Dor no pescoço: quando você deve se preocupar
A dor no pescoço quase sempre é muscular e benigna, mas a pergunta que importa é quando ela não é.
- A maioria das dores no pescoço é musculoesquelética e melhora em algumas semanas, mas o diferencial é amplo: vai do ponto-gatilho do trapézio à radiculopatia cervical, da espondilose à mielopatia, e a causas graves fora da coluna.
- O que separa um quadro benigno de um perigoso é o padrão: déficit neurológico que progride, perda de destreza nas mãos e marcha alterada sugerem mielopatia; febre com rigidez de nuca sugere meningite; dor súbita após trauma ou esforço sugere dissecção arterial ou fratura.
- Diante de qualquer um desses sinais de alerta, a avaliação não deve esperar. Na ausência deles, o quadro costuma ser benigno e o tratamento depende da causa identificada.
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Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.
O que pode causar dor no pescoço
A coluna cervical vai da base do crânio à transição com o tórax e concentra, num espaço curto, músculos, articulações facetárias, discos, as raízes nervosas de C5 a C8, a medula e o trajeto da artéria vertebral. Por isso a mesma queixa, dor no pescoço, abriga um diferencial largo: a grande maioria é benigna e muscular, mas a pergunta que dá título a esta página, quando se preocupar, depende de reconhecer as poucas causas que não são.
Na prática, mais de um mecanismo costuma coexistir, e o lado em que a dor aparece, sozinho, não define a origem. O que separa os quadros é o padrão: onde a dor começa, para onde irradia, o que a piora e que sintoma a acompanha. As seções a seguir agrupam as causas por mecanismo, da mais comum à mais grave, e depois a página mostra como diferenciá-las e quais sinais mudam a urgência. Uma página irmã trata em paralelo a dor na cervical e na nuca, com foco na dor que sobe para a cabeça.
| Grupo | Pista que o identifica |
|---|---|
| Musculoesquelético | Dor surda em aperto, pior no fim do dia e com postura mantida; pontos sensíveis à palpação; sem déficit |
| Articular / degenerativo | Dor profunda e localizada de um lado, pior ao estender e girar o pescoço; mais comum a partir da meia-idade |
| Neurológico / radicular | Dor que desce pelo braço por um dermátomo, com formigamento e perda de força |
| Referido / cefaleia | Dor que sobe para a cabeça ou vem de estrutura vizinha, e não muda com o movimento do pescoço |
| Grave / sistêmico | Febre, trauma, déficit que progride, início súbito; é o grupo que define a urgência |
Causas musculoesqueléticas e articulares
É o grupo mais frequente e o de melhor prognóstico. A dor costuma ser surda, em aperto ou peso, piora ao longo do dia e com a postura mantida, e melhora com movimento e descanso. A palpação reproduz a dor em pontos e bandas musculares específicos, e o exame neurológico do braço é normal. Os quadros articulares e degenerativos entram aqui porque dividem a mesma base de tratamento, ainda que a dor seja mais localizada e profunda.
Cervicalgia mecânica
Dor inespecífica do pescoço sem causa estrutural definida, ligada a sobrecarga postural e tensão. Aperto e rigidez que pioram no fim do dia e com postura mantida, sem irradiação para o braço nem déficit. É a apresentação mais comum e a de melhor prognóstico.
Dor miofascial do trapézio
Banda tensa palpável no trapézio superior e no elevador da escápula, com dor referida que contorna a orelha até a têmpora. Comprimir o ponto reproduz a dor habitual. É o principal gerador miofascial da região e responde bem ao agulhamento.
Espondilose cervical
Desgaste degenerativo da coluna: discos que perdem altura, osteófitos e artrose das facetas. Dá dor axial, rigidez matinal e estalos, com perda de amplitude. Por si só não é cirúrgica; torna-se relevante quando estreita o forame ou o canal e comprime nervo ou medula.
