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Pé e tornozelo · Tendão e bursa

Bursite do calcanhar: sintomas, causas e tratamento

Bursite no calcanhar é a inflamação das bolsas que amortecem a parte de trás do calcâneo, e dói atrás, não embaixo.

Resposta direta
  • A bursite no calcanhar é a inflamação de uma bolsa de amortecimento atrás do osso do calcâneo. A dor fica atrás do calcanhar, e não embaixo, o que já a separa da fascite plantar.
  • São duas bolsas distintas: a retrocalcânea, profunda, entre o tendão de Aquiles e o osso, que dói mais por dentro; e a subcutânea (superficial), sob a pele, que incha de forma visível, irritada pelo contraforte rígido do sapato.
  • Ela raramente vem sozinha: costuma andar junto com a tendinopatia insercional do Aquiles e, às vezes, com a deformidade de Haglund, uma proeminência óssea no calcâneo.
  • O tratamento é conservador e não cirúrgico: ajuste de calçado e de carga e reabilitação como base, somados a ondas de choque, laser de alta intensidade, acupuntura e infiltração guiada em casos selecionados. A cirurgia ortopédica fica para a minoria refratária.
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Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

O que é a bursite do calcanhar

Diagrama comparando uma bursa normal e uma bursa inflamada entre o osso e o tendão
A bursa inflamada incha e fica dolorida ao se interpor entre o osso e os tecidos que deslizam sobre ele.

Bursite do calcanhar é a inflamação de uma bursa situada na parte de trás do calcâneo, o osso do calcanhar. A bursa é uma pequena bolsa revestida por membrana sinovial, com uma fina lâmina de líquido dentro, que funciona como coxim entre estruturas que deslizam uma sobre a outra. Quando ela é irritada por atrito ou pressão, a membrana se inflama, produz mais líquido e a bolsa incha e dói.

No calcanhar existem duas bursas que importam, e confundi-las é a fonte de boa parte da imprecisão dos laudos. A bursa retrocalcânea é profunda: fica encaixada entre a face posterior e superior do calcâneo e o tendão de Aquiles, logo antes de o tendão se inserir no osso. A bursa subcutânea do calcâneo (também chamada superficial ou retroaquileia) fica do outro lado do tendão, entre a pele e a inserção do Aquiles, bem rasa.

A primeira inflama por compressão entre osso e tendão, sobretudo na dorsiflexão do pé; a segunda inflama por atrito externo, quase sempre contra o contraforte rígido do sapato. Saber qual das duas está acometida muda onde dói, o que piora e parte da conduta.

A palavra “bursite” sugere uma inflamação clássica, com calor e vermelhidão, e isso de fato ocorre na fase aguda. Mas, na prática do consultório de dor, a bursite retrocalcânea costuma ser parte de um conjunto, e não um problema isolado: ela acompanha o sofrimento da inserção do tendão de Aquiles e, com frequência, uma saliência óssea no canto do calcâneo. Por isso o termo “bursite” no laudo de uma ressonância raramente conta a história inteira, e tratar só a bolsa, ignorando o tendão e a forma do osso, costuma resultar em recaída. O quadro completo da dor posterior do calcanhar é abordado no guia sobre dor no calcanhar.

2
Bursas atrás do calcâneo (profunda e superficial)
Atrás
Onde dói, não embaixo do calcanhar
+Aquiles
Quase sempre vem junto da tendinopatia insercional
Não-cir.
Tratamento conservador resolve a maioria
Mito

“Bursite no calcanhar é desgaste do osso e só a cirurgia para raspar o calcâneo resolve.”

Fato

É a inflamação de uma bolsa de partes moles, em geral reversível. A grande maioria melhora ajustando calçado e carga e reabilitando o tendão de Aquiles, sem cirurgia.

Fisioterapeuta auxiliando exercício com halteres azuis em paciente deitada na fisioterapia
Reabilitação na clínica Fortalecimento com halteres guiado pela fisioterapeuta

Sintomas e onde dói

O sintoma central é a dor na parte de trás do calcanhar, que piora ao caminhar, ao subir ladeira ou escada e, de forma muito característica, ao calçar um sapato fechado de contraforte rígido. A localização exata e o que mais incomoda dependem de qual bursa está inflamada, e essa distinção é a pista clínica mais útil.

Na bursite retrocalcânea, a dor é mais profunda e fica logo acima do ponto onde o calcanhar encontra a sola, à frente do tendão de Aquiles. Ela aumenta quando o pé sobe (dorsiflexão), porque esse movimento comprime a bolsa entre o osso e o tendão, e há um ponto doloroso à palpação nos dois lados do tendão, junto ao osso. Pode haver um leve inchaço que preenche a depressão normal de cada lado do Aquiles.

Na bursite subcutânea superficial, o quadro é mais externo e visível: forma-se uma protuberância avermelhada e dolorida sobre a parte de trás do calcanhar, exatamente onde a borda do sapato roça, às vezes com a pele espessada por cima. É a clássica “bolha óssea” ou “deformidade da bota de inverno”, irritada pelo calçado.

Quando a bursite acompanha a tendinopatia insercional do Aquiles, somam-se rigidez matinal na parte de trás do tornozelo, dor ao iniciar a atividade que melhora ao aquecer e volta a piorar depois do esforço, e dificuldade de empurrar o pé para correr ou saltar. Muita gente descreve esse conjunto como “bursite no tornozelo”, embora a estrutura acometida fique no calcanhar, logo abaixo do tornozelo propriamente dito. A dor verdadeiramente articular do tornozelo, com inchaço difuso e perda de movimento, tem outra origem e está descrita na página sobre dor no tornozelo.

