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Ombro · Artrose

Artrose acromioclavicular e artrose no ombro: como diferenciar

Artrose no ombro engloba dois quadros distintos: a acromioclavicular dói no topo do ombro, e a glenoumeral causa dor profunda com perda de amplitude.

Resposta direta
  • Artrose no ombro não é uma só: a acromioclavicular (AC) dói no topo do ombro, sobre a articulação; a glenoumeral dói no fundo, com perda de movimento e crepitação.
  • O teste de adução cruzada (levar o braço estendido em direção ao ombro oposto) reproduz a dor da artrose AC e é uma das pistas mais úteis no exame.
  • O tratamento é multimodal e não-cirúrgico na maioria dos casos (modificação de atividade, exercício, infiltração AC guiada). A cirurgia, como a ressecção da clavícula distal, fica para os quadros que não respondem.
4,9Google5,0Doctoralia

40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual

Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

Duas artroses, dois lugares de dor

Ombro de uma pessoa com a musculatura pintada sobre a pele e uma linha que aponta para a articulação acromioclavicular, no alto do ombro
A articulação acromioclavicular fica no topo do ombro, onde a clavícula encontra o acrômio, e e um foco comum de dor localizada.

Dizer que o ombro tem artrose é pouco. O ombro abriga mais de uma articulação, e cada uma desgasta de um jeito, dói num ponto diferente e exige uma abordagem própria.

As duas articulações que mais costumam desenvolver artrose no ombro são a acromioclavicular e a glenoumeral. A articulação acromioclavicular (AC) é uma junta pequena, no alto do ombro, onde a ponta da clavícula encontra o acrômio (a saliência da escápula que você apalpa no topo). É uma articulação muito solicitada em movimentos acima da cabeça e em apoios sobre o membro, e por isso desgasta cedo, com frequência já a partir da meia-idade. A articulação glenoumeral é a articulação principal do ombro, em forma de esfera e cavidade (a cabeça do úmero contra a glenoide da escápula), responsável pela amplitude ampla do braço.

A diferença de localização da dor decorre dessa anatomia. Na artrose AC, a dor é localizada no topo do ombro, exatamente sobre a articulação, e a pessoa costuma apontar o ponto com um dedo. Na artrose glenoumeral, a dor é profunda, sentida no fundo da articulação, por vezes referida para a face lateral do braço, e vem acompanhada de perda de amplitude de movimento (ADM) e de crepitação (a sensação de rangido ao mover). Reconhecer onde a dor se concentra é o primeiro passo para diferenciar os dois quadros.

  • 2articulações do ombro que mais desenvolvem artrose: AC e glenoumeral
  • a partir dos 40faixa em que a artrose AC já é comum, por vezes sem dor
  • 1 dedoa dor da artrose AC costuma ser apontada com a ponta do dedo
  • 180°a artrose AC dói no fim da elevação total do braço
Artrose acromioclavicular

Dor no topo do ombro

Dor localizada sobre a articulação AC, apontada com o dedo. Piora ao cruzar o braço na frente do corpo, ao deitar sobre o ombro e no fim da elevação acima da cabeça. Costuma surgir cedo, na meia-idade.

Artrose glenoumeral

Dor profunda no fundo

Dor profunda na articulação principal, com perda progressiva de amplitude (sobretudo rotação externa) e crepitação ao mover. Mais comum em idosos ou após trauma e em quadros secundários.

Vista em ângulo baixo da sala de fisioterapia com fileiras de macas de madeira na clínica
Reabilitação na clínica Sala de fisioterapia com fileiras de macas

Como diferenciar no exame

A história já adianta muito: onde dói, o que piora e como começou. O exame confirma. A manobra mais útil para a artrose AC é o teste de adução cruzada (também chamado de cross-body, ou adução horizontal forçada): com o braço estendido na altura do ombro, leva-se a mão em direção ao ombro oposto, cruzando o corpo.

Esse movimento comprime a articulação acromioclavicular e reproduz a dor no topo do ombro quando há artrose AC. Soma-se a ele a palpação direta da articulação, que costuma estar dolorosa e por vezes alargada, e a dor no fim da elevação total do braço acima da cabeça.

