Dor na clavícula: o que pode ser
A clavícula é o osso que liga o esterno ao ombro, logo abaixo da saboneteira. Quando dói, quase sempre é uma das juntas nas pontas do osso ou o músculo ao redor, e o ponto onde dói aponta a causa.
- Onde fica a clavícula? É o osso em S que liga o esterno ao ombro, logo abaixo da saboneteira (a covinha do pescoço). A dor ali costuma ser das articulações ou do músculo ao redor, mas a do lado esquerdo às vezes é referida do coração.
- A causa mais comum está nas juntas ou nos músculos: articulação esternoclavicular ou acromioclavicular, sobrecarga muscular ou dor referida do pescoço.
- O que fazer hoje: calor por 15 a 20 minutos, 3 a 4 vezes ao dia, e evite cruzar o braço sobre o peito ou erguê-lo acima da cabeça. Sem melhora em 1 a 2 semanas, marque consulta.
- Ligue 192 se a dor no peito, no pescoço, na mandíbula ou na clavícula esquerda vier com falta de ar, suor frio ou náusea por mais de 10 minutos.
- Dor que piora claramente ao respirar fundo pede consulta em poucos dias; com falta de ar, pronto-socorro.
40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual
Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.
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Dor que aparece ou piora ao mexer o ombro ou ao apertar o osso costuma ser articular ou muscular. Nesse caso, estes cuidados ajudam por 1 a 2 semanas:
- Reduza os gestos que provocam a dor, como cruzar o braço sobre o corpo ou elevá-lo repetidamente acima da cabeça, sem imobilizar o ombro e sem tipoia.
- Calor local por 15 a 20 minutos, 3 a 4 vezes ao dia, e ajuste de postura aliviam a sobrecarga do trapézio e do peitoral, a causa mais comum da dor na região.
- Analgésico ou anti-inflamatório por poucos dias, se necessário na crise, ajuda a abrir espaço para se movimentar; analgésico comum no máximo 2 a 3 dias por semana. Veja o guia de remédios para dor.
Sem melhora em 1 a 2 semanas, marque consulta. Se a dor veio com falta de ar, febre, trauma ou caroço, confira os sinais de alerta abaixo.
Onde fica a clavícula e o que é a saboneteira
A clavícula é o osso longo e em forma de S que cruza a frente do ombro, ligando o esterno, no centro do peito, à escápula, na ponta do ombro. Dá para senti-la sob a pele em quase toda a sua extensão. A covinha logo acima dela, a fossa supraclavicular, é a parte do corpo conhecida popularmente como saboneteira.
Por que isso importa: a clavícula tem duas articulações que doem por conta própria, a esternoclavicular, no centro, e a acromioclavicular, no ombro, e é cercada de músculos, nervos e, logo abaixo, da pleura e dos grandes vasos. Por isso a dor na clavícula vai do simples desgaste articular a quadros que exigem urgência, e o ponto onde dói e o lado já orientam o raciocínio.
Dor na clavícula do lado esquerdo
A causa mais comum da dor na clavícula esquerda é a mesma dos dois lados: as articulações, o osso e a musculatura ao redor, que doem ao mover o ombro e ao apertar o local. Existe, porém, uma particularidade que obriga atenção: o coração refere dor para o lado esquerdo, e parte das dores cardíacas é sentida no ombro, no pescoço e na região da clavícula esquerda. O sinal que mais ajuda é o gatilho: dor que aparece ou piora com esforço físico e não muda ao mover o braço nem ao apertar a clavícula precisa de avaliação de urgência antes de tratar como muscular. Com falta de ar, suor frio ou náusea por mais de 10 minutos, ligue 192 (veja os sinais de alerta).
Dor abaixo da clavícula esquerda que piora ao apertar e ao empurrar costuma vir do peitoral maior; junto ao esterno, pode ser a cartilagem das costelas, na costocondrite. Já a dor na clavícula ao respirar fundo, que se reproduz à palpação e piora ao mover o tronco, costuma ser musculoesquelética ou das articulações costais vizinhas; com falta de ar, entra na lista de alerta.
