Bursite do calcanhar: sintomas, causas e tratamento
Bursite no calcanhar é a inflamação das bolsas que amortecem a parte de trás do calcâneo, e dói atrás, não embaixo.
- A bursite no calcanhar é a inflamação de uma bolsa de amortecimento atrás do osso do calcâneo. A dor fica atrás do calcanhar, e não embaixo, o que já a separa da fascite plantar.
- São duas bolsas distintas: a retrocalcânea, profunda, entre o tendão de Aquiles e o osso, que dói mais por dentro; e a subcutânea (superficial), sob a pele, que incha de forma visível, irritada pelo contraforte rígido do sapato.
- Ela raramente vem sozinha: costuma andar junto com a tendinopatia insercional do Aquiles e, às vezes, com a deformidade de Haglund, uma proeminência óssea no calcâneo.
- O tratamento é conservador e não cirúrgico: ajuste de calçado e de carga e reabilitação como base, somados a ondas de choque, laser de alta intensidade, acupuntura e infiltração guiada em casos selecionados. A cirurgia ortopédica fica para a minoria refratária.
40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual
Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.
O que é a bursite do calcanhar
Bursite do calcanhar é a inflamação de uma bursa situada na parte de trás do calcâneo, o osso do calcanhar. A bursa é uma pequena bolsa revestida por membrana sinovial, com uma fina lâmina de líquido dentro, que funciona como coxim entre estruturas que deslizam uma sobre a outra. Quando ela é irritada por atrito ou pressão, a membrana se inflama, produz mais líquido e a bolsa incha e dói.
No calcanhar existem duas bursas que importam, e confundi-las é a fonte de boa parte da imprecisão dos laudos. A bursa retrocalcânea é profunda: fica encaixada entre a face posterior e superior do calcâneo e o tendão de Aquiles, logo antes de o tendão se inserir no osso. A bursa subcutânea do calcâneo (também chamada superficial ou retroaquileia) fica do outro lado do tendão, entre a pele e a inserção do Aquiles, bem rasa.
A primeira inflama por compressão entre osso e tendão, sobretudo na dorsiflexão do pé; a segunda inflama por atrito externo, quase sempre contra o contraforte rígido do sapato. Saber qual das duas está acometida muda onde dói, o que piora e parte da conduta.
A palavra “bursite” sugere uma inflamação clássica, com calor e vermelhidão, e isso de fato ocorre na fase aguda. Mas, na prática do consultório de dor, a bursite retrocalcânea costuma ser parte de um conjunto, e não um problema isolado: ela acompanha o sofrimento da inserção do tendão de Aquiles e, com frequência, uma saliência óssea no canto do calcâneo. Por isso o termo “bursite” no laudo de uma ressonância raramente conta a história inteira, e tratar só a bolsa, ignorando o tendão e a forma do osso, costuma resultar em recaída. O quadro completo da dor posterior do calcanhar é abordado no guia sobre dor no calcanhar.
“Bursite no calcanhar é desgaste do osso e só a cirurgia para raspar o calcâneo resolve.”
É a inflamação de uma bolsa de partes moles, em geral reversível. A grande maioria melhora ajustando calçado e carga e reabilitando o tendão de Aquiles, sem cirurgia.
Sintomas e onde dói
O sintoma central é a dor na parte de trás do calcanhar, que piora ao caminhar, ao subir ladeira ou escada e, de forma muito característica, ao calçar um sapato fechado de contraforte rígido. A localização exata e o que mais incomoda dependem de qual bursa está inflamada, e essa distinção é a pista clínica mais útil.
Na bursite retrocalcânea, a dor é mais profunda e fica logo acima do ponto onde o calcanhar encontra a sola, à frente do tendão de Aquiles. Ela aumenta quando o pé sobe (dorsiflexão), porque esse movimento comprime a bolsa entre o osso e o tendão, e há um ponto doloroso à palpação nos dois lados do tendão, junto ao osso. Pode haver um leve inchaço que preenche a depressão normal de cada lado do Aquiles.
Na bursite subcutânea superficial, o quadro é mais externo e visível: forma-se uma protuberância avermelhada e dolorida sobre a parte de trás do calcanhar, exatamente onde a borda do sapato roça, às vezes com a pele espessada por cima. É a clássica “bolha óssea” ou “deformidade da bota de inverno”, irritada pelo calçado.
Quando a bursite acompanha a tendinopatia insercional do Aquiles, somam-se rigidez matinal na parte de trás do tornozelo, dor ao iniciar a atividade que melhora ao aquecer e volta a piorar depois do esforço, e dificuldade de empurrar o pé para correr ou saltar. Muita gente descreve esse conjunto como “bursite no tornozelo”, embora a estrutura acometida fique no calcanhar, logo abaixo do tornozelo propriamente dito. A dor verdadeiramente articular do tornozelo, com inchaço difuso e perda de movimento, tem outra origem e está descrita na página sobre dor no tornozelo.
Dói por dentro, na dorsiflexão
Dor profunda à frente do Aquiles, junto ao osso. Piora ao subir o pé, ao agachar e ao correr em subida. Ponto sensível nos dois lados do tendão.
