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Protrusão discal (abaulamento discal): causas, sintomas e tratamento

A protrusão do disco é um abaulamento do disco intervertebral, consistindo em um processo de desgaste ou perda da elasticidade do disco.

Se você tem uma protrusão discal, então você está sofrendo do que é comumente chamado de ‘disco solto’. Na realidade, esse é um termo genérico para uma variedade de problemas médicos que se relacionam com os discos, que são o tecido mole que separa as vértebras na coluna vertebral.

Portanto, entre cada uma das vértebras da coluna vertebral, há um disco intervertebrado. Eles  funcionam como uma espécie de almofada ou um amortecedor de choque para a coluna.

Em termos médicos, a condição pode se tratar de uma saliência do disco (protusão ou hérnia) ou uma ruptura do disco (extrusão ou expulsão), como aparece na imagem abaixo, devido à degeneração (desgaste) dessa estrutura.

Continue a leitura e entenda melhor a condição, suas causas e sintomas, saiba como é feito o diagnóstico e quais são os tratamentos recomendados.

A protrusão discal é uma distensão ou saliência do anel fibroso que envolve os discos intervertebrais, e pode ser causada por achatamento ou abaulamento. Veja na imagem a seguir a estrutura dos discos intervertebrais para uma melhor compreensão da condição. 

Como vimos, os discos invertebrais tem um papel amortecedor, sendo responsáveis por absorver os impactos dos movimentos da coluna, e dando mobilidade para as vértebras. 

A coluna está sob pressão continuamente e, com o tempo, isso começa a gerar um desgaste. Esse processo é natural e ocorre a medida que envelhecemos. Com ele, as estruturas que compõem a coluna vão perdendo sua forma e altura, há enfraquecimento do anel fibroso e o disco acaba empurrando-o, o que causa a formação de uma protuberância. 

A dilação leva a compressão de ligamentos e raízes nervosas localizados ao redor do disco, assim, são produzidos os sintomas da protrusão discal, que envolvem dormência, formigamento e enfraquecimento.

O disco intervertebral se localiza entre as vértebras, ajudando a dar rigidez e estabilidade para a coluna.

O disco intervertebral contém uma abundante matriz extra-celular de proteoglicanos e colágeno

Os estágios de uma protrusão de disco

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Com a idade, todas as partes do corpo mudam incluindo os componentes da coluna vertebral.

Os discos geralmente se degeneram em etapas.

Com o avanço da idade, todas as partes do corpo mudam incluindo os componentes da coluna vertebral. Os discos se desidratam e perdem a elasticidade. Isto enfraquece o disco e o torna mais vulnerável a outras alterações1.

Sobrecargas no disco, por enfraquecimento da musculatura paravertebral, como em pessoas sedentárias ou com sobrepeso, também podem facilitar o surgimento de abaulamentos discais.

Etapas

  • 01.Primeira etapa: o enfraquecimento natural pode ser classificado como uma protrusão de disco, quando o núcleo do disco (contido dentro da parede exterior fibro-elástica do disco) começa a ser empurrado para a coluna vertebral. Saliências de disco podem envolver 180 graus ou menos da circunferência do disco.
  • 02.Segunda etapa: nesta fase, a deterioração do disco é frequentemente uma hérnia de disco, quando o material interior do disco denominado núcleo pulposo, move-se mais longe em torno da circunferência do disco para além dos seus parâmetros normais, uma vez que empurra para dentro da parede exterior fibro-elástica do disco, chamado de anel fibroso, criando uma protuberância. A hérnia de disco, nesse caso, pode envolver mais de metade (mais de 180 graus) da circunferência do disco.
  • 03.Última etapa: a fase final pode ser um disco herniado, o que significa que a parede exterior do disco finalmente se rompe, permitindo que o material de núcleo pulposo interior escape da contenção pela parede exterior.

É importante lembrar que os prestadores de cuidados de saúde diferentes podem usar termos como “abaulamento do disco”, “protrusão de disco” e “hérnia de disco” alternadamente, então você pode solicitar um esclarecimento da sua condição se estes termos forem discutidos durante o seu diagnóstico.

Busque este esclarecimento, pois um disco com uma protuberância na parede exterior nem sempre vai desencadear uma hérnia ou ruptura na parede do disco.

Disco com protuberâncias e rupturas muitas vezes não estão relacionados.

Diferença entre hérnia de disco e protrusão discal

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A protusão discal ocorre quando há distensão do anel fibroso pela compressão do disco intervertebral. Nesse caso, não há rompimento dessa estrutura, que sofre apenas com uma protuberância. 

No caso da hérnia de disco, a protrusão está avançada, levando a abertura, ou melhor, ao rompimento do anel fibroso. Assim, o núcleo pulposo passa a se projetar para fora do anel, saindo de sua cavidade e pressionando estruturas vizinhas. 

Vale ressaltar que nem sempre uma protrusão discal chegará a uma hérnia de disco.

