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Cifose: O que é, causas, sintomas e tratamentos

A hipercifose, também conhecida como cifose ou corcunda, é o aumento exagerado dos ângulos de uma das curvaturas da coluna. O distúrbio é mais comum em mulheres, em especial no período pós menopausa devido à maior propensão a alterações ósseas.

A coluna possui fisiologicamente quatro curvaturas, duas cifoses, uma torácica e outra sacral, e duas lordoses, cervical e lombar. Todas elas exercem importantes funções na absorção de impacto e no controle da rigidez longitudinal. 

Quando ocorrem alterações nesses padrões angulares normais, o significado é mais grave do que seus efeitos estéticos. Isso porque, além da alteração no corpo da vértebra, provavelmente houve perda da densidade óssea e em muitos casos, diminuição da força muscular. 

O que é cifose?

Cifose
A cifose é a corcunda, caracterizada por um aumento do ângulo de uma das curvaturas fisiológicas da coluna.

Como vimos, a cifose torácica é uma das curvaturas da coluna. Essa curvatura, em seu estado normal possui entre 20 a 40 graus de inclinação.

Em alguns casos essa curvatura aumenta exageradamente ultrapassando os 40 graus, e gerando abaulamento das costas.

Tal distúrbio é chamado de hipercifose ou simplesmente cifose. 

A curvatura da cifose torácica não é a única afetada, sendo que o problema causa uma compensação na lordose cervical e lombar para que a sustentação do corpo possa ser mantida.

Além da característica corcunda, outros efeitos no corpo são observados. Ocorre uma projeção para frente dos ombros, pescoço e cabeça, as musculaturas peitoral e dorsal são afetadas. Adicionalmente, a capacidade de sustentação da coluna diminui, bem como a expansibilidade torácica o que em decorrência pode causar déficit respiratório.

A cifose faz parte do quadro de doenças como dorso curvo postural, dorso curvo juvenil (doença de Sheuermann) e doenças reumatológicas da coluna.

Tipos de cifose

Existem diferentes tipos de cifose, que variam conforme o quadro clínico e a causa. 

Congênita

A cifose congênita é aquela que ocorre já ao nascimento. Para esses casos o melhor tratamento é a cirurgia, pois, assim se evita o agravamento dos sintomas. 

Geralmente é causada devido a malformações na coluna durante o período fetal. Neste caso, algumas vértebras se encontram fundidas ou alguns ossos não são formados de maneira adequada.

Conforme a criança vai crescendo, a curvatura tende a se tornar cada vez mais acentuada.

Adquirida

A cifose adquirida ocorre quando o indivíduo vem a manifestar o problema ao longo da vida.

Em muitos casos a alteração é primária, ou seja, não há doença adjacente. Geralmente tem relação com maus hábitos do indivíduo. 

Além disso, pode surgir acompanhada por outra doença, a chamada de cifose secundária. 

Por estar associada a outros distúrbios, como problemas do metabolismo e condições neuromusculares, possui uma maior tendência de piora, produzindo estados mais severos. 

Postural

Quando se fala em cifose postural, se refere a alteração da coluna devido aos maus hábitos do dia a dia. 

Apesar das alterações produzidas, o comprometimento estrutural das vértebras é incomum neste caso. Por causa disso, o paciente acaba conseguindo reverter o caso exclusivamente com fisioterapia.

O problema pode acabar se tornando estrutural quando não tratado. 

Doença de Scheuermann

Também conhecida como osteocondrose infantil, é uma doença rara que afeta a coluna vertebral, causando deformidade da curvatura.

O motivo de falarmos sobre a doença de Scheuermann em um artigo sobre cifose é a íntima relação entre ambos os problemas. Muitos autores consideram a doença um tipo de cifose, enquanto outros trabalham a patologia como uma das causas para o problema.

Também conhecida como osteocondrose infantil, é uma doença rara que afeta a coluna vertebral, causando deformidade da curvatura.

Como a região mais afetada é a torácica, produz no paciente alteração similar à hipercifose, deixando-o ligeiramente inclinado para frente.

Enquanto a cifose é um problema mais comum em mulheres, a Doença de Scheuermann afeta mais homens, geralmente entre os 10 e os 20 anos de idade. 

Além das alterações posturais os sintomas incluem dor nas costas, limitação da flexão da coluna, podendo ocorrer ainda alterações no comprimento do tronco e membros, tornando-os desproporcionais. 

Ainda não se sabe qual a causa da doença. Porém, em muitos casos o fator genético já se mostrou relevante. 

Quais são as causas

Apesar das inúmeras causas possíveis, muitas vezes o motivo da alteração é desconhecido. 

Fatores genéticos, patologias associadas e problemas posturais estão entre os principais diagnósticos.