Incha por fora, contra o sapato
Protuberância avermelhada e dolorida sob a pele, atrás do calcanhar, onde a borda do calçado roça. Piora com sapato fechado e rígido.
Dor embaixo do calcanhar, pior no primeiro passo da manhã, é fascite plantar; dor atrás do calcanhar, pior ao calçar o sapato e ao subir escada, é bursite e tendão de Aquiles. A localização separa quase tudo.
Bursite, fascite, esporão ou Aquiles
A dúvida mais comum de quem pesquisa “bursite no calcanhar” é se não seria, na verdade, fascite plantar ou esporão. A resposta vem de duas perguntas simples: onde dói e quando dói mais. A fascite plantar dói embaixo, no primeiro passo da manhã; o esporão de calcâneo é uma calcificação na sola, em geral só um achado de raio-x; a bursite e a tendinopatia do Aquiles doem atrás. Misturar esses diagnósticos leva a tratar a estrutura errada.
| Quadro | Onde dói | Pista que diferencia |
|---|---|---|
| Bursite retrocalcânea | Atrás, profundo, à frente do Aquiles | Piora na dorsiflexão e ao agachar; ponto doloroso nos dois lados do tendão |
| Bursite subcutânea superficial | Atrás, sob a pele, sobre o osso | Protuberância avermelhada que dói contra o sapato; atrito externo |
| Tendinopatia insercional do Aquiles | Atrás, na inserção do tendão no osso | Rigidez matinal, dor ao iniciar e após o esforço; ver página dedicada |
| Fascite plantar | Embaixo do calcanhar, borda interna | Dor forte nos primeiros passos da manhã; alivia ao aquecer |
| Esporão de calcâneo | Mesma região plantar da fáscia | Achado de raio-x; em geral não é a causa da dor |
| Doença de Sever (criança/adolescente) | Parte de trás do calcanhar | Placa de crescimento; piora no esporte, melhora no repouso; autolimitada |
Repare que bursite retrocalcânea e tendinopatia insercional do Aquiles ocupam praticamente o mesmo ponto e quase sempre coexistem: a mesma tração repetida que sofre o tendão comprime a bolsa logo ao lado. Por isso, na prática, não se trata uma sem cuidar da outra, e o plano mira o conjunto. O detalhamento do tendão está na página sobre tendinite de Aquiles.
Já a confusão entre fascite plantar e esporão, a dor da sola, é discutida em esporão de calcâneo e fascite plantar. Saber a qual desses grupos o seu caso pertence é o que define o tratamento.
Causas e a deformidade de Haglund
A causa mais frequente da bursite do calcanhar é mecânica: a bolsa é solicitada além do que tolera, por compressão ou por atrito que se repetem. As vias se combinam, e identificar quais predominam orienta o que ajustar.
Aquiles encurtado e carga
Panturrilha e Aquiles encurtados, aumento brusco de corrida ou caminhada, subidas e saltos comprimem a bursa retrocalcânea entre o osso e o tendão.
Calçado rígido
Contraforte duro, sapato apertado atrás, bota de cano alto e salto que joga o pé para a frente roçam a bursa superficial contra o osso.
Há ainda a contribuição da forma do osso. Algumas pessoas têm uma proeminência mais saliente no canto posterior e superior do calcâneo, conhecida como deformidade de Haglund. Esse ressalto ósseo aumenta o atrito sobre as duas bursas e sobre a inserção do Aquiles, sobretudo dentro de calçados fechados.
A combinação de proeminência de Haglund, bursite retrocalcânea e tendinopatia insercional é tão comum que recebe um nome próprio, síndrome de Haglund, e explica por que algumas pessoas têm dor recorrente atrás do calcanhar mesmo cuidando da carga: o desenho do osso favorece o atrito. Fatores de pisada, como o retropé que desaba para dentro, e o uso prolongado de salto também entram na conta.
Causas menos frequentes existem e mudam a conduta. Doenças inflamatórias sistêmicas, como as espondiloartrites (espondilite anquilosante, artrite psoriásica) e a artrite reumatoide, podem inflamar a bursa retrocalcânea e a entese do Aquiles, em geral nos dois calcanhares e em pessoa jovem, com rigidez matinal prolongada; nesse cenário a avaliação reumatológica é necessária. A gota ocasionalmente acomete a região.
E a bursite séptica, infecção da bolsa, é mais comum na bursa superficial após uma ferida na pele sobre ela, com calor, vermelhidão intensa e às vezes febre, exigindo conduta própria e urgente. Distinguir uma bursite mecânica de uma inflamatória ou infecciosa é o primeiro passo da avaliação, porque os tratamentos são completamente diferentes.
Sinais de alerta
A maioria das bursites do calcanhar é benigna e mecânica. Alguns sinais, porém, indicam que a avaliação não deve esperar, porque apontam para infecção, doença inflamatória ou lesão do tendão de Aquiles, que mudam a conduta. Procure atendimento sem demora diante de qualquer um destes:
Procure avaliação sem demora se houver
- Vermelhidão, calor intenso e pele tensa sobre o calcanhar, sobretudo após corte ou ferida no local (suspeita de bursite séptica).
- Febre ou calafrios associados ao calcanhar inchado e muito dolorido.