Dor na clavícula do lado direito
No lado direito, a referência cardíaca é muito menos provável, e a dor segue quase sempre a lógica musculoesquelética: articulação acromioclavicular sobrecarregada, sequela de queda sobre o ombro, ou tensão da musculatura do pescoço e do trapézio que se projeta para a clavícula. Vale a mesma regra prática: dor que se reproduz ao mover o braço e ao apertar o osso é local; dor que ignora o movimento, vem com falta de ar ou mal-estar, ou se instala sem explicação, pede avaliação. Dor no ombro direito que aparece depois de refeição gordurosa, com dor na parte alta da barriga, pode vir da vesícula.
Dor na clavícula perto do pescoço
Perto do pescoço, três origens explicam quase tudo. A primeira é muscular: o esternocleidomastoideo, que desce de trás da orelha até o esterno e a clavícula, e os escalenos, que descem do pescoço até a primeira costela, logo atrás da clavícula. A dor aparece ao virar ou inclinar a cabeça e ao apertar o músculo; o alongamento está no guia do esternocleidomastoideo.
A segunda é a articulação esternoclavicular, que incha junto ao esterno e dói ao elevar o braço. A terceira é um caroço na saboneteira, que se investiga sempre, mesmo pequeno e recente: marque consulta (veja caroço no pescoço).
As grandes origens da dor na clavícula
A clavícula é o único osso que prende o braço ao tronco, fica logo sob a pele e funciona como uma encruzilhada: nas pontas tem duas articulações próprias, o trapézio e o peitoral se prendem ao redor, o feixe de nervos do braço (plexo braquial) corre logo atrás e o tórax fica abaixo. Por isso a mesma região recebe dor de origens muito diferentes, e o padrão da dor importa mais que o nome isolado.
Antes das causas, dois marcos de anatomia ajudam a ler o resto do guia. Nas pontas do osso ficam a articulação esternoclavicular (EC), que une a clavícula ao esterno, e a articulação acromioclavicular (AC), que liga a clavícula ao acrômio da escápula e participa de quase todo movimento de elevar o braço. Acima do osso há a depressão que muita gente chama de “saboneteira”: o nome técnico é fossa supraclavicular, um marco anatômico por onde passam o plexo braquial e vasos importantes, e onde um caroço persistente nunca deve ser ignorado.
As seções a seguir detalham mais de doze causas dentro desses grupos. Para cada uma, o que importa na prática é o gatilho da dor, onde ela dói, o que a faz melhorar ou piorar e o sinal-chave do exame.
Causas articulares: as duas juntas da clavícula

As pontas da clavícula são juntas pequenas, com cápsula e disco, e dão dor própria que se reconhece pela localização e pela manobra que a reproduz. É a origem mecânica mais frequente depois da miofascial, e a que mais passa despercebida porque quem chega já decidiu que o problema é “no ombro”.
Artrose acromioclavicular (AC)
Dor na ponta lateral da clavícula, no topo do ombro, que piora ao cruzar o braço sobre o corpo (teste de adução horizontal) e ao dormir sobre o lado. Comum após anos de carga acima da cabeça. À palpação, o ponto doloroso é exatamente sobre a junta AC, alguns centímetros distinta da dor do manguito. Mais em artrose acromioclavicular.
Disjunção acromioclavicular
A luxação ou separação da junta AC após queda sobre o ombro ou trauma direto, classificada por graus. Dor no topo do ombro e, nos graus altos, a ponta da clavícula fica saltada, como uma tecla. Os graus leves são mecânicos e doem ao movimento; os altos deformam e pedem avaliação ortopédica.
Artrite esternoclavicular (EC)
Dor e às vezes inchaço junto ao esterno, no canto medial da clavícula, que piora ao elevar o braço acima da cabeça e à palpação local. A artrose EC é incomum e costuma ser confundida com dor do próprio esterno. Febre, calor e vermelhidão sobre a junta mudam o quadro: pensar em artrite séptica.