Dor facetária
A artrose das articulações facetárias gera dor profunda e localizada de um lado, que piora ao estender e girar a cabeça para o lado doloroso e alivia ao flexionar. Pode referir dor para a nuca e a região interescapular, sem seguir o trajeto de uma raiz.
Torcicolo agudo
Pescoço que trava de repente, em geral ao acordar, com a cabeça presa para um lado e dor ao tentar virar. É um espasmo muscular benigno, sem déficit, que cede em dias. As primeiras horas têm orientação própria na página de torcicolo.
“Text neck” e dor postural
A cabeça projetada à frente sobre a tela multiplica a carga sobre os extensores cervicais e o trapézio. A dor tem assinatura de horário: pior no fim do dia e nos dias de mais trabalho sentado, e cede quando a tela sobe para a altura dos olhos.
Causas neurológicas e radiculares
Quando uma raiz cervical ou a medula é comprimida, a dor deixa de ser puramente local e ganha sintomas neurológicos: dor que desce pelo braço por um trajeto definido, formigamento, dormência e perda de força. Reconhecer o dermátomo e o miótomo acometidos localiza o nível. A mielopatia é o sinal de alerta deste grupo, porque o problema deixou de ser a raiz e passou a ser a própria medula.
Radiculopatia cervical (C5 a C8)
A compressão de uma raiz dá dor que desce pelo braço pelo seu dermátomo, com déficit no miótomo. C5: ombro e deltoide. C6: bíceps, polegar e indicador. C7: tríceps e dedo médio. C8: musculatura intrínseca da mão e dedos mínimo e anular. A dor piora à extensão e rotação do pescoço para o lado.
Hérnia de disco cervical
O extravasamento do disco comprime a raiz no forame e causa a radiculopatia, com a típica dor cervicobraquial. A maioria melhora com tratamento conservador ao longo de semanas. A página sobre hérnia de disco detalha o quadro e as indicações.
Mielopatia cervical
A compressão da medula, não da raiz, é uma emergência relativa e o sinal que mais escapa porque dói pouco: marcha e equilíbrio alterados, perda de destreza fina nas mãos (abotoar, escrever, segurar moedas), dormência difusa, sinal de Hoffmann e hiper-reflexia. A história natural tende à piora; exige avaliação de coluna sem demora.
Dor referida e cefaleia cervicogênica
Parte das dores sentidas no pescoço não nasce na coluna cervical, e parte das que nascem ali sobem para a cabeça. Pela convergência trigeminocervical, as fibras das raízes cervicais altas e do trigêmeo terminam nos mesmos neurônios do tronco encefálico, de modo que uma fonte no pescoço pode ser sentida na cabeça. A pista comum a este grupo é que a dor referida costuma não mudar com o movimento do próprio pescoço.
Cefaleia cervicogênica
Dor de cabeça que nasce na nuca e se espalha para um lado, sempre do mesmo lado, desencadeada pelo movimento ou pela postura do pescoço. A coluna cervical alta é a origem da cefaleia. Detalhada na página de cefaleia cervicogênica.
Neuralgia occipital
Dor em choque ou queimação que segue o trajeto do nervo occipital maior, do alto do pescoço ao couro cabeludo, em paroxismos. A palpação do ponto de emergência do nervo costuma reproduzir a dor. Detalhada na página de neuralgia occipital.
Dor de ouvido, garganta ou clavícula
Estruturas vizinhas referem dor para o pescoço: ouvido, garganta, dentes, articulação da mandíbula e clavícula. A dor costuma vir com o sintoma da própria estrutura (otalgia, dor ao engolir) e não muda ao mover o pescoço. Tratada em páginas específicas do blog.
Causas graves e emergências
São raras, mas é por elas que se rastreiam bandeiras vermelhas em toda dor cervical, e são o que de fato responde à pergunta desta página. Aqui a dor no pescoço pode ser a ponta de um problema que está nas meninges, na parede de uma artéria, no osso ou no tórax. O padrão e os sintomas acompanhantes denunciam o quadro, e a conduta é diferente: reconhecer e encaminhar com urgência, não tratar a dor.