- Um “estalo” atrás do tornozelo durante um esforço, seguido de fraqueza para empurrar o pé (suspeita de ruptura do tendão de Aquiles).
- Dor nos dois calcanhares em pessoa jovem, com rigidez matinal de mais de 30 minutos (possível espondiloartrite).
- Inchaço importante após trauma de maior energia, com incapacidade de apoiar o pé.
- Bursite em quem tem diabetes, usa imunossupressor ou tem a imunidade comprometida.
- Dor que piora de forma progressiva e não melhora após algumas semanas de cuidado bem orientado.
A suspeita de bursite séptica é a mais urgente: a infecção dentro da bolsa pode exigir análise do líquido, antibiótico e, às vezes, drenagem, e contraindica qualquer infiltração de corticoide antes de afastada a infecção. A suspeita de ruptura do Aquiles também pede avaliação imediata. Fora desses cenários, a dor atrás do calcanhar costuma responder bem ao tratamento conservador ao longo de algumas semanas.
Como a bursite do calcanhar é avaliada
O diagnóstico é, antes de tudo, clínico. A história aponta o calçado, o tipo e o volume de atividade e o tempo de evolução; o exame físico localiza o ponto doloroso exato e separa a bursa profunda da superficial. A imagem entra de forma seletiva, para confirmar o quadro, avaliar o tendão e a forma do osso ou afastar outras causas.
- História dirigida
Sapato de uso diário e esportivo, mudanças recentes de treino, subidas e saltos, tempo de dor e, em adolescentes, fase de crescimento e esporte.
- Palpação dos pontos-chave
Compressão da bursa retrocalcânea nos dois lados do tendão, junto ao osso; inspeção e toque da protuberância superficial sobre a pele; ponto da inserção do Aquiles.
- Testes de movimento e carga
Dor reproduzida na dorsiflexão e ao agachar, dor ao subir na ponta dos pés e avaliação do encurtamento da panturrilha e do Aquiles, que sobrecarrega a região.
- Avaliação do retropé e do calçado
Alinhamento do calcanhar, tipo de pisada e o quanto o contraforte do sapato pressiona o ponto dolorido.
A ultrassonografia é o exame mais útil e prático: mostra, em tempo real e sem radiação, o líquido aumentado dentro da bursa, o espessamento da parede e o estado da inserção do tendão de Aquiles ao lado, e ainda guia a infiltração quando ela é indicada. A radiografia de perfil ajuda a ver a proeminência de Haglund e a medir os ângulos do calcâneo, e descarta alterações ósseas. A ressonância magnética fica reservada à dúvida diagnóstica, à avaliação detalhada da entese e do tendão ou a dor que não responde ao tratamento. Pedir imagem cedo demais costuma revelar achados comuns, como uma bursa com pouco líquido em quem não tem dor, e gerar preocupação desnecessária.
Na prática, a ultrassonografia à beira do leito muda a conduta com frequência: confirma a bursite, mostra se a inserção do Aquiles também está doente e indica, na hora, se uma infiltração faz sentido e por onde entrar com a agulha, longe do tendão.
Tratamento da bursite do calcanhar
O tratamento da bursite do calcanhar é conservador, multimodal e individualizado, e a cirurgia é exceção. O objetivo é controlar a inflamação, tirar a dor, recuperar a função e, sobretudo, corrigir a sobrecarga e o atrito que originaram o problema, para que ele não volte. A base do plano é ativa e ambiental: ajuste do calçado, controle de carga e reabilitação do tendão de Aquiles e da panturrilha. As demais técnicas se somam a essa base conforme a bursa acometida, a fase (aguda ou crônica) e a resposta de cada pessoa.
Nenhuma delas substitui a correção do calçado e o fortalecimento, e nenhuma é aplicada de forma isolada. A grande maioria das bursites do calcanhar melhora sem bisturi; quando a dor persiste apesar de um plano conservador completo e bem conduzido por meses, sobretudo na síndrome de Haglund, encaminha-se para avaliação ortopédica.
Antes de escolher as técnicas, vale separar qual bursa comanda o quadro, porque isso muda onde se atua e o que se evita.
Bursa retrocalcânea (profunda)
Entre o osso e o tendão de Aquiles; inflama por compressão na dorsiflexão e quase sempre vem com a tendinopatia insercional do Aquiles.
→ foco: alongar e fortalecer a panturrilha, poupar a dorsiflexão máximaBursa subcutânea (superficial)
Sob a pele, atrás do calcâneo; inflama por atrito externo do contraforte rígido do sapato e incha de forma visível.
→ foco: tirar o atrito do calçado, proteger a peleCalçado, carga e reabilitação
Trocar o contraforte rígido por calcanhar macio ou aberto, controlar subidas e saltos, alongar e fortalecer a panturrilha e o Aquiles. É a base de todo o resto.
Ondas de choque
Ondas acústicas de alta energia sobre a inserção do Aquiles e a região da bursa, por mecanotransdução; melhor suporte na tendinopatia insercional associada.
Laser de alta intensidade
Fotobiomodulação com efeito anti-inflamatório e analgésico local; adjuvante que permite a reabilitação avançar mais rápido.
