saber se há distúrbios da articulação temporomandibular (DTM) ou problemas de oclusão associados.

Em alguns casos, quando o paciente também relata cansaço durante o dia, é importante consultar o médico especialista em sono, que pedirá uma polissonografia para confirmar o diagnóstico de bruxismo noturno e descartar a associação com apneia. Existem aparelhos portáteis que permitem o monitoramento da atividade dos músculos da mastigação em casa, mas eles ainda não estão amplamente disponíveis.

Como o bruxismo é inconsciente e noturno, a única maneira de diagnosticar o bruxismo é durante o sono, diretamente visualizando o hábito ou medindo a atividade dos músculos mastigatórios à noite usando eletromiografia.

Como o bruxismo causa efeitos em diferentes partes do sistema mastigatório, o diagnóstico é feito indiretamente, observando o desgaste dos dentes e a tensão dos músculos.

Um diagnóstico precoce do bruxismo pode prevenir, entre outras complicações, o desgaste prematuro da prótese.

diagnostico bruxismo raio x

Tratamentos

Casos leves de bruxismo, que não trazem consequências, não precisam ser tratados. Já para os outros, o tratamento deve envolver o dentista e outros profissionais de saúde, como médicos, fisioterapeutas, psicólogos ou acupunturistas.

Como o bruxismo é inconsciente e noturno, a única maneira de diagnosticar o bruxismo é durante o sono, diretamente visualizando o hábito ou medindo a atividade dos músculos mastigatórios à noite usando eletromiografia.

Como o bruxismo causa efeitos em diferentes partes do sistema mastigatório, o diagnóstico é feito indiretamente, observando o desgaste dos dentes e a tensão dos músculos.

Um diagnóstico precoce do bruxismo pode prevenir, entre outras complicações, o desgaste prematuro da prótese.

O uso da placa estabilizadora (também denominada placa oclusal, ou miorrelaxante) é sempre indicado para proteger os dentes e aliviar os sintomas, ainda que não atue nas causas do bruxismo

Placas para os dentes

Esses dispositivos devem ser confeccionados de forma individualizada, para se encaixar em uma das arcadas e promover um espaço que permita o relaxamento dos músculos da mastigação durante a noite. A resina acrílica costuma ser a melhor opção para o bruxismo – as de silicone são indicadas para casos específicos e podem até agravar o problema em certos pacientes.

É importante que a placa fique bem ajustada, ou o quadro pode até se agravar. É natural haver incômodo nas primeiras duas semanas de uso, mas, depois disso, a tendência é o paciente se adaptar. O dispositivo deve ser usado toda noite, mas quem sofre de bruxismo de vigília também pode utilizá-lo durante as atividades diurnas que exigem concentração. A limpeza deve ser feita com escova e pasta de dente, e a placa deve ficar guardada na caixa fornecida pelo dentista.

Um aspecto importante a ser considerado é que as placas rígidas de acrílico podem agravar o ronco e a apneia em pacientes que já tenham essa predisposição, por isso é importante ficar atento. Existem dispositivos especiais para esses casos, que projetam a mandíbula um pouco para frente a fim de manter a passagem de ar obstruída. Se a apneia for a causa do bruxismo, tratar a síndrome pode ser o suficiente para evitar o hábito de apertar dos dentes

A acupuntura é um recurso bastante útil, pois atua na redução da ansiedade (causa), bem como nos sintomas dolorosos, por meio de seus efeitos analgésicos e relaxantes musculares.

Gerenciamento do estresse

Aprender a administrar o estresse é um ponto fundamental para o sucesso do tratamento, e nesse caso a terapia com psicólogo ou psiquiatra pode ser necessária. Outras medidas para alívio das tensões diárias, como atividade física regular, alongamentos, fisioterapia, técnicas de relaxamento, massagens, além de banhos quentes e compressas aquecidas sobre os músculos da face antes de dormir, podem ser recomendadas.

 

Uma terapia que pode ajudar muitos pacientes com bruxismo de vigília é o biofeedback. Com ajuda de aparelhos com eletrodos ou mesmo adesivos que puxam a pele quando a musculatura é contraída, a pessoa toma consciência da contração nos músculos do rosto, e aprende a relaxar toda vez que isso acontece. Terapias cognitivo-comportamentais focadas em reversão de hábito também podem ser eficazes, pelo mesmo princípio. Evitar mascar chicletes, roer unhas ou tampinhas de caneta, aliás, é necessário para o controle do bruxismo.