Luxação esternoclavicular posterior
Deslocamento da clavícula para trás do esterno após trauma de alta energia. É urgência: atrás dela estão grandes vasos e a traqueia, e pode haver falta de ar, dificuldade de engolir ou alteração de pulso. Dor intensa junto ao esterno após trauma, com afundamento da ponta medial, vai direto ao pronto-socorro.
Causas ósseas: o próprio osso da clavícula

Fora do trauma, o osso em si dói pouco; quando dói, o gatilho costuma ser claro. A pista é a relação com um impacto recente ou com um aumento de carga, somada a um ponto doloroso focal sobre o corpo do osso.
Fratura de clavícula
A fratura mais comum do ombro, típica de queda sobre o ombro ou a mão estendida, ou de trauma direto. Dor intensa imediata, deformidade ou degrau palpável no terço médio, crepitação e dificuldade de elevar o braço. É avaliação ortopédica com radiografia; a maioria consolida com tipoia e reabilitação.
Fratura por estresse
Rara, vista em atletas de arremesso, ginastas e em quem usa muleta por tempo prolongado. Dor focal sobre o osso que surge de forma insidiosa, piora com a atividade e melhora com o repouso, sem trauma único que a explique. A radiografia inicial pode ser normal; persistindo a dor, a ressonância confirma.
Causas miofasciais e de partes moles
É a origem mais comum no consultório. A clavícula é ponto de inserção e de passagem de músculos do pescoço e do ombro, e a dor que a pessoa localiza “sobre o osso” muitas vezes nasce de uma banda tensa que apenas projeta o sintoma para ali. A pista é reproduzir a queixa apertando o músculo ou virando a cabeça.
Sobrecarga do trapézio superior
Dor difusa no trapézio e na região supraclavicular que piora ao fim do dia, com postura mantida ao computador e em quadros de estresse. Reflete tensão muscular sustentada mais do que lesão. Melhora com pausa, calor e ajuste de postura, e é a queixa que mais responde à reabilitação ativa. Detalhes em dor no trapézio.
Dor miofascial do trapézio e periclaviculares
Banda tensa com um ponto muito sensível que, à compressão, reproduz e refere a dor para a fossa supraclavicular e o topo do ombro. Simula dor articular ou referida do pescoço, e a palpação dirigida é o que diferencia. Costuma vir com mobilidade cervical reduzida do mesmo lado.
Sobrecarga do peitoral maior
Dor abaixo e medial à clavícula em quem treina supino ou faz esforço repetido de empurrar. A inserção do peitoral maior na borda inferior da clavícula fica sensível ao apertar e ao empurrar contra resistência. Mecânica e ligada à carga, melhora com ajuste de volume de treino.
Tendinopatia do supraespinhal referida
Doença do tendão do manguito rotador cuja dor se projeta para o topo do ombro e a região periclavicular, confundindo com a junta AC. Piora ao elevar o braço entre 60 e 120 graus (arco doloroso) e à noite sobre o lado. O exame do manguito separa as duas origens; o tratamento está no guia da tendinopatia do supraespinhal.
Causas neurológicas e referidas
Aqui a dor nasce em outro lugar e aparece na clavícula. São as causas que mais mudam a conduta, porque incluem desde a raiz cervical até estruturas do tórax, e uma delas, a dor cardíaca, é emergência. A pista é a dor que não se reproduz ao mexer o ombro nem ao apertar o músculo.
Plexo braquial
O plexo braquial corre logo atrás da clavícula. Sua irritação dá dor que desce para o braço e a mão com formigamento, queimação ou fraqueza, não reproduzida ao mexer o ombro. Um caroço, trauma ou lesão na fossa supraclavicular que comprime o plexo exige exame neurológico do membro e investigação dirigida.
