Constipação intestinal: o que pode ser e como tratar
Constipação intestinal é a dificuldade persistente de evacuar, definida por critérios objetivos (Roma IV) e por três mecanismos distintos. Saber qual subtipo está em jogo muda o tratamento: da base de fibras e osmóticos aos secretagogos, ao biofeedback do assoalho pélvico e ao manejo específico da constipação por opioides.
- Constipação tem definição objetiva (critérios de Roma IV): pelo menos dois de seis sintomas, em mais de 25% das evacuações, por três meses, com início há seis meses ou mais.
- Existem três subtipos funcionais com mecanismos diferentes: trânsito normal (o mais comum), trânsito lento (inércia colônica) e dissinergia do assoalho pélvico (descoordenação na saída). Eles respondem a tratamentos diferentes.
- O tratamento é escalonado: fibras e hidratação, depois laxantes osmóticos e estimulantes, depois secretagogos (prucaloprida, linaclotida, lubiprostona); a dissinergia responde a biofeedback, não a laxante.
- Quem usa analgésicos opioides para dor crônica desenvolve constipação induzida por opioides, com classe específica de tratamento (PAMORA) e prevenção desde o primeiro dia.
- Sangramento, perda de peso sem explicação, anemia, início após os 50 anos ou mudança súbita do hábito são sinais de alarme: pedem investigação, não laxante por conta própria.
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O que é constipação intestinal

Constipação intestinal, popularmente “intestino preso” ou “prisão de ventre”, é a evacuação infrequente ou difícil, com fezes ressecadas e esforço para sair. Não existe um número mágico de idas ao banheiro: o normal varia de três vezes ao dia a três vezes por semana. O que define o problema não é a frequência isolada, e sim um conjunto de sintomas objetivos, persistentes, na ausência de causa estrutural ou metabólica.
A linguagem médica padroniza esse diagnóstico pelos critérios de Roma IV para constipação funcional, usados em gastroenterologia. Exige-se a presença de pelo menos dois dos seis itens a seguir, em mais de 25% das evacuações: esforço evacuatório; fezes endurecidas ou fragmentadas (Bristol 1 a 2); sensação de evacuação incompleta; sensação de bloqueio ou obstrução anorretal; necessidade de manobras manuais para facilitar a saída (pressão perineal, digitação); e menos de três evacuações espontâneas por semana. Os sintomas devem estar presentes nos últimos três meses, com início há seis meses ou mais, e não preencher critérios de síndrome do intestino irritável (em que a dor abdominal é a queixa dominante). Fezes amolecidas só ocorrem com uso de laxante.
Para descrever as fezes de modo objetivo, usa-se a escala de Bristol, que vai do tipo 1 (caroços duros e separados, “cocô em bolinhas”) ao tipo 7 (líquido). Os tipos 1 e 2 indicam fezes ressecadas e trânsito lento, típicos de quem tem o “coco muito duro” e relata que “o coco não sai”; os tipos 3 e 4 são o ideal. Essa escala não é só descritiva: o tipo de Bristol é um marcador indireto do tempo de trânsito colônico e serve para medir, de forma reprodutível, a resposta ao tratamento.

Os três subtipos e os exames que os diferenciam
Constipação funcional não é uma coisa só. Quando a base bem feita falha, o gastroenterologista classifica o quadro em três subtipos fisiopatológicos, porque cada um responde melhor a um tratamento diferente. Distinguir entre eles é o que separa o tratamento empírico do tratamento dirigido, e é a principal razão para investigar a constipação refratária.
Trânsito normal
É o subtipo mais comum da constipação funcional. O tempo de trânsito colônico é normal, mas a pessoa percebe as fezes como duras e a evacuação como difícil, muitas vezes com distensão e desconforto que se sobrepõem à síndrome do intestino irritável com constipação. Responde bem a fibras e a osmóticos. Não há lesão de motilidade nem da saída a corrigir.
