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Constipação intestinal: o que pode ser e como tratar

Constipação intestinal, também chamada de prisão de ventre, é um estado caracterizado por uma evacuação difícil, irregular, pouco frequente ou que requer muito esforço, a qual pode englobar fezes duras ou sensação de evacuação incompleta. 

A constipação pode ser aguda ou crônica. A primeira começa repentinamente e é notada facilmente, enquanto a crônica tem início gradual e persiste por meses ou anos.

Continue lendo e saiba mais sobre intestino preso.

Como saber se estou constipado?

Muitas pessoas acreditam que estão constipadas se não vão ao banheiro todos os dias, porém, evacuações diárias não são a melhor maneira de saber se sua saúde intestinal está em dia.

Em geral, é normal ter de uma a três evacuações por dia até duas a três evacuações por semana. Portanto, ter movimentos intestinais pouco frequentes não indica necessariamente um problema, exceto no caso de mudança importante em relação aos padrões anteriores, como alteração na cor, tamanho ou consistência das fezes.

A constipação é frequentemente relacionada a sintomas como desconforto abdominal, enjoo, cansaço crônico e falta de apetite, mas nem sempre ela é a culpada por eles, visto que outras condições, como a síndrome do intestino irritável e a depressão, podem causá-los. 

Portanto, portadores dessas doenças não devem esperar que todos os sintomas sejam aliviados pelo movimento intestinal diário.

Fatores de risco

A constipação pode afetar pessoas de todas as idades, seja de forma crônica ou como um surto temporário.

Há certas pessoas que têm maior probabilidade de ficar com o intestino preso, como:

Idoso: pessoas de idade avançada tendem a ser menos ativas, têm o metabolismo mais lento e menos força de contração muscular ao longo do trato digestivo, o que aumenta a chance de constipação intestinal.

Mulheres: as alterações hormonais das mulheres, especialmente durante a gravidez e após o parto, as tornam mais propensas à constipação. 

Gestantes: o feto dentro do útero esmaga o intestino, diminuindo a velocidade da passagem das fezes e, assim, gerando dificuldade de evacuação.

Quem tem uma dieta pobre em fibras: alimentos ricos em fibras mantêm o bolo fecal em movimento pelos intestinos, portanto, não comê-los é um fator prejudicial à evacuação.

Pessoas desidratadas: assim como as fibras, a água desempenha um importante papel na digestão, então sua falta favorece a formação de fezes secas e a dificuldade de evacuação.

Quem toma certos medicamentos: alguns remédios, como analgésicos, diuréticos, antidepressivos, anti-histamínicos e anticonvulsivos, podem interferir na função intestinal e promover constipação.

Portadores de distúrbios neurológico: é comum que pacientes com doenças no cérebro e na medula espinhal, assim como as de cunho psicológico, tenham intestino preso.

O que pode ser constipação

As causas mais comuns de constipação incluem:

Causas alimentares

As causas alimentares são muito comuns. Por exemplo, a desidratação causa prisão de ventre porque o corpo tenta conservar água no sangue, tirando a água das fezes e as tornando duras e difíceis de evacuar.

Já a falta de fibras na dieta pode levar à prisão de ventre porque essa parte dos alimentos ajuda a reter água e aumenta o volume das fezes, facilitando a sua passagem.

Medicamentos

Os grupos de remédios que podem retardar a função intestinal incluem opioides, sais de ferro e medicamentos com efeitos anticolinérgicos (como anti-histamínicos e antidepressivos tricíclicos). Outros compostos são hidróxido de alumínio (comum em antiácidos vendidos sem receita médica), subsalicilato de bismuto, anti-hipertensivos e sedativos.

Além disso, pessoas que frequentemente usam laxantes ou enemas perdem a capacidade de mover os intestinos sem esses compostos, o que gera constipação.

Defecação desordenada

Defecação desordenada se trata da dificuldade em evacuar devido a problemas nos músculos pélvicos envolvidos no movimento intestinal, como incapacidade de relaxamento (anismo), falta de coordenação (dissinergia) e falta de força.

Pessoas com essa queixa sentem necessidade de evacuar, mas não conseguem. 

Síndrome do Intestino Irritável

Indivíduos com Síndrome do Intestino Irritável (SII) podem apresentar diarreia, constipação ou um misto entre os dois estados.

O acometimento, cujas crises são desencadeadas por mudanças no humor ou determinados alimentos, geralmente é acompanhado de dor e inchaço abdominal.