Na artrose glenoumeral, o achado dominante é outro: a perda de amplitude, em especial da rotação externa, tanto no movimento ativo quanto no passivo (quando o examinador move o braço), acompanhada de crepitação. Essa limitação passiva ajuda a separar a artrose glenoumeral da capsulite adesiva e das tendinopatias, em que o padrão de restrição é diferente.

Anatomia do ombro · AC e glenoumeral
Onde fica cada articulação. A acromioclavicular (AC) une a clavícula ao acrômio, no topo do ombro; a glenoumeral é a articulação esférica principal, no fundo. Ilustração esquemática, a ser substituída por imagem da clínica.

O passo seguinte é separar a artrose da síndrome do manguito rotador, a causa mais comum de dor no ombro, porque os tratamentos diferem. O manguito (supraespinhal, infraespinhal, subescapular e redondo menor) dá uma dor mais lateral, com arco doloroso entre cerca de 60 e 120 graus de elevação e testes de força positivos, como o de Jobe (lata vazia) para o supraespinhal. A artrose AC, ao contrário, dói no topo e no fim da elevação, e responde ao teste de adução cruzada.

Vale lembrar que os quadros coexistem com frequência: um esporão na face inferior da articulação AC pode contribuir para o impacto sobre o manguito. Para aprofundar essa causa, veja o guia sobre síndrome do manguito rotador.

Artrose AC × artrose glenoumeral × manguito rotador
PistaArtrose ACArtrose glenoumeralManguito rotador
Onde dóiTopo do ombro, sobre a articulaçãoProfunda, no fundo da articulaçãoFace lateral do braço, no deltoide
Teste que reproduzAdução cruzada (cross-body)Rotação passiva limitada e dolorosaArco doloroso (60 a 120°), Jobe
AmplitudePreservada; dói no fim da elevaçãoReduzida (sobretudo rotação externa)Dói ao elevar, mas costuma ser possível
Outro achadoArticulação alargada e dolorosa ao toqueCrepitação ao moverPerda de força no teste do tendão afetado
Pérola clínica

Alterações de artrose AC na radiografia ou na ressonância são muito comuns e frequentemente assintomáticas a partir da meia-idade. O laudo, por si só, não fecha o diagnóstico: o que importa é se o exame, em especial a adução cruzada e a palpação, reproduz a dor exatamente naquela articulação. Tratar uma imagem, e não o paciente, leva a intervenções desnecessárias.

A pergunta decisiva é qual articulação dói. AC e glenoumeral são vizinhas, mas pedem condutas diferentes: a AC é superficial, responde bem ao anti-inflamatório tópico e à infiltração guiada de uma junta minúscula, e sua cirurgia (retirar a ponta da clavícula) é pequena; a glenoumeral é profunda, a infiltração é intra-articular e o desfecho cirúrgico é uma prótese. Confundir as duas leva a infiltrar o lugar errado e a alinhar a expectativa errada. O exame que separa uma da outra, e não o achado de imagem, é o que muda o tratamento.

Da prática clínica

Quem chega ao consultório com artrose AC quase nunca diz “dói o ombro”. Diz que dói no topo, que não consegue cruzar o braço para alcançar o cinto de segurança ou abraçar, e que dormir sobre aquele lado acorda. Esse trio (cruzar o corpo, deitar sobre o ombro, fim da elevação) é mais revelador do que qualquer laudo, e a pessoa costuma apontar o ponto com a ponta do dedo, algo que a dor do manguito, mais espalhada pela lateral do braço, raramente permite.

A confusão mais comum não é com o manguito, e sim entre a própria AC e a glenoumeral: muita gente já ouviu “é artrose no ombro” sem que ninguém tenha dito de qual articulação se trata, e isso muda tudo na conduta. Surpreende os pacientes saber que a infiltração da AC serve também como teste: quando a dor some logo após a injeção no ponto certo, fica confirmado de onde ela vinha. E surpreende ainda mais que a cirurgia da AC, quando enfim necessária, seja pequena (retirar poucos milímetros da clavícula), bem diferente da prótese que costuma vir à mente quando se ouve a palavra “artrose”. Por isso a infiltração guiada e o ajuste de carga entram bem antes de qualquer conversa sobre operar.