Trânsito lento
Também chamado inércia colônica, é o subtipo em que o cólon propulsiona o conteúdo de forma lenta. O substrato descrito inclui redução das células intersticiais de Cajal, que são as células marca-passo do intestino e geram as ondas lentas que coordenam o peristaltismo, além de alterações do plexo mioentérico e das contrações propagadas de alta amplitude. A pessoa tem poucas evacuações por semana, pouca ou nenhuma urgência, e responde mal a fibras isoladas, que apenas aumentam o volume sobre um cólon que não o empurra. É o cenário em que os secretagogos e a prucaloprida ganham espaço.
Dissinergia do assoalho pélvico
Também chamada distúrbio defecatório ou anismo, é a descoordenação da musculatura da saída: em vez de relaxar o esfíncter anal externo e o puborretal durante o esforço, a pessoa os contrai paradoxalmente, ou não consegue gerar pressão propulsiva suficiente. O resultado é a sensação de bloqueio na saída (“coco preso na porta”), evacuação incompleta e necessidade de manobras manuais. Este subtipo é decisivo porque não responde a laxante, e sim a reeducação por biofeedback. Tratar dissinergia com doses crescentes de laxante é um erro frequente.
Os exames que separam esses subtipos são padronizados e, na maioria, reservados à constipação que não respondeu ao tratamento de base:
| Exame | O que mede | O que indica |
|---|---|---|
| Tempo de trânsito colônico (marcadores radiopacos / Sitzmarks) | Velocidade com que marcadores ingeridos percorrem o cólon, por radiografias seriadas | Retenção difusa dos marcadores sugere trânsito lento; retenção retossigmoide sugere obstrução de saída |
| Manometria anorretal | Pressões do esfíncter em repouso e no esforço, reflexo retoanal inibitório e sensibilidade retal | Padrão dissinérgico (contração paradoxal ou falta de propulsão) na dissinergia; ausência de reflexo levanta suspeita de doença de Hirschsprung |
| Teste de expulsão do balão | Capacidade de expelir um balão preenchido com água do reto, em tempo definido | Expulsão prolongada confirma disfunção da evacuação; é um teste de triagem simples e barato para dissinergia |
| Defecografia (por radiografia ou ressonância) | Imagem dinâmica do reto durante a evacuação simulada | Mostra dissinergia, retocele, intussuscepção e prolapso que alteram a conduta |
Antes de empilhar laxantes na constipação que não melhora, vale afastar a dissinergia do assoalho pélvico com manometria anorretal e teste de expulsão do balão. É um subtipo comum, costuma passar despercebido e responde a biofeedback, não a mais laxante. A escolha dos exames cabe ao gastroenterologista, conforme o quadro.
O que pode ser: causas comuns e secundárias
Na maioria das pessoas, a constipação é funcional e nasce do estilo de vida: pouca fibra na dieta, baixa ingestão de líquidos, sedentarismo e o hábito de adiar a ida ao banheiro, que dessensibiliza o reflexo de evacuar. Viagens, mudança de rotina e gravidez também desorganizam o trânsito. Aqui vale uma correção de mito frequente: nenhum alimento isolado “prende” o intestino de forma relevante. O arroz branco, por exemplo, tem pouca fibra, mas não é vilão; o que pesa é o conjunto pobre em fibras e água ao longo dos dias.
Há causas secundárias que precisam ser afastadas antes de rotular o quadro como funcional. Medicamentos são uma das mais importantes e, muitas vezes, esquecidas: opioides (analgésicos potentes da dor), anticolinérgicos, antidepressivos tricíclicos, bloqueadores de canal de cálcio, suplementos de ferro e de cálcio, antiácidos com alumínio, diuréticos e alguns anticonvulsivantes lentificam o intestino. No campo metabólico e endócrino, o hipotireoidismo, o diabetes (por neuropatia autonômica), a hipercalcemia e a hipocalemia são clássicos.
