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Dor pélvica crônica: o que é, causas e como tratar

Dor pélvica crônica é um termo genericamente usado para designar dores na parte inferior do abdômen, na pelve ou na área genital.

O problema é muito comum em mulheres, sendo frequentemente atribuído aos órgãos reprodutivos. Apesar disso, também pode acometer homens e ter origem em órgãos do aparelho urinário e gastrointestinal, assim como nervos e músculos.

O principal sintoma é a dor que dura mais de seis meses e que, no caso das mulheres, pode piorar em certas fases do ciclo reprodutivo. 

Sintomas associados

A dor pélvica é um sintoma por si só. Ela pode vir sozinha ou acompanhada de outras características, cuja compreensão ajuda o paciente e seu médico a identificar a causa, ou as causas, do incômodo.

Os principais sintomas relacionados são:

  • Dor ao urinar
  • Dor ao ejacular
  • Aumento ou redução da frequência de micção
  • Disfunção sexual

Também há sinais de alerta, ou seja, sintomas preocupantes e que requerem atenção médica imediata:

  • Tontura
  • Perda de consciência
  • Sangramento vaginal após a menopausa
  • Febre
  • Calafrios
  • Náusea
  • Vômito
  • Sudorese

Fatores de risco

Segundo estudo da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, pessoas com as seguintes características têm maior chance de sofrer com dor pélvica crônica:

  • Idade menor de 30 anos
  • Baixo índice de massa corporal
  • Tabagismo
  • Fluxo menstrual intenso ou longo
  • Histórico de abuso sexual
  • Histórico de aborto espontâneo
  • Uso de drogas ou álcool
  • Cesariana anterior

O que pode ser?

Muitas condições diferentes podem causar dor pélvica crônica. Algumas podem não estar relacionadas aos órgãos reprodutivos, mas ao trato urinário ou intestino. Veja:

Endometriose

A endometriose ocorre quando o tecido que reveste o útero, chamado endométrio, cresce em outros órgãos e tecidos do corpo, como nos ovários e nas tubas.

O tecido endometrial reage aos hormônios, portanto causa sangramento e dor principalmente antes e durante a menstruação.

O problema é mais comum em mulheres de 25 a 40 anos e pode prejudicar a fertilidade e o funcionamento dos órgãos.

Ainda não foi descoberta a causa exata da doença, mas sabe-se que ela é hereditária e costuma acometer mulheres que nunca engravidaram, começaram a menstruar cedo, têm fluxo menstrual intenso e/ou longo, e apresentam anomalias no útero.

Cistite intersticial

Cistite intersticial é uma infecção ou irritação do trato urinário que causa dor pélvica e sensação de queimação ao urinar.

Além da dor, a condição crônica é caracterizada por aumento da frequência de micção, sensação de pressão ao redor da bexiga e no períneo, dor durante o sexo, dor no pênis ou nos testículos.

Suas causas ainda não estão completamente esclarecidas, mas várias teorias apontam a presença de substâncias tóxicas na urina e o histórico pessoal de doenças autoimunes.

Síndrome do intestino irritável

A síndrome do intestino irritável é um distúrbio do cólon e do intestino que causa dor e cólicas abdominais, além de inchaço, diarreia e constipação.

Geralmente, é um problema que dura toda a vida, visto que não tem cura, porém seus sintomas surgem por meio de crises que duram dias, semanas ou meses.

Pode ser muito frustrante conviver com a síndrome do intestino irritável, mas mudanças na dieta e o uso de determinados medicamentos ajudam a controlar os sintomas.

A causa exata é desconhecida, mas a condição já foi associada à rapidez ou à lentidão digestiva, assim como nervos sensíveis, estresse e hereditariedade.

Vulvodinia 

Vulvodinia é uma dor crônica da vulva, geralmente sem uma causa identificável. Localização, frequência e gravidade variam entre as pacientes. 

A dor mais comumente é de ardor, embora sejam relatadas outras sensações. O desconforto é tão grande que ficar sentada por um longo período ou fazer sexo se torna impensável.

A Medicina não sabe ao certo o que causa a vulvodinia, mas alguns fatores parecem contribuir para o seu surgimento, como alterações hormonais, lesão dos nervos ao redor da vulva, infecções vaginais, alergias e espasmo ou fraqueza muscular no assoalho pélvico.