Síndrome do desfiladeiro torácico
Compressão de nervos e vasos no espaço entre a clavícula e a primeira costela. Dor na região supraclavicular e no braço que piora ao elevar e sustentar o braço acima da cabeça, às vezes com formigamento, mão fria ou inchaço. Mais comum em quem tem ombros caídos para a frente ou costela cervical. Veja síndrome do desfiladeiro torácico.
Dor referida cervical da raiz C4
A coluna cervical alta refere dor para o trapézio e a região supraclavicular; a raiz C4, em especial, projeta sintoma para essa faixa. Piora com movimentos do pescoço e melhora ao apoiar a cabeça. O exame da mobilidade cervical é o que reproduz a queixa.
Dor referida visceral: cardíaca e diafragmática
A dor cardíaca refere para o ombro e a região supraclavicular esquerda e é emergência (veja os sinais de alerta). A irritação do diafragma (vesícula, baço, ar livre na barriga) refere para a fossa supraclavicular pelo nervo frênico, que nasce no pescoço.
Causas inflamatórias e sistêmicas: incomuns, mas importantes
Quando a clavícula parece inflamada, com inchaço, calor ou vermelhidão, a causa pode estar aqui. São causas raras e fáceis de subestimar, mas têm assinaturas que pedem investigação fora do consultório de dor: dor que não respeita o repouso mecânico, sintomas gerais associados ou alteração local com febre. Quando aparecem, mudam toda a conduta.
Síndrome SAPHO
Doença inflamatória que tipicamente acomete a parede torácica anterior, incluindo a articulação esternoclavicular, com dor, inchaço e espessamento do osso, associada a lesões de pele (acne grave, bolhas de pus nas palmas das mãos e nas plantas dos pés). A dor é inflamatória, pior pela manhã, e o acometimento esternoclavicular bilateral é uma pista característica.
Artrite séptica e osteomielite
Infecção da articulação EC ou do osso, mais provável em quem tem imunidade baixa, diabéticos e usuários de drogas injetáveis. Dor intensa e progressiva com febre, vermelhidão e calor sobre o local, sem relação com movimento. É urgência: a junta pode destruir rápido e exige antibiótico e, por vezes, drenagem.
Tumores e lesões ósseas (raros)
Lesões primárias do osso ou metástases são raras, mas entram na lista diante de dor óssea persistente que não respeita o repouso, piora à noite e vem com perda de peso ou sudorese noturna. Um caroço supraclavicular fixo e indolor pode refletir doença ganglionar ou torácica e exige investigação dirigida.
Como diferenciar pelo padrão
O padrão da dor (o que a desencadeia, onde dói, o que a alivia e o sinal-chave do exame) costuma apontar a origem antes de qualquer imagem. A tabela abaixo resume as pistas que mais ajudam a separar os grupos.
| Origem | Padrão típico | O que fazer |
|---|---|---|
| Articular acromioclavicular (AC) | Dor no topo do ombro, na ponta lateral; piora ao cruzar o braço sobre o corpo e ao deitar sobre o lado | Cuidados em casa 1 a 2 semanas; fisioterapia 4 a 8 semanas; infiltração se não ceder |
| Articular esternoclavicular (EC) | Dor e às vezes inchaço junto ao esterno; piora ao elevar o braço acima da cabeça e à palpação local | Consulta se não melhorar em 1 a 2 semanas; com febre ou calor, pronto-socorro no mesmo dia |
| Óssea (fratura) | Dor intensa após trauma, com deformidade, degrau ou crepitação no terço médio | Radiografia e avaliação ortopédica, sem demora |
| Miofascial / sobrecarga | Dor difusa do trapézio e supraclavicular; piora ao fim do dia; reproduzida ao apertar o músculo | Calor e pausas por 1 a 2 semanas; depois reabilitação ativa, agulhamento seco, acupuntura |
| Neurológica (plexo, desfiladeiro) | Dor que desce para o braço com formigamento ou fraqueza; piora com o braço acima da cabeça | Exame neurológico em 1 a 2 semanas; fraqueza súbita, pronto-socorro |
| Referida cervical (C4) | Piora com movimentos do pescoço; reproduzida ao mexer o pescoço | Tratar a coluna cervical; ver dor no pescoço |
| Referida cardíaca (bandeira vermelha) | À esquerda, irradia para braço, mandíbula ou pescoço; piora ao esforço; aperto no peito, falta de ar, suor frio | Emergência: mais de 10 minutos com falta de ar, suor frio ou náusea, ligue 192 |
| Inflamatória / infecciosa | Dor inflamatória (pior pela manhã) ou febre, calor e vermelhidão sobre a junta | Avaliação médica; reumatologia ou infectologia |
- O que reproduz a dor. Mexer o ombro aponta articulação; apertar a banda do trapézio aponta miofascial; mexer o pescoço aponta dor referida cervical.
