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Meralgia parestésica: o que é, causas, sintomas e tratamento

Meralgia parestésica é uma mononeuropatia dolorosa, resultando em dormência ou dor na face anterior da coxa, devido a lesão do nervo cutâneo femoral lateral.

Todo o organismo é inervado, isto quer dizer que em todos os membros existem nervos, estes são componentes do sistema nervoso, e tem como função estabelecer ligação entre o sistema nervoso central e as demais partes do corpo humano.

Portanto, os nervos podem ser classificados entre nervos motores e nervos sensoriais, estes últimos relacionam-se aos estímulos detectados a partir dos sentidos, como dor, coceira, sensibilidade, formigamento, entre outros.

Há um nervo específico pelo qual este artigo se interessa, se trata do nervo femoral lateral, este faz parte da inervação da coxa e é classificado como um nervo sensorial, tem sua raiz na vértebra lombar L3. A trajetória deste nervo inclui a passagem pelo ligamento inguinal, uma fita elástica localizada na virilha, próxima ao osso da bacia.

A partir destas informações inicias, torna-se possível compreender melhor sobre de que se trata a meralgia parestésica, que será explicado ao longo do presente artigo, bem como as causas, sintomas e o tratamento.

O que é meralgia parestésica?

A palavra “meros” é originária do grego, que significa coxa, a palavra “algos” também do grego, significa dor. Dessa forma, o significado de meralgia nada mais é que dor na coxa. A palavra “parestesia” está relacionada a um conjunto de sensações.

Ao associar os dois termos, temos o significado de meralgia parestésica, algo como uma dor na coxa acompanhada de diferentes sensações. Mas esta patologia também pode ser encontrada na literatura pela nomenclatura síndrome de Bernhardt-Roth, em referência aos dois autores pioneiros nesta patologia.

Trata-se de uma patologia nervosa, pois afeta o nervo femoral lateral. Esta neuropatia é relativamente comum, cuja estimativa é de que afeta cerca de 5 pessoas por ano a cada 10.000 habitantes, sendo mais comum em indivíduos do sexo masculino e a idade mais predisponente é entre 30 e 65 anos.

Causas da meralgia parestésica

O que causa a meralgia parestésica é a compressão do nervo femoral lateral contra o ligamento inguinal, esta compressão impede que as informações nervosas passem normalmente pelo nervo, alterando assim as sensações.

Vale lembrar que o nervo femoral lateral é um nervo sensorial, por isso o distúrbio de sensações é tão presente nesta patologia.

Agora, o que faz com que haja esta compressão pode ser uma diversidade de fatores, os quais estão descritos abaixo:

-Vestimenta: roupas ou cintos apertados contribuem com a compressão do ligamento contra o nervo, pois apertam as duas estruturas uma contra a outra;

-Cintas: muitas mulheres recorrem às cintas modeladoras, que comprimem o abdome com o objetivo de afinar a cintura, porém este método pode causar a compressão do nervo femoral lateral;

Gravidez: pode contribuir com a compressão do nervo, pois neste período, os órgãos internos da mulher se comprimem para dar espaço ao bebê;

Obesidade: este é um fator predisponente, pois o acúmulo de gordura na região afetada pode fazer com que o ligamento inguinal seja comprimido contra o nervo;

-Distúrbios neurológicos: diversas agravantes relacionadas ao sistema nervoso central podem causar a disfunção do nervo femoral, como AVC, esclerose-múltipla, encefalite, mielite;

-Tumores e lesões: a presença de tumor ou lesão cerebral, vascular ou no cordão espinhal pode causar os sintomas da meralgia parestésica;

-Traumas: fraturas próximas ao ligamento inguinal podem empurrar o ligamento contra o nervo, causando a compressão;

Sintomas da meralgia parestésica

Os sintomas desta neuropatia são intermitentes, isto é, não são constantes, mas podem ser reincidentes. São basicamente os que caracterizam sua nomenclatura, ou seja, dor na coxa e diversas sensações. Mas vale enfatizar as principais sensações relatadas pelos pacientes acometidos:

Dor;

-Queimação;

-Dormência;

-Formigamento;

-Anestesia;

-Choque;

-Pontadas.

Além das sensações, há relatos de pacientes que perceberam queda e falta de crescimento de pelos na região afetada. O local da dor e das sensações é especificamente na lateral externa e na face frontal da coxa, com a extensão desde o quadril até próximo ao joelho. Os sintomas podem piorar de acordo com a posição e se o paciente se mantiver muito tempo em pé.

Há casos também que relatam irradiação da dor ao joelho, panturrilha, coluna e quadril, devido à compensação da postura em busca do alívio da dor.

Tratamento para meralgia parestésica

fisioterapia meralgia parestesica

Inicialmente, é imprescindível que seja feito o diagnóstico corretamente, que é realizado pelo médico através de exame clínico e perguntas sobre o histórico médico, bem como hábitos, situações antecedentes e sobre a dor, as sensações e onde estão situadas.  Além do exame clínico, podem ser solicitados exames de imagem da região pélvica para confirmação das hipóteses diagnósticas.