Apesar de muitos casos não terem cura, o problema pode ser amenizado por medicamentos e terapias.

Adenomiose

Semelhante à endometriose, a adenomiose é uma condição na qual as células que revestem o útero invadem o tecido muscular da parede do órgão. 

Muitas mulheres com o problema não apresentam sintomas, mas outras sim. Elas podem ter dor durante o período menstrual, sensação de pressão na bexiga ou no reto e sangramento menstrual intenso e prolongado.

A causa da adenomiose não é conhecida. Existem muitas teorias sobre ela, como a invasão direta de células endometriais do revestimento do útero por meio de incisões uterinas realizadas em cirurgias, como uma cesariana, depósito de tecido endometrial no músculo uterino quando o útero se formou no feto, inflamação uterina relacionada ao parto e invasão de células-tronco da medula óssea no músculo uterino.

Doença inflamatória pélvica

Doença inflamatória pélvica é uma infecção que acomete os órgãos femininos, como útero e ovários. Normalmente, é causada pela exposição do colo do útero a uma infecção sexualmente transmissível, como gonorreia ou clamídia, que permite que as bactérias viagem para os órgãos internos e os infectem. 

Os sinais e sintomas da doença inflamatória pélvica podem ser sutis ou intensos, como dor na parte inferior do abdômen e na pelve, corrimento vaginal anormal ou intenso, sangramento uterino anormal, dor durante a relação sexual, febre e micção dolorosa. Ainda assim, algumas mulheres não apresentam sintomas.

Mioma

Também chamados de fibroses uterina, os miomas são crescimentos benignos, ou seja, não cancerígenos, na parede muscular do útero. Esses tumores podem ser muito pequenos ou tão grandes quanto um melão, sendo frequentemente dolorosos.

Podem ocorrer juntamente a um sangramento menstrual intenso, micção frequente, constipação e dores nas costas e nas pernas.

Assim como a maioria das doenças que causam dor pélvica crônica, os médicos não sabem ao certo qual é a causa dos miomas uterinos, mas algumas evidências apontam alterações genéticas e hormonais, além de anormalidades em fatores de crescimento.

Peritonite

A inflamação da camada de tecido que reveste o interior do abdômen, chamada de peritônio, provoca dor abdominal súbita que piora gradualmente, além de inchaço, febre, enjoo, perda de apetite, sede, incapacidade de evacuar e fadiga.

O acometimento é fruto de infecção bacteriana ou fúngica e, em casos graves, pode resultar em perfuração no abdômen, o que leva a uma infecção generalizada que é potencialmente fatal.

Suas causas incluem procedimentos médicos, como diálise peritoneal e cirurgias gastrointestinais, apêndice rompido, úlcera no estômago, cólon perfurado, pancreatite, diverticulite e traumas. 

Cisto no ovário

Cisto é uma formação cheia de líquido que se desenvolve em um ou em ambos os ovário e pode causar dor pélvica crônica.

A maioria dos cistos ovarianos causa pouco ou nenhum desconforto e é inofensiva, mas alguns deles – especialmente aqueles que se rompem – podem causar sintomas graves, como dor aguda na parte inferior do abdômen, sensação de peso e inchaço.

Entre suas causas estão fatores genéticos, uso de medicamentos para estimular a ovulação e fatores hormonais.

Prolapso do útero

Ocorre quando o útero sai da sua posição normal devido ao enfraquecimento dos músculos pélvicos e dos tecidos de suporte. Essa fraqueza pode ser resultado de traumas no parto, trabalhos de parto difíceis, menor nível de estrogênio após a menopausa, constipação crônica, tosse frequente e levantamento de peso periódico.

A maioria dos casos de prolapso uterino não causa sintomas, enquanto o resto pode apresentar tecido saindo da vagina, incontinência urinária, sensação de peso na pelve e dor pélvica crônica.

Síndrome de congestão pélvica

Congestão pélvica se trata da formação de varizes nas veias da pelve devido a fatores hormonais. Como consequência, há dor pélvica crônica, principalmente na semana anterior ao período menstrual.

A dor, que acomete também a região lombar e as pernas, costuma ser pior ao se sentar ou ao ficar em pé, e também durante a relação sexual.

Causas psicológicas

Para algumas pessoas, a origem da dor pélvica crônica é psicológica. Isso não quer dizer que o incômodo não seja real, mas simplesmente não há uma causa física que o explique.

