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Dor na clavícula: o que pode ser?

O ombro é a articulação mais móvel do corpo humano, no entanto sua grande amplitude de movimentos a torna suscetível a lesões. Um dos ossos que se encontram nessa estrutura é a clavícula, conhecida popularmente como “saboneteira”. Devido à localização, não é incomum que lesões nos membros superiores causem dor na clavícula.

O incômodo nesse osso longo e fino pode ser causado por uma série de fatores, que estão ou não relacionados a traumas.

Além do osso em si – que pode sofrer fratura, infecção e luxação, a dor na clavícula pode ser resultado de lesões em ligamentos e cartilagens.

A seguir, entenda quais são as causas mais comuns de dor na clavícula, como elas se diferem e as melhores opções de tratamento.

Anatomia da clavícula

A clavícula é um osso bastante bastante sólido, que tem a forma ligeiramente semelhante à letra S e mede aproximadamente 15 cm de comprimento. É possível senti-la facilmente com os dedos, basta pressionar o colo, logo abaixo do pescoço.

Localizado na base do pescoço, ele conecta o braço ao corpo por meio de duas articulações:

  • Articulação esternoclavicular, localizada na extremidade interna (proximal) do osso do colo.
  • Articulação acromioclavicular: localizada na extremidade externa (distal) do osso, próxima ao esterno e à parte cartilaginosa da omoplata conhecida como acrômio.

Ambas as articulações são cercadas por ligamentos, cuja função é mantê-las no lugar, além de vários músculos do pescoço e do ombro.

A função da clavícula é manter os braços livres e apoiados, afastados do tronco, portanto qualquer lesão nessa estrutura, por mais simples que seja, pode atrapalhar a movimentação dos membros superiores.

O ombro é a articulação mais móvel do corpo humano, no entanto sua grande amplitude de movimentos a torna suscetível a lesões. Um dos ossos que se encontram nessa estrutura é a clavícula, conhecida popularmente como “saboneteira”. Devido à localização, não é incomum que lesões nos membros superiores causem dor na clavícula.

O que pode ser dor na clavícula?

Qualquer dano na clavícula ou nos tecidos moles que a circundam pode causar dor. Saiba quais são as lesões mais comuns e como elas se apresentam:

 

 

Osteólise de clavícula (ombro do levantador de peso)

Sentir dor na clavícula durante exercícios é alarmante. Esse osso sofre muita pressão no levantamento de peso, o que pode causar traumas. O problema recebe o nome oficial de osteólise de clavícula, mas é chamado popularmente de ombro do levantador de peso.

Nele, o estresse ligado a demanda excessiva e sem repouso da clavícula gera um edema ósseo que, com aumento de vascularização, causa a reabsorção do osso (osteólise).

O quadro provoca dor na clavícula perto do pescoço, que piora com movimentos simples, como encostar a mão na axila oposta, e específicos, como exercícios supinos.

 

 

Fratura

Clavícula quebrada é uma das causas mais comuns de dor nesse osso. Em geral, a fratura é fruto de quedas com os braço estendidos, golpes direto, acidentes de carro (especialmente aqueles que cursam com o efeito whiplash) ou incidentes no parto vaginal.

Embora as fraturas da clavícula geralmente sejam simples de tratar, cicatrizando em até três meses, elas podem causar grande incômodo. A dor aguda é sentida principalmente ao pressionar o osso e movimentar os ombros. Em alguns casos, vem acompanhada de deformidades e ruídos de estalos e trituração.

Na maioria dos casos, o tratamento não é cirúrgico, mas compreende imobilização pelo uso de tipóia ou cintas para ombro, além de sessões de fisioterapia. Nesse caso, a recuperação leva de seis a 12 semanas em adultos.

Nos quadros cuja fratura é mais grave, pode ser necessária cirurgia para unir os pedaços quebrados novamente, a qual pode incluir a fixação de pinos ou parafusos. A recuperação ocorre em aproximadamente três meses.

 

 

Tumor

Embora sejam raros, alguns casos de câncer causam dor na clavícula.