A partir da avaliação inicial, é possível definir o tratamento respeitando o perfil do paciente, isto é, se a paciente estiver grávida, o tratamento será adequado a sua condição, da mesma forma, se o paciente apresentar obesidade, o tratamento será direcionado para sua realidade.

Dessa forma, o tratamento para meralgia parestésica consiste, inicialmente, na definição da causa da compressão e com isso, na eliminação deste fator. O tratamento conservador inclui:

-Redução do peso: é preciso que o acúmulo de gordura na circunferência abdominal seja reduzido, para que haja descompressão do nervo femoral;

-Uso de roupas mais folgadas: como foi falado, é preciso vestir roupas que não comprimem a região da virilha e da cintura, por isso, recomenda-se o uso de roupas mais soltas ou a interrupção do uso de cinta;

-Compressa gelada: aplicar compressas de gelo ou de gel congelado para o alívio da dor, a aplicação deve ser durante cerca de 10 minutos, enquanto houver sintoma;

Fisioterapia: para o alívio da dor local e dos casos em que há irradiação da dor para a lombar e outras regiões;

Acupuntura: também para o alívio da dor, é bastante indicado para grávidas.

Se mesmo após remover as causas da compressão e mesmo com as técnicas de alívio da dor, ainda assim os sintomas persistirem, pode-se recorrer aos medicamentos analgésicos, anti-inflamatórios e outros.

Os analgésicos são indicados para o alívio da dor, mas é importante que seja com recomendação médica, principalmente quando a paciente estiver grávida. Os anti-inflamatórios, por sua vez, devem ser administrados aqueles que não possuem hormônios. Outros fármacos podem ser utilizados no tratamento, como antidepressivos tricíclicos ou anticonvulsivantes, estes são administrados visando ao auxílio da perda de peso.

Há ainda tratamentos alternativos para a meralgia parestésica se as outras intervenções não surtirem resultados eficazes. Confira logo a seguir quais são estes tratamentos alternativos:

-Agulhamento seco: também conhecido como dry needling ou inativação de pontos gatilho, o procedimento funciona na inserção de uma agulha de acupuntura no local da dor, para promover um estímulo esperando a resposta de contração, para alterar a posição que a estrutura em questão se encontra;

-Radiofrequência: aplicação direta na região afetada, ou seja, na lateral da coxa, auxilia no alívio da dor e no relaxamento das estruturas;

-Anti-inflamatório com corticosteroide: no início é recomendado evitar anti-inflamatórios com hormônios, porém se o tratamento não surtir efeito, pode-se recorrer aos corticosteróides par alívio das sensações dolorosas.

Há, por fim, a última alternativa de tratamento para a meralgia parestésica: a cirurgia. Os casos reincidentes e os casos que não apresentam respostas a nenhuma intervenção anterior deverá passar pelo procedimento cirúrgico

Há dois tipos de cirurgia neste caso: a neurectomia ou a neurólise. A neurectomia consiste no corte de um segmento nervoso específico, no caso, do nervo femoral lateral, a neurólise, por sua vez, consiste na liberação do nervo de alguma condição que esteja impedindo seu funcionamento natural.

A incisão pode ser feita horizontal ou verticalmente a uma distância de menos de 3 cm da espinha ilíaca anterossuperior, localizada pelo cirurgião, assim, o nervo femoral lateral ficará exposto e poderá ocorrer a intervenção direta.

A intervenção cirúrgica resulta na regressão dos sintomas na maioria dos casos. O pós-cirúrgico inclui os cuidados básicos com a cicatriz, a administração dos medicamentos prescritos pelo médico e o acompanhamento posterior, além da adoção de hábitos que evitem a recidiva da meralgia parestésica.

Ou seja, mesmo após a solução da agravante, é importante evitar roupas apertadas e evitar o ganho excessivo de peso.

Considerações finais

A meralgia parestésica é uma neuropatia não muito conhecida, porém as principais causas que estão relacionadas com a mesma são, por sua vez, muito comuns. Em outras palavras, a obesidade é um fator causal muito frequente hoje em dia, a maior parte da população possui excesso de peso e circunferência abdominal aumentada, é muito comum também, principalmente no Brasil, o costume de usar calças e shorts muito apertados.

A mudança nos hábitos contribui com a prevenção de diversos problemas de saúde, inclusive de problemas nervosos. O estilo de vida inadequado nos leva a esperar apenas doenças cardiovasculares e respiratórias, não é comum esperarmos problemas nos nervos relacionados à obesidade, por exemplo, podendo chegar a caso cirúrgico.

Portanto, é preciso cuidar da saúde como um todo, tratar o organismo como um instrumento que responde aos padrões de comportamento e costumes que adotamos durante a vida.

É preciso também estar atento aos sinais do organismo, uma dormência ou formigamento na coxa pode parecer algo natural, mas a frequência deste sintoma merece atenção, pois como vimos, pode indicar uma compressão no nervo femoral lateral.

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