Obstrução do intestino grosso

A obstrução pode ser causada por fezes endurecidas, câncer, retocele e fibroses (comum após cirurgias intestinais), que impedem o fluxo das fezes.

Repouso prolongado

A constipação também acontece com pacientes com doenças ou que passaram por cirurgias que exigem repouso prolongado (já que o movimento ajuda o intestino a mover as fezes) e menor ingestão de alimentos.

Doenças nervosas

Pessoas que sofreram lesão na cabeça ou na medula espinhal podem ter constipação, assim como as que têm problemas neurológicos que afetam os nervos ligados aos músculos do intestino e do reto, como:

Condições hormonais

Como os hormônios ajudam a equilibrar os líquidos no corpo, doenças e condições que prejudicam a sua produção podem levar à constipação, incluindo diabetes, hiperparatireoidismo e hipotireoidismo.

Gravidez

A constipação nas mulheres grávidas ocorre devido aos hormônios que relaxam o músculo intestinal, fazendo com que os resíduos se movam mais devagar, e à pressão do útero sobre o intestino. 

Além disso, preocupação, ansiedade e diminuição da prática de exercícios físicos colaboram ainda mais com esse quadro.

Sinais e sintomas

Os principais sintomas de constipação intestinal incluem:

  • Menos de duas evacuações por semana
  • Fezes pequenas, duras e/ou secas que são difíceis ou dolorosas de sair
  • Necessidade de fazer muita força para evacuar
  • Sensação de evacuação incompleta (tenesmo), como se o reto não estivesse vazio

Caso a dificuldade em evacuar se prolongue, pode haver dor abdominal, náusea e mal-estar.

Diagnóstico

Diagnóstico

Conversar com um médico ou com qualquer pessoa sobre seus hábitos intestinais não costuma ser o mais agradável dos assuntos, porém não precisa ser o pior. Os profissionais de saúde, em especial os gastroenterologistas e os coloproctologistas, são treinados para discutirem o tópico de forma aberta e sem julgamentos.

A consulta geralmente começa com um relato do paciente sobre seu problema, seguida de perguntas do médico, como:

  • Você evacua com qual frequência?
  • Você perdeu ou ganhou peso recentemente?
  • Você já passou por alguma cirurgia digestiva?
  • Qual é o aspecto das suas fezes?
  • Você notou sangue ou manchas vermelhas nas fezes ou no papel higiênico?
  • Quais medicamentos e suplementos você toma atualmente?
  • Alguém na sua família tem constipação, doenças do trato digestivo ou histórico de câncer de cólon?
  • Você já fez uma colonoscopia?
  • Como é sua alimentação?
  • Você come frutas, legumes e verduras?
  • Quanto de água você bebe por dia?
  • Você pratica atividades físicas? Com qual frequência?

O médico também deve realizar um exame físico, que inclui a verificação dos sinais vitais (como temperatura, pulso e pressão arterial) e o toque e a ausculta do abdômen. 

Esteja ciente de que o médico poderá fazer um exame de toque retal para avaliar a existência de problemas no reto. Esse procedimento é rápido e costuma ser indolor.

Caso a anamnese e o exame físico não sejam suficientes para determinar o diagnóstico, seu médico poderá solicitar exames e procedimentos, como:

Exames laboratoriais: testes de sangue e urina revelam sinais de hipotireoidismo, anemia e diabetes. Já a amostra de fezes investiga infecção, inflamação e câncer.

Testes de imagem: tomografia computadorizada e ressonância magnética são exemplos de exames solicitados para identificar problemas que podem causar a constipação.

Colonoscopia: esse teste visualiza o intestino internamente por meio de uma câmera que é introduzida no ânus com o paciente sedado. Durante o procedimento, podem ser coletadas amostras de tecido para biopsia.

Outros testes: podem ser solicitados exames específicos para verificar como o ânus e o reto retêm e liberam as fezes, como defecograma e manometria anorretal.

Complicações 

Episódios curtos e esporádicos de constipação dificilmente causam complicações a longo prazo. A curto prazo, porém, podem surgir fissuras anais devido à passagem de fezes grandes ou duras, as quais geram dor e sangramento leve, além de hemorroidas pelo hábito de fazer muita força para evacuar.

Já a prisão de ventre crônica e o uso prolongado de laxantes podem fazer com que o intestino fique ainda mais lento e preguiçoso. Esse ciclo vicioso pode ser evitado com o uso de laxantes apenas por curtos períodos de tempo. 