Entre as causas neurológicas, a doença de Parkinson, a esclerose múltipla e as lesões medulares comprometem o controle autonômico do trânsito. Não se pode esquecer das causas anorretais, como fissura anal e hemorroidas, que fazem a pessoa evitar evacuar por dor, e das causas obstrutivas, como tumores colorretais, que entram justamente quando há sinais de alarme.
| Grupo | Exemplos | Como atua |
|---|---|---|
| Estilo de vida | Pouca fibra, pouca água, sedentarismo, adiar a evacuação | Fezes ressecadas e trânsito lento; reflexo de evacuar enfraquecido |
| Medicamentos | Opioides, anticolinérgicos, tricíclicos, ferro, cálcio, bloqueadores de canal de cálcio | Reduzem a motilidade e a secreção de água; alguns aumentam o tônus do esfíncter |
| Endócrino-metabólicas | Hipotireoidismo, diabetes, hipercalcemia, hipocalemia | Lentificam o trânsito por efeito hormonal, neuropático ou eletrolítico |
| Neurológicas | Parkinson, esclerose múltipla, lesão medular, neuropatia autonômica | Comprometem o controle nervoso do cólon e da defecação |
| Anorretais e obstrutivas | Fissura, hemorroidas, dissinergia, estenose, tumor colorretal | Dor, descoordenação da saída ou obstrução mecânica do trânsito |
“Preciso evacuar todos os dias; se passar um dia, já é prisão de ventre e preciso de laxante.”
O normal varia de três vezes ao dia a três vezes por semana. O que importa é o conjunto de sintomas de Roma IV e o desconforto, não um número fixo. Laxante de rotina, por conta própria, pode mascarar causas secundárias e atrasar o diagnóstico do subtipo correto.
Constipação induzida por opioides: o capítulo da dor crônica
Quem trata dor crônica precisa conhecer bem este ponto. A constipação induzida por opioides é o efeito adverso mais frequente e mais persistente de analgésicos como codeína, tramadol, morfina, oxicodona, metadona e os adesivos de fentanila e buprenorfina. Diferentemente de outros efeitos (náusea, sonolência), que tendem a melhorar com o tempo, a constipação por opioide costuma se manter enquanto o medicamento for usado, porque não há tolerância a esse efeito intestinal.
O mecanismo é direto e periférico: os opioides agem nos receptores mu do sistema nervoso entérico, a rede de neurônios da parede do intestino (plexos mioentérico e submucoso). O resultado é menos contrações propulsivas, mais tônus do esfíncter anal, menor secreção de água e eletrólitos para a luz e maior absorção de líquido. As fezes ressecam e o trânsito lentifica.
Daí a regra prática em medicina da dor: ao iniciar um opioide, prescreve-se, junto, a profilaxia da constipação. Esperar o intestino “prender” para então agir é o erro mais comum.
Opioide novo, laxante junto. Na constipação por opioide, a primeira linha são os laxantes osmóticos e estimulantes em esquema regular, e não apenas quando aperta. Os formadores de bolo (fibras) tendem a funcionar mal aqui e podem piorar o desconforto, porque aumentam o volume sobre um cólon cuja propulsão o próprio opioide está bloqueando.
Quando as medidas comportamentais e os laxantes convencionais não resolvem, existe uma classe desenhada justamente para esse cenário: os PAMORA (antagonistas dos receptores mu opioides de ação periférica), detalhados na seção de tratamento. Eles bloqueiam o efeito do opioide no intestino sem atravessar de forma significativa a barreira hematoencefálica, ou seja, soltam o intestino sem reduzir a analgesia central nem precipitar abstinência. O ajuste do próprio opioide, da dose e da via, e a discussão sobre alternativas para a dor, sempre cabem ao médico que acompanha o caso. O uso seguro dessa classe de analgésicos é tratado em detalhe no nosso guia sobre opioides para dor.
Sinais de alerta: quando investigar
A constipação funcional é incômoda, mas benigna. Alguns sinais, porém, mudam a conduta porque levantam suspeita de causa orgânica e pedem investigação dirigida, em geral com gastroenterologia. São os chamados sinais de alarme.
Procure avaliação médica se houver
- Sangramento nas fezes, sangue vivo, fezes muito escuras (melena) ou sangue oculto detectado em exame.
- Perda de peso sem explicação, falta de apetite ou anemia (fraqueza, palidez, cansaço).
