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A dor psicogênica é real? Tudo o que você precisa saber sobre o assunto

Você já ouviu falar em dor psicogênica? Talvez você conheça melhor o problema como dor psicológica.

O quadro é marcado pela influência de fatores psicológicos na percepção de dor, e pode levar a dor crônica e até mesmo a incapacidade. 

Embora o médico investigue um distúrbio físico, nem sempre ele encontra, sendo difícil uma explicação adequada para a dor. Esse tipo de dor é por esse motivo muitas vezes considerado irreal, fruto da imaginação, o que de longe não corresponde a verdade. 

Essa alteração da sensibilidade, embora menos comum do que a dor neuropática ou nociceptiva, não é rara. O problema é muito comum em pacientes que sofrem com transtornos de ansiedade ou depressão

De qualquer forma, é sempre importante pesquisar a origem da dor, sendo essa física ou psicogênica. O médico, ao estudar o caso, irá direcionar o paciente quanto a exames e testes. Uma investigação aprofundada da saúde do indivíduo como um todo é importante para a escolha do tratamento adequado. 

O que é dor psicogênica?

dor psicogênica

Dor psicogênica é um tipo de dor em relação à origem, nesse caso, resultado da interação entre fatores físicos e psicológicos. Também conhecida como psicofisiológica, está muito ligada ao medo e a ansiedade, que tendem a tornar os neurônios mais sensíveis à dor por reduzirem os níveis das substâncias que modelam essa sensação. 

Em muitos casos o problema surge após a resolução da causa da dor, ou seja, o incômodo persiste, e muitas vezes se torna ainda mais intenso, apesar da sua origem já ter sido tratada. 

Para ser classificada como psicogênica, a dor não deve envolver nenhum mecanismo nociceptivo ou neuropático. Os sintomas psicológicos são suficientes para explicá-la, embora seu caráter subjetivo torne o diagnóstico mais complexo e demorado. 

Sendo assim, é necessária uma avaliação médica criteriosa de cada paciente com intuito de identificar a origem da dor. 

Nesses casos, os exames geralmente são inconclusivos e não demonstram nenhuma alteração física, não evidenciando enfermidade alguma. Um bom exemplo são pacientes que procuram o médico com queixas de dores no peito, mas não apresentam problemas fisiológicos no coração. Sintomas cardíacos são bastante comuns em pacientes fóbicos.

A dor psicológica causa uma dor física real, embora não esteja relacionada a alterações fisiológicas.

Características da dor psicogênica: É possível reconhecê-la?

Retornando ao exemplo anterior, seria possível ao paciente com dor no coração identificar se é uma dor física ou se trata-se de apenas um sintoma psicológico? 

Infelizmente, não. A dor psicológica causa uma dor física real, embora não esteja relacionada a alterações fisiológicas. Geralmente, o sintoma tem similaridades com dores já experimentadas em outros momentos da vida, que retornam através da memória da dor causando episódios dolorosos repetitivos e intensos. 

Cada paciente descreve a sua dor de uma forma. Em sua maioria, queixam-se de dor austera e profunda, como uma facada. Outros dizem ter a sensação de que estão encostando feridas em ferro quente. 

Dentre as mais comuns, dor de cabeça, dor muscular, dor nas costas, dor no peito e dor no estomago são frequentemente diagnosticadas como dores psicogênicas. 

Se você tem histórico para esse tipo de dor, pode suspeitar sim que alguns sintomas possuem origem psicológica. Contudo, em todo caso, uma investigação é importante para descarte de possíveis alterações físicas envolvidas. 

Não se preocupe, assim como os demais tipos de dores, a dor psicogênica também tem tratamento. Falaremos mais sobre isso adiante.

Mecanismo da dor

O mecanismo da dor psicogênica ainda é pouco compreendido, embora venha chamando a atenção de estudiosos de todos os lugares do mundo. Acredita-se que fatores ambientais podem estar envolvidos, em especial aqueles relacionados a alterações do estado e da função do sistema nervoso. 

Até então é aceita a participação de uma combinação complexa de eventos envolvendo questões físicas e psicogênicas. 

No entanto, cada caso é único e deve ser avaliado de maneira individualizada. Situações particulares estão envolvidas com a iniciação dos sintomas e podem ser associados às suas causas. 

Basta comparar as reações de diferentes indivíduos em circunstâncias similares.

