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Infecções da coluna vertebral

As infecções da coluna vertebral produzem diversos sintomas locais e sistêmicos como dor, febre, perda de peso e podem levar a deficits neurológicos graves se não tratadas. Na suspeita de doenças desse tipo, é preciso uma investigação completa, que inclui testes laboratoriais, provas inflamatórias e hemocultura. 

Idade avançada, uso de drogas, diabetes e transplante estão entre os fatores de risco para o problema, que pode ser causado por diferentes microorganismos, dentre eles fungos e bactérias.

Quanto antes for iniciado o tratamento mais fácil a progressão do quadro. Geralmente, a terapia envolve o uso de medicamentos antibióticos, suporte nutricional, controle da doença base, e em alguns casos, imobilização da coluna. Cerca de 75% dos pacientes tratados evoluem bem sem necessidade de cirurgia. 

Ao longo deste artigo falaremos mais sobre o que são as infecções da coluna vertebral, quais são as principais e seus sintomas, como são diagnosticadas e como se dá o tratamento dessas doenças. 

Infecções da coluna vertebral

A coluna vertebral é o eixo do corpo, sendo responsável por dar sustentação a posição bípede. Ela é formada por uma série de estruturas, dentre elas ossos, músculos, ligamentos, tendões, nervos, etc. 

Ela constitui ainda um canal de comunicação entre o sistema nervoso central e periférico através da medula espinhal. 

As infecções da coluna vertebral geralmente são causadas pela invasão de alguma de suas partes por microorganismos invasores. Em sua maioria, são complicações pós-operatórias, que tendem a aparecer nos dias e meses que seguem a esses procedimentos. 

As mais comuns são a osteomielite vertebral, as infecções do espaço do disco, conhecidas como discites, e o abscesso epidural espinhal, falaremos mais sobre cada uma delas adiante.

Infecções de tecidos moles são menos comuns nessa região, afetando principalmente pacientes mais jovens, enquanto as demais citadas possuem maior prevalência durante a terceira idade. 

Fatores de risco

Certos fatores tornam algumas pessoas mais predispostas a desenvolver infecções da coluna vertebral, veja alguns exemplos a seguir: 

  • Idade avançada
  • Uso de drogas endovenosas
  • Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)
  • Uso sistêmico de esteroides
  • Diabetes mellitus
  • Transplante de órgãos
  • Desnutrição
  • Câncer

Principais tipos de infecções da coluna vertebral

A seguir descreveremos em mais detalhes as infecções mais comuns da coluna vertebral, diferenciando-as em suas causas, áreas afetadas e sintomas. 

Osteomielite

A osteomielite é uma infecção óssea causada por bactérias ou fungos, principalmente pela bactéria Staphylococcus aureus, que habita naturalmente as nossas cavidades nasais, sem causar danos ao hospedeiro. O problema acontece quando de alguma maneira esse microorganismo ultrapassa as barreiras protetoras do corpo, penetrando o organismo e infectando outras regiões, nesse caso, a coluna vertebral. 

Os grupos de risco para a doença incluem crianças com imunidade comprometida que passaram por cirurgia recente, pessoas com diabetes descompensado, anemia falciforme e pacientes com distúrbios respiratórios. 

Além disso, devem ter cuidado especial indivíduos que passaram por quimioterapia, radioterapia e hemodiálise.

Dentre os principais sintomas da osteomielite: 

  • Dor
  • Vermelhidão
  • Calor local
  • Edema
  • Fadiga
  • Febre
  • Calafrios
  • Mal-estar
  • Sudorese.

Embora tais sintomas sejam os mais comuns, a doença possui um quadro bastante variado. Algumas pessoas não manifestam nenhum sinal da doença, outras possuem sintomatologia diversa, o que faz confusão entre esse problema e outros distúrbios, dificultando o seu diagnóstico precoce. 

Discite

Discite é o nome de uma doença que acomete a coluna, mais especificamente o espaço entre os discos vertebrais, principalmente em crianças pequenas. Diante de qualquer sintoma, é muito importante a busca imediata por atendimento médico.

Embora ainda não seja conhecida com clareza a causa da doença, acredita-se que ela tenha relação com uma infecção, que gera um quadro inflamatório ao redor dos discos intervertebrais e, desta forma, os sintomas. 

Ao que tudo indica, a infecção se inicia nos platôs vertebrais, se alastrando e alcançando os discos. Dentre os principais agentes, novamente ganha destaque a bactéria Staphylococcus aureus.

Essa patologia também pode ter origem em outros tipos de processos inflamatórios, como acontece em pacientes com doenças auto-imunes, por exemplo. 