Sinais de alerta

Três estágios do desgaste da cartilagem de uma articulação: normal, desgaste inicial e artrose avançada
Na artrose a cartilagem se desgasta e o espaço articular diminui, deixando o osso reagir com bordas irregulares sob carga.

A grande maioria das dores no ombro por artrose é benigna e tem evolução arrastada, mas alguns sinais indicam que a avaliação não deve esperar. Procure atendimento se notar qualquer um destes:

Sinais de alerta · não espere

Procure avaliação sem demora se houver

  • Dor no ombro após trauma de maior energia, queda sobre o ombro ou deformidade visível.
  • Incapacidade súbita de elevar ou girar o braço, ou perda de força que progride.
  • Ombro vermelho, quente e muito inchado, com febre, sugerindo processo inflamatório ou infeccioso.
  • Dor que piora à noite de forma implacável, perda de peso inexplicada ou história de câncer.
  • Dormência ou formigamento que desce pelo braço e pela mão, sugerindo origem na coluna cervical.

Cada sinal aponta para uma causa que muda a conduta: um trauma de maior energia levanta a hipótese de fratura ou de luxação da articulação AC; sinais inflamatórios com febre pedem afastar artrite séptica; dor noturna implacável com perda de peso exige investigação. Na ausência desses sinais, a artrose do ombro costuma ser conduzida de forma conservadora, com reavaliação ao longo de algumas semanas.

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Tratamento, do conservador à cirurgia

O tratamento é multimodal, não-cirúrgico e individualizado, e a maioria das pessoas com artrose AC ou glenoumeral melhora sem operar. A base é ativa, com modificação de atividade e exercício orientado, e as demais técnicas se somam a ela conforme a articulação envolvida, a intensidade da dor e a resposta. O objetivo é reduzir a dor, preservar a função e adiar ou evitar a cirurgia, reservando-a para os quadros que não respondem a um tratamento bem conduzido.

ReabilitaçãoProcedimentosMedicamentos

Modificação de atividade

Reduzir por um período os gestos que comprimem a AC (carga acima da cabeça, supino, cruzar o braço, dormir sobre o ombro), sem imobilizar.

Moderada1º passo

Exercício e reeducação escapular

Base do plano: fortalecer o manguito e estabilizar a escápula para descarregar a articulação dolorida, AC ou glenoumeral.

Fortesemanas

Acupuntura e agulhamento seco

Para o componente miofascial (trapézio, deltoide, periescapulares) que acompanha a artrose. Não age sobre a cartilagem.

Moderadaalgumas sessões

Infiltração AC guiada por US

Anestésico com corticoide na AC localizada e persistente; alívio de semanas a meses e prova diagnóstica.

Moderadaguiada

Viscossuplementação (glenoumeral)

Ácido hialurônico e infiltração intra-articular em casos glenoumerais selecionados, sempre com reabilitação.

Limitadaselecionados

Ondas de choque e laser

Maior benefício nas tendinopatias do ombro; na artrose articular pura a evidência é mais limitada.

Limitadaadjuvante

Medicação adjuvante

Analgésicos e anti-inflamatórios por períodos curtos nas fases de piora; anti-inflamatório tópico sobre a AC superficial. Alivia, não corrige.

Moderadacurto prazo

Cirurgia, quando indicada

Ressecção da clavícula distal na artrose AC refratária; artroplastia na glenoumeral avançada. Para casos que não respondem.