As células malignas podem se originar nos ossos ou em outras estruturas – como os linfonodos, afetando o osso pelo processo de metástase.

O tipo de tumor ósseo mais comum nessa região é o neuroblastoma, que acomete tanto o esqueleto quanto os linfonodos. Seus sintomas incluem dor, febre, sudorese, pressão alta, batimento cardíaco acelerado e alterações intestinais.

O tratamento pode compreender cirurgia para remoção dos tumores, radioterapia e quimioterapia. O prognóstico nem sempre é favorável, mas quanto antes a doença for diagnosticada, maiores são as chances de cura.

 

 

Lesão da articulação acromioclavicular

A articulação acromioclavicular liga a escápula à clavícula, sendo sustentada por quatro ligamentos fortes. Quando sobrecarregados, esses ligamentos correm risco de se romper parcialmente ou completamente, dependendo da gravidade da lesão.

Danos a qualquer um desses ligamentos causam instabilidade e dor na clavícula e no ombro – que piora com movimentos e restringe a amplitude do braço.

Os traumas mais ligados a essa lesão incluem queda sobre o ombro, queda com braços estendidos e levantamento repetitivo de peso.

Pequenas lesões parciais na articulação acromioclavicular geralmente são tratadas com fisioterapia e uso de tipóia por duas a três semanas. Se os ligamentos romperem completamente a ponto de causar luxação da clavícula, cirurgia para reposicionar o osso poderá ser recomendada.

Diferente dos ossos, os ligamentos machucados levam mais tempo para se recuperar, visto que têm suprimento insuficiente de sangue.

 

 

Artrite da articulação acromioclavicular

Artrite nada mais é que a inflamação e a degeneração da cartilagem e dos ossos. Quando acomete a articulação acromioclavicular, reduz o espaço entre a clavícula e o osso acrômio, fazendo com que suas superfícies fiquem acidentadas em vez de lisas.

A doença pode ser fruto de envelhecimento ou ser acelerada por lesões na cartilagem, como as decorrentes da prática de certos esportes, como levantamento de peso.

A dor na clavícula decorrente da artrite vai de leve a moderada e acomete ainda o ombro e o peito.

O tratamento principal inclui fisioterapia, com movimentos para fortalecer os músculos envolvidos e reduzir a dor. Ainda podem ser empregues medicamentos anti-inflamatórios e infiltrações.

Pacientes que praticam atividades físicas que exigem muito da articulação acromioclavicular podem ser orientados a interrompê-las até que a dor melhore.

Raramente a artrite exige a realização de cirurgias, mas, quando ocorrem, envolvem a remoção de uma pequena parte da clavícula.

Embora existam tratamentos para amenizar os desconfortos, a artrite não tem cura, mas os cuidados podem melhorar a qualidade de vida e impedir que a degeneração avance.

 

 

Osteomielite aguda da clavícula

Embora raramente, a osteomielite pode afetar a clavícula e causar dor intensa no local.

Essa condição se desenvolve após uma lesão, como efeito colateral de cirurgias de cabeça e pescoço ou por meio de uma infecção (geralmente bacteriana) – que viaja pela corrente sanguínea até acometer o osso.

Além da forte dor na clavícula, o quadro causa febre, inchaço e vermelhidão no local.

Por se tratar de uma infecção, o tratamento compreende a aplicação de antibióticos pela veia por até dois meses. Casos graves devem ser tratados com cirurgia para remoção dos tecidos infectados e mortos.

A recuperação costuma ser rápida, mas é necessário tomar cuidados posteriores para evitar o retorno da doença.

 

 

Lesão da articulação esternoclavicular

A extremidade da clavícula, que é mais próxima do osso esterno, possui ligamentos que quando lesionados, geram dor. Essas estruturas podem se romper parcial ou completamente, o que pode até mesmo facilitar a ocorrência de luxações.

Geralmente, esses traumas são frutos de golpes diretamente no ombro ou na clavícula, comuns em lutas e acidentes de carro.

