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Dor na sola do pé: Esporão de calcâneo

Existem várias causas para as dores na sola dos pés. Em não raras situações, elas podem estar associadas ao esporão do calcâneo.

A seguir, explicamos mais detalhadamente o que é, o que causa, como tratar e como prevenir tal ocorrência ortopédica bastante comum nos consultórios médicos.

 

Possíveis causas para as dores nos pés

Dores nos pés não são consequência de uma única ocorrência clínica. Muito pelo contrário. Elas podem ter a origem em diversas causas. A seguir citamos algumas possibilidades:

 

  • leões de ligamentos;
  • lesões musculares;
  • contusões;
  • tumores nas partes moles;
  • ceratodermia plantar;
  • neuropatias por pinçamento;
  • fascite plantar.

 

Esses são apenas alguns exemplos e se pensarmos em dores referentes apenas a região do calcanhar, conhecidas como talalgias, existem mais de 30 situações relativas especificamente ao local. Uma delas é o esporão do calcâneo.

Por isso, ao surgirem desconfortos na região é necessário realizar uma consulta médica, para que o diagnóstico correto seja efetuado o quanto antes. E, na sequência, possam ser propostas alternativas para o tratamento.

Nosso objetivo é abordar mais detalhadamente a dor na sola do pé, associada ao esporão do calcâneo. Este é um quadro clínico frequente na prática médica e que acomete bastantes pessoas principalmente a partir dos 40 anos de idade.

 

Anatomia do pé: sobre o osso calcâneoanatomia esporao calcaneo

Nosso pé é constituído por mais de 20 ossos, distribuídos nas regiões do tarso, metatarso e falanges. Sobre o primeiro, é ele que participa mais ativamente da importante função de suportar o peso do corpo.

Para isto, ele é constituído por sete ossos:

 

  • calcâneo;
  • tálus;
  • cubóide;
  • navicular;
  • cuneiforme medial;
  • cuneiforme intermédio;
  • cuneiforme lateral.

 

Vale salientar que o tálus e o calcâneo, juntos, são os principais responsáveis pelo papel de suporte. E, além disso, o calcâneo é o maior osso do pé, dá forma ao calcanhar e redistribui o peso recebido para o restante da região.

O esporão do calcâneo, como o próprio nome informa, é uma ocorrência nesse osso específico, que causa a famosa dor na sola do pé.

Isto porque há uma associação entre o osso em questão e outras duas estruturas anatômicas: o tendão do calcâneo, também chamado de tendão de aquiles, e a fáscia plantar.

O primeiro conecta o pé aos músculos da perna e a segunda é uma membrana de tecido conjuntivo que envolve toda a parte inferior do pé, abaixo dos ossos.

 

 

Mas o que é o esporão do calcâneo ?

O esporão do calcâneo não é considerado uma doença, mas sim uma ocorrência que pode causar sintomas desconfortáveis e prejudicar atividades cotidianas daqueles que o adquirem.

Ela acontece no calcâneo e trata-se do surgimento de uma calcificação anormal no local. Quando observado por raio-x o osso apresenta uma pequena saliência na base, ou seja, direcionada para a planta do pé.

Sobre a aparência da protuberância, ela é similar a uma espora – ou crista –  de galo e é por isso que a nomenclatura corrente utilizada é esporão do calcâneo.

A presença da calcificação é em várias situações associada a quadros de dores agudas no calcanhar, como pulsações intensas. Elas são também descritas como semelhante a agulhadas, e que costumam ser mais fortes ao acordar. Ao longo do dia a intensidade do desconforto costuma diminuir na maioria dos casos.

Porém, é necessário ressaltarmos, que não é a calcificação em si a causadora das dores, mas sim toda a alteração mecânica e bioquímica que está frequentemente associada a ela.

Lembramos também que é possível o desenvolvimento de uma saliência na parte posterior do calcâneo, sobre o tendão de aquiles. Porém, esse quadro é menos frequente e caso haja dor, ela não ocorre na sola do pé.

 

Causas do esporão

salto alto dor

A causa mais comumente relacionada a essa ocorrência é a formação de microtraumatismos no osso originados a partir do impacto que o mesmo precisa suportar, seja por causa de peso corporal ou por causa do excesso de atividades como corridas ou caminhadas.

Além disso, o encurtamento dos tendões e da fáscia podem ser motivos para o surgimento da calcificação, uma vez que há mais atrito agindo sobre o osso e a consequência é o surgimento de microtraumas.

Vale ressaltar que o esporão do calcâneo é uma situação clínica frequente e que acomete grande parte da população adulta mundial.