Analgésicos para alívio da dor, relaxantes musculares ou medicamentos para ansiedade (naturais ou alopáticos) podem fazer parte do tratamento, desde que o paciente seja acompanhado pelo médico.

Medicamentos e outras substâncias

Aqui também vale ressaltar que o relaxamento excessivo dos músculos é prejudicial para quem ronca ou tem apneia do sono.

Quando a causa do problema está ligada a algum medicamento de uso diário, como o antidepressivo, pode-se discutir com o médico uma eventual substituição ou associação com outro fármaco.

Alguns especialistas têm indicado a aplicação de toxina botulínica (Botox) para casos graves que não respondem aos tratamentos convencionais. A substância diminui a atividade muscular, reduzindo o impacto sobre os dentes. Quem decide pela terapia deve procurar profissionais especializados, já que há risco de prejuízos na mastigação.

Não existe cura para o bruxismo, por isso o controle deve ser feito por tempo prolongado

Estilo de vida e prevenção

Além do uso da placa conforme orientação do dentista, a redução no consumo de cafeína durante o dia é fundamental, bem como o combate ao tabagismo, ao uso de álcool e de drogas ilícitas. Outro pilar é a prática regular de exercícios físicos, entre outras medidas de gerenciamento do estresse.

Por último, é bom lembrar que dormir bem é um ótimo remédio contra o estresse e a dor. Assim, a famosa “higiene do sono” favorece quem sofre de bruxismo noturno e, indiretamente, o de vigília. Isso significa desligar os eletrônicos no mínimo uma hora antes de se deitar; não fazer exercícios vigorosos à noite; acordar e dormir sempre nos mesmos horários; evitar discussões antes da hora de dormir; e manter o ambiente bem escuro e com temperatura agradável à noite.

O tratamento inclui infiltração de neurotoxina botulínica tipo A nos músculos masseteres.

Tratamento do bruxismo por toxina botulínica tipo A

Este tratamento permite o relaxamento desses músculos, melhorando e combatendo drasticamente as sequelas e alterações no bruxismo.

Portanto, resolve problemas de sono, estresse e até condições neurológicas associadas.

Este tratamento é capaz de relaxar apenas os músculos mastigatórios afetados, portanto os efeitos indesejados da medicação sistêmica com relaxantes musculares não aparecem

Qual é o prognóstico?

Um desgaste característico ocorre nos dentes. No nível das gengivas, as enfraquece, de modo que, a longo prazo, a inflamação e a mobilidade apareçam nos dentes.

Mas o efeito mais prejudicial ocorre nos músculos e na articulação temporomandibular na forma de dores de cabeça, dores de ouvido, dores no pescoço, dor ao abrir a boca, barulho ao abrir a boca e, ao longo do tempo, dificuldade em mastigar ou até falar.

Fontes:

Associação Americana de Odontologia (American Dental Association: https://www.ada.org/)

Associação Brasileira de Odontologia (https://www.abo.org.br/)

Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (http://www.apcd.org.br/)

Fundação do Sono, nos EUA (Sleep Foundation: https://sleepfoundation.org/)

Sociedade Brasileira de Cefaleia (https://sbcefaleia.com.br/)

Sociedade Brasileira de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial (http://www.sbdof.com.br/)

Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS https://www.nhs.uk/ )

 

Referências:

“Bruxism may be a clinically relevant risk factor for implant complications”, Journal of the American Dental Association, Romina Brignardello-Petersen, DDS, MSc, PhD,

“Is there an association between verbal school bullying and possible sleep bruxism in adolescents?”, Journal of Oral Reabilitation, Serra-Negra JM, Pordeus IA, Corrêa-Faria P, Fulgêncio LB, Paiva SM, Manfredini D

“Association between sleep bruxism and alcohol, caffeine, tobacco, and drug abuse”, Journal of the American Dental Association, Eduardo Bertazzo-Silveira, DDS, Cristian Maikel Kruger, Isabela Porto De Toledo, BS, André Luís Porporatti, DDS, MSc, PhD, Bruce Dick, MD, MSc, PhD, Carlos Flores-Mir, DDS, MSc, PhD, Graziela De Luca Canto, DDS, MSc, PhD

“Therapies for bruxism; a systematic review and network meta-analysis”, BMC, Mauro Elias MeskoBrian HuttonJovito Adiel SkupienRafael Sarkis-OnofreDavid Moher, Tatiana Pereira-Cenci

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Colégio Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Cômite de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED).
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