- Onde dói. Topo do ombro na ponta de fora sugere AC; junto ao esterno sugere EC; difusa no trapézio sugere miofascial.
- O que piora. Cruzar o braço sobre o corpo piora a AC; elevar o braço acima da cabeça piora a EC e o desfiladeiro torácico.
Sinais de alerta: pode ser emergência
Antes de tratar a dor como musculoesquelética, é preciso afastar causas que exigem atendimento imediato. A clavícula esquerda, em especial, fica numa região para onde o coração costuma referir dor.
Pode ser o coração. Ligue 192 ou vá ao pronto-socorro se houver
- Dor no peito, no pescoço, na mandíbula, na clavícula ou no ombro esquerdo com falta de ar, suor frio ou náusea por mais de 10 minutos.
- Dor que piora ao esforço (subir escada, caminhar) e alivia ao parar.
- Dor com aperto ou peso no peito, palidez, sensação de desmaio ou batimentos irregulares.
A dor do coração nem sempre é “no peito”. Quem tem hipertensão, diabetes, tabagismo ou histórico familiar deve ter um limiar ainda mais baixo para ligar 192. Mais no guia sobre dor no pescoço e infarto.
Marque o que você sente
- Falta de ar de início súbito, escarro com sangue ou dor forte ao respirar com febre.
- Queda ou pancada com deformidade, osso saltado, estalo ao mexer ou braço que não se move.
- Ponta da clavícula afundada junto ao esterno após trauma, com dificuldade de engolir ou de respirar.
- Febre com vermelhidão e calor sobre a articulação junto ao esterno.
- Fraqueza no braço que surgiu de repente ou piora em horas ou dias.
- Dor que piora ao respirar fundo ou tossir, sem falta de ar.
- Caroço, inchaço ou íngua na saboneteira, de qualquer tamanho.
- Formigamento ou dormência no braço, sem fraqueza.
- Dor que acorda à noite ou vem com perda de peso e suor noturno.
- Dor que não melhorou com 1 a 2 semanas de cuidados em casa.
Nada marcado? A dor sobre a clavícula costuma ser articular ou muscular. Siga os cuidados em casa por 1 a 2 semanas; sem melhora, marque consulta.
Marcou um ou dois? Marque consulta em até 1 a 2 semanas, antes se a dor é forte ou piora ao respirar. Com caroço na saboneteira, anote o tamanho e há quanto tempo ele existe.
Marcou item em destaque? Pronto-socorro agora ou ligue 192. Três ou mais? Consulta nesta semana.
Como a dor é avaliada
A primeira pergunta do exame é “isto é musculoesquelético ou não?”. A história tenta capturar o que dispara e o que alivia a dor, a relação com esforço e com a respiração, a presença de irradiação e os fatores de risco cardiovascular. Esse filtro vem antes de qualquer manobra ortopédica.
A imagem é pedida conforme a suspeita:
Pergunta-chave
Há suspeita de causa cardíaca ou de urgência?
O exame é eletrocardiograma e exames de sangue do coração em ambiente de urgência, antes de tratar a dor.
