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Azia e má digestão: diferenças, causas, sintomas e tratamentos

A maioria das pessoas já enfrentou uma sensação desconfortável no abdômen ou dores próximas ao coração. Seja pelos medicamentos que tomamos, os alimentos que comemos, o modo pelo qual fazemos as refeições ou por alguma doença, todos experimentamos azia e má digestão.

Essas duas condições completamente diferentes, mas relacionadas, podem causar um grande prejuízo a qualidade de vida dos acometidos. Felizmente, quase sempre são simples e fáceis de tratar.

Continue lendo e saiba mais sobre azia e má digestão.

Diferença entre azia e má digestão

Os termos azia e má digestão são frequentemente encarados como iguais, tanto na vida cotidiana quanto na publicidade, porém referem-se a problemas diferentes.

Indigestão, também conhecida como dispepsia, é um termo generalista usado para definir a sensação de desconforto e dor na parte superior do abdômen e no peito, a qual também inclui inchaço e estufamento, e vem acompanhada de arrotos e náuseas.

Já a azia pode ser um sintoma de indigestão. Ela é relatada como uma sensação de queimação no peito ou na garganta.

Tanto a azia quanto a má digestão ocorrem depois que você come, seja por causa de determinados alimentos que tendem a causar esses quadros ou devido a maus hábitos ao se alimentar.

Diferentemente da azia, a indigestão ainda pode estar relacionada à saúde emocional do paciente, sendo mais comum em pessoas estressadas, nervosas e ansiosas.

Causas benignas

Homens e mulheres de todas as idades podem apresentar má digestão, visto que o quadro é comum. Isso geralmente se deve a:

Medicamentos

Alguns remédios podem dar azia e má digestão, como aspirina, pílulas anticoncepcionais a base de estrogênio, medicamentos esteroides, antibióticos e drogas para tireoide.

Hábitos alimentares

Existem também hábitos que favorecem o surgimento de azia e má digestão, como comer muito, rápido demais ou quando se está estressado.

Alimentos ricos em gorduras também podem causar o problema, assim como beber muito álcool ou ser tabagista. 

Azia na gravidez

Azia e má digestão são mais comuns durante o terceiro trimestre de gestação, porque o útero em tamanho maior pressiona os órgãos do sistema digestivo. Essa pressão pode ainda empurrar o conteúdo do estômago de volta para o esôfago, levando ao refluxo.

Doenças que causam azia e má digestão

Além das causas benignas, azia e má digestão podem ser resultados de certas condições de saúde:

Úlceras

As úlceras gástricas são feridas no revestimento do estômago ou do intestino delgado. Elas quase sempre são causadas por uma infecção pela bactéria H. pylori e/ou pelo uso prolongado de anti-inflamatórios não esteroides (como aspirina e ibuprofeno).

Além da azia, a indigestão causada por esse quadro compreende perda de peso, náusea, vômito, arrotos, refluxo, dor forte no estômago, anemia e fezes escuras.

Refluxo gastroesofágico

Esse é um acometimento muito comum que ocorre quando o conteúdo do estômago sobe para o esôfago devido ao não fechamento da válvula que separa os dois órgãos. Se não tratado, o refluxo gastroesofágico pode causar complicações sérias.

Seus sintomas compreendem basicamente azia e má digestão, além de um sabor amargo no fundo da garganta.

Câncer de estômago

Essa é uma causa rara de azia e má digestão, e que geralmente vem acompanhada de cansaço, sensação de inchaço mesmo após comer pouco, dor de estômago, vômitos persistentes e perda de peso não intencional.

O tumor estomacal tem origem em mutações no DNA de uma célula.

Pancreatite

A inflamação do pâncreas se manifesta por dor abdominal, febre, pulso rápido, ânsia, vômito e má digestão.

Aguda ou crônica, é resultado de fatores como alcoolismo, fibrose cística, cálculos biliares, cirurgia abdominal, alta quantidade de cálcio ou triglicérides no sangue, lesão no abdômen e obesidade.

Intolerância a alimentos

A intolerância alimentar se refere à dificuldade na digestão de certos alimentos. Os causadores do problema variam de pessoa para pessoa, sendo mais comum a intolerância à lactose, glúten, cafeína, histamina, corantes e conservantes.