Além da dor, poder haver nódulo visível na pele sobre a articulação.

O tratamento conservador costuma dar certo. Ele inclui exercícios fisioterápicos, repouso e interrupção de atividades agravantes. Em casos muito específicos, há necessidade de cirurgia.

É notável a melhora da dor em poucas semanas, porém a recuperação completa costuma levar meses.

 

 

Posição inadequada ao dormir

Uma causa muito comum de dor na clavícula é dormir em posições inadequadas, como aquelas que geram pressão sobre as articulações superiores.

É muito fácil adotar uma posição ruim ao dormir, já que as pessoas se movem à noite sem nenhum controle. Portanto, ao acordar com irritação na região inferior do pescoço e na clavícula, desconfie.

Uma dica para aliviar a dor depois de uma noite de sono é tomar um analgésico de venda livre. Porém, o ideal é apostar na prevenção: posicione travesseiros extras ao redor do pescoço e nas costas para ajudar a reduzir a quantidade de movimentos durante a noite.

 

 

Síndrome de compressão do desfiladeiro torácico

A síndrome de compressão da saída torácica é uma condição rara que ocorre quando os nervos entre a clavícula e as costelas ficam pinçados, o que geralmente é fruto de lesões, má postura, alterações anatômicas e uso excessivo ou movimentos repetitivos da articulação.

O problema gera formigamento, dormência e dor na clavícula que pode se estender para os braços ou as mãos. Ainda pode haver palidez e inchaço dos membros superiores.

Esse acometimento é facilmente diagnosticado por exames de imagem e de sangue. Já o tratamento consiste em sessões de fisioterapia e uso de medicamentos anti-inflamatórios. Se a dor não diminuir com o tratamento convencional, pode ser indicada cirurgia.

 

 

Ataque cardíaco

Uma pesquisa, publicada na publicação científica Lancet, analisou os registros de mortes causadas por ataques cardíacos na Inglaterra durante quatro anos e descobriu que os primeiros sinais de alerta foram ignorados em boa parte dos casos. Entre eles, está a dor na clavícula e nos ombros.

Portanto, vale avaliar se tais incômodos estão relacionados aos sintomas clássicos de infarto, como dor no peito, tontura, falta de ar, enjoo, vômito, ansiedade e tosse, e buscar um serviço de emergência em caso afirmativo.

Cuidados caseiros

Dor leve na clavícula que pode estar relacionada a uma tensão muscular ou a uma lesão menor pode ser tratada em casa. Algumas medidas que ajudam a amenizá-la são:

Descansar: evitar atividades que sobrecarregam ainda mais as articulações superiores é importante para evitar a progressão da lesão e acelerar seu tratamento.

Gelo: fazer compressas com gelo na área dolorida por cerca de 20 minutos a cada quatro horas é um bom método para reduzir o inchaço e a dor, além de combater a inflamação.

Elevação: manter os ombros acima do coração ajudar a reduzir o inchaço. Portanto, não se deite completamente nas primeiras 24 horas após a lesão, mas durma com a cabeça e o tronco levemente elevados.

Imobilização: imobilizar o braço e o ombro com uma tipóia ajuda a reduzir a gravidade da lesão e evita sua piora. Contudo, o ideal é contar com auxílio de um especialista para realizar a imobilização, já que fazê-la sem a técnica correta poderá agravar o quadro.

Quando consultar um médico

É indicado buscar um médico com urgência perante a dor que persiste por mais de um dia sem sinal de melhora ou que piora progressivamente.

Além disso, o serviço de emergência deve ser procurado sempre que a dor vier acompanhada de alterações visíveis na posição da clavícula ou no ombro. A demora na busca por ajuda dificulta o tratamento, agrava a dor e adia o processo de cicatrização.

Em resumo, se você sentir dor súbita na clavícula como resultado de um acidente, lesão esportiva ou outro trauma, vá para a sala de emergência. Se você sentir uma dor mais leve, mas que aumenta dia após dia, marque uma consulta com um médico ortopedista.

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