Bursa retrocalcânea (profunda)

Dói por dentro, na dorsiflexão

Dor profunda à frente do Aquiles, junto ao osso. Piora ao subir o pé, ao agachar e ao correr em subida. Ponto sensível nos dois lados do tendão.

Bursa subcutânea (superficial)

Incha por fora, contra o sapato

Protuberância avermelhada e dolorida sob a pele, atrás do calcanhar, onde a borda do calçado roça. Piora com sapato fechado e rígido.

Em uma frase

Dor embaixo do calcanhar, pior no primeiro passo da manhã, é fascite plantar; dor atrás do calcanhar, pior ao calçar o sapato e ao subir escada, é bursite e tendão de Aquiles. A localização separa quase tudo.

Bursite, fascite, esporão ou Aquiles

Ilustração anatômica lateral do pe rotulada em português indicando tendão de Aquiles, calcâneo, esporão, fáscia plantar e nervo, com a localização típica de dor de cada estrutura.
Cada estrutura do calcanhar gera um padrão de dor próprio, o que ajuda a separar bursite de fasciite, esporão e tendinite.

A dúvida mais comum de quem pesquisa “bursite no calcanhar” é se não seria, na verdade, fascite plantar ou esporão. A resposta vem de duas perguntas simples: onde dói e quando dói mais. A fascite plantar dói embaixo, no primeiro passo da manhã; o esporão de calcâneo é uma calcificação na sola, em geral só um achado de raio-x; a bursite e a tendinopatia do Aquiles doem atrás. Misturar esses diagnósticos leva a tratar a estrutura errada.

Causas de dor no calcanhar: onde dói e o que diferencia
QuadroOnde dóiPista que diferencia
Bursite retrocalcâneaAtrás, profundo, à frente do AquilesPiora na dorsiflexão e ao agachar; ponto doloroso nos dois lados do tendão
Bursite subcutânea superficialAtrás, sob a pele, sobre o ossoProtuberância avermelhada que dói contra o sapato; atrito externo
Tendinopatia insercional do AquilesAtrás, na inserção do tendão no ossoRigidez matinal, dor ao iniciar e após o esforço; ver página dedicada
Fascite plantarEmbaixo do calcanhar, borda internaDor forte nos primeiros passos da manhã; alivia ao aquecer
Esporão de calcâneoMesma região plantar da fásciaAchado de raio-x; em geral não é a causa da dor
Doença de Sever (criança/adolescente)Parte de trás do calcanharPlaca de crescimento; piora no esporte, melhora no repouso; autolimitada

Repare que bursite retrocalcânea e tendinopatia insercional do Aquiles ocupam praticamente o mesmo ponto e quase sempre coexistem: a mesma tração repetida que sofre o tendão comprime a bolsa logo ao lado. Por isso, na prática, não se trata uma sem cuidar da outra, e o plano mira o conjunto. O detalhamento do tendão está na página sobre tendinite de Aquiles.

Já a confusão entre fascite plantar e esporão, a dor da sola, é discutida em esporão de calcâneo e fascite plantar. Saber a qual desses grupos o seu caso pertence é o que define o tratamento.

Causas e a deformidade de Haglund

A causa mais frequente da bursite do calcanhar é mecânica: a bolsa é solicitada além do que tolera, por compressão ou por atrito que se repetem. As vias se combinam, e identificar quais predominam orienta o que ajustar.

Compressão e tração

Aquiles encurtado e carga

Panturrilha e Aquiles encurtados, aumento brusco de corrida ou caminhada, subidas e saltos comprimem a bursa retrocalcânea entre o osso e o tendão.

Atrito externo

Calçado rígido

Contraforte duro, sapato apertado atrás, bota de cano alto e salto que joga o pé para a frente roçam a bursa superficial contra o osso.

Há ainda a contribuição da forma do osso. Algumas pessoas têm uma proeminência mais saliente no canto posterior e superior do calcâneo, conhecida como deformidade de Haglund. Esse ressalto ósseo aumenta o atrito sobre as duas bursas e sobre a inserção do Aquiles, sobretudo dentro de calçados fechados.

A combinação de proeminência de Haglund, bursite retrocalcânea e tendinopatia insercional é tão comum que recebe um nome próprio, síndrome de Haglund, e explica por que algumas pessoas têm dor recorrente atrás do calcanhar mesmo cuidando da carga: o desenho do osso favorece o atrito. Fatores de pisada, como o retropé que desaba para dentro, e o uso prolongado de salto também entram na conta.

Causas menos frequentes existem e mudam a conduta. Doenças inflamatórias sistêmicas, como as espondiloartrites (espondilite anquilosante, artrite psoriásica) e a artrite reumatoide, podem inflamar a bursa retrocalcânea e a entese do Aquiles, em geral nos dois calcanhares e em pessoa jovem, com rigidez matinal prolongada; nesse cenário a avaliação reumatológica é necessária. A gota ocasionalmente acomete a região.

E a bursite séptica, infecção da bolsa, é mais comum na bursa superficial após uma ferida na pele sobre ela, com calor, vermelhidão intensa e às vezes febre, exigindo conduta própria e urgente. Distinguir uma bursite mecânica de uma inflamatória ou infecciosa é o primeiro passo da avaliação, porque os tratamentos são completamente diferentes.