Talvez você sinta muita dor de cabeça quando passa por momentos estressantes, enquanto outros indivíduos descrevem dor no peito, por exemplo. 

Mais uma vez ressaltamos a importância da análise clínica de cada paciente.

Gestão

Geralmente, quando sentimos dor e visitamos o consultório médico, são indicadas terapias capazes de resolver o problema, ou seja, de tratar a origem da dor. Contudo, a gestão da dor psicogênica é diferente, já que é difícil endereçar o problema. 

É necessário então avaliar uma série de fatores que podem possivelmente estar relacionados ao quadro, resolvendo as mais diversas questões envolvidas com as causas da dor. 

Os tratamentos disponíveis são bastante variados e podem ser combinados para melhorias mais rápidas. Em geral, o prognóstico é positivo e a maioria dos pacientes demonstra melhorias significativas a curto prazo. 

Tratamento para dor psicogênica 

Embora ainda se entenda pouco sobre o mecanismo por trás desse tipo de dor, e suas causas ainda não sejam conhecidas, existem diferentes opções terapêuticas capazes de ajudar pacientes que convivem com esse problema. 

A dor, por ser diretamente influenciada por fatores psicológicos, irá demandar um acompanhamento com equipe multidisciplinar, que  deverá contar com um psicológico ou um psiquiatra. O tratamento deve ser adequado às necessidades individuais de cada paciente com o objetivo de melhorar tanto sua saúde física como psicológica.

Tratamento medicamentoso

Alguns medicamentos podem ajudar no alívio da dor. O tratamento medicamentoso é importante para controlar possíveis complicações da dor psicogênica como insônia, ansiedade e depressão. 

Antidepressivos tricíclicos como a imipramina e os inibidores seletivos de serotonina e noradrenalina são os mais usados nesses casos. 

O uso de fármacos deve ser feito estritamente sob prescrição médica. A automedicação é contraindicada e pode trazer prejuízos à saúde. 

Psicoterapia

Geralmente, a psicoterapia é o primeiro recurso terapêutico escolhido para combate a dor psicogênica. O tratamento é realizado por meio do dialogo entre o paciente e o terapeuta, que lança mão de diferente ferramentas na tentativa de ajudar o indivíduo a compreender a si mesmo, seus sentimentos e comportamentos. 

Com a ajuda de um psicólogo, é possível se aproximar das causas da dor, tratar distúrbios psicológicos e eliminar sintomas que prejudicam a qualidade de vida do indivíduo. 

Técnicas de relaxamento

Aquietar o corpo é um meio de aquietar também a mente. Hoje em dia muitas pessoas sentem dificuldades de relaxar. Aprender a assumir o controle de si mesmo é muito importante. As técnicas de relaxamento são uma excelente forma de lidar com a dor psicogênica. 

É preciso treino para controlar a respiração. Você não conseguirá fazer isso enquanto faz suas atividades diárias. Sendo assim, é necessário um momento específico, um tempo para que você possa acessar a sua mente e estimular o seu corpo a encontrar calmaria. 

Alguns profissionais podem te ajudar nesse sentido, em especial o terapeuta. Geralmente, músicas leves, chás, um ambiente confortável, massagens corporais são boas alternativas para você que deseja começar sozinho. 

Técnicas de meditação

A meditação é o caminho para quem precisa desenvolver disciplina emocional, o que pode ajudar muito pessoas que sofrem com dores psicogênicas. A técnica é super acessível e você pode optar por contar a ajuda de um profissional ou mesmo fazer sozinho. 

Meditar é uma forma de aquietar a mente, lidar com estresse do mundo e assumir o controle de si. Essa é uma excelente ferramenta para lidar com fatores que estejam nos influenciando negativamente. 

Os benefícios são muitos, melhora a concentração, a consciência, promove autodisciplina, relaxamento muscular e ajuda a focar a mente, propiciando o alcance de um estado de maior clareza mental. 

TENS

Muito usada no tratamento dos mais diversos tipos de dores, a sigla TENS vem do inglês Transcutaneous electrical nerve stimulation, que significa neuroestimulação elétrica transcutânea, técnica baseada na teoria das comportas de dor. Sua principal finalidade é analgesia, para qual tem se mostrado bastante efetiva. 