Acupuntura, eletroacupuntura e agulhamento seco
Mira os pontos-gatilho da panturrilha que puxam o Aquiles, longe da bursa; reduz a dor e a necessidade de anti-inflamatórios.
Infiltração guiada por ultrassom
Anestésico, por vezes com corticoide, depositado dentro da bolsa e nunca no tendão; pontual e seletiva, contraindicada se houver suspeita de infecção.
Mesoterapia
Microinjeções intradérmicas sobre a área dolorosa superficial, como adjuvante no controle da dor localizada.
Toxina botulínica
Reservada a casos refratários com forte encurtamento e espasmo da panturrilha; aplicada no músculo, reduz a tração sobre o Aquiles e a bursa.
Medicação adjuvante
Analgésicos simples e anti-inflamatórios por períodos curtos, para controlar a fase aguda e permitir a reabilitação; detalhada na seção «Tratamento medicamentoso».
Calçado, controle de carga e reabilitação: a base
- O que é
- A intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança, e o eixo de todo o resto: tirar o atrito e a compressão e reabilitar ativamente a cadeia posterior.
- Mecanismo
- Trocar o sapato de contraforte rígido por um de calcanhar macio, mais baixo ou aberto atrás, e evitar por um tempo subidas, escadas e saltos, sem cair no repouso absoluto. Uma leve elevação do calcanhar (calcanheira) reduz a tração do Aquiles sobre a bursa na fase aguda. Em seguida vem o trabalho ativo: alongamento da panturrilha e do Aquiles, que costumam estar encurtados, e fortalecimento progressivo em carga com elevação dos calcanhares.
- Evidência
- Forte O exercício de carga progressiva é a base do tratamento conservador da dor posterior do calcanhar e das tendinopatias.
- O que esperar
- Resposta gradual ao longo de semanas a meses, dependente da regularidade; o programa é mantido depois do alívio para reduzir recorrências. Na clínica, a reabilitação é individual.
- Indicações
- Todos os casos, como base do plano, em especial o encurtamento da panturrilha e a tendinopatia insercional do Aquiles associada.
- Limitações
- Na tendinopatia insercional associada, o protocolo é adaptado para não forçar a dorsiflexão máxima nas fases iniciais (trabalha-se com o calcanhar apoiado, sem descer abaixo do degrau), porque isso comprime a bursa. Exige adesão e tempo.
O racional dos exercícios de carga progressiva está detalhado na página sobre exercícios excêntricos para tendinopatias.
Ondas de choque (terapia por ondas de choque extracorpóreas)
- O que é
- Ondas acústicas de alta energia aplicadas sobre a inserção do tendão e a região da bursa.
- Mecanismo
- Atuam por mecanotransdução: o estímulo mecânico desencadeia neovascularização, estimula a regeneração do tecido degenerado da entese e tem efeito analgésico próprio, ao modular as terminações nervosas locais.
- Evidência
- Moderada Tem aqui uma de suas indicações com melhor suporte, sobretudo na tendinopatia insercional do Aquiles que acompanha a bursite, quando o quadro não cede só com a reabilitação.
- O que esperar
- O ciclo costuma ter cerca de 3 a 5 sessões semanais, e a melhora se constrói ao longo de semanas após o término, não de imediato. Durante a aplicação há desconforto tolerável e transitório.
- Indicações
- Tendinopatia insercional do Aquiles associada à bursite que não responde apenas à reabilitação.
- Limitações
- Há contraindicações específicas a respeitar, e por isso a indicação e a técnica cabem ao médico. O tema é aprofundado na página sobre ondas de choque no tendão de Aquiles.
Acupuntura médica, eletroacupuntura e agulhamento seco
- O que é
- Técnicas com agulha dirigidas aos pontos-gatilho e bandas tensas da panturrilha (gastrocnêmio medial e sóleo), e não ao calcanhar dolorido.
- Mecanismo
- No agulhamento seco, a agulha atravessa a banda tensa, provoca a resposta de contração local, reduz a atividade elétrica espontânea da placa motora e devolve comprimento ao músculo, soltando a corda que puxava o tendão. A acupuntura médica e a eletroacupuntura modulam a dor por mecanismos segmentares no corno dorsal, pela ativação de vias inibitórias descendentes e pela liberação de opioides endógenos; na eletroacupuntura, a corrente de baixa frequência tende a recrutar mais esses sistemas.
- Evidência
- Moderada Há evidência de benefício analgésico na dor musculoesquelética; é útil quando se busca reduzir o uso de anti-inflamatórios, que no calcanhar têm de ser poupados.
- O que esperar
- Por mirar a panturrilha, costuma bastar um número pequeno de sessões, guiadas pela resposta da dorsiflexão e pela palpação dos pontos, reavaliadas a cada uma ou duas semanas e interrompidas quando o ganho de mobilidade estaciona.
- Indicações
- Pontos-gatilho e encurtamento funcional do tríceps sural que aumentam a tração do Aquiles e a compressão da bursa retrocalcânea.
- Limitações
- As agulhas ficam na musculatura, longe da inserção do Aquiles e nunca dentro da bursa. O detalhamento da técnica está na página sobre agulhamento seco.
