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Espondilolistese: causas, sintomas e tratamentos

Dor nas costas que irradia para as pernas ao caminhar, formigamento, perda da força e da coordenação dos movimentos e dificuldades para andar são os sintomas mais comuns da espondilolistese. 

Para entendermos melhor a condição, devemos identificar a origem do termo, que de início pode soar um tanto estranho. A palavra espondilolistese tem origem no termo “espondilo”, que significa vértebra, e “listese”, que quer dizer escorregamento, ou seja, o distúrbio é caracterizado pelo escorregamento de uma das vértebras que compõem a coluna vertebral. 

Embora na maioria dos casos a doença tenha causa degenerativa, estando, muitas vezes, relacionada a outras patologias, como a osteoartrose, ela também pode ter origem em traumas, geralmente quedas de altura e acidentes automobilísticos, ou ainda ser congênita, devido à displasia ou ausência da “pars interarticularis”.

Que tal conhecermos a fundo essa condição? Continue a leitura para entender melhor o que é, quais são as causas, os sintomas e como é realizado o tratamento da espondilolistese.

Espondilolistese é uma condição caracteriza pelo deslizamento anormal de uma vértebra sobre a outra. Representa uma forma relativamente frequente de instabilidade da coluna vertebral, atingindo cerca de 5% da população geral. 

A coluna vertebral é o pilar de sustentação do corpo, e a região lombar é responsável por suportar fortes cargas mecânicas, geralmente, é a falha nesse suporte que leva uma vértebra a escorregar em relação a outra. 

Tal coisa produz consequências diversas, as principais são compressão de nervos próximos, instabilidade e excesso de carga cisalhante nos discos intervertebrais. Por isso, a identificação, o acompanhamento e o tratamento do quadro são tão importantes. 

Diferentes fatores podem estar por trás do deslizamento de uma vértebra, e eles devem ser investigados para que se tenha um direcionamento adequado. Conforme variam esses fatores, a doença se divide em seus diferentes tipos, como veremos a seguir.

Tipos de espondilolistese

Tipo I – displásica

A espondilolistese displásica é causada por um defeito congênito vertebral, na maioria dos casos entre as vértebras L5 e S1, o que causa instabilidade mecânica na região, favorecendo o deslizamento. Nesses casos, a doença tende a se manifestar ainda na infância. 

Tipo II – ístmica ou lítica

A espondilolistese ístmica tem origem em uma fratura na coluna, em uma área bem específica, chamada pars interarticularis. A fratura geralmente é crônica e recebe o nome de espondilólise. Este tipo é mais prevalente em crianças. 

Tipo III – degenerativa

A espondilolistese degenerativa é causada por um afrouxamento entre as vértebras lombares, geralmente entre L4 e L5. Sem dúvidas, este é o tipo mais frequente, em especial entre adultos. 

Tipo IV – traumática

A espondilolistese traumática, como o próprio nome diz, ocorre devido a fraturas agudas decorrentes de traumas locais. O problema pode afetar pessoas em qualquer idade. 

Tipo V – patológica

A espondilolistese patológica tem origem na fragilidade óssea, geralmente causadas por outras comorbidades, dentre as mais comuns, tumores, infecções e doenças osteometabólicas. Mais uma vez, não há prevalência maior em uma idade específica, a condição afeta pessoas em todas as faixas etárias.

Coluna travada pode ser Espondilolistese? Escorregamento vertebral -Aprenda mais #coluna
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Prevalência da espondilolistese

Considerando a população do mundo, por volta de 6% a 11% das pessoas são afetadas por espondilolistese. Enquanto em crianças com até seis anos o problema surge em 2,6% delas, em adultos ele alcança a cifra de 5,4%.

É mais frequente entre pessoas com a pele clara.

Ela é comum em pacientes que apresentam escoliose (curvatura lateral da coluna em razão de seu encurtamento), afetando de 15% a 48% dessas pessoas. Também aparece com uma frequência aproximada de 37% em portadores de artrite reumatoide.

Quais são os sintomas?