Má postura 

A maioria dos casos de cifose são posturais. Além de danos musculares, os maus hábitos relacionados a postura, afetam os ligamentos da coluna, desestabilizam os ossos e podem acarretar alteração da curvatura natural. 

Exemplos a serem evitados:

  • Carregar peso em excesso
  • Exagerar nas atividades físicas
  • Apoiar mal às costas quando sentado
  • Dormir de mau jeito
  • Mau uso do celular

Idade

Conforme o corpo vai envelhecendo, é natural que as curvaturas da coluna se tornem um tanto quanto mais acentuadas devido às alterações ósseas comuns do avançar da idade. 

Osteoporose

Pacientes que sofrem de osteoporose apresentam uma predisposição à cifose. Isso se dá devido a menor resistência dos ossos, fator de risco para alterações posturais. 

Problemas no desenvolvimento

Este é o caso da cifose congênita. Conforme vimos anteriormente, o problema pode surgir ainda na fase intrauterina. 

Isso quer dizer que a alteração ocorreu ainda no período de formação da coluna.

Doenças 

Muitas doenças podem estar associadas a cifose. Além das inflamações comuns da coluna vertebral, destacam-se doenças autoimunes e problemas neuromusculares. 

Seguem algumas das principais enfermidades relacionadas. 

  • Espondilose
  • Espinha bífida (mielomeningocele)
  • Doença de Paget
  • Neurofibromatose
  • Distrofia muscular
  • Tuberculose
  • Artrite reumatoide
  • Espondilite anquilosante
  • Câncer

Traumas 

Os traumas podem provocar o desenvolvimento da cifose por diversos motivos. Ao mesmo tempo que geram danos diretos a coluna, como alterações ósseas e distúrbios musculares, provocam também alterações em importantes componentes estabilizadores, o que indiretamente pode levar ao distúrbio. 

Tumores

Além dos traumas, os tumores também podem ser responsáveis. Neste caso, devido à desestabilização das vértebras, o que vem a interferir na estrutura da coluna de maneira geral. 

Fatores de risco

A cifose é caracterizada pela coluna arqueada para a frente, mas ela só é doença quando isso o ocorre em excesso.

Os fatores de risco incluem além das doenças já citadas, à postura inadequada, que é uma das principais causas para a cifose. Pessoas que passam mais de quatro horas na frente do computador ou mesmo vendo televisão estão na zona de risco. 

A prática de atividade física não acompanhada também está entre os fatores de risco. Todavia, quando realizados de maneira correta os exercícios físicos tendem a funcionar como forma de prevenção. 

Contudo, deve-se levar em conta a modalidade, o volume de treino, tempo de prática e a maneira como a atividade é conduzida.

Além dos fatores já citados, devemos destacar o hábito de dormir muito. Indivíduos que dormem por mais de 10 horas tendem a apresentar alterações posturais. O problema é mais prevalente em pessoas que preferem dormir em decúbito ventral (de bruços). 

Acima de tudo a idade. Adolescentes e idosos são os principais acometidos.

Sintomas de cifose

Geralmente o incômodo é bem localizado e de baixa intensidade, tendendo a piorar em meio a grandes esforços. 

O primeiro sintoma da cifose são as aparentes alterações da curvatura da coluna. Infelizmente na maioria dos casos o diagnóstico é feito de forma tardia, já que a alteração é tratada de início como simplesmente má postura. 

A medida que a doença se agrava a dor começa a surgir. Geralmente o incômodo é bem localizado e de baixa intensidade, tendendo a piorar em meio a grandes esforços. 

A dor em repouso é sinal de alerta. 

Adicionalmente, pode ocorrer redução da força muscular, emagrecimento e perda da sensibilidade das pernas.

Diante disso, quanto antes o médico for consultado melhor o prognóstico. Na verdade, a recomendação seria uma avaliação periódica, em especial aos adolescentes e idosos, que se encontram na zona de risco.

Diagnóstico

O primeiro passo para o diagnóstico é a análise da história médica do paciente, principalmente em relação a outros transtornos neuromusculares. 

Durante o exame físico, o médico analisará além da deformidade da coluna, sensibilidade ou fraqueza nos membros e outras alterações relacionadas. 

Por ser um problema ósseo, são necessários exames complementares. 

Raios-X 

O raio X é usado para avaliação dos tecidos internos, sendo útil para medir e avaliar a curvatura da coluna. 

Ressonância magnética 

A ressonância magnética é essencial para o diagnóstico diferencial. Através do exame, é possível descartar outras anormalidades que possam vir a acometer a medula espinhal causando sintomas similares.

Tomografia computadorizada 

Com a tomografia computadorizada é possível ter acesso a detalhes em relação à coluna. Permitindo uma avaliação mais completa dos ossos e músculos da região quando comparada ao raio-X. 

Densitometria óssea

A densitometria óssea é um tipo de raio-X utilizado para determinar a densidade dos ossos. Quanto mais densos, mais saudáveis. 