Sinais de alerta

A maioria das bursites do calcanhar é benigna e mecânica. Alguns sinais, porém, indicam que a avaliação não deve esperar, porque apontam para infecção, doença inflamatória ou lesão do tendão de Aquiles, que mudam a conduta. Procure atendimento sem demora diante de qualquer um destes:

Sinais de alerta · não espere

Procure avaliação sem demora se houver

  • Vermelhidão, calor intenso e pele tensa sobre o calcanhar, sobretudo após corte ou ferida no local (suspeita de bursite séptica).
  • Febre ou calafrios associados ao calcanhar inchado e muito dolorido.
  • Um “estalo” atrás do tornozelo durante um esforço, seguido de fraqueza para empurrar o pé (suspeita de ruptura do tendão de Aquiles).
  • Dor nos dois calcanhares em pessoa jovem, com rigidez matinal de mais de 30 minutos (possível espondiloartrite).
  • Inchaço importante após trauma de maior energia, com incapacidade de apoiar o pé.
  • Bursite em quem tem diabetes, usa imunossupressor ou tem a imunidade comprometida.
  • Dor que piora de forma progressiva e não melhora após algumas semanas de cuidado bem orientado.

A suspeita de bursite séptica é a mais urgente: a infecção dentro da bolsa pode exigir análise do líquido, antibiótico e, às vezes, drenagem, e contraindica qualquer infiltração de corticoide antes de afastada a infecção. A suspeita de ruptura do Aquiles também pede avaliação imediata. Fora desses cenários, a dor atrás do calcanhar costuma responder bem ao tratamento conservador ao longo de algumas semanas.

Como a bursite do calcanhar é avaliada

O diagnóstico é, antes de tudo, clínico. A história aponta o calçado, o tipo e o volume de atividade e o tempo de evolução; o exame físico localiza o ponto doloroso exato e separa a bursa profunda da superficial. A imagem entra de forma seletiva, para confirmar o quadro, avaliar o tendão e a forma do osso ou afastar outras causas.

  1. História dirigida

    Sapato de uso diário e esportivo, mudanças recentes de treino, subidas e saltos, tempo de dor e, em adolescentes, fase de crescimento e esporte.

  2. Palpação dos pontos-chave

    Compressão da bursa retrocalcânea nos dois lados do tendão, junto ao osso; inspeção e toque da protuberância superficial sobre a pele; ponto da inserção do Aquiles.

  3. Testes de movimento e carga

    Dor reproduzida na dorsiflexão e ao agachar, dor ao subir na ponta dos pés e avaliação do encurtamento da panturrilha e do Aquiles, que sobrecarrega a região.

  4. Avaliação do retropé e do calçado

    Alinhamento do calcanhar, tipo de pisada e o quanto o contraforte do sapato pressiona o ponto dolorido.

A ultrassonografia é o exame mais útil e prático: mostra, em tempo real e sem radiação, o líquido aumentado dentro da bursa, o espessamento da parede e o estado da inserção do tendão de Aquiles ao lado, e ainda guia a infiltração quando ela é indicada. A radiografia de perfil ajuda a ver a proeminência de Haglund e a medir os ângulos do calcâneo, e descarta alterações ósseas. A ressonância magnética fica reservada à dúvida diagnóstica, à avaliação detalhada da entese e do tendão ou a dor que não responde ao tratamento. Pedir imagem cedo demais costuma revelar achados comuns, como uma bursa com pouco líquido em quem não tem dor, e gerar preocupação desnecessária.

Pérola clínica

Na prática, a ultrassonografia à beira do leito muda a conduta com frequência: confirma a bursite, mostra se a inserção do Aquiles também está doente e indica, na hora, se uma infiltração faz sentido e por onde entrar com a agulha, longe do tendão.

Assista: Bursite no Calcâneo – Dor no Tornozelo e Calcanhar

Tratamento da bursite do calcanhar

O tratamento da bursite do calcanhar é conservador, multimodal e individualizado, e a cirurgia é exceção. O objetivo é controlar a inflamação, tirar a dor, recuperar a função e, sobretudo, corrigir a sobrecarga e o atrito que originaram o problema, para que ele não volte. A base do plano é ativa e ambiental: ajuste do calçado, controle de carga e reabilitação do tendão de Aquiles e da panturrilha. As demais técnicas se somam a essa base conforme a bursa acometida, a fase (aguda ou crônica) e a resposta de cada pessoa.

Nenhuma delas substitui a correção do calçado e o fortalecimento, e nenhuma é aplicada de forma isolada. A grande maioria das bursites do calcanhar melhora sem bisturi; quando a dor persiste apesar de um plano conservador completo e bem conduzido por meses, sobretudo na síndrome de Haglund, encaminha-se para avaliação ortopédica.

Antes de escolher as técnicas, vale separar qual bursa comanda o quadro, porque isso muda onde se atua e o que se evita.

P

Bursa retrocalcânea (profunda)

Entre o osso e o tendão de Aquiles; inflama por compressão na dorsiflexão e quase sempre vem com a tendinopatia insercional do Aquiles.

→ foco: alongar e fortalecer a panturrilha, poupar a dorsiflexão máxima
S

Bursa subcutânea (superficial)

Sob a pele, atrás do calcâneo; inflama por atrito externo do contraforte rígido do sapato e incha de forma visível.

→ foco: tirar o atrito do calçado, proteger a pele
Reabilitação e calçadoProcedimentosMedicamentos

Calçado, carga e reabilitação

Trocar o contraforte rígido por calcanhar macio ou aberto, controlar subidas e saltos, alongar e fortalecer a panturrilha e o Aquiles. É a base de todo o resto.