O método é seguro, rápido e não invasivo. Além disso, pode ser usado para dores crônicas e agudas de diferentes origens, reduzindo a necessidade de uso de medicamentos, que poderiam vir a causar efeitos colaterais. 

Na prática, consiste na aplicação de impulsos elétricos na pele por meio de aparelhos específicos. A eletricidade ativa mecanismos internos de controle da dor, fazendo com que o sistema nervoso libere analgésicos naturais, ou bloqueando os sinais de dor enviados ao cérebro. 

O procedimento dura entre 20 a 40 minutos e pode ser realizado no consultório, não há necessidade de anestesia e os riscos de complicações são baixíssimos. A maioria dos pacientes apresenta ótimos resultados, ficando satisfeitos com o tratamento. 

Biofeedback

O biofeedback também é muito usado no tratamento da dor psicogênica. A ideia é permitir que a pessoa desenvolva autorregulação, o que pode ser útil nos mais diversos distúrbios. 

O indivíduo aprende a regular suas reações fisiológicas e emocionais por meio de um treinamento que envolve conscientização e relaxamento, principalmente. 

Todo esse processo torna-se possível por meio da medição de processos biológicos como frequência cardíaca, pressão arterial, tensão muscular, atividade cerebral, entre outros. A partir dessa análise a percepção corporal do indivíduo é ampliada, o que permite não só o controle da dor psicogênica, mas alivia dores de cabeça, melhora a concentração e ajuda na prevenção de diversas doenças, inclusive de problemas no coração. 

Um aparelho sensível a tais processos fisiológicos é utilizado para amplificar cada resposta, convertendo-as em informações significativas, em sua maioria sinais visuais. São esses sinais que guiarão o paciente ao autocontrole. 

Fisioterapia 

A fisioterapia oferece diversos recursos para pacientes que sofrem com dor psicogênica. O tratamento exige uma avaliação completa do paciente para que se descubra quais são os instrumentos válidos para cada caso. Geralmente, conta-se com uma equipe multidisciplinar, o que traz uma bordagem mais abrangente. 

Além de melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, o tratamento coopera para reabilitação e controle dos sintomas. São muitas as vantagens e praticamente nulos os riscos de complicações. Deve-se, contudo, sempre respeitar os limites de cada um.

A termoterapia, a eletroterapia, a cinesioterapia e as massagens são alguns dos recursos mais usados. Uma combinação deles pode ser indicada, potencializando os resultados do tratamento. 

Outros tipos de dor que você precisa conhecer

dores de cabeça

Além da dor psicogênica aqui apresentada, existem ainda dois outros tipos de dor que você precisa conhecer e saber como diferenciar. Veja a seguir. 

Dor nociceptiva 

A dor nociceptiva se manifesta por meio de vias dolorosas a partir do receptor de dor, chamado nociceptor. Esse receptor é ativado por meio de um estímulo nocivo. Você provavelmente está bastante familiarizado com esse tipo de dor. 

Essa é a sensação que você sente quando se machuca. Ela está associada à lesões teciduais, musculares, ósseas e ligamentares. 

Existem ainda dois subtipos de dor nociceptiva. 

Visceral 

É aquela que atinge órgãos internos e geralmente é mais difícil de determinar. É causada principalmente por distensão e estiramento visceral. 

Somática

É aquela que atinge a superfície do corpo, como feridas, queimaduras, etc. 

Dor neuropática

A dor neuropática está relacionada a problemas no sistema nervoso e geralmente está associada a patologias mais graves como AVCs, lesões na medula, tumores e esclerose múltipla. 

Podem haver outros sintomas de alterações na sensibilidade como fraqueza e dormência, por exemplo, e até sintomas motores nesses casos.

O seu diagnóstico é bastante desafiador, já que é difícil mensurar a sensação dolorosa devido à imprecisão da queixa do paciente. 

Analgésicos comuns, opioides e antidepressivos podem ajudar no alívio da dor, contudo, é essencial que sua causa seja tratada para evitar possíveis complicações. 

A dor neuropática está presente em cerca de 10% da população e se não tratada pode tornar-se incapacitante. 

Sentir dor nunca é normal, independente do tipo de dor em questão. Diante de qualquer sintoma doloroso, recomendamos que consulte um médico de sua confiança para investigação do caso. O médico é a pessoa certa para te ajudar a identificar e a tratar o problema para que você recupere sua saúde e qualidade de vida, e evite complicações mais graves no futuro. 

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).