Este exame é importante, pois ajuda a descartar outros problemas ou mesmo a diagnosticar a causa associada, como a osteoporose, por exemplo. 

Escâner com radioisótopos dos ossos

No escâner utiliza-se uma quantidade mínima de material radioativo através da corrente sanguínea do paciente. Desta forma, é possível avaliar o fluxo do sangue pelos ossos e averiguar sua atividade celular. 

Tratamentos

Para os casos mais brandos recomenda-se o fortalecimento da coluna, a fisioterapia e os exercícios. 

A medida que o caso vai se tornando mais grave, outras opções terapêuticas vão sendo trabalhadas. 

Vamos falar sobre as principais formas de tratamento. 

Reeducação postural

A reeducação postural é aconselhada em todos os casos. A terapia consiste em posturas ativas consecutivas, trabalhando o alongamento e a dinâmica muscular. 

Além de ajudar no controle da dor e do desconforto, melhora o equilíbrio e a harmonia corporal. 

Fisioterapia

As sessões de fisioterapia são indicadas para a cifose moderada. O acompanhamento inclui exercícios cinesioterápicos. Assim, trabalha-se a reeducação postural, o fortalecimento muscular e o realinhamento da coluna. 

Para resultados breves, recomenda-se de 2 a 3 sessões de uma hora por semana. 

O acompanhamento o profissional deve ser complementado com orientações para o dia a dia do paciente, como sugestões de posições enquanto sentado, deitado ou mesmo caminhando. 

Coletes

O colete deve ser utilizado apenas sob indicação médica. As opções elásticas não são recomendadas, já que podem prejudicar ainda mais, contradizendo a aparente melhoria inicial. 

A duração do tratamento também deve ser determinada pelo especialista conforme análise de cada caso. Geralmente recomenda-se o uso do colete por no mínimo 20 horas diárias, sendo retirado durante a higiene e para realização de atividades físicas. 

Apesar de muitos pensarem que o colete acerta a curvatura da coluna, ele é simplesmente um meio de contenção, impedindo que a alteração se agrave por promover a estabilização das vértebras.

É recomendado para pacientes ainda em fase de crescimento, onde as alterações tendem a se agravar. 

Exercícios

Os exercícios podem ser muito úteis a pacientes com cifose. Porém, a recomendação só deve ser feita àqueles casos mais leves, onde o paciente consegue voluntariamente acertar a coluna. 

Para bons resultados, os exercícios devem ser realizados de 2 a 3 vezes por semana. 

O principal objetivo desse tipo de tratamento é o fortalecimento muscular das costas e do abdômen e a promoção da flexibilidade da coluna. Tais fatores são essenciais ao trabalho da postura. 

Musculação

A musculação é de suma importância nesses casos. Por ajudar a fortalecer os músculos da coluna, auxilia na prevenção de lesões e na estabilização das vértebras. 

Porém, o acompanhamento especializado é indispensável, não só para evitar fraturas como para o não agravamento do quadro de cifose. 

Natação

Sem dúvidas nadar é uma ótima alternativa. A natação é um exercício de baixíssimo impacto. Sendo assim, a opção ideal para manter a musculatura ativa sem colocar em risco a coluna. 

Pilates

O pilates é um exercício de alongamento. Por causa disso, a modalidade é muito indicada para quem sofre com problemas na coluna. O exercício ajuda a prevenir problemas posturais, alivia dores musculares e reduz o atrito entre as articulações.

Cirurgia

Quando a curvatura é mais pronunciada, com resultado insatisfatório clínico, o tratamento cirúrgico é o mais indicado. Geralmente a cirurgia é indicada para pessoas com mais de 70 graus de desvio ou em pacientes com cifose congênita. 

O procedimento consiste no corte dos ossos, liberação dos complexos musculares e ligamentares e inserção de enxerto ósseo para estabilização da artrodese. A artrodese seria a fusão entre duas vértebras acima e a abaixo da cifose. 

As técnicas utilizadas são variadas e devem ser escolhidas conforme indicação médica perante análise de riscos e benefícios. 

A cifose é um problema grave. Por isso o tratamento é indispensável. Em caso do surgimento dos sintomas descritos ao longo desse artigo, recomenda-se consulta médica imediata visando o melhor prognóstico possível.

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).

3 Comentários

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  • Muito bom todas informações dadas
    Obrigado

  • Clélia Fernandes Turatti

    Bom dia. Muito importante seus apontamentos , estou com 61 anos e tenho dores nas costas faz um tempo mas agora agravou e na ressonância apareceu cifose torácica, e seus apontamentos foram muito úteis e explicativos obrigada

  • Clélia Fernandes Turatti

    Bom dia. Muito importante seus apontamentos , estou com 61 anos e tenho cifose torácica, obrigada

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