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Os sintomas são a forma simples de reconhecer uma doença e diferenciá-la de outras condições. Neste caso, não é diferente. A sintomatologia é o que nos levará a suspeita de uma possível espondilolistese. 

As manifestações clínicas da doença dependerão muito das características globais do paciente, como peso, altura, hábitos e atividades diárias. Além disso, é preciso considerar o tipo de acometimento da coluna, que pode ser deformidade ou estenose

Ao contrário do que somos levados a imaginar, o grau do escorregamento não está diretamente relacionado aos sintomas, em especial à quantidade de dor, muitos pacientes são assintomáticos, por exemplo, enquanto outros apresentam sintomas intensos e limitações significativas com a mesma quantidade de deslizamento. 

São, portanto, as particularidades do indivíduo muito mais importantes do que o tipo de espondilolistese, pois interferem na resposta do seu equilíbrio vertebral ao escorregamento.

De maneira geral, os principais sintomas da espondilolistese são: 

 

Deformidade

Nem sempre a deformidade é um sintoma visível, muitos pacientes apresentam manifestações vagas e pequenas, difíceis de serem identificadas por quem não conhece tão bem o quadro. Por isso, a avaliação médica é essencial. Tais alterações podem ser observadas através de radiografias e exames de imagem.

Quando o escorregamento ocorre em maior proporção, no entanto, a deformidade pode se tornar visível, provocando, além dos desequilíbrios internos, um considerável incômodo estético. 

 

Dor na coluna lombar

A dor varia de leve a muito intensa, e tende a piorar quando a pessoa pega peso, fica de pé, usa salto alto ou calçados desconfortáveis e realiza movimentos de rotação  ou extensão com a coluna.

O incômodo pode ainda irradiar em direção a perna no curso no nervo ciático, atrapalhando inclusive o movimento de andar. 

 

Encurtamento muscular

Em muitos casos esse é o único sinal da condição. O encurtamento da musculatura posterior da coxa (isquiotibiais) é um dos principais sintomas da doença e está associado a dor lombar. 

Acredita-se que o problema tenha relação com uma tentativa de compensação do corpo por meio de uma alteração da postura da bacia ao escorregamento vertebral. 

Em suma, as principais manifestações clínicas da espondilolistese incluem: 

 

O diagnóstico é fechado quando é atestada a alteração da posição da vértebra.

Diagnóstico

Diante de sintomas como os descritos acima, procure um médico de sua confiança. O profissional irá, primeiramente, realizar um exame físico completo.

Além disso, são geralmente prescritos exames complementares como raio X, tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (MRI) para confirmação.

O diagnóstico é fechado quando é atestada a alteração da posição da vértebra, ou seja, é confirmado que houve deslizamento de algum corpo vertebral sobre outro. 

Em seguida, o médico irá classificar a condição de acordo com a quantidade que um corpo vertebral avança para a frente: 

  • Deslizamento grau I: deslizamento de menos de 25 por cento da largura total do corpo vertebral.
  • Deslizamento grau II: deslizamento de algo entre 25 e 50 por cento da largura total do corpo vertebral.
  • Deslizamento grau III:  deslizamento de algo entre 50 e 75 por cento da largura total do corpo vertebral.
  • Deslizamento grau IV: deslizamento superior a  75 por cento  da largura total do corpo vertebral.
  • Deslizamento grau V: deslizamento completo, fora da parte dianteira do corpo vertebral inferior, uma condição denominada espondiloptose.
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Tratamento da espondilolistese

O tratamento da espondilolistese dependerá muito da evolução do quadro, como veremos adiante. 

Quando o desvio é apenas de grau 1 ou 2, e, por isso, o tratamento é feito apenas com uso de remédios analgésicos, anti-inflamatórios e corticoides. 

Anti-inflamatórios como o Ibuprofeno e o Naproxeno ajudam a diminuir a inflamação dos discos das vértebras e promovem o alívio da dor. 