ForteSemanas a meses

Ondas de choque

Ondas acústicas de alta energia sobre a inserção do Aquiles e a região da bursa, por mecanotransdução; melhor suporte na tendinopatia insercional associada.

Moderada3–5 sessões

Laser de alta intensidade

Fotobiomodulação com efeito anti-inflamatório e analgésico local; adjuvante que permite a reabilitação avançar mais rápido.

LimitadaSéries de sessões

Acupuntura, eletroacupuntura e agulhamento seco

Mira os pontos-gatilho da panturrilha que puxam o Aquiles, longe da bursa; reduz a dor e a necessidade de anti-inflamatórios.

ModeradaPoucas sessões

Infiltração guiada por ultrassom

Anestésico, por vezes com corticoide, depositado dentro da bolsa e nunca no tendão; pontual e seletiva, contraindicada se houver suspeita de infecção.

LimitadaCasos selecionados

Mesoterapia

Microinjeções intradérmicas sobre a área dolorosa superficial, como adjuvante no controle da dor localizada.

LimitadaAdjuvante

Toxina botulínica

Reservada a casos refratários com forte encurtamento e espasmo da panturrilha; aplicada no músculo, reduz a tração sobre o Aquiles e a bursa.

LimitadaRefratário

Medicação adjuvante

Analgésicos simples e anti-inflamatórios por períodos curtos, para controlar a fase aguda e permitir a reabilitação; detalhada na seção «Tratamento medicamentoso».

ModeradaCurto prazo
Calçado, carga e medidas iniciaisiniciar aqui
Sapato de calcanhar macio ou abertoReduzir subidas e saltosGelo na fase agudaCalcanheira se necessário
Reabilitação ativao que sustenta o resultado
Alongamento da panturrilha e do AquilesFortalecimento progressivo em carga
Técnicas em clínica e casos refratáriosse persistir
Ondas de choqueLaser / acupuntura / agulhamento secoInfiltração guiadaAvaliação ortopédica

Calçado, controle de carga e reabilitação: a base

O que é
A intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança, e o eixo de todo o resto: tirar o atrito e a compressão e reabilitar ativamente a cadeia posterior.
Mecanismo
Trocar o sapato de contraforte rígido por um de calcanhar macio, mais baixo ou aberto atrás, e evitar por um tempo subidas, escadas e saltos, sem cair no repouso absoluto. Uma leve elevação do calcanhar (calcanheira) reduz a tração do Aquiles sobre a bursa na fase aguda. Em seguida vem o trabalho ativo: alongamento da panturrilha e do Aquiles, que costumam estar encurtados, e fortalecimento progressivo em carga com elevação dos calcanhares.
Evidência
Forte O exercício de carga progressiva é a base do tratamento conservador da dor posterior do calcanhar e das tendinopatias.
O que esperar
Resposta gradual ao longo de semanas a meses, dependente da regularidade; o programa é mantido depois do alívio para reduzir recorrências. Na clínica, a reabilitação é individual.
Indicações
Todos os casos, como base do plano, em especial o encurtamento da panturrilha e a tendinopatia insercional do Aquiles associada.
Limitações
Na tendinopatia insercional associada, o protocolo é adaptado para não forçar a dorsiflexão máxima nas fases iniciais (trabalha-se com o calcanhar apoiado, sem descer abaixo do degrau), porque isso comprime a bursa. Exige adesão e tempo.

O racional dos exercícios de carga progressiva está detalhado na página sobre exercícios excêntricos para tendinopatias.

Ondas de choque (terapia por ondas de choque extracorpóreas)

O que é
Ondas acústicas de alta energia aplicadas sobre a inserção do tendão e a região da bursa.
Mecanismo
Atuam por mecanotransdução: o estímulo mecânico desencadeia neovascularização, estimula a regeneração do tecido degenerado da entese e tem efeito analgésico próprio, ao modular as terminações nervosas locais.
Evidência
Moderada Tem aqui uma de suas indicações com melhor suporte, sobretudo na tendinopatia insercional do Aquiles que acompanha a bursite, quando o quadro não cede só com a reabilitação.
O que esperar
O ciclo costuma ter cerca de 3 a 5 sessões semanais, e a melhora se constrói ao longo de semanas após o término, não de imediato. Durante a aplicação há desconforto tolerável e transitório.
Indicações
Tendinopatia insercional do Aquiles associada à bursite que não responde apenas à reabilitação.
Limitações
Há contraindicações específicas a respeitar, e por isso a indicação e a técnica cabem ao médico. O tema é aprofundado na página sobre ondas de choque no tendão de Aquiles.

Acupuntura médica, eletroacupuntura e agulhamento seco

O que é
Técnicas com agulha dirigidas aos pontos-gatilho e bandas tensas da panturrilha (gastrocnêmio medial e sóleo), e não ao calcanhar dolorido.
Mecanismo
No agulhamento seco, a agulha atravessa a banda tensa, provoca a resposta de contração local, reduz a atividade elétrica espontânea da placa motora e devolve comprimento ao músculo, soltando a corda que puxava o tendão. A acupuntura médica e a eletroacupuntura modulam a dor por mecanismos segmentares no corno dorsal, pela ativação de vias inibitórias descendentes e pela liberação de opioides endógenos; na eletroacupuntura, a corrente de baixa frequência tende a recrutar mais esses sistemas.
Evidência
Moderada Há evidência de benefício analgésico na dor musculoesquelética; é útil quando se busca reduzir o uso de anti-inflamatórios, que no calcanhar têm de ser poupados.
O que esperar
Por mirar a panturrilha, costuma bastar um número pequeno de sessões, guiadas pela resposta da dorsiflexão e pela palpação dos pontos, reavaliadas a cada uma ou duas semanas e interrompidas quando o ganho de mobilidade estaciona.
Indicações
Pontos-gatilho e encurtamento funcional do tríceps sural que aumentam a tração do Aquiles e a compressão da bursa retrocalcânea.
Limitações
As agulhas ficam na musculatura, longe da inserção do Aquiles e nunca dentro da bursa. O detalhamento da técnica está na página sobre agulhamento seco.

