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Efeito da acupuntura aplicada em um grupo de dor e neuropatia periférica subjetiva em indivíduos com HIV

Phillips KD, Skelton WD, Hand GA. Effect of acupuncture administered in a group setting on pain and subjective peripheral neuropathy in persons with human immunodeficiency virus disease. J Altern Complement Med. 2004; 10: 449-55.

Introdução

Neuropatia periférica pode resultar de infecção direta dos neurônios nos portadores do vírus da imunodeficiência humana (HIV), infecções neuronais oportunistas oportunistas  devido à imunossupressão generalizada e da terapia antiretroviral altamente ativa (HAART).

Além disso,  o  aumento  da  expectativa  de  vida  dos  indivíduos  infectados  pelo  HIV  através  da HAART aumenta a prevalência das neuropatias periféricas. Estas  neuropatias  sensoriais são caracterizadas por dor, dormência, formigamento e reduzida capacidade funcional nas extremidades. A mais comum é a presença da polineuropatia sensorial distal com ardente disestesia dolorosa.

Muitos estudos têm demonstrado a eficácia da acupuntura no tratamento da dor crônica. Esses estudos indicaram que a Acupuntura é efetiva na redução da dor. Dentre estes, alguns mostram grau de alívio da dor em mais de 70% dos indivíduos. O efeito da Acupuntura poderia ser mediado por mecanismos fisiológicos ou psicológicos ou a combinação de ambos.

Poucos estudos examinaram o efeito da acupuntura na dor associada ao HIV e os resultados são inconsistentes. Enquanto um número de estudos examinou o efeito da Acupuntura na dor, não há virtualmente nenhuma informação no efeito terapêutico da Acupuntura em relação aos sintomas da neuropatia indolor. Este tipo de neuropatia, que é frequentemente reportado por indivíduos infectados pelo HIV, é apresentado como sendo sensações ou dormências nos membros como “alfinetes e agulhas”.

A proposta deste ensaio foi determinar as mudanças na neuropatia periférica dolorosa e não dolorosa associado ao HIV durante 5 semanas de tratamento por acupuntura (10 sessões 2x/semana).

Materiais e métodos

Esse estudo utilizou um modelo pré-experimental pré/pós teste para examinar se a Acupuntura poderia melhorar a dor subjetiva e sintomas da neuropatia periférica em indivíduos com HIV/AIDS.

Uma amostra de 23 indivíduos foi recrutada de uma organização de suporte à AIDS e de uma instituição médica privada em Columbia, Carolina do Norte (EUA). Os participantes eram HIV positivos, de 21 a 50 anos, e só poderiam participar se não tivessem iniciado, interrompido, ou alterado doses de sedativos ou analgésicos nos últimos 30 dias.

Instrumentos

Questões específicas dirigidas para características pessoais como a idade, raça, gênero, educação, status de relacionamento, parceiros de cama, salário, rota de infecção e medica¬ mentos. Além disso, houve o questionamento da freqüência com que sofriam com distúrbios do sono. A intensidade da dor foi medida usando a avaliação da escala de dor, uma escala visual analógica de 0 (sem dor) a 10 (pior dor já sentida). Os participantes foram questionados para avaliar sua menor e maior dor nas últimas 24 horas.

Littman et al. (1985) observaram um alto grau de correlação (r = 0,89 a 0,93) entre a escala visual analógica, escala descrita verbalmente, e uma escala verbal de alívio da dor. A confiabilidade da escala visual analógica pode ser melhor para medir a dor crônica em indivíduos com uma melhor educação, que não tiveram a coordenação motora prejudicada (McGuire, 1992).

Triagem da neuropatia periférica subjetiva

Sintomas da neuropatia periférica foram mensurados utilizando a Triagem da Neuropatia Periférica Subjetiva (SPNS) (McArthur, 1998). Este instrumento é um curto relatório próprio que foi projetado como um instrumento de triagem da neuropatia periférica dolorosa e não dolorosa em pacientes HIV positivos.

O teste pode discriminar sintomas de parestesia, dormência e dores nas extremidades inferiores. Correlações significativas foram demonstradas pelos resultados da SPNS e pelo exame neurológico, teste sensorial quantitativo vibratório e medidas de severidade.

Procedimento

Os pesquisadores conduziram uma sessão informativa na instituição de apoio para descrever a acupuntura e a natureza do estudo. Quarenta e cinco pessoas assistiram a esta sessão informativa. Vinte e três pessoas foram incluídas no estudo. Os participantes completaram as escalas de dor e da neuropatia periférica em três dias consecutivos antes e após o tratamento completo da acupuntura.

Intervenção

Os pacientes receberam tratamento de acupuntura duas noites por semana, por cinco semanas, em um total de 10 sessões. Cada paciente recebeu um tratamento individualizado de acordo com sua necessidade e sintomatologia. A seleção dos pontos foi baseada nos princípios gerais da acupuntura e da Medicina Tradicional Chinesa (East Asian Medical Studies Society, 1985).

O tratamento foi modificado ao longo do estudo com o intuito de acomodar as mudanças individuais do padrão de dor, sono, ou outras questões de saúde. O tratamento utilizava os pontos mais comuns localizados abaixo dos cotovelos e joelhos; na cabeça, pescoço e orelhas.