- Início recente após os 50 anos, ou mudança recente e persistente do hábito intestinal nessa faixa.
- Massa abdominal ou retal palpável, ou dor abdominal intensa com parada de eliminação de fezes e gases (suspeita de obstrução).
- História familiar de câncer colorretal ou de doença inflamatória intestinal.
- Constipação que surge do nada, sem causa clara, ou que não melhora com as medidas de base bem feitas.
Cada item aponta para uma hipótese: sangramento, anemia, perda de peso e início após os 50 anos exigem afastar pólipos e câncer colorretal, em geral com colonoscopia; dor intensa com parada de fezes e gases pode indicar obstrução, uma urgência. Na ausência desses sinais, a constipação funcional costuma responder bem ao tratamento por etapas descrito a seguir, sem necessidade de exames de imagem ou de motilidade logo de início.
Como tratar: do escalonamento de base aos secretagogos
O tratamento da constipação é escalonado e dirigido ao subtipo. Começa pelas medidas comportamentais e dietéticas, que resolvem boa parte dos casos de trânsito normal; segue para os laxantes por classe; e, quando estes falham, recorre aos secretagogos e pró-cinéticos com evidência de ensaios clínicos. A dissinergia do assoalho pélvico tem caminho próprio, o biofeedback, e a constipação por opioide tem a sua classe específica. Todos os medicamentos abaixo são apresentados por nome genérico; a indicação, a dose e o tempo de uso são definidos pelo médico.
Medidas comportamentais e dietéticas
Formadores de bolo: psyllium e similares
Laxantes osmóticos: polietilenoglicol e lactulose
Laxantes estimulantes: bisacodil, picossulfato e sene
Secretagogos: linaclotida e lubiprostona
Pró-cinético: prucaloprida
Biofeedback para a dissinergia do assoalho pélvico
PAMORA para a constipação induzida por opioides
Acupuntura e eletroacupuntura como adjuvante
Prevenção é a regra na constipação por opioide
Em medicina da dor, a recomendação consolidada é prescrever a profilaxia da constipação ao iniciar um opioide, com esquema regular de laxante osmótico e estimulante, e reservar os PAMORA para os casos que não respondem. Fibras isoladas são pouco eficazes nesse cenário específico. A escolha e o ajuste cabem ao médico que acompanha a dor.
Ver guia de opioides para dor →Medidas de resgate e o que evitar
Para o desconforto agudo, supositórios de glicerina ou um enema podem ajudar a desimpactar a saída, sob orientação. Atenção a um ponto de segurança: quando há suspeita de impactação fecal (fezes endurecidas e retidas no reto), a conduta começa pela desimpactação supervisionada, e só depois entra o laxante de manutenção. Devem-se evitar o uso crônico de laxantes estimulantes sem orientação e as receitas caseiras agressivas.
Nada disso substitui a investigação quando há sinais de alarme. Uma visão geral do uso racional de medicamentos no contexto da dor está no nosso guia de remédios para dor.
Ajuste da base
Aumentar fibras de forma gradual, hidratar bem, mover o corpo e criar rotina no banheiro. Boa parte dos casos de trânsito normal já melhora aqui.
Laxante orientado
Se a base não bastou, acrescentar laxante por classe (osmótico, depois estimulante), com dose ajustada à resposta.
Investigar o subtipo e escalonar
Considerar exames de motilidade (trânsito colônico, manometria anorretal, teste do balão), secretagogos ou prucaloprida no trânsito lento, biofeedback na dissinergia e PAMORA na constipação por opioide.
Quando procurar avaliação
A avaliação está indicada quando a constipação é nova e persistente, quando não melhora com as medidas de base bem feitas após algumas semanas, quando há qualquer sinal de alarme da seção «sinais de alerta», ou quando ela surgiu ou piorou com o início de um medicamento, em especial um analgésico opioide. A avaliação confirma o diagnóstico pelos critérios de Roma IV, afasta causas secundárias, e organiza o tratamento por etapas, indicando os exames de motilidade quando o quadro é refratário, em vez de empilhar laxantes por conta própria.