Reservadarefratário
Primeira linhainiciar aqui
Modificação de atividadeExercício e reeducação escapularanti-inflamatório/analgésico curto
Segunda linhase a dor persiste
Acupuntura / agulhamento secoTerapia manualInfiltração AC guiada por US
Refratáriocasos selecionados
Ressecção da clavícula distal (AC)Artroplastia (glenoumeral)

Exercício e reeducação escapular: a base

O que é
Fortalecimento progressivo do manguito rotador e dos estabilizadores da escápula (trapézio, serrátil anterior), com treino do ritmo escapuloumeral. Atendimento individual, um paciente por sala.
Mecanismo
Melhora o controle motor e o ritmo escapuloumeral, distribui melhor a carga e reduz o estresse sobre a articulação dolorida, seja a AC, seja a glenoumeral.
Evidência
Forte Intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança na dor do ombro.
O que esperar
Resposta gradual ao longo de semanas; o programa é mantido para evitar recorrência. Terapia manual e mobilização entram como adjuvantes do exercício.
Limitações
Exige constância; a melhora não é imediata e iniciar a carga acima da cabeça cedo demais reativa a dor.

Acupuntura médica e agulhamento seco

O que é
Abordagem do componente miofascial que acompanha a artrose: pontos-gatilho no trapézio superior, deltoide, supraespinhal e periescapulares (romboides, elevador da escápula). Ato médico, integrado ao plano de reabilitação.
Mecanismo
A acupuntura modula a dor por mecanismos segmentares no corno dorsal, vias inibitórias descendentes e opioides endógenos. No agulhamento seco, a agulha busca a banda tensa e a contração local breve, reduzindo a atividade da placa motora e a sensibilização local.
Evidência
Moderada Ensaio duplo-cego da nossa equipe no Grupo de Dor do HC-FMUSP mostrou alívio mantido por sete dias na dor miofascial do ombro (cerca de 1 a cada 2 pessoas tratadas). A população tinha dor miofascial, não artrose AC propriamente.
O que esperar
Número de sessões definido pela resposta, em geral algumas ao longo de poucas semanas; é comum leve agravamento por um ou dois dias após a punção, seguido do alívio.
Limitações
Trata o sofrimento miofascial que acompanha a artrose, não a cartilagem desgastada da AC ou glenoumeral. Exige cuidado anatômico na região do supraespinhal, próxima à cúpula pleural.

Infiltração guiada e viscossuplementação

O que é
Infiltração da articulação AC guiada por ultrassom, com anestésico e em geral corticoide, quando a dor é localizada e persiste. Na glenoumeral, viscossuplementação (ácido hialurônico) e infiltração intra-articular em casos selecionados.
Mecanismo
Controla a inflamação local; o guia por ultrassom aumenta a precisão numa articulação tão pequena. Funciona também como prova diagnóstica: quando a dor cede após a injeção no ponto certo, confirma-se que a origem é a AC.
Evidência
Moderada na AC localizada; Limitada para viscossuplementação glenoumeral, restrita a casos selecionados.
O que esperar
Alívio de semanas a meses na AC. Não é tratamento isolado, e sim parte de um plano com reabilitação.
Limitações
Infiltrações repetidas em excesso são evitadas; o resultado sustentável depende da reabilitação e do ajuste de carga.
Semana 1 a 2

Controle inicial

Ajustar a carga (acima da cabeça, supino, dormir sobre o ombro), aliviar a dor e iniciar a mobilidade dentro do conforto.

Semana 3 a 8

Progressão

Fortalecimento do manguito, reeducação escapular e técnicas em clínica; considera-se a infiltração AC guiada se a dor localizada persiste.

Após 8 a 12 sem

Reavaliação

Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico (AC, manguito ou glenoumeral?) e discute-se a cirurgia, como a ressecção da clavícula distal.

Medimos a intensidade da dor numa escala de 0 a 10, a amplitude de movimento do ombro e escalas funcionais do ombro, além do retorno às atividades e ao esporte. Quando a dor não cede no ritmo esperado, revê-se o diagnóstico, confere-se a resposta à infiltração diagnóstica e ajusta-se a carga do programa antes de cogitar o passo seguinte. O objetivo é reduzir a dor a um nível que não limite a rotina e preservar a função; as alterações já instaladas na articulação nem sempre são revertidas por completo.

Mito

“Artrose no ombro só tem solução com cirurgia ou prótese.”

Fato

A maioria das pessoas com artrose AC ou glenoumeral melhora com tratamento conservador: ajuste de carga, exercício, técnicas em clínica e, quando preciso, infiltração guiada. A cirurgia fica para os quadros que não respondem.