Infiltração guiada por ultrassom, mesoterapia e toxina botulínica
Quando a dor é intensa e limita a reabilitação, a infiltração da bursa retrocalcânea com anestésico local, por vezes associado a um corticoide, pode controlar a inflamação e abrir uma janela para avançar o tratamento ativo. Aqui a cautela é maior do que em outras bursas: a proximidade do tendão de Aquiles torna obrigatório o uso de guia por ultrassom, para depositar o medicamento dentro da bolsa e nunca no tendão, já que corticoide na inserção aumenta o risco de ruptura. Por isso a infiltração no calcanhar é pontual, seletiva e reservada a casos bem indicados, jamais repetida indefinidamente. Está contraindicada quando há suspeita de bursite séptica, motivo pelo qual afastar a infecção vem sempre antes.
Mesoterapia (intradermoterapia)
Microinjeções intradérmicas de medicamentos diluídos sobre a área dolorosa do calcanhar, com a proposta de ação local prolongada em baixas doses. Na dor do calcanhar é usada como adjuvante no controle da dor localizada superficial, somada às medidas de base e nunca isoladamente, com evidência mais heterogênea.
Toxina botulínica tipo A
Reservada a quadros que não respondem ao tratamento bem conduzido, sobretudo quando há forte componente de encurtamento e espasmo da panturrilha. Bloqueia a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular e reduz a liberação periférica de neuropeptídeos nociceptivos (CGRP, substância P), com efeito antinociceptivo que vai além do relaxamento muscular. Aplicada na musculatura da panturrilha, pode reduzir a carga sobre a inserção no calcâneo; o efeito começa em 2 a 4 semanas e dura cerca de três a quatro meses. Não é tratamento de primeira linha; a indicação, a escolha do produto e as doses cabem ao médico, dentro do plano multimodal.
Controle inicial
Trocar o calçado que pressiona, reduzir subidas e saltos, gelo na fase aguda, calcanheira se necessário e início do alongamento da panturrilha.
Progressão
Fortalecimento progressivo em carga e técnicas em clínica (ondas de choque, laser, acupuntura). A dor costuma começar a ceder e a função a melhorar.
Reavaliação
Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico, considera-se infiltração guiada e, na síndrome de Haglund refratária, avaliação ortopédica.
Usamos medidas objetivas próprias da região: a dor ao calçar o sapato fechado pela manhã, a dor ao subir escada e ao apoiar na ponta do pé, a tolerância ao tempo em pé e o ganho de dorsiflexão sem dor. Se em algumas semanas esses marcadores não cedem, a conduta não é repetir o mesmo ciclo: volta-se ao diagnóstico para checar se o que dói é mesmo a bolsa ou se a entese degenerada do Aquiles passou a comandar o quadro, se o calçado de uso diário continua roçando o ponto e se a panturrilha segue encurtada travando o exercício. A meta é recuperar a função e reduzir a dor a um nível que não limite a rotina, e a maioria das pessoas melhora de forma significativa em alguns meses de tratamento consistente. Quem tem a forma de Haglund tende a ter episódios que vão e voltam, o que torna o cuidado com o calçado e a manutenção dos exercícios parte do próprio tratamento.
Alguns padrões que o consultório de dor torna nítidos nesse quadro, e que mudam a conversa com o paciente:
A queixa que mais aparece não é a dor de caminhar, é a dor de calçar: o sapato fechado de contraforte rígido, a bota, o tênis de cano alto que pressionam justamente o canto de trás do calcanhar. Não é raro a pessoa estar há meses melhor descalça ou de chinelo e atribuir a piora ao esforço, quando o gatilho diário é o próprio calçado. Pedir para a pessoa trazer o sapato que mais usa, e apertar o contraforte com a mão para ver se reproduz a dor, costuma esclarecer mais do que um exame de imagem.
O fator formato do osso surpreende quem espera uma causa única. Duas pessoas com a mesma rotina podem ter desfechos diferentes porque uma tem a proeminência de Haglund mais saliente; nessa, a dor volta sempre que o calçado aperta, mesmo com a carga controlada, e o trabalho passa a ser de convivência e prevenção, com a escolha do sapato no centro, e não de cura definitiva da forma do calcâneo.
O ponto que mais exige cautela é a infiltração de corticoide perto do Aquiles. É justamente onde o paciente mais a deseja, porque a dor é forte, e onde ela é mais arriscada: corticoide depositado na inserção do tendão pode enfraquecê-lo e abrir caminho para a ruptura. Por isso, quando há indicação, ela é seletiva, guiada por ultrassom, dirigida à bolsa e nunca repetida em série. Muita gente chega pedindo “a injeção que resolve” e ouve o porquê de não ser bem assim atrás do calcanhar.
A palavra “bursite” no laudo costuma ser tratada como o diagnóstico final, e quase nunca é. Na parte de trás do calcanhar, a bolsa raramente adoece sozinha: ela inflama porque a inserção do tendão de Aquiles está sobrecarregada bem ao lado, e às vezes porque o osso tem a forma de Haglund por baixo. Tratar “a bursite” com gelo, anti-inflamatório e repouso, ignorando o tendão e o calçado, é o motivo mais comum de a dor voltar. O alvo útil não é a bolsa isolada, é o conjunto bolsa-tendão-osso-calçado, e quase tudo o que dá resultado duradouro mira o tendão e o atrito, não a inflamação da bolsa em si.