Às vezes, a constipação crônica grave resulta na obstrução do reto por uma grande massa de fezes duras. Pessoas com esse problema podem pensar que estão com diarreia e incontinência fecal, já que as fezes líquidas vazam ao redor do bloqueio.

A dificuldade de evacuar a longo prazo também favorece doenças, como a diverticulite, e pode danificar os músculos do assoalho pélvico.

Como aliviar?

Muitos casos de constipação são sanados com mudanças simples no estilo de vida, as quais ajudam o sistema digestivo a funcionar melhor, como:

Coma fibras e beba água 

Já ouviu falar que ameixa, mamão e aveia soltam o intestino?

A explicação é que esses alimentos são ricos em fibras, ou seja, contêm componentes que dão volume às fezes e aceleram sua passagem pelo intestino. Portanto, aposte neles para tratar e prevenir a constipação.

Primeiro, comece a comer mais frutas frescas e secas, leguminosas, legumes frescos e alimentos integrais todos os dias. Aumente a quantidade ingerida gradativamente, já que a ingestão repentina de muita fibra pode causar inchaço e gases.

Alguns exemplos de alimentos bons contra constipação são feijão, ameixa, aveia, linhaça, chia, abacate, psyllium, pera, laranja, alface, couve, brócolis, espinafre, damasco, figo e uva-passa.

Beba muita água

Lembre-se também de beber bastante líquido para garantir que o bolo fecal seja amolecido pelo líquido.

Aposte em pelo menos dois litros por dia, os quais podem incluir diversos tipos de bebidas, como chás e sucos, exceto as bebidas alcoólicas.

Se exercite regularmente

Manter o corpo ativo aumenta a atividade muscular no intestino.

Isso é mais do que comprovado pelo fato de pessoas acamadas terem maior probabilidade de ficarem constipadas. Portanto, tente praticar atividades físicas na maioria dos dias da semana. 

Crie uma rotina para ir ao banheiro

Não ignore a vontade de ir ao banheiro, por mais ocupado que você esteja, porque isso pode resultar em acúmulo de fezes e, a longo prazo, inibição do estímulo fecal.

Provavelmente, quando você respeitar suas vontades fisiológicas, seu corpo criará uma rotina de evacuação que diminuirá a probabilidade de prisão de ventre. 

Posicione-se corretamente no vaso

Pode parecer inacreditável, mas a maneira pela qual as pessoas geralmente sentam nos vasos sanitários dificulta a evacuação. 

Ao invés de sentar-se em um ângulo de 90 graus com os pés apoiados no chão, coloque um pequeno banquinho abaixo dos pés e incline-se para frente (descansando os cotovelos nas coxas). Assim, você imita a posição agachada – ou de cócoras,  que é a mais propícia para a passagem das fezes.

Tratamento clínico para constipação

Suplementos alimentares

Caso seu médico ou nutricionista entenda que a quantidade de fibras consumidas por meio de sua alimentação não é suficiente, poderá prescrever suplementos alimentares. 

Eles podem ser encontrados na forma de cápsula ou pó e consumidos a seco ou misturados em algum alimento.

Medicamentos

A ação de alguns remédios facilita a evacuação, como:

Laxantes: tomados por via oral, esses remédios adicionam volume e água às fezes, facilitando sua saída. Embora sejam eficazes, não devem ser usados com frequência, pois podem provocar perda de líquidos, sais minerais e a redução do teor de potássio no sangue.

Óleo mineral: seu médico pode indicar o uso de óleo mineral para lubrificar as fezes e, assim, facilitar a evacuação. O composto é eficaz, mas só deve ser tomado com orientação de um profissional de saúde, já que pode levar o corpo a perder vitaminas importantes, como A, D, E e K. 

Medicamentos que atraem água para o intestino: alguns compostos aumentam a quantidade de água no processo fecal e aceleram o movimento das fezes, como lubiprostona e linaclotide. Esses remédios geralmente são indicados para constipação crônica.

Receptores de serotonina: alguns medicamentos dessa classe estimulam a movimentação das fezes pelo cólon.

Antagonistas dos receptores mu-opioides: essa classe de medicamentos consegue reverter o efeito constipante de analgésicos opioides.

Cirurgias

Alguns procedimentos podem ser feitos para ajudar a remover as fezes do intestino ou tratar partes do sistema digestivo danificadas por doenças sérias.

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