Tratamento não farmacológico: RPG, Pilates e fisioterapia

As técnicas em clínica e a infiltração guiada abrem a janela de alívio; é a reabilitação ativa que sustenta esse ganho e descarrega de forma duradoura a articulação dolorida, seja a acromioclavicular, seja a glenoumeral. RPG, Pilates clínico, cinesioterapia e terapia manual não competem com a agulha: dão a ela controle escapulotorácico, força do manguito e progressão. São abordagens conduzidas dentro da clínica, sempre individuais.

A lógica é comum a todas: na artrose do ombro, a dor piora quando a articulação recebe carga mal distribuída, e o que muda o curso é devolver controle, força e ritmo ao complexo do ombro. Um manguito forte e uma escápula bem posicionada reduzem a compressão sobre a articulação AC na elevação e descarregam a glenoumeral, retirando o estímulo que alimenta a dor. Por isso a progressão importa mais do que a intensidade, e o programa é mantido depois do alívio, para prevenir recorrência e a piora do desgaste.

Controle escapulotorácico e fortalecimento do manguito

Treino do ritmo escapuloumeral e fortalecimento progressivo do manguito (supraespinhal, infraespinhal, subescapular, redondo menor) e dos estabilizadores da escápula (trapézio inferior e médio, serrátil anterior). Uma escápula que roda no tempo certo amplia o espaço subacromial e reduz a compressão sobre a AC; um manguito competente centra a cabeça do úmero e distribui a carga. Limitação: exige constância e dose ajustada — carga acima da cabeça cedo demais reativa a dor.

ForteBase do plano

Reeducação postural global (RPG)

Trabalha o corpo por cadeias musculares com posturas de alongamento ativo mantidas. A contração isométrica de caráter excêntrico reduz o encurtamento da cadeia anterior e dos peitorais, corrige a anteriorização dos ombros e a báscula anterior da escápula que estreita o espaço subacromial. Útil quando há ombros enrolados, encurtamento peitoral e dor ao posicionar o braço. Limitação: não substitui o fortalecimento do manguito; base de estudos específica para o ombro é modesta.

ModeradaPostura/cadeias

Pilates clínico

Exercício terapêutico de baixo impacto centrado em controle motor e estabilização, adaptado por fisioterapeuta. Integra a estabilização da escápula e do tronco ao movimento do braço e treina o gesto com carga graduada, tornando a elevação menos agressiva à AC e à glenoumeral. Limitação: precisa ser clínico e individualizado; carga sobre o ombro cedo demais provoca piora; efeito de magnitude modesta e dependente de adesão.

ModeradaControle motor

Cinesioterapia, terapia manual e ajuste de carga

Reabilitação ativa com prescrição individualizada de mobilidade, fortalecimento e treino de controle, somada à terapia manual (mobilização articular e de tecidos moles) e ao ajuste de carga nas atividades e no treino. A terapia manual cria uma janela de conforto para avançar o exercício; o ajuste de carga evita os picos de sobrecarga que reativam a dor. Limitação: técnicas puramente passivas, sem exercício ativo, não sustentam o ganho; o resultado depende de continuidade.

ModeradaManutenção

O fio condutor é claro: na artrose do ombro, o movimento supervisionado e graduado é tratamento, e a melhor reabilitação é a que o paciente consegue manter. A escolha entre controle escapular, RPG, Pilates ou cinesioterapia depende do perfil, da preferência e da tolerância de cada pessoa, e com frequência se combinam ao longo do tempo.

Tratamento cirúrgico e opções fora da clínica

Diagrama do ombro em visão anterior e posterior com os músculos do manguito rotador identificados: supraespinhoso, subescapular, infraespinhoso e redondo menor
Conhecer a anatomia do manguito rotador e dos ossos do ombro orienta a decisão sobre quando a cirurgia pode ser indicada.

A cirurgia entra na artrose do ombro com procedimentos nomeados e desfechos definidos. Essas opções não são realizadas em nossa clínica, mas fazem parte do mapa de cuidado. A regra é a mesma para os dois quadros: a cirurgia é reservada à dor que persiste apesar de um tratamento conservador bem conduzido, incluindo a infiltração guiada, por alguns meses.