Para o componente musculoesquelético: a radiografia avalia fratura e artrose, a ultrassonografia ajuda nas articulações EC e AC, e a ressonância fica para casos selecionados. Um nódulo supraclavicular persistente exige investigação específica, fora do escopo do tratamento da dor.
Como avaliamos a dor na clavícula aqui
Na consulta, o fisiatra começa pelo coração e pelo pulmão: pergunta se a dor vem com esforço, falta de ar ou ao respirar fundo. Depois aperta as duas articulações da clavícula, compara com o outro lado, pede para você cruzar o braço sobre o peito e elevá-lo, examina o pescoço e testa força e sensibilidade do braço. Na maioria das vezes você sai com o diagnóstico e o plano sem exame de imagem. Se a dor vem do músculo, o agulhamento seco, a infiltração de ponto-gatilho ou a acupuntura podem começar no mesmo dia.
Se vem da articulação AC ou EC e não cede ao exercício, a infiltração da junta também é feita na clínica. A reabilitação é conduzida pelo fisioterapeuta da clínica, um paciente por sala, e o plano é revisto em 3 a 6 semanas. Atendimento particular, com recibo para reembolso.
O tratamento depende da causa
O tratamento da dor na clavícula começa pela causa. Aliviar o sintoma sem decidir de onde a dor vem funciona por pouco tempo e costuma atrasar o que realmente resolve. Por isso a conduta se organiza por origem. A maior parte do trabalho do consultório de dor recai sobre as causas articulares e miofasciais, que sobem uma escada de cuidados com prazo para cada degrau; as causas vasculares, infecciosas, inflamatórias e cardíacas seguem caminhos próprios, e o papel aqui é reconhecê-las e encaminhar no tempo certo.
A escada de tratamento da dor articular e muscular
Para o componente articular e miofascial, o exame gera um plano que combina reabilitação ativa com os procedimentos que a causa e a fase justificam, e que sobe de degrau quando o anterior não bastou.
Cuidados em casa
Calor 15 a 20 minutos, 3 a 4 vezes ao dia, menos gestos de cruzar e erguer o braço, analgésico comum se preciso · 1 a 2 semanas · sem melhora, consulta.
Fisioterapia e exercício
Controle da escápula e alongamento do peitoral, 1 a 2 vezes por semana na clínica e em casa nos outros dias · 4 a 8 semanas · se a dor não cai, sobe de degrau.
Agulhamento seco ou infiltração de ponto-gatilho
Quando a dor é do músculo · pode começar no dia da consulta · abre espaço para o exercício render. Se a articulação AC ou EC não cede, a infiltração da articulação, feita na clínica, é a opção seguinte.
Reavaliar o diagnóstico
Em 3 a 6 semanas, sem melhora clara: rever se a junta certa foi tratada, pedir ressonância ou encaminhar ao ortopedista.
Origem articular e miofascial: exercício, agulhamento seco e infiltração
Para a dor articular EC e AC, a sobrecarga do trapézio e do peitoral e a dor miofascial, a base é a reabilitação ativa. O exercício com carga progressiva reconstrói a tolerância do tecido; a reeducação postural global (RPG) e o Pilates clínico corrigem os ombros caídos para a frente e a cabeça projetada que mantêm a escápula em posição desfavorável. Um passo prático e muitas vezes decisivo é o ajuste de carga: identificar e modular os gestos que disparam a dor, como elevar o braço acima da cabeça ou cruzá-lo sobre o corpo, e reintroduzi-los de forma graduada.
Doses típicas para começar: retração da escápula (puxar as escápulas para trás e para baixo), 8 a 12 repetições, 1 a 3 vezes ao dia; alongamento do peitoral no batente da porta, 20 a 30 segundos, 2 a 3 vezes; empurrar a parede com os braços estendidos para ativar o serrátil, 8 a 12 repetições. O fisioterapeuta da clínica ajusta na consulta, um paciente por sala.
Sobre essa base, o componente miofascial responde bem ao agulhamento seco e à infiltração de ponto-gatilho, que reduzem a dor referida da banda tensa do trapézio e dos periclaviculares e devolvem amplitude para reabilitar.