Meningite e meningismo
Rigidez de nuca que impede encostar o queixo no peito, com febre, mal-estar intenso, dor de cabeça forte e, por vezes, confusão. Diferente da rigidez mecânica, que limita o giro mas não trava a flexão. É emergência, sobretudo em diabéticos, imunossuprimidos ou após procedimento recente.
Dissecção arterial
A dissecção da artéria vertebral ou carótida dá dor súbita e intensa no pescoço ou na nuca, com frequência após trauma, manipulação cervical brusca ou esforço. Pode vir com Horner, vertigem ou sinais de pré-AVC. Dor cervical nova e atípica com déficit neurológico é emergência.
Fratura ou luxação cervical
Dor após queda, acidente ou trauma de alta energia, sobretudo com dor à palpação da linha média, déficit neurológico ou em idosos e osteoporóticos. Exige imobilização e imagem antes de qualquer mobilização do pescoço. Trauma é uma das bandeiras que mais pesam.
Tumor e metástase
Dor que piora deitado e à noite, que acorda a pessoa de madrugada, com perda de peso ou história de câncer (mama, próstata, pulmão, rim e tireoide são os que mais metastatizam para a coluna). É o oposto do padrão mecânico e pede investigação de causa secundária.
Isquemia cardíaca referida
A isquemia do coração pode irradiar para o pescoço e a mandíbula, em especial sob esforço e com falta de ar, sudorese ou náusea. A dor não muda com o movimento do pescoço. Em quem tem fatores de risco, dor cervical atípica ao esforço merece descartar causa cardíaca.
Artrite inflamatória
Rigidez matinal prolongada e dor em mais de uma articulação sugerem doença inflamatória, como a artrite reumatoide, que pode acometer a junção C1-C2 e causar instabilidade. O tratamento de base é do reumatologista, e o manejo da dor entra como parte desse cuidado.
Como diferenciar pelo padrão
O padrão da dor, mais do que a imagem, separa as causas. A primeira tabela mapeia cada grupo à sua pista e à conduta; a segunda contrasta o que é uma dor benigna comum com o que indica investigar.
| Grupo / causa | Padrão típico | O que fazer |
|---|---|---|
| Miofascial / cervicalgia mecânica | Dor surda em aperto, pior no fim do dia e com postura mantida; pontos sensíveis à palpação; sem irradiação | Base conservadora: reabilitação, agulhamento seco e infiltração do ponto-gatilho |
| Articular / facetária e espondilose | Dor profunda e localizada de um lado, pior ao estender e girar; rigidez e estalos, a partir da meia-idade | Reabilitação dirigida; bloqueio facetário em casos selecionados |
| Radiculopatia cervical | Dor que desce pelo braço por um dermátomo, com formigamento e perda de força; pior à extensão e rotação | Exame neurológico, Spurling; imagem se déficit ou refratária |
| Referida / cefaleia | Dor que sobe para a cabeça ou vem de ouvido, garganta ou tórax; não muda com o movimento do pescoço | Investigar a estrutura de origem; ver páginas específicas |
| Mielopatia (sinal de alerta) | Alteração de marcha e destreza fina, dormência difusa, Hoffmann, hiper-reflexia | Avaliação de coluna sem demora |
| Grave / sistêmica (sinal de alerta) | Febre com rigidez de nuca; dor súbita após trauma ou esforço; dor noturna com perda de peso | Atendimento de urgência |
| Característica | Dor mecânica comum | Sinal de que precisa investigar |
|---|---|---|
| Irradiação | Fica no pescoço, no máximo refere para a têmpora ou o trapézio | Desce pelo braço por um trajeto definido até a mão |
| Força e destreza | Preservadas; mãos e marcha normais | Fraqueza, mãos desajeitadas, marcha ou equilíbrio alterados |
| Evolução | Melhora em semanas com medidas conservadoras | Progride, não cede ou piora à noite e em repouso |
| Acompanhantes | Sem febre, sem sintoma sistêmico | Febre, rigidez de nuca, perda de peso, início súbito após trauma |
Sinais de alerta: quando procurar atendimento
Esta é a seção central da página. A maioria dos quadros é benigna, mas cada sinal abaixo aponta para uma das causas graves do diferencial e indica que a avaliação não deve esperar. Procure atendimento se notar qualquer um destes:
Procure avaliação sem demora se houver
- Alteração da marcha, do equilíbrio ou da destreza fina das mãos (abotoar, escrever), com sinal de Hoffmann ou reflexos exaltados: pode ser mielopatia cervical.