Esse tipo de causa é comum em mulheres que sofreram abuso sexual e pode cursar com depressão, ansiedade, uso de substâncias ilícitas e alcoolismo.

Diagnóstico

Durante a consulta, o médico fará perguntas para entender o estado de saúde do paciente. Por exemplo, ele questionará se há histórico pessoal ou familiar de doenças e pedirá para descrever o tipo de dor sentida. Outras dúvidas frequentes são:

  • A dor está relacionada ao ciclo menstrual?
  • Está relacionada aos movimentos intestinais?
  • Sob que circunstâncias a dor começou?
  • A dor é contínua ou intervalada?
  • Dói durante a micção ou a relação sexual?
  • Você já teve uma infecção urinária?
  • Você já fez alguma cirurgia na região pélvica?

O profissional da saúde também poderá solicitar exames para auxiliá-lo a obter o diagnóstico, como:

  • Exames de sangue
  • Teste de gravidez
  • Exame de urina
  • Papanicolau
  • Ultrassom
  • Tomografia computadorizada 
  • Ressonância magnética
  • Raio X

Em alguns casos, o especialista urologista, ginecologista ou coloproctologista poderá fazer uma cirurgia chamada laparoscopia. Nela, é feito um pequeno corte no abdômen e, então, inserido um tubo fino com uma câmera para observar os órgãos pélvicos.

Se a suspeita de origem da dor for o aparelho digestivo, podem ser solicitados os exames de colonoscopia e sigmoidoscopia para investigar as condições do intestino e reto.

O primeiro permite a visualização de todo o intestino grosso por meio da inserção de um tubo longo e flexível no ânus. Já o segundo permite ao profissional de saúde examinar o interior de uma área específica do intestino grosso.

 

Tratamento para dor pélvica crônica

Como a maioria das causas de dor pélvica crônica não tem cura ou não é facilmente identificável, o objetivo principal do tratamento é reduzir os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

Se o seu médico puder identificar uma causa específica, o tratamento se concentrará nessa causa.

No entanto, se uma causa não puder ser identificada, o tratamento se concentrará no controle da dor e de outros sintomas.

Para muitas mulheres, a abordagem ideal envolve uma combinação de tratamentos.

Remédios

Dependendo da causa, seu médico pode recomendar vários medicamentos para tratar a dor pélvica crônica, como:

Analgésicos: esses remédios podem proporcionar alívio parcial da dor pélvica, porém dificilmente a cessarão por completo quando usados isoladamente.

Tratamentos hormonais: alterações hormonais que controlam a ovulação e a menstruação podem influenciar a dor pélvica, por isso algumas mulheres podem fazer uso de pílulas anticoncepcionais ou outros medicamentos hormonais para aliviar o desconforto.

Antibióticos: se uma infecção é a fonte da sua dor, o médico poderá prescrever antibióticos.

Antidepressivos: alguns tipos de antidepressivos podem ser úteis para dores crônicas, mesmo para pessoas que não têm depressão.

Outras terapias

O paciente ainda poderá realizar terapias ou procedimentos específicos como parte do tratamento para dor pélvica crônica. Os principais são:

Fisioterapia: exercícios de alongamento, massagens, estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) e outras técnicas podem melhorar a dor pélvica crônica. Os fisioterapeutas também podem usar uma técnica chamada biofeedback, que ajuda a identificar áreas de músculos tensos e/o enfraquecidos e a trabalhá-los.

Injeções no ponto de gatilho: caso seja encontrado um ponto específico de dor, pode ser aplicada uma injeção analgésica de ação prolongada para aliviar o desconforto.

Psicoterapia: se a dor pélvica crônica tiver relação com transtornos de humor, como depressão e ansiedade, abuso sexual ou crises familiares, pode ser válido conversar com um psicólogo ou psiquiatra. Esse acompanhamento pode ajudar a desenvolver estratégias para lidar com a dor.

Neuroestimulação: estimulação da medula espinhal por meio da implantação de um dispositivo que bloqueia as vias nervosas para que o sinal da dor não atinja o cérebro. Pode ser útil para algumas causas de dor pélvica crônica.

Cirurgias

Na minoria dos casos, pode ser feito um procedimento cirúrgico para corrigir a causa da dor pélvica crônica. Isso é comum no caso da remoção de aderências por endometriose e para retirada do útero, trompas e/ou ovários.

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).

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