 

Fatores de risco

Na sequência listamos os principais fatores de risco para desenvolver a protuberância no osso calcâneo:

 

  • idade superior a 40 anos;
  • sobrepeso;
  • obesidade;
  • má postura ao caminhar ou manter-se de pé;
  • uso de sapatos inadequados para prática de exercícios;
  • utilização constante de saltos altos ou rasteirinhas;
  • prática excessiva de exercícios aos quais o corpo não está acostumado;
  • pé com curvaturas mais acentuadas (pé cavo);
  • pés com pouca curvatura (pé chato);
  • forma de caminhar inadequada ao padrão normal;
  • falta de alongamento da musculatura da panturrilha e dos pés;
  • quadros clínicos como artrite reumatoide, fascite plantar, gota e osteoartrite.

 

Por isso, aos primeiros sintomas de dor na sola do pé e a percepção de algum desses fatores acima indicados, o ideal é buscar o diagnóstico para o tratamento já no início do processo, impedindo a progressão do quadro.

Isto porque se há dor ela normalmente indica as outras situações e estas podem demandar maiores cuidados, como é o caso da artrite reumatoide, por exemplo.

 

Sintomas do esporão do calcâneo

esporao de calcaneo dor no pe

O esporão do calcâneo individualmente costuma ser assintomático e não provoca dor. Porém, como ele está frequentemente vinculado à fascite plantar ou à inflamação dos tendões ou de outros tecidos locais, as dores acabam sendo confundidas como resultantes da anormalidade no osso.

E elas costumam ocorrer logo cedo, ao acordar, quando a fáscia e a musculatura estão enrijecidas. Ou ainda após caminhadas e exercícios que exigem o suporte do peso corporal ou do impacto pelos pés.

Portanto, um indicativo que deve ser relatado durante a consulta médica para o diagnóstico é: dor na sola do pé intensa ao acordar e após esforço, com redução ao longo do dia e com o repouso.

Mas reforçamos que, quando não existem as outras ocorrências citadas acima, o paciente, em geral, não identifica a presença do esporão.

E, além disso, destacamos novamente que essa condição ortopédica é bastante comum. Uma em cada dez pessoas apresenta a saliência óssea característica. Porém, apenas 5% queixam-se de dores.

 

Mas o que realmente causa a dor na sola do pé?

A dor comumente associada ao esporão do calcâneo, caracterizada como forte e semelhante a agulhadas na região do calcanhar, é originada de um processo inflamatório dos tecidos subjacentes ao osso.

Isto é, quase sempre, sinal de que existem quadros clínicos concomitantes à calcificação óssea e que demandam um correto diagnóstico. O principal deles é a fascite plantar.

 

Esporão do calcâneo e a fascite plantar são sinônimos?

A fascite plantar costuma ser confundida com o esporão. Porém eles não são sinônimos, embora ocorram constantemente ao mesmo tempo em grande parte dos pacientes.

A primeira é uma inflamação da fáscia plantar, ou seja, do tecido conjuntivo fibroso que está localizada abaixo dos ossos do pé e recobrem a sola. Ela conecta o calcâneo e os dedos e sua função é formar o arco plantar.

Em uma situação normal, ela é flexível para e sua a movimentação é confortável e adequada. Mas quando ela inflama, torna-se mais rígida e impede uma liberdade de movimentos sem dor.

Sua inflamação pode ser resultado:

 

  • da falta de alongamento;
  • do prática descomedida de caminhadas;
  • da realização excessiva de exercícios de impacto;
  • de muito tempo despendido em pé.

 

Enfim, embora esporão e fascite não sejam a mesma ocorrência, são constantes as situações na clínica médica em que o primeiro é identificado apenas por causa da presença da inflamação da fáscia.

 

Quem é acometido pelo esporão do calcâneo?

As mulheres costumam ser mais acometidas pelo esporão do calcâneo. Porém, qualquer pessoa a partir dos 40 anos constitui-se em grupo de maior risco. Já as crianças e os adolescentes dificilmente apresentam o quadro.

Dentro do grupo dos adultos com maior predisposição, destacam-se:

 

  • os que têm sobrepeso ou obesidade;
  • quem apresenta pé curvo ou pé chato;
  • pessoas que ficam muito tempo de pé;
  • atletas que praticam modalidades de alto impacto com corridas e saltos.

 

Formas de diagnosticar a ocorrência ortopédica

Como nem todos os casos de esporão provocam dor, muitos não são diagnosticados, mas isto não apresenta nenhuma complicação para o paciente.

Porém, na presença do desconforto, a dor na sola do pé costuma ser a primeira questão verificada mais especificamente pelo médico.

Durante a consulta, há uma análise física tátil da região acometida e quando o médico exerce uma pressão sobre o calcanhar, no local onde é formada a calcificação, o paciente sente uma dor característica.

Além dessa intervenção, são coletadas ainda uma série de informações sobre o histórico do paciente, que podem indicar ou excluir a possibilidade do esporão, bem como identificar outras possibilidades para a dor percebida.