Já as injeções de corticoides como Dexa-citoneurin ou Hidrocortisona são aplicadas diretamente sobre a vértebra e promovem alívio rápido da inflamação. 

Casos um pouco mais complexos podem requerer fisioterapia. São realizadas correções posturais e exercícios de fortalecimento do tronco que ajudam a prevenir as dores. 

As sessões ajudam ainda a completar o tratamento medicamentoso e até mesmo a evitar os excessos do uso de fármaco. 

Durante as sessões são realizados exercícios para aumenta a estabilidade da coluna, aumentar a força dos músculos abdominais, diminuir o movimento das vértebras e facilitar o controle da inflamação. 

A restrição de determinados esportes e até mesmo um colete podem ser úteis para as crianças nas fases inicias da doença. 

 

Tratamento cirúrgico

A cirurgia é indicada quando há alguma falha no tratamento conservados, ou, por algum motivo ele não produz os resultados esperados. Também passa a ser ea melhor opção quando ocorre compressão das raízes nervosas pelo deslizamento do corpo vertebral. 

Dentre os sintomas de complicações que alertam para uma possível necessidade da intervenção cirúrgica podemos citar ainda dormência ou formigamento, fraqueza muscular, distúrbios de controle do intestino ou bexiga.

No caso da espondilolistese, a cirurgia consiste no reposicionamento da vértebra escorregada.

Atualmente temos à disposição métodos cirúrgicos minimamente invasivos que já se mostraram, inclusive, mais eficazes no tratamento da doença do que técnicas convencionais abertas. 

Veja abaixo quais são os procedimentos recomendados para o tratamento da espondilolistese:

  • Descompressão da coluna vertebral: consiste na remoção do osso para eliminação da pressão exercida sobre o nervo. 
  • Fusão espinhal: é realizado um enxerto ósseo, posicionado entre as vértebras, para elas poderem se juntar, ou seja, ocorre fusão vertebral, restaurando a estabilidade da coluna. 

 

Normalmente os dois processos são realizados de forma conjunta, como parte de uma mesma cirurgia. Assim, é possível parar o deslizamento, remover a fonte da inflamação e recuperar o equilíbrio.

Como todo procedimento cirúrgico, esse tipo de tratamento também tem seus riscos. Os benefícios e os riscos devem ser pesados pelo médico em uma conversa com o paciente antes da tomada de decisão. 

Com o acompanhamento e tratamento médicos adequados é possível ao paciente recuperar sua saúde e qualidade de vida. Diante da suspeita da doença, não deixe de procurar ajuda. 

Tratamento fisioterápico para espondilolistese

Antes do tratamento ter início, uma boa avaliação do caso deve ser realizada. A razão de uma análise minuciosa está no fato de que existe uma dependência do tipo de tratamento no tipo de escorregamento da vértebra. É de extrema importância também que o paciente informe seu histórico de lombalgia.

Como em qualquer outra disfunção, geralmente o tratamento conservador é indicado para aqueles pacientes com níveis leves a moderados da doença, ou seja, os portadores de graus I e II de espondilolistese.

Aos pacientes nesses graus, se estiverem na fase aguda, podem ser prescritos analgésicos e indicação de imobilização do tronco com um colete especial ou uso de outros tipos de órteses. Atividades físicas com supervisão de um fisioterapeuta também trazem alívio. Sessões bem orientadas representam uma excelente oportunidade para o paciente verificar que o exercício físico não potencializa a dor.

O ideal é que houvesse estudos controlados que avaliassem a eficácia da fisioterapia na melhora dos quadros de espondilolistese. No entanto, experimentos com essa temática são bem raros. Uma boa parte dos relatos existentes nessa área inclui pacientes em quantidades muito reduzidas ou em categorias específicas, como atletas jovens. Ou seja, nesse último caso, o estudo se restringe a um segmento da população com espondilolistese ístmica.

Sem contar que em vários estudos há uso de mais de uma forma de intervenção além da fisioterapia: colete, aplicação de terapia manual e de quiropraxia. Portanto, a elaboração de mais pesquisas se faz necessária para que um protocolo único e integralizado possa ser definido com foco especial na espondilolistese degenerativa, o tipo que afeta um número maior de indivíduos.

