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Dor na costela pode ser neurite intercostal, fratura e mais 8 condições

A dor na costela pode ser sentida em diversas parte do tronco, como acima do umbigo, no peito e na lateral do abdômen. O problema nem sempre está associado a uma lesão óbvia, como uma fratura, visto que também pode ser fruto de condições silenciosas e de lento desenvolvimento, como a neurite intercostal.

A dor nas costelas também pode ser um sinal de condições em outras estruturas do corpo, como pulmões e coração. Portanto, é indicado procurar um médico sempre que o incômodo for intenso ou persistente, a fim de investigá-lo e tratá-lo antes que se agrave.

 

Anatomia das costelas

A costocondrite provoca dor e sensibilidade no peito, dor em mais de uma costela ou dor que piora com respirações profundas ou tosse.

O tórax, também chamado de cavidade ou caixa torácica, é uma região do corpo que tem como objetivo proteger os órgãos vitais em seu interior, que são coração, pulmão, fígado, baço e porção superior dos rins. A estrutura é formada pelo osso esterno – que tem formato de T e está disposto bem no meio da parte anterior do tórax –, por 12 vértebras torácicas e 12 pares de costelas.

As costelas, por sua vez, são classificadas em verdadeiras, falsas e flutuantes. As verdadeiras e as falsas se articulam, respectivamente, diretamente e indiretamente com o osso esterno, enquanto as flutuantes estão fixadas somente às vértebras, ou seja, não tem contato com o esterno.

A caixa torácica ainda possui diversos músculos, ligamentos e tendões, bem como nervos que estão ligados aos tecidos e órgãos.

Embora conte com várias estruturas, é comum que a dor na região seja fruto de lesões nas costela, que podem ser preocupantes ou passageiras.

 

 

Causas de dor na costela

Fratura: a quebra ou a rachadura de uma das costelas geralmente é fruto de trauma no peito, como queda, acidente de automóvel ou impacto durante esportes de contato.

Esse quadro doloroso pode ser grave caso os pulmões e outros órgãos sejam feridos pelas extremidades irregulares do osso quebrado. Além disso, múltiplas fraturas na costela

são indício de comprometimento interno importante. Todavia a maioria dos casos de costela quebrada não é tão preocupante e tem cura espontânea em até dois meses.

Ainda assim, deve haver acompanhamento médico e controle da dor, que pode ser intensa, para evitar infecções e outras complicações.

 

Costocondrite: é a inflamação da cartilagem que conecta a costela ao osso esterno. A dor, que vem acompanhada com inchaço, costuma ser intensa e pode ser confundida com ataque cardíaco.

Ainda não se sabe ao certo o que causa a doença, mas algumas situações podem favorecer seu desenvolvimento, como má postura, traumas no tórax, atividade física excessiva e tosse de longa duração.

Também chamada de síndrome costosternal ou síndrome de Tietze, a inflamação não tem tratamento específico, portanto os cuidados se concentram no alívio da dor e na vigilância até que a cura ocorra espontaneamente.

 

Pleurite: doença na qual a membrana que reveste o lado interno da cavidade torácica e circunda os pulmões, chamada de pleura, fica inflamada. Também chamada de pleurisia, causa forte dor na costela que piora ao respirar.

É importante investigar a causa desse acometimento, que pode ser infecciosa, cancerígena, autoimune, traumática ou por efeito colateral de certas medicações.

Os cuidados se concentram no controle da dor e, principalmente, no tratamento da causa subjacente.
Embolia pulmonar: consiste no bloqueio de uma ou mais artérias do pulmão, geralmente por coágulos sanguíneos formados nos membros inferiores (trombose venosa profunda). O quadro gera dor no tórax, falta de ar e tosse com ou sem sangue.

Como bloqueia o fluxo sanguíneo, há risco de morte caso não seja realizado tratamento adequado, que consiste no uso de medicação anticoagulante e na realização de procedimento cirúrgico.

 

Pneumonia: é a infecção dos sacos de ar dos pulmões, que se enchem de material purulento, gerando tosse, febre, calafrio, dor nas costelas e dificuldade em respirar.

O tratamento inclui uso de antibióticos, expectorantes e analgésicos.