- O que é
- Agulha fina, sem medicamento, inserida no ponto-gatilho do trapézio, do peitoral maior ou do esternocleidomastoideo que reproduz a dor da clavícula.
- Como age
- Provoca um pequeno salto do músculo e solta a banda tensa; a dor referida para a clavícula costuma cair junto.
- O que esperar
- Alívio no mesmo dia ou em 1 a 3 dias, com dolorimento leve por 1 a 2 dias. 1 a 2 sessões por semana; reavaliar após 3 a 4 sessões. Pode começar no dia da consulta.
- Indicação
- Dor miofascial do trapézio, do peitoral ou do esternocleidomastoideo. Em estudo do nosso grupo no HC-FMUSP com dor no ombro, o alívio de uma sessão durou pelo menos 7 dias.
- Limites
- Como a ponta do pulmão e o plexo braquial ficam atrás do osso, a punção acima da borda da clavícula é mantida rasa e angulada para longe do tórax. Cautela em quem usa anticoagulante. Sem o exercício, o alívio tende a não se sustentar.
Quando a dor é claramente articular e não cede, a infiltração da junta EC ou AC controla a inflamação e abre uma janela para avançar.
- O que é
- Injeção de anestésico com corticoide dentro da articulação acromioclavicular, no topo do ombro, ou da esternoclavicular, junto ao esterno.
- Como age
- O anestésico alivia a dor nas primeiras horas; o corticoide reduz a inflamação da junta nos dias seguintes.
- O que esperar
- Alívio que costuma durar semanas a meses, tempo em que o exercício avança.
- Indicação
- Artrose ou sobrecarga da articulação AC ou EC que não melhorou com 4 a 8 semanas de exercício.
- Limites
- Não se repete muitas vezes no ano. Febre ou calor sobre a junta suspendem a infiltração até afastar infecção. Disjunção de grau alto e fratura são do ortopedista.
Outras técnicas entram como apoio. A acupuntura ajuda a aliviar a dor e a tensão muscular, em 6 a 10 sessões, 1 a 2 por semana, com reavaliação na 3ª a 4ª. O laser de alta intensidade pode reduzir a dor da articulação e do músculo nas fases mais doloridas.
Nas tendinopatias associadas do manguito, as ondas de choque entram como adjuvante. A medicação tem papel coadjuvante e prazo definido: anti-inflamatório ou analgésico por período curto na crise abre espaço para reabilitar; doses e cuidados estão no guia de remédios para dor.
Origem neurológica e referida: tratar o nervo e a origem
Quando a dor vem do nervo ou é referida (plexo braquial, desfiladeiro torácico, raiz cervical C4), o tratamento mira a origem. A dor referida do pescoço se sobrepõe ao plano da coluna cervical, detalhado no guia sobre dor no pescoço, com reabilitação dirigida ao padrão da raiz e exercícios de deslizamento do nervo. Na dor de nervo que persiste, há remédios próprios, com indicação, dose e duração definidas pelo médico (veja o guia de remédios). No desfiladeiro torácico, o eixo é a correção postural, o ganho de espaço com fortalecimento e a modulação da carga sobre o braço elevado; a cirurgia fica reservada a déficit neurológico ou vascular progressivo.
Origem inflamatória, infecciosa e cardíaca: reconhecer e encaminhar
Essas causas não se tratam com o arsenal da dor de junta e músculo. A artrite séptica e a osteomielite são urgências, com antibiótico e por vezes drenagem. A síndrome SAPHO e outras artrites inflamatórias são conduzidas pela reumatologia, e um caroço supraclavicular persistente ou uma dor óssea que não respeita o repouso exigem investigação dirigida, fora do escopo do tratamento da dor.
A cirurgia tem papel definido em situações estruturais específicas, como uma fratura de clavícula desviada do terço médio, uma disjunção AC de grau alto em pessoa jovem e ativa, ou uma artrose AC refratária após o tratamento conservador bem conduzido, sempre por indicação ortopédica. A grande maioria da dor na clavícula, porém, não é cirúrgica.