Tratamento não farmacológico: RPG, Pilates e fisioterapia
A reabilitação ativa é o trabalho de fundo do tratamento da bursite do calcanhar, ao lado do ajuste de calçado e do controle de carga (a base está descrita na seção «Tratamento da bursite do calcanhar»). Ela não trata só a bolsa inflamada, e sim a cadeia que sobrecarrega a parte de trás do calcâneo: a panturrilha encurtada que aumenta a tração do tendão de Aquiles sobre a inserção e comprime a bursa retrocalcânea, a fáscia plantar tensa que partilha a mesma cadeia posterior e o controle motor da pisada e do retropé que distribui a carga na propulsão. As abordagens abaixo se complementam, são individualizadas (um paciente por sala) e formam a base sobre a qual as técnicas em consultório se somam. A escolha entre elas depende do que o exame identifica, da bursa acometida e da fase do quadro, dentro de um plano multimodal e não cirúrgico.
RPG (reeducação postural global)
Método que trabalha o corpo em cadeias musculares, com posturas de contração isométrica em alongamento (excêntrica) sustentada e respiração, dirigidas à cadeia posterior (panturrilha, isquiotibiais, paravertebrais, fáscia plantar). No calcanhar, ao ganhar comprimento no gastrocnêmio e no sóleo, reduz a tração do Aquiles sobre a inserção e a compressão da bursa retrocalcânea na dorsiflexão, respeitando a regra de não forçar a dorsiflexão máxima quando há tendinopatia insercional. Limitações: exige adesão e tempo; não corrige o atrito de um calçado rígido nem a forma do osso na deformidade de Haglund.
Pilates clínico
Exercício terapêutico supervisionado, no solo ou em aparelhos, com foco em controle motor, estabilização e consciência corporal, adaptado ao quadro. Treina o controle motor do pé e do tornozelo e a estabilidade proximal (quadril e tronco): dorsiflexão controlada, alinhamento do retropé e ativação coordenada da panturrilha reduzem os picos de tração sobre a inserção do Aquiles e a compressão repetida da bursa. Limitações: depende de supervisão qualificada para ser terapêutico; não retira o atrito do calçado nem trata a fase aguda inflamatória.
Fisioterapia e cinesioterapia
Reabilitação ativa por exercício terapêutico dirigido aos fatores do exame: alongamento do gastrocnêmio, do sóleo e da fáscia plantar para restaurar a dorsiflexão e descomprimir a região posterior; fortalecimento excêntrico da panturrilha com elevações de calcanhar, na bursite com tendinopatia insercional realizadas com o calcanhar apoiado, sem descer abaixo do degrau; treino de controle do retropé e progressão graduada de carga. O trabalho excêntrico de panturrilha é a base do conservador nas tendinopatias e na dor posterior do calcanhar. Limitações: progressão mal dosada, ou descer abaixo do degrau cedo demais, pode reacender a dor; não corrige o atrito do calçado nem a proeminência de Haglund.
Terapia manual
Mobilização articular do tornozelo e do retropé e liberação miofascial da panturrilha e da musculatura plantar, aplicadas pelo fisioterapeuta. Melhora transitoriamente a mobilidade (em especial a dorsiflexão), modula a dor e reduz a tensão miofascial, criando uma janela para o exercício avançar. Tem benefício quando combinada com exercício, não isolada. Limitações: efeito transitório sem exercício; cautela na fase inflamatória aguda e sobre a bursa superficial irritada; não corrige a sobrecarga mecânica nem o atrito do calçado.
As evidências específicas para bursite do calcanhar são escassas para RPG e Pilates; o uso se apoia no efeito consistente do alongamento dirigido do gastrocnêmio e do sóleo e do exercício excêntrico sobre a sobrecarga posterior do calcâneo. Todas essas abordagens são mantidas depois do alívio para preservar o ganho e prevenir recorrência.
Tratamento cirúrgico e opções fora da clínica
A grande maioria das bursites do calcanhar responde ao tratamento conservador bem conduzido, e a cirurgia é exceção, não regra. Ela passa a ser considerada apenas quando a dor persiste de forma incapacitante apesar de um tratamento conservador completo e bem aderido por vários meses (ajuste de calçado, controle de carga, reabilitação com alongamento e excêntrico, e, quando indicadas, as técnicas em consultório), em geral no contexto de uma síndrome de Haglund refratária, em que a proeminência óssea mantém o atrito sobre a bursa e a inserção do Aquiles. Estas opções não são realizadas em nossa clínica; apresentamos o quadro completo e quando procurá-las, com um cirurgião de pé e tornozelo, sempre por decisão compartilhada.
Conservador · 1ª escolha
Calçado, carga, reabilitação e técnicas em clínica
- Ajuste do calçado e controle de carga para tirar o atrito e a compressão.
- Alongamento e fortalecimento excêntrico da panturrilha e do Aquiles.
- Ondas de choque, laser, acupuntura e, em casos selecionados, infiltração guiada.