 

Herpes zoster: é a doença gerada pela reativação do vírus da catapora, cujas causas ainda não são conhecidas. O problema se manifesta com dor nas costelas e costas, além de feridas na pele. O tratamento consiste na administração de analgésicos, corticoides, neurolépticos e antivirais.

 

Neurite intercostal: também chamada de neuralgia intercostal, é a dor decorrente da inflamação dos nervos intercostais, que se localizam entre as costelas e ligam a coluna vertebral ao esterno.

A causa da neurite nem sempre é clara, mas sabe-se que mulheres e idosos são os grupos de risco para seu desenvolvimento.

O problema pode surgir por diversas razões, como traumas, infecções, complicações pós-cirúrgicas, falta de nutrientes, lesões por radioterapia ou quimioterapia, bem como doenças que dificultam a circulação sanguínea para a região dos nervos. A neurite intercostal também tem ligação com fatores emocionais, como estresse, depressão e ansiedade.

Seu principal sintoma é a dor difusa, prolongada, de difícil localização e que piora ao inspirar, o que leva o paciente a reduzir a expansão do peito na respiração.

 

Distensão ou contratura muscular: o rompimento das fibras e a contração inadequada de um músculo são chamados respectivamente de distensão e contratura. Esses quadros podem acometer vários músculos do corpo, inclusive os da caixa torácica. Nesse caso, pode haver dor moderada e inchaço.

 

Excesso de gases: embora o acúmulo de gases no organismo normalmente cause dor no abdômen, há casos que também podem gerar pontadas nas costelas e no peito.

Os sintomas costumam ser sentidos após as refeições e melhoram pela liberação dos gases, que pode ser facilitada pelo uso de medicamentos, como simeticona.
Câncer: embora seja raro, alguns tipos de câncer podem gerar dor na costela, como o pulmonar e o ósseo. O desconforto normalmente piora ao inspirar profundamente e pode estar acompanhado de chiado no peito, tosse com sangue e emagrecimento não explicado.

 

 

Sinais associados e de alerta

Como há diversas causas de dores nas costelas, que se diferenciam por padrões e localização do incômodo, é indicado observar os sintomas adjacentes com atenção e relatá-los ao médico.

Existem as chamadas red flags (em tradução literal, bandeiras vermelhas), que são sintomas preocupantes que indicam a necessidade atendimento de emergência. Esses sinais de alerta incluem febre, mal-estar, tontura, tosse frequente e/ou com sangue, dificuldade ou dor ao respirar, dor de cabeça, enjoo, vômito, mudança no ritmo cardíaco, sensação de desmaio, emagrecimento sem causa aparente, dor em um dos braços e dor na mandíbula.

 

 

Dor na costela direita e esquerda

A dor na costela esquerda pode gerar medo e apreensão por se tratar do mesmo lado do coração, todavia são raros os quadros que realmente se referem a algum problema cardíaco.

Ainda assim, o lado da dor na costela pode dar indício sobre sua causa e facilitar o diagnóstico, portanto vale informar o médico sobre o local do desconforto.

 

 

Quando buscar um médico?

É comum que pacientes com dor na costela não busquem ajuda médica por acreditarem que o sintoma é “normal” ou passará em breve, porém a demora no atendimento dá margem para que o quadro se agrave. Por isso, é recomendado buscar auxílio especializado imediato ao sentir dor intensa ao inspirar ou ao ter dificuldade em respirar em determinadas posições.

Ligue para um serviço de emergência ou se dirija a uma unidade de pronto atendimento caso sinta dor semelhante à pressão no peito, pois pode se tratar de um sintoma de ataque cardíaco.

Também é importante recorrer ao serviço médico o quanto antes em caso de dor após quedas ou contusões na caixa torácica.

Independentemente dos quadros acima, a dor na costela deve ser investigada sempre que for intensa ou persistir por mais de dois dias.

 

 

Diagnóstico

A dor na caixa torácica normalmente é diagnosticada e tratada por um médico clínico geral ou ortopedista.

Antes da consulta, vale preparar uma lista detalhada com sintomas apresentados e medicamentos que toma, além de levar exames anteriores, para otimizar o tempo e garantir que nenhum detalhe seja esquecido.

