CENTRO DE TRATAMENTO DE DOR: Dor, Acupuntura Médica, Ondas de Choque, Fisiatria e Fisioterapia.

Eficácia do método agulhamento seco no tratamento da síndrome dolorosa miofascial

A dor musculoesquelética é muito comum na atenção primária a saúde, sua prevalência aumenta com a idade e sua causa principal é a dor miofascial1. Não é só um motivo de queixa dos pacientes para com seus médicos, essas dores afetam a qualidade de vida das pessoas interferindo em suas atividades diárias.

Nos centros de gerenciamento da dor, a dor miosfascial exibe altas taxas de prevalência, dois médicos a reportaram como causa primária da dor em 85% dos casos, em um estudo com 283 pacientes. Em outro centro, uma avaliação com 96 pacientes revelou que 74% deles tinham a dor miofascial como causa primária de suas dores, sendo que em 93% dos casos ela era parte da queixa.

Mesmo com números tão altos a dor musculoesquelética não é diagnosticada e muitos pacientes chegam a quadros crônicos.

Sindrome Dolorosa Miofascial
Definição e mecanismo da dor miofascial

A síndrome dolorosa miofascial é caracterizada por uma dor regional, ocasionada por um ponto gatilho em uma faixa músculo esquelético associado a uma dor referida2.

O ponto gatilho foi descrito pela primeira vez como um nódulo sensível dentro de um grupo de fibras musculares. Essa dor causa disfunção motora e fraqueza muscular, não tem um padrão generalizado, pode ser localizada ou regional. Sempre que pressionado causará aquela dor típica que segue um padrão para cada ponto.

Fisiologicamente o ponto gatilho é formado quando ocorre mudanças na junção neuromuscular, geralmente devido a um esforço repetitivo crônico, estresse, má postura, etc.

Travell supõe que tudo começa com uma hipóxia local que leva a uma série de reações químicas, que levarão a formação desse nódulo muscular. A dor é causada após a formação desses nódulos pela liberação de mediadores inflamatórios agindo em terminações nervosas aumentando a ativação do nervo sensorial.

Infiltracoes de pontos gatilhos
Agulhamento seco para dor miofascial

Os primeiros estudos direcionados ao tratamento das dores musculares, injetavam substâncias anestésicas para o alívio das dores, até que algumas pesquisas mostraram que o agulhamento seco também produzia efeitos terapêuticos.

Apesar de usar as mesmas agulhas da acupuntura, esta técnica não utiliza os mesmos princípios. Enquanto a acupuntura oriental é baseada em linhas de energia, o agulhamento seco é feito em pontos gatilhos para produzir uma resposta reflexa seguida de um relaxamento muscular3.

Existem muitos tratamentos alternativos para desativar os pontos gatilhos, como ultrassom, liberação de pressão manual, spray frio, alongamento e aplicação de anestésico local. Muitas delas são utilizadas inclusive de forma colaborativa com o agulhamento seco4.

Muitas pesquisas têm levantado a questão se a técnica de agulhamento em si, sem a utilização de outros métodos em conjunto pode ser uma alternativa única para o tratamento da síndrome dolorosa miofascial.

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Os desafios das pesquisas

Muitas revisões foram feitas para determinar a eficiência do agulhamento seco, porém muitos são os desafios. É necessário que se determine um padrão para o tratamento, com profundidade da inserção da agulha, tempo de tratamento, grupos controle que não passaram por nenhum tratamento e grupos que usam apenas um tratamento, como o alongamento. Além disso em todos os estudos a quantidade de amostras eram pequenas, o que pode causar resultados falsos negativos.

De todos as pesquisas feitas é possível verificar que a técnica é mais eficaz quando associada a outros tratamentos, porém é necessário que se investigue a efetividade e eficácia com uma metodologia bem pensada, cobrindo os gaps deixados por outros pesquisadores.

Outra abordagem que facilitaria a aceitação dos pontos gatilhos pela comunidade médica, seriam exames de imagem. Apesar de não serem úteis para o dia a dia da prática clínica, já que hoje os pontos são reconhecidos através da palpação e a intervenção terapêutica é barata, os exames de imagem auxiliariam as pesquisas, não só a identificar, mas a verificar a evolução dos diferentes tratamentos aplicados na região.

Dois estudos recentes conseguiram aplicar uma técnica de ultrassom, a elastografia, que permitia visualizar o ponto gatilho no tecido muscular, através de uma vibração externa eles conseguiram diferenciar as cores no ultrassom e ver como era distribuída no tecido miofascial. Assim o diagnóstico foi muito preciso.

 

O método é eficaz?

 Apesar de ter sido rejeitado durante muito tempo, hoje o agulhamento seco tem sido incorporado cada vez mais no manejo da dor, por ser uma técnica simples e barata, que não requer um vasto treinamento e pode ser aplicada na atenção primária a saúde. Mais estudos são necessários para validá-la e aumentar sua aceitação, porém com os exames de imagens e métodos rigorosos de estudos teremos mais avanços.

O agulhamento seco é facilmente incorporado com outras modalidades de tratamento das dores crônicas, principalmente quando há encurtamento de músculos, porque não são acessíveis com outras técnicas. Além de médicos, os profissionais da atenção primária a saúde, necessitam conhecer essa técnica, ter o treinamento básico para reconhecer esses pontos para assim aliviar esse fardo das dores crônicas que tantas pessoas carregam e é visto no dia a dia da prática clínica.

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RUA SAINT HILAIRE 96 – JARDIM PAULISTA – SÃO PAULO – SP

Clínica de Dor, Fisiatria e Acupuntura Médica

Clínica médica especializada localizada na região dos Jardins, próximo à Av. Paulista, em São Paulo — SP.

Centro de Dor, com médicos especialistas pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Tratamento por Ondas de Choque, Infiltrações, Bloqueios anestésicos e Acupuntura Médica

Referências Bibliográficas

  1. Dommerholt J. Dry needling—peripheral and central considerations. Journal of Manual & Manipulative Therapy. 2011 Nov 1;19(4):223-7.
  2. Fogelman Y, Kent J. Efficacy of dry needling for treatment of myofascial pain syndrome. Journal of back and musculoskeletal rehabilitation. 2015 Jan 1;28(1):173-9.
  3. Fernández-de-Las-Peñas C, Layton M, Dommerholt J. Dry needling for the management of thoracic spine pain. Journal of Manual & Manipulative Therapy. 2015 Jul 1;23(3):147-53.
  4. Baldry P. Superficial versus deep dry needling. Acupuncture in Medicine. 2002 Aug;20(2-3):78-81.

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorado em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Presidente do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual (SBRET). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).  

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