Centro de Dor
Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)

Centro de Tratamento por Ondas de Choque
Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)
Clínica listada
Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)
Perguntas frequentes
O que é a “saboneteira” do corpo?
É o nome popular da fossa supraclavicular, a depressão logo acima da clavícula, entre o pescoço e o ombro. É um marco anatômico, por onde passam nervos do plexo braquial e vasos. Caroço, inchaço ou dor persistente ali pedem consulta; caroço nesse ponto se investiga sempre.
Dor na clavícula esquerda que irradia para o braço, o que pode ser?
Pode ter origem musculoesquelética ou neural (raiz nervosa, plexo braquial), mas à esquerda é obrigatório afastar causa cardíaca. Se a dor piora ao esforço ou vem com falta de ar, suor frio ou náusea por mais de 10 minutos, ligue 192.
Dor na clavícula que irradia para o pescoço é grave?
Com frequência é dor referida entre pescoço, ombro e clavícula, que compartilham musculatura e inervação. Se piora ao virar a cabeça, costuma vir do esternocleidomastoideo, dos escalenos ou da coluna cervical: calor e pausas por 1 a 2 semanas; sem melhora, consulta.
Dor na clavícula quando respiro fundo, é normal?
Dor que piora claramente ao respirar fundo ou tossir pode vir do pulmão ou da pleura e pede avaliação sem demora, sobretudo com falta de ar, febre ou tosse. Uma dor leve ao respirar também pode vir da articulação esternoclavicular ou de origem muscular; a diferenciação é clínica.
Dor na clavícula e no ombro ao mesmo tempo, o que é?
É comum, porque a articulação acromioclavicular fica no topo do ombro e a musculatura é compartilhada. Dor ao cruzar o braço sobre o corpo sugere a articulação AC. Se desce pelo braço com formigamento ou fraqueza, pede exame dos nervos do braço.
Tenho um caroço acima da clavícula. O que faço?
Caroço na fossa supraclavicular se investiga sempre, mesmo pequeno e recente, em especial à esquerda: marque consulta. Nessa região há gânglios que podem refletir doença do tórax ou dos próprios gânglios. Mais em caroço no pescoço.
Bati a clavícula e doeu muito. Pode ser fratura?
A fratura de clavícula é comum após queda ou trauma direto, com dor intensa, deformidade ou dificuldade de mover o braço. Diante desses sinais, procure atendimento para radiografia. A conduta é ortopédica e não corresponde ao tratamento descrito aqui.
Clavícula inflamada, o que pode ser?
Na maioria das vezes é uma das duas articulações da clavícula irritada por sobrecarga ou desgaste: dói ao apertar e ao mexer o braço. Com febre, vermelhidão e calor, pode ser infecção, e é pronto-socorro no mesmo dia. Inchaço junto ao esterno com lesões de pele lembra a síndrome SAPHO, que é da reumatologia. Dor e inchaço na cartilagem das costelas, logo abaixo, é outro quadro: a costocondrite.
Qual remédio para dor na clavícula?
Na crise de dor muscular ou da articulação, analgésico comum ou anti-inflamatório por poucos dias ajuda a se mexer; analgésico comum no máximo 2 a 3 dias por semana. Se a dor volta sempre que o remédio acaba, é hora da consulta. Doses, cuidados e quem não pode usar cada um estão no guia de remédios para dor.
Referências6 fontes citadas neste artigoVerOcultar
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Dor torácica, dor que irradia para o braço ou a mandíbula, falta de ar e dor que piora ao respirar podem indicar emergência: procure atendimento imediato. Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica.










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Tenho osteopenia, uso os devidos minerais. Há 2 meses pra cá a ponta frontal da clavícula está inchada e dolorida e ossos vizinhos. Que devo fazer tenho 65 anos
Informações bastante esclarecedoras…