A primeira etapa da consulta com o especialista consiste em um diálogo que visa identificar o padrão da dor e suas possíveis motivações. Em geral, o profissional da saúde costuma fazer os seguinte questionamentos para entender mais sobre o quadro:

  • Qual o local exato da dor?
  • Houve alguma lesão no tórax?
  • Quando os sintomas começaram?
  • A dor piora em quais situações?
  • A dor afeta os dois lados do corpo ou somente um?
  • Desde que o quadro começou, a intensidade da dor na costela mudou?
  • Como você descreveria a dor?
  • A dor se assemelha a uma fisgada ou é penetrante?
  • Há pressão no peito?
  • O incômodo é pior ao respirar ou tossir?
  • Há outros sintomas? Se sim, quais?

A partir do relato do paciente, surgirão suspeitas diagnósticas que podem ser confirmadas por exames. O primeiro deles é físico, realizado no próprio consultório. Nele, o médico toca o paciente a fim de descobrir pontos de dor e relacioná-los a alguma condição. Por exemplo, a neurite intercostal pode ser percebida pela dor de máxima intensidade ao pressionar a área do tórax referente à borda das costelas.

Ainda podem ser indicados exames laboratoriais. Por exemplo, se a dor na costela começou após uma lesão, pode ser solicitada uma tomografia computadorizada ou um raio-X para investigar possíveis fraturas e anormalidades ósseas. Também pode ser solicitada uma ressonância magnética para fornecer ao médico uma visão detalhada dos tecidos moles da caixa torácica, como tendões, músculos, órgãos e ligamentos.

Em caso de dor crônica, o médico pode pedir uma cintilografia óssea, que visa investigar indícios de câncer que possam estar causando os sintomas. Nesse exame, é injetada uma pequena quantidade de corante radioativo no organismo e usada uma câmera especial para escanear o corpo, bem como identificar quaisquer tumores.

Em caso de suspeita de doenças no aparelho cardiorrespiratório, são realizados exames que medem os níveis de oxigênio no organismo (oximetria de pulso), avaliam o coração (eletrocardiograma, ecocardiograma e teste ergométrico) e medem a quantidade de elementos presentes no sangue (hemograma).

 

 

Tratamento para dor na costela

Os tratamentos variam de acordo com a condição que causa da dor na costela.

Medicamentos

Se a dor na costela for fruto de uma lesão pequena, como uma contratura muscular, pode ser tratada com aplicação local de compressas frias e emplastos e pelo uso de analgésicos de venda livre. Todavia, se a dor não melhorar com a medicação sem receita, o médico poderá prescrever drogas mais fortes.

No caso de neurite intercostal, são receitados analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides, além de relaxantes musculares. Ainda pode haver suplementação de vitaminas do complexo B, bem como medicação para tratar alguma condição associada.

Já em caso de fraturas, é indicada a imobilização e o uso de medicamentos analgésicos até que o osso se regenere.

Quimioterapia e radioterapia

Em quadros de câncer ósseo ou de pulmão, deverão ser analisados o estágio de desenvolvimento e a extensão das células malignas e, com base nessas características, indicados tratamentos como quimioterapia, radioterapia e até mesmo cirurgia para remoção do tumor.

Repouso e terapias

A maioria dos casos de dor na costela requer afastamento de atividades físicas por pelo menos 15 dias, a fim de evitar agravamento dos sintomas.

Podem ser recomendadas sessões de fisioterapia, que trabalham o fortalecimento e o alongamento da musculatura envolvida no trauma por meio de exercícios dinâmicos e isométricos. Ainda podem ser empregues recursos analgésicos, como ultrassom, luz infravermelha e transcutaneous electrical nerve stimulation (TENS).

A acupuntura é outro método valioso para quem sofre com dor na costela. A inserção de agulhas em determinados pontos do corpo promove a liberação de neurotransmissores com ação anagésica, como a serotonina, além de estimularem a regeneração e a cicatrização dos tecidos. A técnica é indolor e pode ser útil tanto para quadros leves, como contraturas musculares, quanto moderados e graves, como neurite intercostal e câncer ósseo ou de pulmão.

 

Referências:

https://www.nhs.uk/conditions/broken-or-bruised-ribs/

https://www.healthline.com/health/rib-cage-pain#diagnosis

https://www.epainassist.com/nerves/what-is-neuritis-and-chronic-neuritis

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