Infiltração guiada por ultrassom, mesoterapia e toxina botulínica

Quando a dor é intensa e limita a reabilitação, a infiltração da bursa retrocalcânea com anestésico local, por vezes associado a um corticoide, pode controlar a inflamação e abrir uma janela para avançar o tratamento ativo. Aqui a cautela é maior do que em outras bursas: a proximidade do tendão de Aquiles torna obrigatório o uso de guia por ultrassom, para depositar o medicamento dentro da bolsa e nunca no tendão, já que corticoide na inserção aumenta o risco de ruptura. Por isso a infiltração no calcanhar é pontual, seletiva e reservada a casos bem indicados, jamais repetida indefinidamente. Está contraindicada quando há suspeita de bursite séptica, motivo pelo qual afastar a infecção vem sempre antes.

Mesoterapia (intradermoterapia)

Microinjeções intradérmicas de medicamentos diluídos sobre a área dolorosa do calcanhar, com a proposta de ação local prolongada em baixas doses. Na dor do calcanhar é usada como adjuvante no controle da dor localizada superficial, somada às medidas de base e nunca isoladamente, com evidência mais heterogênea.

Limitadaadjuvante

Toxina botulínica tipo A

Reservada a quadros que não respondem ao tratamento bem conduzido, sobretudo quando há forte componente de encurtamento e espasmo da panturrilha. Bloqueia a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular e reduz a liberação periférica de neuropeptídeos nociceptivos (CGRP, substância P), com efeito antinociceptivo que vai além do relaxamento muscular. Aplicada na musculatura da panturrilha, pode reduzir a carga sobre a inserção no calcâneo; o efeito começa em 2 a 4 semanas e dura cerca de três a quatro meses. Não é tratamento de primeira linha; a indicação, a escolha do produto e as doses cabem ao médico, dentro do plano multimodal.

Limitadacasos refratários
Semana 1 a 2

Controle inicial

Trocar o calçado que pressiona, reduzir subidas e saltos, gelo na fase aguda, calcanheira se necessário e início do alongamento da panturrilha.

Semana 3 a 8

Progressão

Fortalecimento progressivo em carga e técnicas em clínica (ondas de choque, laser, acupuntura). A dor costuma começar a ceder e a função a melhorar.

Após 8 a 12 semanas

Reavaliação

Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico, considera-se infiltração guiada e, na síndrome de Haglund refratária, avaliação ortopédica.

Usamos medidas objetivas próprias da região: a dor ao calçar o sapato fechado pela manhã, a dor ao subir escada e ao apoiar na ponta do pé, a tolerância ao tempo em pé e o ganho de dorsiflexão sem dor. Se em algumas semanas esses marcadores não cedem, a conduta não é repetir o mesmo ciclo: volta-se ao diagnóstico para checar se o que dói é mesmo a bolsa ou se a entese degenerada do Aquiles passou a comandar o quadro, se o calçado de uso diário continua roçando o ponto e se a panturrilha segue encurtada travando o exercício. A meta é recuperar a função e reduzir a dor a um nível que não limite a rotina, e a maioria das pessoas melhora de forma significativa em alguns meses de tratamento consistente. Quem tem a forma de Haglund tende a ter episódios que vão e voltam, o que torna o cuidado com o calçado e a manutenção dos exercícios parte do próprio tratamento.

Da prática clínica

Alguns padrões que o consultório de dor torna nítidos nesse quadro, e que mudam a conversa com o paciente:

A queixa que mais aparece não é a dor de caminhar, é a dor de calçar: o sapato fechado de contraforte rígido, a bota, o tênis de cano alto que pressionam justamente o canto de trás do calcanhar. Não é raro a pessoa estar há meses melhor descalça ou de chinelo e atribuir a piora ao esforço, quando o gatilho diário é o próprio calçado. Pedir para a pessoa trazer o sapato que mais usa, e apertar o contraforte com a mão para ver se reproduz a dor, costuma esclarecer mais do que um exame de imagem.

O fator formato do osso surpreende quem espera uma causa única. Duas pessoas com a mesma rotina podem ter desfechos diferentes porque uma tem a proeminência de Haglund mais saliente; nessa, a dor volta sempre que o calçado aperta, mesmo com a carga controlada, e o trabalho passa a ser de convivência e prevenção, com a escolha do sapato no centro, e não de cura definitiva da forma do calcâneo.

O ponto que mais exige cautela é a infiltração de corticoide perto do Aquiles. É justamente onde o paciente mais a deseja, porque a dor é forte, e onde ela é mais arriscada: corticoide depositado na inserção do tendão pode enfraquecê-lo e abrir caminho para a ruptura. Por isso, quando há indicação, ela é seletiva, guiada por ultrassom, dirigida à bolsa e nunca repetida em série. Muita gente chega pedindo “a injeção que resolve” e ouve o porquê de não ser bem assim atrás do calcanhar.