 

Principais causas da protrusão discal

Envelhecimento

Carregamento de pesos excessivos

Sobrecarga na coluna

Prática de exercícios físicos intensos sem orientação profissional

Sobrepeso

Má postura

Movimentos repetitivos como inclinar e girar o tronco

Trabalho físico pesado e repetitivo

Acidentes ou traumas

Sintomas da protrusão discal

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O canal espinhal é a casa da medula espinhal e de dezenas de raízes nervosas que se ramificam da coluna vertebral, saem da espinha e continuam para as áreas corporais que servem.

Quando um disco sobressai para o espaço limitado do canal espinhal, o disco pode pressionar, irritar e, assim, interferir na raiz nervosa ou na medula espinhal. Isso afeta o transporte de informação nervosa.

É essa compressão do nervo que provoca os sintomas de protrusão discal mais graves, incluindo:

Os sintomas específicos causados por uma protuberância do disco podem se manifestar de diferentes formas de acordo com a localização do problema e de acordo com a extensão da degeneração do disco.

Sem dúvida, as duas áreas mais comuns em que se desenvolvem a degeneração do disco são a coluna cervical (no pescoço) e a coluna vertebral lombar (na parte inferior das costas).

Isso porque essas duas regiões são as mais flexíveis da coluna vertebral e por terem função de suporte de peso corporal.

Onde ocorre a dor?

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O abaulamento discal pode surgir no pescoço, parte de trás do peito ou região inferior das costas (lombar).

Uma saliência ou protuberância do disco pode ocorrer em qualquer lugar ao longo da coluna vertebral2.

Ou seja, esta condição pode surgir no pescoço (coluna cervical), parte de trás do peito (coluna torácica) ou inferior das costas (coluna lombar)3.

 

Abaulamento discal no pescoço

Quando surge o abaulamento discal no pescoço, pode ocorrer dor no local, mas se a raiz de um dos nervos for comprimida, os sintomas podem se estender por todo o corpo superior, causando:

Sensação de braços e pernas pesados

Dificuldade para movimentos nos ombros e braços

Deterioração das habilidades motoras finas nas mãos

Dormência e formigamento no braço ou mão

Abaulamento discal na região lombar

Por outro lado, um disco saliente na região lombar que comprime uma raiz nervosa lombar ou o nervo ciático pode causar os mesmos sintomas (dor, dormência, formigamento, dor aguda e fraqueza muscular), porém em localidades diferentes, isso é, nas pernas, pés e nádegas. Assim, pode surgir:

Dor na região lombar que desce pelos glúteos e para as pernas

Dor na região sacral (dor sacroilíaca)

Dormência e formigamento na perna

Sensação de peso nas pernas

Dificuldade de andar longas distâncias ou subir e descer escadas

Há dor na parte inferior das suas costas?

A combinação de dor na parte inferior das costas, nádegas, virilha ou pernas pode surgir de uma irritação no próprio disco, ou quando o disco irrita os nervos adjacentes4.

A dor que se espalha abaixo do joelho (ciática) ocorre quando o disco que deslizou pressiona os nervos na espinha lombar.

Isso pode causar dormência ou fincadas na perna e estar associado à fraqueza como “queda do pé” (dificuldade em levantar os dedos do pé e o pé para cima) ou fraqueza ao empurrar algo com o pé.

A sua dor está localizada no pescoço?

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Dores no pescoço, na cabeça, face, ombros, braços e mãos podem ser ocasionadas quando a protrusão discal pressiona os nervos da região cervical.

Isso pode causar dormência ou formigamento na face, ombros, braços ou mãos e pode ainda estar associado a uma fraqueza e dificuldade de movimentos dos ombros, cotovelos, punhos ou mãos.

Cada um desses sintomas pode indicar uma protrusão discal.

Como uma protrusão ou abaulamento de disco é diagnosticada?

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O diagnóstico da protrusão discal é complexo, pois, como vimos, a dor ou o aparente problema podem manifestar-se em uma parte do corpo, a causa real do problema pode estar em parte diferente da região da coluna vertebral5.

É por isso que os médicos prestam muita atenção nos sintomas como um primeiro passo na avaliação do que está acontecenco, antes de adotar um procedimento mais focado em diagnóstico6.

Veja a relação entre os sintomas e os locais afetados no quadro acima. 

Exames de imagens e neurológicos são essenciais para confirmar a hipótese diagnóstica. Dentre os exames de imagem mais comuns para casos de protrusão discal podemos citar radiografias, tomografia computadorizada e ressonância nuclear magnética.

Além de diagnosticarem a doença, tais testes ajudam a determinar o tipo e a proporção do abaulamento, informações essenciais para um tratamento assertivo.

Agendamento de Consulta Clinica de Dor

Como é tratado o abaulamento discal?

Durante o primeiro ataque o foco é em reduzir a irritação.

Os principais sintomas decorrentes do primeiro episódio geralmente se estabelecem ao longo das primeiras seis semanas e o restante geralmente se instala ao longo das seis semanas seguintes de tratamento.

Durante este período o foco é em reduzir a irritação.

Medicamentos analgésicos simples

Medicamentos como dipirona e paracetamol são utilizados em uma fase inicial.