- Resolve a grande maioria dos casos sem bisturi, ao longo de semanas a meses.
Cirúrgico · exceção
Corrigir o fator de atrito que não cede
- Considerado só após falha do conservador completo por vários meses.
- Indicado na síndrome de Haglund refratária e na tendinopatia insercional degenerada.
- Alvo é o fator que gera o atrito (proeminência óssea, bolsa cronificada, entese degenerada).
- Conduzido por cirurgião de pé e tornozelo, fora da nossa clínica.
As indicações cirúrgicas seguem alguns gatilhos objetivos: falha do tratamento conservador completo após meses bem conduzidos, dor que limita a marcha e o calçar de forma persistente, e uma causa anatômica que a correção mecânica não resolve, como a proeminência de Haglund associada a tendinopatia insercional degenerada. A escolha do procedimento depende do que o exame e a imagem identificam: remover só a dor sem corrigir o fator de atrito costuma levar à recidiva. Os procedimentos mais citados estão resumidos abaixo.
| Quando considerar | Procedimento | O que esperar |
|---|---|---|
| Bursite retrocalcânea crônica refratária com proeminência de Haglund que mantém o atrito | Ressecção da proeminência óssea (calcanioplastia) e da bursa retrocalcânea, por via aberta ou endoscópica | Remove o ponto de atrito entre osso e tendão; recuperação de semanas a meses, com retorno gradual à carga e reabilitação dirigida |
| Bursite subcutânea superficial crônica, isolada, refratária ao ajuste de calçado | Bursectomia (ressecção da bursa superficial), por vezes com regularização da borda óssea | Retira a bolsa cronicamente irritada; cicatrização cuidadosa da pele sobre o calcâneo, que é uma região de risco |
| Tendinopatia insercional do Aquiles degenerada associada, com calcificação | Desbridamento da inserção do Aquiles, com ressecção do tecido degenerado e reinserção do tendão quando necessário | Recuperação mais longa por envolver o tendão; imobilização inicial e reabilitação progressiva ao longo de meses |
O resultado cirúrgico é, em geral, satisfatório quando a indicação é precisa e o procedimento corrige o fator de atrito certo, mas nenhuma operação dispensa a reabilitação no pós-operatório nem a manutenção do calçado adequado. Como toda cirurgia na parte de trás do calcâneo, há riscos a considerar (infecção, problemas de cicatrização da pele sobre o calcanhar, que é fina e pouco vascularizada, rigidez, enfraquecimento do tendão de Aquiles quando ele é desinserido e reinserido, e dor residual), e a recuperação pode levar meses. Por isso a decisão é compartilhada e tomada apenas após o tratamento conservador ter sido realmente esgotado. Outras modalidades fora da clínica, como a confecção de órteses e calcanheiras sob medida por ortesista e o acompanhamento por cirurgião de pé e tornozelo ou por reumatologista quando há doença inflamatória de base, completam o cuidado quando o caso ultrapassa o manejo não cirúrgico.
Tratamento medicamentoso
O medicamento tem papel adjuvante na bursite do calcanhar: alivia a dor e a inflamação da fase aguda e abre uma janela para o ajuste de calçado e para a reabilitação, mas não corrige o atrito e a sobrecarga que geram o quadro. A prescrição, a dose e a duração são sempre definidas pelo médico, com atenção às comorbidades e aos efeitos adversos. A escolha é individual. A regra é usar a menor dose eficaz pelo menor tempo necessário, dirigindo o fármaco ao componente que predomina.
| Classe / opção | Para quê | Evidência | O que esperar e cuidados |
|---|---|---|---|
| Analgésicos simples (paracetamol, dipirona) | Dor leve a moderada; poupam o uso de anti-inflamatórios | Moderada | Primeira opção para alívio sintomático, com perfil de segurança favorável nas doses corretas. Cautela com paracetamol em hepatopatia. |
| Anti-inflamatórios orais (ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco) | Dor e inflamação da fase aguda, quando há componente inflamatório claro da bursa | Moderada | Benefício de curto prazo. Risco gastrointestinal, renal e cardiovascular, sobretudo em uso prolongado, em idosos e com comorbidades; usar por períodos curtos. |
| Anti-inflamatório tópico (diclofenaco em gel) | Alívio local da bursite superficial, que é rasa e acessível pela pele | Limitada | Menor exposição sistêmica; opção razoável em quem tem contraindicação ao anti-inflamatório oral. |
| Infiltração de corticoide, com cautela | Casos selecionados, na bursa retrocalcânea, quando a dor limita a reabilitação | Limitada | Sempre guiada por ultrassom: a proximidade do Aquiles traz risco de ruptura se o corticoide atinge a inserção. Jamais repetida indefinidamente; contraindicada se houver suspeita de bursite séptica. Técnica detalhada na seção «Tratamento da bursite do calcanhar». |
| Tratamento da causa de base (inflamatória ou infecciosa) | Espondiloartrite, artrite reumatoide, gota ou bursite séptica | Forte | Foge ao tratamento da bursite mecânica e exige acompanhamento próprio (ver abaixo). |
Quando a bursite decorre de uma espondiloartrite (espondilite anquilosante, artrite psoriásica), de artrite reumatoide ou de gota, o tratamento é o da doença de base e costuma ser conduzido por especialista (reumatologista): controle da crise e, conforme o caso, fármacos modificadores de doença, manejo da uricemia na gota e, em situações selecionadas, agentes biológicos. Na bursite séptica, a conduta é própria e urgente, com análise do líquido e antibiótico, por vezes drenagem, e nenhuma infiltração de corticoide antes de afastada a infecção.