A bursite no calcanhar raramente adoece sozinha

A palavra “bursite” no laudo costuma ser tratada como o diagnóstico final, e quase nunca é. Na parte de trás do calcanhar, a bolsa raramente adoece sozinha: ela inflama porque a inserção do tendão de Aquiles está sobrecarregada bem ao lado, e às vezes porque o osso tem a forma de Haglund por baixo. Tratar “a bursite” com gelo, anti-inflamatório e repouso, ignorando o tendão e o calçado, é o motivo mais comum de a dor voltar. O alvo útil não é a bolsa isolada, é o conjunto bolsa-tendão-osso-calçado, e quase tudo o que dá resultado duradouro mira o tendão e o atrito, não a inflamação da bolsa em si.

Tratamento não farmacológico: RPG, Pilates e fisioterapia

A reabilitação ativa é o trabalho de fundo do tratamento da bursite do calcanhar, ao lado do ajuste de calçado e do controle de carga (a base está descrita na seção «Tratamento da bursite do calcanhar»). Ela não trata só a bolsa inflamada, e sim a cadeia que sobrecarrega a parte de trás do calcâneo: a panturrilha encurtada que aumenta a tração do tendão de Aquiles sobre a inserção e comprime a bursa retrocalcânea, a fáscia plantar tensa que partilha a mesma cadeia posterior e o controle motor da pisada e do retropé que distribui a carga na propulsão. As abordagens abaixo se complementam, são individualizadas (um paciente por sala) e formam a base sobre a qual as técnicas em consultório se somam. A escolha entre elas depende do que o exame identifica, da bursa acometida e da fase do quadro, dentro de um plano multimodal e não cirúrgico.

RPG (reeducação postural global)

Método que trabalha o corpo em cadeias musculares, com posturas de contração isométrica em alongamento (excêntrica) sustentada e respiração, dirigidas à cadeia posterior (panturrilha, isquiotibiais, paravertebrais, fáscia plantar). No calcanhar, ao ganhar comprimento no gastrocnêmio e no sóleo, reduz a tração do Aquiles sobre a inserção e a compressão da bursa retrocalcânea na dorsiflexão, respeitando a regra de não forçar a dorsiflexão máxima quando há tendinopatia insercional. Limitações: exige adesão e tempo; não corrige o atrito de um calçado rígido nem a forma do osso na deformidade de Haglund.

LimitadaCadeia posterior

Pilates clínico

Exercício terapêutico supervisionado, no solo ou em aparelhos, com foco em controle motor, estabilização e consciência corporal, adaptado ao quadro. Treina o controle motor do pé e do tornozelo e a estabilidade proximal (quadril e tronco): dorsiflexão controlada, alinhamento do retropé e ativação coordenada da panturrilha reduzem os picos de tração sobre a inserção do Aquiles e a compressão repetida da bursa. Limitações: depende de supervisão qualificada para ser terapêutico; não retira o atrito do calçado nem trata a fase aguda inflamatória.

LimitadaControle motor

Fisioterapia e cinesioterapia

Reabilitação ativa por exercício terapêutico dirigido aos fatores do exame: alongamento do gastrocnêmio, do sóleo e da fáscia plantar para restaurar a dorsiflexão e descomprimir a região posterior; fortalecimento excêntrico da panturrilha com elevações de calcanhar, na bursite com tendinopatia insercional realizadas com o calcanhar apoiado, sem descer abaixo do degrau; treino de controle do retropé e progressão graduada de carga. O trabalho excêntrico de panturrilha é a base do conservador nas tendinopatias e na dor posterior do calcanhar. Limitações: progressão mal dosada, ou descer abaixo do degrau cedo demais, pode reacender a dor; não corrige o atrito do calçado nem a proeminência de Haglund.

ForteBase do plano

Terapia manual

Mobilização articular do tornozelo e do retropé e liberação miofascial da panturrilha e da musculatura plantar, aplicadas pelo fisioterapeuta. Melhora transitoriamente a mobilidade (em especial a dorsiflexão), modula a dor e reduz a tensão miofascial, criando uma janela para o exercício avançar. Tem benefício quando combinada com exercício, não isolada. Limitações: efeito transitório sem exercício; cautela na fase inflamatória aguda e sobre a bursa superficial irritada; não corrige a sobrecarga mecânica nem o atrito do calçado.

ModeradaAdjuvante
Exercício terapêutico e excêntrico de panturrilha
Forte
Terapia manual combinada com exercício
Moderada
RPG (alongamento dirigido da cadeia posterior)
Limitada
Pilates clínico (dados específicos em bursite)
Limitada

As evidências específicas para bursite do calcanhar são escassas para RPG e Pilates; o uso se apoia no efeito consistente do alongamento dirigido do gastrocnêmio e do sóleo e do exercício excêntrico sobre a sobrecarga posterior do calcâneo. Todas essas abordagens são mantidas depois do alívio para preservar o ganho e prevenir recorrência.

Tratamento cirúrgico e opções fora da clínica

A grande maioria das bursites do calcanhar responde ao tratamento conservador bem conduzido, e a cirurgia é exceção, não regra. Ela passa a ser considerada apenas quando a dor persiste de forma incapacitante apesar de um tratamento conservador completo e bem aderido por vários meses (ajuste de calçado, controle de carga, reabilitação com alongamento e excêntrico, e, quando indicadas, as técnicas em consultório), em geral no contexto de uma síndrome de Haglund refratária, em que a proeminência óssea mantém o atrito sobre a bursa e a inserção do Aquiles. Estas opções não são realizadas em nossa clínica; apresentamos o quadro completo e quando procurá-las, com um cirurgião de pé e tornozelo, sempre por decisão compartilhada.