- Febre, mal-estar importante ou rigidez de nuca que impede encostar o queixo no peito: pode ser meningite.
- Dor súbita e muito intensa na nuca após trauma, manipulação cervical ou esforço, sobretudo com sintoma neurológico, vertigem ou Horner: pode ser dissecção arterial.
- Dor após queda, acidente ou trauma, com dor à palpação da linha média ou em idoso e osteoporótico: excluir fratura.
- Fraqueza, dormência ou formigamento que desce para o braço ou a mão por um trajeto definido, ou que progride.
- Dor cervical que irradia para o tórax ou a mandíbula sob esforço, com falta de ar ou sudorese: descartar causa cardíaca.
- Dor que piora deitado e à noite, acorda a pessoa de madrugada, com perda de peso ou história de câncer.
- Alteração para urinar ou evacuar, ou dor que progride e não melhora em algumas semanas.
Cada sinal aponta para uma causa que muda a conduta. Marcha e destreza alteradas com Hoffmann sugerem compressão da medula (mielopatia). Febre com rigidez de nuca levanta a hipótese de infecção do sistema nervoso. Dor súbita após trauma ou esforço exige excluir dissecção arterial e fratura.
Déficit que progride sugere compressão de raiz. Dor noturna com perda de peso ou história de câncer pede investigação de causa secundária. É por isso que esses achados têm prioridade sobre a intensidade da dor.
Na ausência desses sinais, a dor no pescoço costuma ser benigna e melhora com medidas simples ao longo de algumas semanas. A presença de qualquer item acima, porém, justifica avaliação para descartar causas que exigem conduta específica. Em situações raras, como déficit neurológico que progride, a procura por atendimento deve ser imediata.
Vale separar dois grupos de bandeiras. As sistêmicas aparecem fora do pescoço e mudam a leitura de toda a queixa: febre ou suor noturno, perda de peso não explicada, dor que aumenta deitado e acorda a pessoa de madrugada, ou uma história prévia de câncer (mama, próstata, pulmão, rim e tireoide são os que mais metastatizam para a coluna). Já as neurológicas são as que a própria pessoa tende a desvalorizar, porque doem pouco ou nada: tropeçar mais, a sensação de andar sobre algodão, e mãos que ficaram desajeitadas para abotoar a camisa, virar a chave ou segurar moedas. Esse conjunto sugere mielopatia cervical (sofrimento da medula no pescoço) e é o que mais exige rapidez.
“Quanto mais forte a dor no pescoço, mais grave o problema.”
A intensidade da dor diz pouco sobre a gravidade. Uma crise muscular violenta costuma ser benigna, enquanto o sinal que mais preocupa frequentemente quase não dói: a perda discreta de destreza nas mãos e a mudança no equilíbrio ao andar, marcas iniciais da mielopatia cervical. É um sinal que escapa justamente porque a pessoa procura uma dor forte, e não uma mão desajeitada.
O que mais nos faz desacelerar a consulta raramente é a dor que a pessoa relata como insuportável. É o detalhe lateral: a queixa de que a letra mudou, de que os botões ficaram difíceis ou de que tropeça em degraus que antes subia sem pensar. Vale perguntar de forma específica, porque a pessoa costuma atribuir isso à idade ou ao cansaço e não associa ao pescoço.