Na nossa clínica, o foco é a dor. O ponto em que esses dois temas se encontram é o manejo da constipação em quem usa analgésicos opioides para dor crônica: orientar a prevenção desde o início do opioide, ajustar o esquema de laxantes e, quando preciso, articular o uso de PAMORA e a revisão da analgesia, sempre em conjunto com o médico que acompanha o caso. Para a investigação de causas digestivas, a classificação dos subtipos e a constipação sem relação com a dor, o caminho é a avaliação com gastroenterologia, que conduz a propedêutica adequada.
Referência reconhecida em dor
A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).
Perguntas frequentes
O que fazer quando o coco não sai e está muito duro?
No dia a dia, aumente a ingestão de água e de fibras de forma gradual, mantenha-se ativo e aproveite o reflexo de evacuar após as refeições, sem adiar a vontade. Apoiar os pés num banquinho ajuda a alinhar o ânus-reto. Quando o coco está muito duro e preso de forma persistente, um laxante osmótico como o polietilenoglicol pode amolecer as fezes, mas a indicação deve ser do médico. Se houver sangramento, dor intensa ou parada de fezes e gases, procure avaliação.
Por que minha constipação não melhora mesmo com fibra e laxante?
Pode ser um subtipo que não responde à base. O trânsito lento (inércia colônica) responde mal a fibras e costuma exigir secretagogos ou prucaloprida; a dissinergia do assoalho pélvico, em que a musculatura da saída se contrai em vez de relaxar, não responde a laxante e sim a biofeedback. Diferenciar exige exames como tempo de trânsito colônico, manometria anorretal e teste de expulsão do balão. O caminho é a avaliação com gastroenterologia, não aumentar laxante por conta própria.
O arroz prende o intestino? Quais alimentos soltam?
Nenhum alimento isolado “prende” o intestino de forma relevante. O arroz branco tem pouca fibra, mas não é o culpado: o que pesa é uma dieta pobre em fibras e líquidos ao longo dos dias. Entre os alimentos que ajudam estão frutas (mamão, ameixa, kiwi), verduras, leguminosas, grãos integrais e bastante água. Veja a página sobre alimentos ricos em fibras.
Por que opioides para dor causam tanta constipação?
Porque os opioides agem nos receptores mu do próprio intestino, reduzindo as contrações propulsivas e a secreção de água e aumentando o tônus do esfíncter, o que ressecca as fezes. Diferente de outros efeitos, a constipação por opioide não melhora com o tempo, então a prevenção deve começar junto com o opioide, em geral com laxante osmótico e estimulante. Quando não responde, os PAMORA soltam o intestino sem tirar a analgesia. O ajuste cabe ao médico que acompanha a dor.
Laxante todo dia faz mal? Posso ficar dependente?
Laxantes osmóticos como o polietilenoglicol têm bom perfil para uso regular quando indicados pelo médico. Já o uso contínuo e por conta própria de laxantes estimulantes, em doses crescentes, não é recomendado, pois o problema de fundo deixa de ser tratado e o subtipo correto não é investigado. O caminho é identificar a causa, classificar o subtipo e escalonar o tratamento. Em quem usa opioide, o laxante regular faz parte do tratamento, sob orientação.
Quando a constipação é sinal de algo grave?
Acenda o alerta diante de sangramento nas fezes, mudança recente e persistente do hábito intestinal ou início após os 50 anos, perda de peso sem explicação, anemia, massa palpável ou dor abdominal forte com parada de fezes e gases. Esses sinais de alarme pedem investigação médica, muitas vezes com gastroenterologia e colonoscopia, e não laxante por conta própria. Sem esses sinais, a constipação costuma ser funcional e responde bem ao tratamento por etapas.
Referências6 fontes citadas neste artigoVerOcultar
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Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Os medicamentos são citados por nome genérico, sem indicação de marca, dose ou preço. A escolha, a dose e a duração de qualquer laxante, secretagogo ou analgésico devem ser definidas pelo médico assistente, com atenção a contraindicações, efeitos adversos e interações.