Conservador · 1ª escolha

O que resolve a maioria

  • Modificação de atividade e ajuste de carga
  • Exercício e reeducação escapular
  • Acupuntura e agulhamento seco no componente miofascial
  • Infiltração AC guiada por ultrassom
  • Conduzido na clínica, por alguns meses, antes de cogitar operar
VS

Cirúrgico · exceção

Quando o conservador se esgota

  • Dor que persiste apesar do tratamento bem conduzido
  • AC: ressecção da clavícula distal (Mumford), aberta ou artroscópica
  • Glenoumeral avançada: artroplastia anatômica ou reversa
  • Indicação confirmada pelo exame e pela resposta à infiltração diagnóstica
  • Realizada fora da nossa clínica, pelo ortopedista de ombro

Na artrose acromioclavicular refratária, o procedimento de escolha é a ressecção da extremidade distal da clavícula (procedimento de Mumford). Removem-se poucos milímetros da ponta da clavícula para abolir o atrito doloroso na articulação AC, e a junta passa a ser preenchida por tecido fibroso, sem comprometer a estabilidade quando os ligamentos coracoclaviculares são preservados. Pode ser feita por via aberta, com pequena incisão sobre a articulação, ou por via artroscópica, hoje frequente, com recuperação funcional em geral mais rápida e resultados comparáveis a médio prazo. A indicação típica é a dor localizada na AC, confirmada pelo exame e por resposta clara à infiltração diagnóstica, que retorna após o tratamento conservador.

Opções cirúrgicas e quando são consideradas (fora da nossa clínica)
Quando considerarProcedimentoO que esperar
Artrose AC com dor localizada que persiste apesar do tratamento conservador e da infiltração guiadaRessecção da extremidade distal da clavícula (Mumford), aberta ou artroscópicaAlívio do atrito doloroso na AC; recuperação funcional em semanas, com retorno gradual à carga acima da cabeça
Artrose glenoumeral avançada, com dor e perda de função, manguito preservadoArtroplastia anatômica do ombroRedução da dor e ganho de função; reabilitação ao longo de meses
Artrose glenoumeral avançada com manguito irreparável (artropatia do manguito)Artroplastia reversa do ombroRecupera a elevação ativa pela ação do deltoide; reabilitação prolongada
Componente de manguito ou impacto associado contribuindo para a dorAvaliação do ortopedista de ombro para reparo ou descompressão, conforme o casoConduta definida caso a caso; nem todo achado de imagem exige cirurgia

Na artrose glenoumeral avançada, a escolha entre a artroplastia anatômica e a artroplastia reversa depende sobretudo da integridade do manguito rotador: quando o manguito está irreparável, a prótese reversa muda a biomecânica para que o deltoide assuma a elevação. São cirurgias de maior porte, com reabilitação de meses, indicadas quando os sintomas limitam a vida diária e as etapas anteriores se esgotaram. A decisão é individual e compartilhada, e pesa a intensidade dos sintomas, a limitação funcional e a resposta ao tratamento conservador.

Alterações de artrose AC na imagem são muito comuns e em geral assintomáticas, de modo que não se opera uma radiografia, e sim uma dor que se confirmou vir daquela articulação e que não respondeu ao tratamento. O encaminhamento ao ortopedista de ombro é o caminho certo quando esses critérios se cumprem; até lá, a maioria dos casos é conduzida de forma conservadora, na clínica, com bons resultados.

Tratamento medicamentoso

Os medicamentos têm papel adjuvante na artrose do ombro, não de base. Servem para controlar a dor nas fases de piora e abrir uma janela que permita avançar a reabilitação, e nunca substituem o exercício e o ajuste de carga. São usados por períodos definidos, em dose individualizada, com a escolha conforme a fase, as comorbidades e o perfil de cada pessoa.