As pessoas sensíveis apresentam sintomas depois de ingerir alimentos com esses compostos, como azia e má digestão, inchaço, dor de cabeça, tosse, coriza, intestino irritável e urticária.

Gastroparesia

Normalmente, contrações dos músculos do estômago impulsionam os alimentos por meio do trato digestivo. Na gastroparesia, essa mobilidade diminui ou para completamente, impedindo que o órgão se esvazie adequadamente.

Certos medicamentos podem causar esse problema, assim como doenças (como diabetes e hipotireoidismo) e cirurgias abdominais.

Seus sintomas incluem azia e má digestão, enjoo, vômito, inchaço, refluxo, dor de barriga e falta de apetite.

Síndrome do intestino irritável

Esse distúrbio gastrointestinal causa desconforto a longo prazo, embora não ofereça complicações graves. A doença crônica ainda não tem sua causa completamente esclarecida, mas sabe-se que fatores como dieta, genética, hormônios e mudanças de humor estão envolvidos.

Seus sintomas incluem diarreia e/ou constipação, dor abdominal, má digestão, sensação de evacuação incompleta, excesso de gases, muco nas fezes e inchaço abdominal.

Gastrite

A gastrite é uma inflamação crônica ou aguda do revestimento que protege o estômago.

Ela é fruto de certas condições e hábitos que enfraquecem as paredes do órgão, como consumo excessivo de álcool, uso de anti-inflamatórios não esteroides, uso de drogas ilícitas e tabagismo. Também é mais frequente com o passar dos anos, pois o revestimento do estômago afina naturalmente conforme a idade progride. Uma infecção bacteriana gastrointestinal também pode causar gastrite, em especial a que ocorre pela bactéria H. pylori

Além de azia e má digestão, o problema causa vômito, enjoo e sensação de inchaço após comer. 

Sintomas associados

Indigestão acontece com quase todo mundo. Além da azia, ela pode causar:

  • Dor de estômago
  • Inchaço
  • Enjoo
  • Vômito
  • Sentir-se cheio durante uma refeição e não conseguir terminar de comer
  • Sensação de estufamento após comer
  • Gases ou arrotos excessivos

Há também sinais de alerta de indigestão, os quais exigem ajuda médica imediata, como:

  • Vômito avermelhado ou parecido com pó de café
  • Perda de peso inexplicável
  • Dificuldade em engolir
  • Febre
  • Fezes com sangue

Quando procurar um médico?

Sentir azia e má digestão de vez em quando é normal, mas é indicado buscar um médico quando esse quadro persiste ao longo do tempo ou ocorre juntamente com sinais de alerta. 

Diagnóstico

Como a indigestão é um termo amplo, é útil dar ao seu médico uma ideia exata do que você está sentindo. Portanto, seja específico sobre o local do abdômen que é acometido pelos sintomas e tente descrever seu tipo de dor.

Após relatar seu quadro, é de praxe que o médico faça perguntas para tentar fechar um diagnóstico, como:

  • Os sintomas ocorrem com qual frequência?
  • Você já foi diagnosticado com algum problema gastrointestinal? 
  • Você toma algum tipo de remédio?
  • É tabagista?
  • Bebe álcool? Com qual frequência?
  • Bebe café ou outras bebidas ricas em cafeína com qual frequência?
  • Como é a sua alimentação?
  • Você costuma comer muito e/ou com pressa?
  • Você bebe muito refrigerante?
  • Você sente desconforto com algum alimento específico?
  • Como anda seu hábito intestinal?
  • Você é intolerante a algum alimento?

É provável que o médico faça um exame físico para identificar pontos de dor e estufamento. 

Em muitos casos, os passos relatados acima fornecem informações suficientes para o profissional de saúde fazer o diagnóstico e iniciar um plano de tratamento. Em outros, porém, mais testes podem ser necessários:

Exames de sangue: visam procurar marcadores que indiquem a presença de condições relacionadas com azia e má digestão, como anemia e pedra na vesícula.

Raio-X: o paciente pode ser solicitado a engolir materiais de contraste enquanto um radiologista observa o esôfago e o estômago em busca de irregularidades ou inflamações. Esse teste pode determinar se os músculos do esôfago estão funcionando adequadamente ao empurrar o material de contraste para o estômago.

Ultrassom abdominal: ondas sonoras de alta frequência são capazes de detalhar a estrutura, a circulação e o movimento dos órgãos durante a digestão.