Febre com dor cervical merece a mesma cautela, sobretudo em quem tem diabetes, usa imunossupressor ou fez procedimento recente, pela hipótese de infecção da coluna. E a dor que piora deitado e tira o sono, em vez de aliviar com o repouso, é o oposto do padrão mecânico e pede investigação. O que costuma surpreender quem chega assustado é o contrário: na imensa maioria, sem nenhum desses sinais, o quadro é muscular e cede com o tempo, e a conversa serve mais para tranquilizar com critério do que para pedir exames.
Como a dor no pescoço é avaliada
A avaliação parte de uma pergunta prática: a dor é predominantemente mecânica e miofascial, tem componente radicular (de raiz nervosa) ou há sinais que apontam para algo além da coluna? A história e o exame respondem à maior parte disso, antes de qualquer imagem.
Na história, caracteriza-se o tempo de evolução e o que melhora e piora a dor. A dor facetária costuma piorar à extensão e à rotação do pescoço; a miofascial, ao fim do dia e com a postura mantida. A irradiação para o braço e o trajeto do formigamento ajudam a sugerir a raiz envolvida. Em paralelo, rastreiam-se as bandeiras vermelhas: trauma, febre, perda de peso, história de câncer, imunossupressão e sintomas neurológicos.
- Inspeção e mobilidade
Postura da cabeça e amplitude cervical em flexão, extensão, rotação e inclinação, observando o arco doloroso.
- Palpação dirigida
Trapézio, elevador da escápula e suboccipitais, em busca de pontos-gatilho e bandas musculares tensas.
- Exame neurológico do braço
Força por miótomo (C5 deltoide, C6 extensão do punho, C7 tríceps, C8 flexão dos dedos), reflexos (bicipital C5-6, braquiorradial C6, tricipital C7) e sensibilidade por dermátomo.
- Manobras provocativas
O teste de Spurling (extensão, inclinação e leve compressão) reproduz a dor radicular; o teste de tensão neural e o alívio à abdução do ombro complementam.
Quando aparecem fraqueza progressiva, alteração da marcha, perda de destreza nas mãos ou sinais como Hoffmann e Babinski, investiga-se mielopatia cervical, uma situação menos comum que muda a urgência da conduta.
A imagem raramente é necessária nas primeiras semanas de uma dor mecânica sem bandeiras vermelhas. A ressonância fica reservada para déficit neurológico, suspeita de radiculopatia ou mielopatia, ou dor que persiste apesar do tratamento. Pedir imagem cedo demais costuma revelar alterações degenerativas próprias da idade, comuns mesmo em quem não sente dor, o que pode gerar preocupação e intervenções desnecessárias.
O tratamento depende da causa
Não existe um tratamento único para a dor no pescoço, porque a queixa reúne causas diferentes. O princípio é tratar a causa identificada na avaliação, sempre começando pelas medidas menos invasivas, de forma multimodal e reavaliada conforme a resposta. As bandeiras vermelhas precisam estar afastadas antes de qualquer tratamento dirigido à dor.
Na origem musculoesquelética e articular, que responde pela maior parte dos casos, a base é a reabilitação ativa: cinesioterapia com treino dos flexores profundos do pescoço (flexão craniocervical, um leve aceno de “sim” sem projetar o queixo) e estabilização escapulotorácica, organizada também como RPG ou Pilates clínico conforme a apresentação, em atendimento individual. Sobre essa base, quando há componente miofascial, somam-se o agulhamento seco e a infiltração de pontos-gatilho do trapézio superior e do elevador da escápula, que disparam a resposta de contração local, e a acupuntura médica, que modula a dor por vias segmentares e inibitórias descendentes. As ondas de choque entram quando há um componente de tendinopatia ou dor miofascial crônica associada, não como regra na dor axial pura.