Conservador · 1ª escolha

Calçado, carga, reabilitação e técnicas em clínica

  • Ajuste do calçado e controle de carga para tirar o atrito e a compressão.
  • Alongamento e fortalecimento excêntrico da panturrilha e do Aquiles.
  • Ondas de choque, laser, acupuntura e, em casos selecionados, infiltração guiada.
  • Resolve a grande maioria dos casos sem bisturi, ao longo de semanas a meses.
VS

Cirúrgico · exceção

Corrigir o fator de atrito que não cede

  • Considerado só após falha do conservador completo por vários meses.
  • Indicado na síndrome de Haglund refratária e na tendinopatia insercional degenerada.
  • Alvo é o fator que gera o atrito (proeminência óssea, bolsa cronificada, entese degenerada).
  • Conduzido por cirurgião de pé e tornozelo, fora da nossa clínica.

As indicações cirúrgicas seguem alguns gatilhos objetivos: falha do tratamento conservador completo após meses bem conduzidos, dor que limita a marcha e o calçar de forma persistente, e uma causa anatômica que a correção mecânica não resolve, como a proeminência de Haglund associada a tendinopatia insercional degenerada. A escolha do procedimento depende do que o exame e a imagem identificam: remover só a dor sem corrigir o fator de atrito costuma levar à recidiva. Os procedimentos mais citados estão resumidos abaixo.

Tratamento cirúrgico da bursite do calcanhar: quando considerar, procedimento e o que esperar
Quando considerarProcedimentoO que esperar
Bursite retrocalcânea crônica refratária com proeminência de Haglund que mantém o atritoRessecção da proeminência óssea (calcanioplastia) e da bursa retrocalcânea, por via aberta ou endoscópicaRemove o ponto de atrito entre osso e tendão; recuperação de semanas a meses, com retorno gradual à carga e reabilitação dirigida
Bursite subcutânea superficial crônica, isolada, refratária ao ajuste de calçadoBursectomia (ressecção da bursa superficial), por vezes com regularização da borda ósseaRetira a bolsa cronicamente irritada; cicatrização cuidadosa da pele sobre o calcâneo, que é uma região de risco
Tendinopatia insercional do Aquiles degenerada associada, com calcificaçãoDesbridamento da inserção do Aquiles, com ressecção do tecido degenerado e reinserção do tendão quando necessárioRecuperação mais longa por envolver o tendão; imobilização inicial e reabilitação progressiva ao longo de meses

O resultado cirúrgico é, em geral, satisfatório quando a indicação é precisa e o procedimento corrige o fator de atrito certo, mas nenhuma operação dispensa a reabilitação no pós-operatório nem a manutenção do calçado adequado. Como toda cirurgia na parte de trás do calcâneo, há riscos a considerar (infecção, problemas de cicatrização da pele sobre o calcanhar, que é fina e pouco vascularizada, rigidez, enfraquecimento do tendão de Aquiles quando ele é desinserido e reinserido, e dor residual), e a recuperação pode levar meses. Por isso a decisão é compartilhada e tomada apenas após o tratamento conservador ter sido realmente esgotado. Outras modalidades fora da clínica, como a confecção de órteses e calcanheiras sob medida por ortesista e o acompanhamento por cirurgião de pé e tornozelo ou por reumatologista quando há doença inflamatória de base, completam o cuidado quando o caso ultrapassa o manejo não cirúrgico.

Tratamento medicamentoso

O medicamento tem papel adjuvante na bursite do calcanhar: alivia a dor e a inflamação da fase aguda e abre uma janela para o ajuste de calçado e para a reabilitação, mas não corrige o atrito e a sobrecarga que geram o quadro. A prescrição, a dose e a duração são sempre definidas pelo médico, com atenção às comorbidades e aos efeitos adversos. A escolha é individual. A regra é usar a menor dose eficaz pelo menor tempo necessário, dirigindo o fármaco ao componente que predomina.

Opções medicamentosas na bursite do calcanhar
Classe / opçãoPara quêEvidênciaO que esperar e cuidados
Analgésicos simples (paracetamol, dipirona)Dor leve a moderada; poupam o uso de anti-inflamatóriosModeradaPrimeira opção para alívio sintomático, com perfil de segurança favorável nas doses corretas. Cautela com paracetamol em hepatopatia.
Anti-inflamatórios orais (ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco)Dor e inflamação da fase aguda, quando há componente inflamatório claro da bursaModeradaBenefício de curto prazo. Risco gastrointestinal, renal e cardiovascular, sobretudo em uso prolongado, em idosos e com comorbidades; usar por períodos curtos.
Anti-inflamatório tópico (diclofenaco em gel)Alívio local da bursite superficial, que é rasa e acessível pela peleLimitadaMenor exposição sistêmica; opção razoável em quem tem contraindicação ao anti-inflamatório oral.
Infiltração de corticoide, com cautelaCasos selecionados, na bursa retrocalcânea, quando a dor limita a reabilitaçãoLimitadaSempre guiada por ultrassom: a proximidade do Aquiles traz risco de ruptura se o corticoide atinge a inserção. Jamais repetida indefinidamente; contraindicada se houver suspeita de bursite séptica. Técnica detalhada na seção «Tratamento da bursite do calcanhar».
Tratamento da causa de base (inflamatória ou infecciosa)Espondiloartrite, artrite reumatoide, gota ou bursite sépticaForteFoge ao tratamento da bursite mecânica e exige acompanhamento próprio (ver abaixo).