Já para a fase em que não há lombalgia, é muito importante a prática de exercícios que reforcem a musculatura do tronco. Existem técnicas, como a chamada amarração, que combinam respiração e ativação/contração da musculatura localizada na região mais central do abdômen.

As técnicas precisam ser aprendidas a partir de instruções de profissionais capacitados. São igualmente necessários a realização apropriada de exercícios com foco na extensão da região lombar e fortalecimento de determinados grupos musculares do tórax e do abdômen.

Tratamento cirúrgico não é panaceia

Há um pensamento generalizado de que cirurgias sempre resolvem problemas anatômicos. No entanto, qualquer caso de espondilolistese deve ser analisado individualmente. Mesmo para alguns adultos com grau IV ou V de espondilolistese a cirurgia de redução deixa de ser plenamente vantajosa. Dependendo da posição anatômica das raízes nervosas, existe risco de lesão neurológica.

Além disso, é bom ficar atento aos resultados de pesquisas comparando a qualidade de vida de portadores de espondilolistese que permaneceram com o tratamento conservador e daqueles que se submeteram à cirurgia.

Por exemplo, um estudo publicado em 2014 foi realizado com crianças portadoras de espondilolistese em grau avançado. Os índices descritores da qualidade de vida daquelas que foram operadas eram iguais aos das crianças não operadas.

Clinica Hong Jin Pai Sao Paulo e1621991307344

RUA SAINT HILAIRE 96 – JARDIM PAULISTA – SÃO PAULO – SP

Clínica de Dor, Fisiatria e Acupuntura Médica

Clínica médica especializada localizada na região dos Jardins, próximo à Av. Paulista, em São Paulo — SP.

Centro de Dor, com médicos especialistas pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Tratamento por Ondas de Choque, Infiltrações, Bloqueios anestésicos e Acupuntura Médica

Referências Bibliográficas

Baker, J. F., Errico, T. J., Kim, Y., & Razi, A. (2017). Degenerative spondylolisthesis: contemporary review of the role of interbody fusion. European Journal of Orthopaedic Surgery & Traumatology, 27(2), 169–180.

Gagnet, P., Kern, K., Andrews, K., Elgafy, H., & Ebraheim, N. (2018). Spondylolysis and spondylolisthesis: a review of the literature. Journal of Orthopaedics, 15(2), 404-407.

Jassi, F. J., Saita, L. S., Grecco, A. C. P., Tamashiro, M. K., Catelli, D. S., Nascimento, P. R. C. D., … & Negrão Filho, R. D. F. (2010). Terapia manual no tratamento da espondilólise e espondilolistese: revisão de literatura. Fisioterapia e Pesquisa, 17(4), 366-371.

Lundine, K. M., Lewis, S. J., Al-Aubaidi, Z., Alman, B., & Howard, A. W. (2014). Patient outcomes in the operative and nonoperative management of high-grade spondylolisthesis in children. Journal of Pediatric Orthopaedics, 34(5), 483-489.

Tebet, M. A. (2014). Conceitos atuais sobre equilíbrio sagital e classificação da espondilólise e espondilolistese. Revista Brasileira de Ortopedia, 49(1), 3-12.

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorado em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Presidente do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual (SBRET). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).  

2 Comentários

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  • Tenho listese, L4/L5 e medicação não alivia a dor.
    Por favor, tem acupuntura para isto?
    Ajuda?
    Obrigada

    • Ola Anna. A acupuntura não ajuda diretamente na listese, porém, pode ajudar bastante no controle da dor, e em dores secundárias, principalmente quando associada a exercícios e reabilitação. Muitos pacientes com listese apresentam dor mista, ou seja, dor de diversas causas, pois muitas estruturas da coluna podem estar lesionadas ou gerando dor. Procure um médico especialista em dor que pode te ajudar. Atenciosamente, Equipe Dr. Marcus

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