Fisioterapia e agulhamento seco: a base do componente miofascial
A fisioterapia ativa é a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança na dor cervical mecânica, e a regularidade pesa mais do que a escolha da modalidade. O agulhamento seco do trapézio superior é o recurso que mais rápido desativa o gerador miofascial quando a banda tensa reproduz a dor habitual.
Na origem neuropática e radicular, trata-se a causa do conflito raiz-disco: a maioria das radiculopatias melhora com conduta conservadora ao longo de semanas, e o controle da dor neuropática pode incluir antidepressivos em dose baixa (amitriptilina, nortriptilina, duloxetina) ou gabapentinoides (gabapentina, pregabalina), com indicação, dose e prazo definidos pelo médico. Quando há padrão neurálgico, como na neuralgia occipital, o bloqueio do nervo occipital interrompe a condução nociceptiva e abre uma janela para a reabilitação. Nas causas vasculares, infecciosas, referidas ou sistêmicas, o tratamento não é da clínica da dor: o papel é reconhecer o quadro e encaminhar com a urgência que ele exige.
Medicação é adjuvante e com prazo: analgésicos simples e anti-inflamatórios em ciclos curtos na fase sintomática, relaxante muscular por poucos dias no espasmo agudo. Os fármacos são citados pelo princípio ativo, com finalidade educativa. As classes e seus cuidados estão no guia de remédios para dor.
Quando a cirurgia é considerada: a dor mecânica e miofascial do pescoço praticamente nunca opera, e operar uma coluna degenerada que aparece na ressonância mas não explica o quadro tende a não resolver a dor. A avaliação de um cirurgião de coluna se justifica diante de mielopatia, de déficit motor relevante ou progressivo, ou de radiculopatia incapacitante e refratária com imagem correlata; fora desses critérios, o caminho é conservador.
Controle inicial
Reduzir gatilhos posturais e iniciar mobilidade e ativação dos flexores profundos.
Progressão
Fortalecimento e técnicas em clínica conforme a causa; a dor costuma começar a ceder.
Reavaliação
Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico, relê-se as bandeiras vermelhas e considera-se imagem ou procedimento.
Prevenção e autocuidado
Boa parte das recorrências pode ser reduzida com hábitos simples mantidos no dia a dia. Pequenos ajustes constantes costumam valer mais do que esforços pontuais.
- Fazer pausas curtas a cada 30 a 50 minutos em tarefas sentadas.
- Ajustar a tela na altura dos olhos e apoiar os antebraços.
- Evitar usar o celular com o pescoço muito flexionado por longos períodos.
- Manter um programa de mobilidade e fortalecimento do pescoço.
- Cuidar do sono, com travesseiro que mantenha o pescoço alinhado.
Movimentos suaves de mobilidade, feitos sem dor, ajudam a preservar a amplitude do pescoço. Quem já teve episódios recorrentes costuma se beneficiar de um programa de exercícios mantido a longo prazo, em vez de tratar apenas as crises.
Na prática, três frentes ajudam a prevenir: mobilidade (movimentos lentos de rotação e inclinação dentro do conforto), ativação dos flexores profundos (um leve aceno de “sim” com a cabeça, sem projetar o queixo) e fortalecimento escapular (retração das escápulas em séries curtas ao longo do dia). Poucos minutos diários, de forma constante, costumam render mais do que sessões longas e esporádicas.
Referência reconhecida em dor
A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).
Perguntas frequentes
Dor no pescoço do lado direito ou esquerdo é diferente?
O lado isolado costuma refletir tensão muscular ou postura, e por si só não define a causa. O conjunto dos sintomas e o exame é que orientam o diagnóstico.
Dor na nuca é a mesma coisa?
A dor na nuca, parte alta do pescoço, pode se relacionar à cefaleia cervicogênica, quando a dor sobe para a cabeça. O padrão e o exame ajudam a distinguir.
Quanto tempo costuma durar?