As colunas lombar e torácica são as mais atingidas. Normalmente a dor local é o primeiro sintoma a surgir. Com o tempo, na ausência de tratamento, ela tende a evoluir de moderada para grave, embora tenha uma evolução lenta. O sintoma tende a tornar-se mais intenso com o movimento, e pode vir acompanhado de fraqueza, dormência, febre, sudorese, perda do apetite e sintomas radiculares. 

A inespecificidade dos sintomas torna o diagnóstico da doença complexo, causando confusão entre essa e outras infecções da coluna vertebral. Exames complementares são essenciais para esse processo de diferenciação. 

Abcesso epidural

O abscesso epidural também está entre as infecções da coluna vertebral mais comuns. O problema atinge principalmente a coluna torácica e lombar, e geralmente tem origem em uma outra infecção, podendo ter relação inclusive com a osteomielite vertebral. 

Alguns casos possuem relação com procedimentos médicos mais invasivos, decorrente da instrumentação médica. O uso de drogas intravenosas também é fator de risco para o problema. 

É difícil dizer qual a causa por trás do abcesso epidural, em cerca de dois terços dos casos não é possível encontrá-la. Assim como nas duas doenças apresentadas anteriormente, a bactéria Staphylococcus aureus é o principal agente causador da patologia. Além desse, outros microorganismos como a bactéria Escherichia coli e os fungos anaeróbios mistos podem estar relacionados. 

O abscesso pode também se formar no espaço subdural, embora seja menos comum.

Assim como nas demais infecções, a sintomatologia da doença tem início com um quadro de dores na coluna, que tende a se agravar com o tempo. Além disso, a posição deitada é geralmente um importante fator de piora para quem sofre com esse distúrbio. 

Alterações da sensibilidade à percussão, paresias nos membros inferiores, síndrome da cauda equina e outros déficits neurológicos podem surgir.  Por causa disso, o seu diagnóstico e tratamento são tão importantes. Quanto antes tiver for inciado o acompanhamento médico, mais fácil será o tratamento e melhor será o prognóstico. 

É complicado diferenciar uma simples dor nas costas dos sintomas de infecções da coluna vertebral.

Diagnóstico

É complicado diferenciar uma simples dor nas costas dos sintomas de infecções da coluna vertebral. Sendo assim, diante de qualquer sintoma, em especial da persistência desses desconfortos, consulte um médico da sua confiança. 

O primeiro passo para o diagnóstico é o estudo da saúde geral do paciente e da queixa por ele apresentada. 90% dos casos de infecção apresentam dor lombar como sintoma, já a febre está presente em 50% dos pacientes, enquanto os sintomas neurológicos são bem menos comuns. 

Uma anamnese detalhada é essencial, em especial um estudo completo do histórico de saúde do paciente. Além disso, o médico perguntará sobre hábitos, vícios, profissão, histórico familiar, dentre outras informações.

Após essa etapa inicial e um exame físico da coluna e dos demais sistemas do corpo, provavelmente serão indicados alguns testes laboratoriais, exames de imagem e em alguns casos uma biopsia. 

Exames complementares 

Na suspeita de infecção, são os exames complementares que vão contribuir para um diagnóstico assertivo. 

Dentre os testes laboratoriais, geralmente são pedidos: 

  • Hemogramas
  • Provas inflamatórias 
  • Hemocultura 
  • Biópsia 

Existem ainda alguns testes mais específicos para ajudar a diagnosticar uma infecção na coluna vertebral, como o exame de sangue de proteínas inflamatórias de fase aguda, taxa de sedimentação de eritrócitos (VHS) e proteína C-reativa (PCR), que auxiliam na dosagem de substâncias relacionadas a processos inflamatórios que indicam uma grande possibilidade de infecção. 

Os exames de imagem mais pedidos para diagnóstico de infecções da coluna vertebral, são a radiografia e a ressonância magnética, que ajudam a avaliar a localização e a dimensão da área lesada.

Identificar o microorganismo responsável pela infecção também é muito importante. Geralmente, a investigação se dá por meio de uma biópsia guiada por tomografia computadorizada do corpo vertebral ou do disco.

Culturas sanguíneas durante os picos de febre também podem ajudar a identificar os patógenos responsáveis pelas infecções da coluna vertebral. 

Tratamento

Inicialmente, o objetivo do tratamento é conter a infecção da coluna, evitando que a doença se torne um problema crônico. Quanto antes o tratamento for iniciado, menor o risco de complicações, dentre elas, prejuízos no crescimento ósseo de crianças e adolescentes, distúrbios articulares e alterações neurológicas graves. 