Quando a bursite decorre de uma espondiloartrite (espondilite anquilosante, artrite psoriásica), de artrite reumatoide ou de gota, o tratamento é o da doença de base e costuma ser conduzido por especialista (reumatologista): controle da crise e, conforme o caso, fármacos modificadores de doença, manejo da uricemia na gota e, em situações selecionadas, agentes biológicos. Na bursite séptica, a conduta é própria e urgente, com análise do líquido e antibiótico, por vezes drenagem, e nenhuma infiltração de corticoide antes de afastada a infecção.

Princípio do tratamento medicamentoso

Corticoide por via oral não tem papel na bursite mecânica do calcanhar. O alívio sintomático abre espaço para o tratamento ativo, mas a base continua sendo o ajuste de calçado, o controle de carga e a reabilitação. As opções estão reunidas no guia de remédios para dor.

Referência reconhecida em dor

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).

SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

O que é bursite no calcanhar?

É a inflamação de uma bolsa de amortecimento atrás do osso do calcâneo. A dor fica atrás do calcanhar, não embaixo. São duas bolsas: a retrocalcânea, profunda, entre o tendão de Aquiles e o osso, e a subcutânea superficial, sob a pele. É uma inflamação de partes moles, em geral reversível, e não um desgaste do osso.

Bursite no calcanhar é a mesma coisa que fascite plantar?

Não. A fascite plantar dói embaixo do calcanhar, na sola, e é pior nos primeiros passos da manhã. A bursite do calcanhar dói atrás, e piora ao calçar o sapato e ao subir escada. São estruturas e tratamentos diferentes; por isso a localização da dor é a primeira pergunta da avaliação.

Qual a diferença entre bursite retrocalcânea e superficial?

A bursite retrocalcânea é a da bolsa profunda, entre o tendão de Aquiles e o osso; dói por dentro e piora quando o pé sobe (dorsiflexão), ao agachar e ao correr em subida. A bursite subcutânea superficial é a da bolsa sob a pele; forma uma protuberância avermelhada que dói contra o sapato de contraforte rígido. A profunda costuma vir com tendinopatia do Aquiles; a superficial é mais ligada ao atrito do calçado.

Bursite no calcanhar ou bursite no tornozelo?

Muita gente chama de “bursite no tornozelo” a dor atrás do calcanhar, mas a bursa acometida fica no calcâneo, logo abaixo do tornozelo. A dor verdadeiramente articular do tornozelo, com inchaço difuso e perda de movimento, tem outra origem e é avaliada à parte. A localização exata do ponto doloroso resolve a dúvida.

O que é a deformidade de Haglund?

É uma proeminência óssea mais saliente no canto posterior e superior do calcâneo. Esse ressalto aumenta o atrito sobre as bursas e sobre a inserção do Aquiles, sobretudo dentro de sapatos fechados. Quando vem junto de bursite e tendinopatia insercional, chama-se síndrome de Haglund, e explica a dor recorrente atrás do calcanhar mesmo com cuidado da carga.

Qual é o tratamento da bursite do calcanhar?

É conservador, multimodal e não cirúrgico. A base é ajustar o calçado que pressiona, controlar a carga e reabilitar o tendão de Aquiles e a panturrilha. A elas somam-se, conforme o caso, ondas de choque, laser de alta intensidade, acupuntura, agulhamento seco e, em situações selecionadas, infiltração guiada por ultrassom. A cirurgia ortopédica fica para a minoria refratária, em especial na síndrome de Haglund.

Posso continuar correndo com bursite no calcanhar?

Em geral, vale reduzir temporariamente as subidas, as escadas e os saltos, que são o que mais comprime a bursa, sem parar totalmente. O retorno é gradual e guiado pela dor e pela resposta da reabilitação. Forçar a corrida na fase aguda tende a perpetuar a inflamação. O ideal é ajustar o volume com orientação, em vez de decidir por conta própria.

Quando devo procurar um especialista?

Quando a dor não melhora em algumas semanas, recorre com frequência, vem com vermelhidão e calor (suspeita de infecção), com um estalo e fraqueza atrás do tornozelo (suspeita de ruptura do Aquiles) ou em pessoa jovem nos dois calcanhares com rigidez matinal. Um médico fisiatra ou da dor define a origem e monta o plano não cirúrgico, encaminhando à ortopedia ou à reumatologia quando necessário.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Dr. Marcus Yu Bin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Conselho Federal de Medicina (CFM). Resolução sobre publicidade médica e vedação de promessa de resultado. Brasília: CFM.
  2. Morancie NA; Irvin L; Rayala BZ. Heel Pain: Diagnosis and Management. American family physician. 2025. PMID:41533410.
Atualizado em 2 jun 2026 Leitura 10 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Duas dores atrás do calcanhar que parecem iguais podem ter origens distintas (bursa, entese do Aquiles, doença inflamatória), e por isso a conduta descrita aqui é um mapa geral que precisa ser individualizada caso a caso em consulta.

Sem comentários

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  • André Luiz Coimbra Santos

    OLÁ PESSOAL TUDO BEM, OBRIGADO PELAS DICAS TÃO IMPORTANTES SOBRE HÁ PARTE DA DOR NO CALCANHAR, POIS NO MOMENTO ESTOU TENDO ISTO E ME AJUDOU HÁ TIRAR HÁ DÚVIDA, E COM CERTEZA VOU TER QUE CONSULTAR NUMA CLÍNICA. VALEU PESSOAL.

Equipe médica · Jardim Paulista · 40+ anos

Centro de Tratamento de Dor, Fisiatria e Acupuntura Médica.

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