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A Acupuntura no tratamento de câncer.

Não, a Acupuntura não cura câncer.

O papel da Acupuntura nos pacientes com neoplasias malignas é de ser um adjuvante no controle da dor, seja ela pós-operatória ou pós-quimioterapia ou pós-radioterapia, e também no tratamento de uma variedade de sintomas e condições associadas não somente ao câncer, mas também os efeitos colaterais do tratamento das neoplasias, como as náuseas e vômitos comuns entre pacientes submetidos à quimioterapias.

 

Antes de tudo, devemos lembrar que o câncer não é uma doença única, mas consiste em até mais de 300 doenças malignas diferentes, cada uma com sua própria patofisiologia e comportamento clínico. O seu tratamento também é diverso, com diferentes classes de agentes quimioterápicos, agentes hormonais, e também radioterapia.

Além desses tratamentos, podem ser necessários tratamentos cirúrgicos, além de um tratamento multidisciplinar com equipes de nutrição, fonoaudiologia, fisioterapia dentre outros, para o tratamento completo do paciente oncológico e suas possíveis complicações.

Nos Estados Unidos, a Acupuntura já é utilizada para tratar uma variedade de sintomas e condições associadas ao câncer, e também os efeitos colaterais do seu tratamento, como no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center de Nova Iorque, M.D. Anderson Cancer Center de Houston, e o Dana-Farber Cancer Institute de Boston.

Pesquisas americanas mostraram que entre 2% a 31% dos pacientes oncológicos nos EUA já foram submetidos à sessões de Acupuntura.

 

 

Nos EUA, até 31% dos pacientes com câncer já fizeram Acupuntura.

A acupuntura é eficaz para o controle da dor, do inchaço local no pós-operatório, para encurtar a resolução do hematoma e inchaço dos tecidos e para minimizar o uso de medicamentos e seus efeitos colaterais inerentes.

A Acupuntura é também importante no tratamento de náuseas e vômitos muito comuns em pacientes sob tratamento por quimioterapia. Estes sintomas, que comumente ocorrem nestes pacientes submetidos à quimioterapia, e inevitavelmente, com o uso de certas classes de agentes farmacológicos, muitas vezes pode ser pior que a própria doença. Um estudo duplo-cego e randomizado realizado pela Universidade de Los Angeles (UCLA) encontrou uma redução significativa do mal-estar, náuseas e vômitos em pacientes pré-tratados com Acupuntura antes de se submeterem à quimioterapia.

Hoje, a Acupuntura é rotineiramente administrada antes, depois, e entre as sessões de tratamento de quimioterapia neste serviço para controle de náuseas ou vômitos.

Após a Conferência de Consenso do National Institute of Health dos EUA em 1997, vários ensaios clínicos bem desenhados foram realizados, gerando resultados promissores.

Um estudo randomizado controlado confirmou ainda efeito anti-emético (anti-vômitos) da Acupuntura em pacientes submetidos a quimioterapia, com uma redução significativa dos episódios de vômitos médios (5 vs. 15; P <0,001) em comparação com o uso de medicamentos apenas.

Revisão sistemática do Instituto Cochrane afirmou que “os dados sobre náuseas e vômitos no pós-operatório sugerem um efeito biológico da acupuntura no ponto de estimulação. Eletroacupuntura demonstrou benefícios nos vômitos agudos induzidas por quimioterapia”

Os dados sobre náuseas e vômitos no pós-operatório sugerem um efeito biológico da acupuntura no ponto de estimulação. Eletroacupuntura demonstrou benefícios nos vômitos agudos induzidas por quimioterapia.

 

 

Instituto Cochrane

O tratamento com Acupuntura é relativamente simples e de fácil execução em ambiente ambulatorial. A sua eficácia ajuda a minimizar a utilização de múltiplos e dispendiosos medicamentos anti-náusea, que também apresentam efeitos colaterais concomitantes, quando dados juntamente com os agentes quimioterapêuticos.

Ensaios clínicos randomizados também demonstraram uma eficácia da Acupuntura no auxílio da fadiga (cansaço) em pacientes submetidos à quimioterapia, neutropenia relacionada à quimioterapia, e xerostomia (boca seca) devido à radioterapia.

A Acupuntura já é reconhecida como uma ferramenta poderosa para o controle da dor em geral.

No entanto, menos conhecido é o seu uso com sucesso em dores oncológicas, e na redução do uso de medicamentos opióides, minimizando os efeitos colaterais comuns destes medicamentos (perturbação de atividade mental, mudanças de comportamento, náuseas, e prisões de ventre), com melhora importante assim na qualidade de vida destes pacientes oncológicos.

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Presidente do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual (SBRET). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).  
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