Tomografia computadorizada: esse exame de imagem também permite a visualização detalhada das estruturas do abdômen.

Endoscopia: nesse procedimento, um gastroenterologista insere um tubo flexível e com uma câmera de fibra óptica na garganta do paciente, que foi previamente sedado, para observar o revestimento do esôfago e do estômago. Inflamação e úlceras podem ser identificadas por meio da investigação, assim como amostras de tecido podem ser retiradas com o intuito de realizar biopsia para procurar células cancerígenas ou pré-cancerígenas.

Manometria e teste de pH: menos comuns, esses testes visam monitorar a pressão dos músculos e medir a quantidade de ácido no interior do esôfago.

Complicações

Azia e má digestão ocasionais dificilmente causam complicações, visto que o maior risco ocorre quando esses quadros são frequentes. 

Se não for tratada, a azia pode causar sérios danos ao revestimento do esôfago, evoluindo para esofagite, que é uma inflamação que aumenta o risco de câncer de esôfago.

Indigestão a longo prazo também afeta a qualidade de vida e limita severamente atividades cotidianas.

Tratamentos para azia e má digestão

A indigestão e a azia geralmente são sinais de um problema subjacente, como doença do refluxo gastroesofágico, úlceras ou gastrite. Qualquer tratamento dependerá da causa. 

Normalmente, o quadro é tratado com mudanças na dieta ou medicamentos.

Mudanças no estilo de vida

Estratégias caseiras para aliviar azia e má digestão costumam ser efetivas.

Uma delas é não mastigar com a boca aberta e não comer rápido demais, visto que isso faz você engolir muito ar, o que aumenta a indigestão. Evitar bebidas durante as refeições, não comer demasiadamente e cortar alimentos condimentados são outros hábitos importantes.

Deixar de fumar e beber álcool também é necessário, já que esses dois hábitos diminuem a capacidade do esfíncter inferior do esôfago de funcionar adequadamente, permitindo o refluxo. 

Vale ainda tentar relaxar após as refeições, mas cuidado ao deitar-se: o ideal é elevar a cabeceira da cama para evitar refluxo.

Manter um peso saudável é essencial, já que o excesso exerce pressão no abdômen e aumenta a chance de refluxo. O mesmo acontece com roupas apertadas, portanto prefira as largas e confortáveis.

Outra dica é se submeter a sessões de acupuntura. Essa técnica age por meio da inserção de agulhas finas em determinados pontos do corpo a fim de recuperar o equilíbrio vital.

Aposte em alimentos que ajudam a digestão

Alguns alimentos são capazes de diminuir o desconforto abdominal, como arroz integral, couve, gengibre, brócolis, cenoura, ameixa, abacaxi e mamão.

Há também chás para azia e má digestão, como o chá-verde e o vermelho, que protegem o fígado e facilitam a digestão. Mas atenção, o chá-verde não deve ser consumido por gestantes, lactantes, pessoas com úlceras e gastrite, e portadores de hipertireoidismo e ansiedade.

Remédios para azia e má digestão

Vários medicamentos podem ser usados ​​para tratar azia e má digestão, como:

Antiácidos vendidos sem receita: ajudam a neutralizar o ácido estomacal.

Antagonistas do receptor H2 e inibidores da bomba de prótons: reduzem o ácido estomacal.

Procinéticos: melhoram a motilidade do trato digestivo.

Antibióticos: para combater bactérias, como a H. pylori.

Cirurgia

A cirurgia é uma opção para pacientes com refluxo grave que não obtiveram melhora com o tratamento convencional. Diferentes abordagens cirúrgicas podem ser empregadas. 

Tratamento para azia e má digestão na gravidez

O ideal é apostar na prevenção da indigestão na gravidez. De acordo com a American Pregnacy Association, é indicado comer de cinco a seis refeições pequenas ao longo do dia (ao invés de três refeições grandes), esperar pelo menos três horas depois de comer para se deitar e não ingerir alimentos condimentados e gordurosos.

Se o quadro de azia e má digestão já for uma realidade, vale tomar um copo de leite morno com mel para aliviá-lo.

Já os antiácidos vendidos sem receita médica, só devem ser tomados com o consentimento do obstetra, já que alguns deles contêm altos níveis de sódio e alumínio, substâncias que não são consideradas seguras na gravidez.

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