Medicamentos anti-inflamatórios não esteroidais

Podem ser utilizados por poucos dias para alívio de dor, inflamação e edema. O uso prolongado pode acarretar em riscos cardíacos, renais e gástricos, dentre outros.

Medicamentos analgésicos opióides

Medicamentos utilizados em casos refratários ou de dor intensa.

Medicamentos de uso tópico

Sprays de gelo, sprays analgésicos, ou patches de anestésicos podem ser utilizados para alívio de dor na coluna

Calor ou gelo

Meios físicos como bolsas de água quente (termoterapia) para diminuir espasmo muscular e produzir efeito analgésico

Eletroterapia com TENS

Para relaxamento muscular e analgesia local

O tratamento conservador inclui também: 

Mudanças no estilo de vida

Independente de qualquer coisa, devemos priorizar um estilo saudável. No caso do paciente que sofre com protrusão discal isso é ainda mais importante. 

Manter uma alimentação saudável, praticar atividades físicas de baixo impacto (de acordo com orientação profissional) e buscar uma vida equilibrada são algumas das medidas recomendadas.

O tabagismo também é um grande vilão aqui, por isso, deve ser evitado, já que a oxigenação sanguínea é essencial para diminuir a inflamação.

Fisioterapia

A fisioterapia entra em cena na fase crônica da doença, quando os sintomas já estão controlados. O objetivo do tratamento é, principalmente, o fortalecimento das estruturas musculoesqueléticas.

São utilizadas técnicas como:

Fisioterapia manual

Contribui para diminuir a dor e os espasmos musculares, o que ajuda a proteger a mobilidade da coluna. São utilizados métodos como RPG e Pilates. 

Fisioterapia convencional

Tem como objetivo fortalecer a musculatura da coluna através de movimentos passivos e ativos, e reeducação postural. São utilizados aparelhos como infra, ultrassom e estimulação elétrica transcutânea do nervo (TENS). 

Musculação

Geralmente é realizada em uma fase pós fisioterapia, sempre sob acompanhamento específico. É essencial para o fortalecimento da musculatura da região lesionada. 

Tratamento cirúrgico

Quando os tratamentos convencionais não são suficientes, o tratamento cirúrgico é recomendado. Graças ao avanços tecnológicos na área da medicina, os procedimentos são realizados de forma minimamente invasiva.

Veja abaixo quais cirurgias podem ser indicadas em casos de protrusão discal: 

Cirurgia Endoscópica

A cirurgia endoscópica é realizada em regime ambulatorial, e é muito recomendada para casos de protrusão discal. O procedimento dura entre 40 minutos e 1 hora, é realizado sob anestesia local e o paciente é liberado para ir para casa em torno de 2 a 3 horas. 

Discectomia Percutânea

A dissectomia percutânea também tem obtido bastante sucesso, se trata de um procedimento rápido, feito de forma automatizada, sob anestesia local.

O paciente deve restringir suas atividades nas primeiras 24 horas, retornando às suas atividades cotidianas a partir do segundo dia. Tarefas que exijam mais esforço só podem ser realizadas depois de 48 a 72 horas da cirurgia. 

Descompressão Discal

É realizada a remoção de fragmentos do disco caso a protrusão esteja comprimindo estruturas nervosas. 

A recuperação dependerá muito do tipo de descompressão, contudo, em geral, o procedimento não requer repouso e o paciente pode retornar às duas atividades poucos dias após a intervenção.

Infográfico Dor nas Costas

Infografico Dor nas Costas

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Referências Bibliográficas

  1. Casser HR, Seddigh S, Rauschmann M. Acute lumbar back pain: investigation, differential diagnosis, and treatment. Deutsches Ärzteblatt International. 2016 Apr;113(13):223. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4857557/
  2. Cheung KM. The relationship between disc degeneration, low back pain, and human pain genetics. The spine journal. 2010 Nov 1;10(11):958-60.
  3. Matsumoto M, Okada E, Ichihara D, Watanabe K, Chiba K, Toyama Y, Fujiwara H, Momoshima S, Nishiwaki Y, Hashimoto T, Takahata T. Age-related changes of thoracic and cervical intervertebral discs in asymptomatic subjects. Spine. 2010 Jun 15;35(14):1359-64. Disponível em: Age-related changes of thoracic and cervical intervertebral discs in asymptomatic subjects. – Abstract – Europe PMC
  4. Allegri M, Montella S, Salici F, Valente A, Marchesini M, Compagnone C, Baciarello M, Manferdini ME, Fanelli G. Mechanisms of low back pain: a guide for diagnosis and therapy. F1000Research. 2016;5. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/pmc4926733/
  5. Will JS, Bury DC, Miller JA. Mechanical low back pain. American family physician. 2018 Oct 1;98(7):421-8. Disponível em: https://www.aafp.org/afp/2018/1001/p421.html
  6. O’SULLIVAN PE, Lin I. Acute low back pain. Pain. 2014;1(1):8-13. Disponível em: https://www.pain-ed.com/wp-content/uploads/2014/02/Osullivan-and-Lin-Pain-management-today-2014.pdf

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorado em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Presidente do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual (SBRET). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).  

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