Corticoide por via oral não tem papel na bursite mecânica do calcanhar. O alívio sintomático abre espaço para o tratamento ativo, mas a base continua sendo o ajuste de calçado, o controle de carga e a reabilitação. As opções estão reunidas no guia de remédios para dor.
Referência reconhecida em dor
A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).
Perguntas frequentes
O que é bursite no calcanhar?
É a inflamação de uma bolsa de amortecimento atrás do osso do calcâneo. A dor fica atrás do calcanhar, não embaixo. São duas bolsas: a retrocalcânea, profunda, entre o tendão de Aquiles e o osso, e a subcutânea superficial, sob a pele. É uma inflamação de partes moles, em geral reversível, e não um desgaste do osso.
Bursite no calcanhar é a mesma coisa que fascite plantar?
Não. A fascite plantar dói embaixo do calcanhar, na sola, e é pior nos primeiros passos da manhã. A bursite do calcanhar dói atrás, e piora ao calçar o sapato e ao subir escada. São estruturas e tratamentos diferentes; por isso a localização da dor é a primeira pergunta da avaliação.
Qual a diferença entre bursite retrocalcânea e superficial?
A bursite retrocalcânea é a da bolsa profunda, entre o tendão de Aquiles e o osso; dói por dentro e piora quando o pé sobe (dorsiflexão), ao agachar e ao correr em subida. A bursite subcutânea superficial é a da bolsa sob a pele; forma uma protuberância avermelhada que dói contra o sapato de contraforte rígido. A profunda costuma vir com tendinopatia do Aquiles; a superficial é mais ligada ao atrito do calçado.
Bursite no calcanhar ou bursite no tornozelo?
Muita gente chama de “bursite no tornozelo” a dor atrás do calcanhar, mas a bursa acometida fica no calcâneo, logo abaixo do tornozelo. A dor verdadeiramente articular do tornozelo, com inchaço difuso e perda de movimento, tem outra origem e é avaliada à parte. A localização exata do ponto doloroso resolve a dúvida.
O que é a deformidade de Haglund?
É uma proeminência óssea mais saliente no canto posterior e superior do calcâneo. Esse ressalto aumenta o atrito sobre as bursas e sobre a inserção do Aquiles, sobretudo dentro de sapatos fechados. Quando vem junto de bursite e tendinopatia insercional, chama-se síndrome de Haglund, e explica a dor recorrente atrás do calcanhar mesmo com cuidado da carga.
Qual é o tratamento da bursite do calcanhar?
É conservador, multimodal e não cirúrgico. A base é ajustar o calçado que pressiona, controlar a carga e reabilitar o tendão de Aquiles e a panturrilha. A elas somam-se, conforme o caso, ondas de choque, laser de alta intensidade, acupuntura, agulhamento seco e, em situações selecionadas, infiltração guiada por ultrassom. A cirurgia ortopédica fica para a minoria refratária, em especial na síndrome de Haglund.
Posso continuar correndo com bursite no calcanhar?
Em geral, vale reduzir temporariamente as subidas, as escadas e os saltos, que são o que mais comprime a bursa, sem parar totalmente. O retorno é gradual e guiado pela dor e pela resposta da reabilitação. Forçar a corrida na fase aguda tende a perpetuar a inflamação. O ideal é ajustar o volume com orientação, em vez de decidir por conta própria.
Quando devo procurar um especialista?
Quando a dor não melhora em algumas semanas, recorre com frequência, vem com vermelhidão e calor (suspeita de infecção), com um estalo e fraqueza atrás do tornozelo (suspeita de ruptura do Aquiles) ou em pessoa jovem nos dois calcanhares com rigidez matinal. Um médico fisiatra ou da dor define a origem e monta o plano não cirúrgico, encaminhando à ortopedia ou à reumatologia quando necessário.
Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.
Ver a biblioteca científica completaReferências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Conselho Federal de Medicina (CFM). Resolução sobre publicidade médica e vedação de promessa de resultado. Brasília: CFM.
- Morancie NA; Irvin L; Rayala BZ. Heel Pain: Diagnosis and Management. American family physician. 2025. PMID:41533410.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Duas dores atrás do calcanhar que parecem iguais podem ter origens distintas (bursa, entese do Aquiles, doença inflamatória), e por isso a conduta descrita aqui é um mapa geral que precisa ser individualizada caso a caso em consulta.

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OLÁ PESSOAL TUDO BEM, OBRIGADO PELAS DICAS TÃO IMPORTANTES SOBRE HÁ PARTE DA DOR NO CALCANHAR, POIS NO MOMENTO ESTOU TENDO ISTO E ME AJUDOU HÁ TIRAR HÁ DÚVIDA, E COM CERTEZA VOU TER QUE CONSULTAR NUMA CLÍNICA. VALEU PESSOAL.