Na sequência, alguns exames costumam ser requeridos para confirmar a presença da saliência óssea. Os dois principais são:

 

  • raios-x;
  • ressonância magnética.

 

O primeiro permite visualizar na imagem a parte anormal calcificada. Já o segundo é utilizado com o intuito de diferenciar o esporão de outras situações que causam dores no calcanhar e nos pés, de maneira geral, como osteoartrite e atrite reumatoide, por exemplo.

 

O tratamento de esporão do calcâneo

 alongamento fascite plantar

Após o diagnóstico do esporão do calcâneo, o primeiro tratamento indicado, na maioria dos casos, é repouso e compressas de gelo para alívio do processo inflamatório que acomete o entorno do osso e causa as dor na sola do pé.

 

Porém, é provável que quando o paciente volte a realizar a atividade física e aos hábitos cotidianos, o incomodo surja novamente. Por isso, uma importante alternativa para o tratamento eficiente, e a prevenção da recorrência, é a fisioterapia ou atividades físicas sob orientação de profissional qualificado.

 

Por meio dessas práticas são realizados alongamentos que visam ampliar a flexibilidade da musculatura da panturrilha e dos pés. Afinal, os microtraumatismos que desencadeiam o esporão decorrem, muitas vezes, da pouca flexibilidade desses músculos.

Em geral, os exercícios propostos propiciam o alongamento da planta do pé, abrangendo músculos e fáscia, e da musculatura da perna junto ao tendão de aquiles.

Aliado a eles algumas outras propostas de tratamento podem ser feitas durante os períodos em que a dor é intensa. São elas:

 

  • uso de analgésicos e anti-inflamatórios;
  • terapias por ondas de choque ou ultrassom;
  • massagens locais;
  • elevação do pé nos momentos de descanso.

 

Existem uns poucos casos em que há a indicação de cirurgia. Apenas quando não há melhora do quadro com os tratamentos citados acima e o cotidiano do paciente é prejudicado a ponto de ele não conseguir exercer suas funções diárias.

Apenas nesta situação específica, caracterizada pela limitação do indivíduo, o esporão é retirado via procedimento cirúrgico.

 

 

Prevenindo o surgimento ou a recorrência

bolhas-e-calos

Finalmente, indicamos uma lista de hábitos saudáveis que tem como intuito prevenir o desenvolvimento da saliência que caracteriza a situação em questão. E como ela surge a partir dos microtraumatismos no osso, as práticas preventivas visam reduzir o impacto e atrito gerados sobre o calcâneo. São elas:

 

  • não os exercícios caso surja a dor na sola do pé durante a prática;
  • usar calçados adequados para caminhar, ficar de pé ou fazer exercícios;
  • evitar saltos altos ou sapatos com solado muito fino;
  • preferir calçados com solados de 2,5cm a 3,0 cm de espessura e amortecimento;
  • caso tenha pé chato ou cavo, utilizar palmilhas ortopédicas adequadas;
  • alongar diariamente as pernas e os pés;
  • acordar e fazer alongamentos específicos para a fáscia e tendão de aquiles;
  • fortalecer a musculatura dos pés;
  • manter a atenção sobre a postura do corpo ao caminhar ou ficar em pé;
  • cuidar do peso corporal, evitando o excesso;
  • apoiar toda a sola do pé no chão ao caminhar, realizando pisadas adequadas;
  • ao iniciar exercícios físicos, aumentar a intensidade gradualmente, para que o corpo se adapte e não sinta uma sobrecarga intensa.

 

Essas são apenas algumas sugestões para evitar a formação do esporão do calcâneo. E a partir do que foi dito, reforçamos que é uma ocorrência ortopédica frequente e, na grande maioria dos casos, assintomática.

 

Mas caso surjam as primeiras dores, é ideal que se contate o médico e seja feito um diagnóstico adequado para que o quadro doloroso não evolua e prejudique as atividades diárias.

 

Se você tem algum comentário sobre o esporão do calcâneo ou quer esclarecer mais dúvidas, deixe sua mensagem!

1 Comente

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  • Prezados, boa tarde !
    Meu pai, com 70 anos, está com esporão plantar de calcâneo. Ele tem feito infiltrações de corticoide e fisioterapia. Como a protuberância do esporão é bem visível no raio-x e ele está sofrendo bastante com isso, pensei na cirurgia como solução. Porém, sinalizaram pra ele que a cirurgia não adianta porque o esporão volta. Como nas minhas pesquisas pelo google, vejo uma unanimidade afirmando que a cirurgia é o último caso. Que na minha opinião, no caso do meu pai é último caso, tendo em vista que ele já não faz mais as atividades físicas essenciais para sua saúde e isso me preocupa muito. Gostaria de saber se a indicação cirúrgica, acompanhada de fisioterapia resolve.
    Obrigado

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