A maioria dos quadros melhora em algumas semanas com medidas conservadoras. Dor que persiste ou piora merece avaliação.
Dor no pescoço e no ombro ao mesmo tempo, o que pode ser?
A musculatura do pescoço e do ombro está conectada, e a tensão costuma envolver as duas regiões. Se a dor desce pelo braço com formigamento, vale avaliar um possível componente de raiz nervosa.
Acordo com dor no pescoço. O que muda?
Dor ao acordar costuma relacionar-se à posição de dormir e ao travesseiro. Ajustar o apoio do pescoço e a posição na cama com frequência reduz o sintoma.
Travei o pescoço de repente, é torcicolo?
O quadro agudo de pescoço travado costuma ser tratado como torcicolo. As primeiras horas têm orientações específicas, descritas na página dedicada.
A ressonância mostrou hérnia ou desgaste. Preciso operar?
Na maioria das vezes, não. Alterações degenerativas e hérnias são comuns mesmo em quem não sente dor, e a maior parte dos quadros responde ao tratamento conservador. A cirurgia é considerada em situações específicas, como déficit neurológico progressivo ou mielopatia.
A dor vai e volta. Isso é normal?
Oscilações são comuns na dor cervical mecânica e costumam relacionar-se a carga, postura e estresse. Episódios recorrentes se beneficiam de um programa de exercícios mantido, mais do que de tratar apenas cada crise.
Quando devo procurar um especialista?
Quando a dor não melhora em algumas semanas, recorre com frequência, irradia para o braço com formigamento ou fraqueza, ou diante de qualquer sinal de alerta. Um médico fisiatra ou da dor pode definir a origem e montar o plano.
Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.
Ver a biblioteca científica completaReferências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Childress MA; Stuek SJ. Neck Pain: Initial Evaluation and Management. American family physician. 2020. PMID:32735440.
- Prablek M; Gadot R; Xu DS; Ropper AE. Neck Pain: Differential Diagnosis and Management. Neurologic clinics. 2023. doi:10.1016/j.ncl.2022.07.003. PMID:36400560.
Esta página descreve sinais de alerta para ajudar você a decidir quando buscar avaliação, com finalidade educativa, e não substitui a avaliação médica individual. Nenhuma lista de sintomas confirma ou descarta um diagnóstico à distância: a leitura de cada sinal e a conduta são definidas em consulta, de forma individualizada. Diante de qualquer bandeira vermelha, procure atendimento.

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A dor na minha cervical queima como brasa e não passa com nada ja faz uma semana assim e não sei oq fazer mal durmo e me da ancia de vomito
Olá queria uma resposta dói me a nunca um pouco e tá um pouco alto atras da cabeça na nuca, e não tenho força nos braços e da dormeçia às vezes é da dor nas mãos e branços,será algum grave
Eu sinto essa dor no pescoço que sobe pra nuca, a mais ou menos 4 anos, teve um tempo que melhorou… Fiquei quase 1 ano sem sentir e foi voltando… Não entendo está dor, fui a um psiquiatra neste tempo todo no qual ele me diagnosticou com depressão, mas não sinto que eu tenha, a dor melhorou quando larguei o tratamento… E ultimamente tem voltado e voltei a tomar o antdepressivo e a dor voltou mais forte, isso é muito estranho, pois já fiz fisioterapia antigamente e ressonância que não mostrou nada.. que loucura!
Diagnóstico antigo de DOENÇA DEGENERATIVA DA COLUNA CERVICAL…. sinto dores fortíssimas nas costas e pescoço…. ME AJUDE!!
Parabéns Dr. Marcus… uma verdadeira aula!!
José, boa noite. Ficamos felizes pelo comentário. Postamos recentemente em nosso Canal no YouTube um vídeo bem completo sobre dor no pescoço também. Caso tenha interesse, pode acessar ele aqui. Deixe seu comentário e dúvidas no vídeo. Atenciosamente, Equipe Dr. Marcus