Classes medicamentosas na artrose do ombro
ClassePara quêEvidênciaO que esperar / cuidados
Analgésicos simples (paracetamol, dipirona)Controlar a dor nas fases de piora, sem ação anti-inflamatóriaModeradaAliviam, mas não corrigem o desgaste. Uso por períodos definidos.
Anti-inflamatórios orais (ibuprofeno, naproxeno)Fases de piora inflamatória da artrose, por períodos curtosModeradaUso prolongado pede cautela pelos riscos gástrico, renal e cardiovascular, sobretudo em idosos.
Anti-inflamatório tópico (diclofenaco em gel)Artrose AC, articulação superficial logo abaixo da peleModeradaEntrega o fármaco localmente com menor exposição sistêmica. Opção sensata para dor leve a moderada e bem localizada, com bom perfil de segurança.
Infiltração guiada com corticoide (na clínica)Dor da AC localizada e persistente; também prova diagnósticaModeradaAlívio de semanas a meses. Não é tratamento isolado; infiltrações repetidas em excesso são evitadas.
Infiltração intra-articular / viscossuplementação (glenoumeral)Casos glenoumerais selecionados, com ácido hialurônicoLimitadaPapel em casos selecionados, sempre combinada com a reabilitação.
OpioidesNão indicados para dor articular comumEvitarNão tratam a causa e trazem riscos que não compensam.

O que não tem lugar é o uso crônico de anti-inflamatórios como única estratégia, ou de opioides para dor articular comum, por não tratarem a causa e trazerem riscos que não compensam. A medicação alivia; o resultado sustentável vem da reabilitação e do ajuste de carga, com os fármacos no papel de adjuvante.

A clínica

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.

Conheça a clínica
SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor
SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque
CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre artrose acromioclavicular e artrose no ombro?

Artrose no ombro é um termo amplo. A artrose acromioclavicular (AC) atinge a pequena articulação no topo do ombro e dá dor localizada nesse ponto. A artrose glenoumeral atinge a articulação principal e dá dor profunda, com perda de movimento e crepitação. São quadros distintos, com tratamentos parecidos na base, mas com particularidades.

O que é o teste de adução cruzada?

É uma manobra do exame em que, com o braço estendido na altura do ombro, leva-se a mão em direção ao ombro oposto, cruzando o corpo. O movimento comprime a articulação acromioclavicular e reproduz a dor no topo do ombro quando há artrose AC. É uma das pistas mais úteis para diferenciá-la do manguito rotador.

Como saber se é artrose ou problema no manguito rotador?

A dor do manguito é mais lateral, com arco doloroso entre cerca de 60 e 120 graus e perda de força em testes como o de Jobe. A artrose AC dói no topo, no fim da elevação e na adução cruzada. Os quadros podem coexistir. Para aprofundar, veja o guia sobre síndrome do manguito rotador.

Artrose no ombro tem cura?

A artrose é uma alteração estrutural que não se reverte, mas isso não significa dor permanente. A maioria das pessoas controla bem os sintomas com tratamento conservador e retoma a rotina. A meta é reduzir a dor e preservar a função, com a cirurgia reservada aos casos que não respondem.

A dor no topo do ombro pode vir da clavícula?

Sim. A articulação acromioclavicular é justamente o encontro da ponta da clavícula com o acrômio, e é uma causa frequente de dor bem no topo do ombro. Outras causas de dor na clavícula são revistas no guia sobre dor na clavícula.

Quando a cirurgia é indicada?

Quando a dor persiste apesar de um tratamento conservador bem conduzido por alguns meses. Na artrose AC, o procedimento de escolha costuma ser a ressecção da clavícula distal. Na glenoumeral avançada, avalia-se a prótese. A decisão é individual e pesa os sintomas e a limitação na vida diária.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Pai MYB, et al. Dry needling has lasting analgesic effect in shoulder pain. Pain Reports. 2021;6(2):e939.
  2. Welch M; Rankin S; How Saw Keng M; Woods D. A systematic review of the treatment of primary acromioclavicular joint osteoarthritis. Shoulder & elbow. 2024. doi:10.1177/17585732231157090. PMID:38655415.
Atualizado em 31 mai 2026 Leitura 8 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Diferenciar a artrose AC da glenoumeral e definir qual técnica usar exige exame presencial, e a conduta aqui descrita precisa ser individualizada para o seu caso.

Equipe médica · Jardim Paulista · 40+ anos

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