Pontos padrão: C 7 – Shen Men, BP 6 – San Yin Jiao, R 3 – Tai Xi, PC 6 – Nei Guan.

Pontos auriculares: “Neurogate”, Coração, Pulmão, Simpático.

Pontos para neuropatia periférica das extremidades superiores: P 9 -Tai Yuan, IG 4 – He Gu, IG 11 – Qu Chi, SJ 5 – Wai Guan.

Pontos para neuropatia periférica dos membros inferiores: E 36 – Zu San Li, E 41 – Jie Xi, Ba Feng.

Cada tratamento consistia em 10 ou 15 agulhas e eram deixadas “in situ” por 30 a 45 minutos. As agulhas eram manuseadas manual e rapidamente após a inserção.

Análise dos dados

Um pesquisador assistente graduado introduziu todos os dados em um SAS 8,0 data base (SAS Institute, Cary, NC). Freqüências e percentagens foram calculadas pelas variáveis demográficas. As médias e os desvios padrão foram calculados para o pré-teste e pós-teste para cada 3 escalas visuais analógicas da dor, o total de escores da dor, os itens individuais da SPNS, e o escore total de SPNS.

Resultados

Amostra: Vinte e três sujeitos foram envolvidos no estudo. Um sujeito faleceu e um outro desistiu do estudo inicial devido à distância do local do tratamento.

A amostra final consistia em vinte e um sujeitos HIV positivos com idade entre 29 e 50 anos (média 41,7 anos, desvio padrão [SD] = 6.6).

A maioria (n=11, 52 %) dos participantes morava só e a maioria (n=17, 81%) deles geralmente dormia só. Escala de classificação da dor: Todos os escores de dor relatados mostraram reduções significantes após a acupuntura.

Escala de neuropatia periférica: Todos os escores relatados sobre a neuropatia perifé¬ rica subjetiva mostraram reduções significativas após a acupuntura. As respostas relatadas de cada indivíduo sobre os sintomas da neuropatia periférica mostraram redução após a acupuntura de no mínimo 43% (dor e queimação nos pés e pernas) com a maior redução de 56% para “dor e queimação nas mãos e braços” e “dormência nas mãos”

Discussão

O presente estudo foi realizado para determinar o efeito de 5 semanas de tratamento individualizado com acupuntura, distribuído em um grupo, com dor e sintomas da neuropatia periférica associada à infecção de HIV A incidência da doença neurológica e infecções do sistema nervoso central associadas com a infecção HIV sofreu um declínio com o advento da HAART.

Entretanto, como a expectativa de vida de indivíduos infectados pelo HIV aumentou, a prevalência das neuropatias periféricas em HIV positivos também está aumentando. Este problema é exacerbado pela neuropatia que resulta da HAART, além da relacionada ao HIV e a resultante de infec¬ ções oportunistas. Vários estudos demonstram a eficiência da acupuntura na dor crônica.

A metanálise de Patel et al. (1989) reportou a percentagem do efeito da acupuntura em síndromes dolorosas como: 70% para acupuntura real, 50% para acupuntura placebo e 30% para grupos controle. Outra metanálise (Ter Riet et al. 1990) identificou 51 trabalhos de acupuntura sobre dor crônica onde foram incluídas comparações com o grupo controle.

Todos os estudos indicaram que a acupuntura produz algum grau de alívio de dor. No entanto, não está claro se o efeito da acupuntura é mediado por mecanismos fisiológicos ou psicológicos ou pela combinação de ambos. Somente poucos estudos examinaram o efeito da acupuntura na dor associada à infecção por HIV

Um grande ensaio (Shlay et al. 1998) examinou os efeitos de um tratamento padronizado de acupuntura em dor relacionado a paciente com neuropatia periférica em indivíduos HIV positivos comparado a um grupo sham controlado. Os resultados resultaram em pequeno declínio da dor, sem diferença significativa entre a acupuntura real e sham.

O maior decréscimo dos escores de dor no presente estudo poderia ser graças à especificidade do tratamento por acupuntura para os sintomas particulares reportados pelos participantes. Em suma, o presente estudo determinou a mudança na dor associada ao HIV e à neuropatia periférica durante 5 semanas de tratamento com acupuntura, focando nos sintomas individuais dos participantes.

Os resultados indicam que durante o período de tratamento com acupuntura, a dor presente, a dor sentida nas últimas 24 horas, e um sumário total de dor foi reduzida significativamente. Além disso, os dados mostram que outras sensações como dormência nos membros superiores e inferiores foram também reduzidas.

O sumário do escore total da neuropatia periférica subjetiva foi reduzido aproximadamente em 50%. [highlight style=”alt”]Os resultados do estudo indicam que a neuropatia periférica e a dor em indivíduos com HIV podem ser tratadas com sucesso com acupuntura direcionada aos sintomas específicos individuais.[/highlight]

Pesquisas futuras deveriam incluir um ensaio controlado randomizado de acupuntura para neuropatia periférica direcionada à sintomatologia individual.


Resumido por Joaci Oliveira de Araújo

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