Tratar a infecção é também a melhor forma de controlar os sintomas e recuperar a qualidade de vida do paciente. 

Terapias com antibióticos e antifúngicos são úteis nesse sentido, geralmente por via endovenosa. Em caso de infecções fúngicas, o tratamento deve ser prolongado por muitos meses. 

O tempo de internação hospitalar pode ser longo, dependendo do tipo de infecção em questão. 

Para garantir a efetividade da terapia antimicrobiana é importante a identificação do agente infeccioso. 

A medicação leva de seis a oito semana para começar a fazer efeito, o que pode variar de caso para caso, conforme o organismo de cada pessoa responde ao tratamento e a idade do indivíduo. 

A imobilização também pode ser recomendada se houver significativo indício de instabilidade na coluna, o que poderia gerar um comprometimento mais sério.  

De maneira geral, o tratamento conservador se mostra bastante efetivo, e a cirurgia só é necessária em casos mais graves, quando há lesão neurológica avançada. 

Tratamento cirúrgico 

A cirurgia é a solução para pacientes com infecções graves ou mesmo com alterações mais significativas, sejam elas estruturais ou funcionais. Também é alternativa para casos não controlados apenas com a terapêutica clínica. 

O objetivo do tratamento cirúrgico é restaurar os tecidos, descomprimindo áreas afetadas e recuperando a estabilidade da coluna. 

Por ser um procedimento invasivo, é necessária muita cautela. A cirurgia só deve ser considerada uma opção quando todos os aspectos a saúde do paciente forem avaliados e o médico achar apropriado o tratamento. 

Geralmente, a cirurgia é indicada para casos onde estão presentes: 

  • Comprometimento significativo dos ossos
  • Déficits neurológicos
  • Sepse com toxidade 
  • Ausência de resposta a antibióticos 
  • Falha da biópsia 

Quando a infecção ocorre após um procedimento cirúrgico, como a substituição de uma articulação, por exemplo, pode ser necessária uma nova cirurgia para retirada da articulação e do tecido infectado ao redor dela, sendo implantada uma nova prótese ainda no momento da operação. 

Como prevenir infecções da coluna vertebral?

Não existe uma fórmula definitiva de evitar infecções da coluna vertebral. No entanto, algumas mudanças simples de estilo de vida e alguns cuidados pontuais podem fazer a diferença. 

Primeiramente, é muito importante manter um estilo de vida equilibrado para um envelhecimento saudável do corpo. Lembrando que idade avançada é fator de risco para o problema. Alimentar-se bem e praticar atividade física é essencial à saúde de uma maneira geral. 

Se você é portador de doenças como diabetes mellitus, algum tipo de câncer, distúrbios da imunidade ou faz tratamento com imunossupressores, é essencial que siga as orientações médicas e faça o acompanhamento adequado do seu estado de saúde. 

Por último, tenha cuidado para não disfarçar a dor e retardar o diagnóstico. Tomar um analgésico ou anti-inflamatório provavelmente trará algum alívio dos sintomas, contudo, você pode estar mascarando o problema e dificultando sua identificação, fazendo com que essas doenças sejam descobertas já em casos mais avançados. 

A automedicação oferece risco, não ingira medicamentos sem prescrição médica adequada.

Dicas para evitar sentir dor na coluna

As infecções da coluna vertebral são apenas algumas das muitas causas de dores na coluna. As lombalgias são um problema bastante comum, em especial por maus hábitos mantidos pela maioria de nós. 

Preparamos algumas dicas para você que deseja aprender a cuidar melhor da saúde da sua coluna: 

  • Evite levantar pesos 
  • Evite movimentos repetitivos
  • Em caso de dor, faça repouso 
  • Controle o estresse
  • Mantenha-se em forma 
  • Pratique atividade física regularmente 
  • Faça alongamentos 
  • Corrija a sua postura 
  • Abandone o tabagismo 

E fique atento aos sinais de gravidade: 

  • Dores que duram mais de uma semana 
  • Dores insuportáveis que dificultam a movimentação 
  • Dor que só piora independente da medicação 
  • Formigamento nas costas e nas pernas
  • Fraqueza repentina nas pernas e nos pés 
  • Perda do controle da bexiga e do intestino 
  • Histórico familiar para câncer de pulmão, mama ou próstata
  • Surgimento repentino de dor lombar

Cuide bem de sua saúde, fique atento aos sinais que o seu corpo te dá e garanta sua qualidade de vida e bem-estar. A grande maioria das doenças é facilmente tratável se descoberta de maneira precoce. Lembre-se das consultas de rotina e não deixe de fazer um check-up da sua saúde de vez em quando! 

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).