Por que meu quadril estala?
Um quadril que estala (coxa saltans) assusta, mas, sem dor, costuma ser benigno: quase sempre é um tendão que desliza sobre o osso. Onde o estalo acontece, por fora, na virilha ou no fundo da articulação, já aponta a causa.
- O quadril que estala (coxa saltans), sem dor, sem travamento e sem trauma, costuma ser benigno: quase sempre é um tendão que desliza sobre uma proeminência óssea ou uma bolha de gás que estoura na articulação. Estalo indolor raramente indica doença.
- O estalo muda de categoria quando vem com dor (sobretudo na virilha profunda), travamento, falseio, surge após um trauma ou progride. Aí o que se investiga é a queixa, não o som.
- Localizar de onde vem o estalo (lateral, virilha anterior ou profundo) já aponta a causa e se vale investigar. Quando há dor, o tratamento é conservador, dirigido à causa, com reabilitação como base.
40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual
Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.
- Muito comumo quadril que estala aparece em boa parte das pessoas sem dor
- Sem doro estalo isolado, sem dor nem travamento, costuma ser benigno
- A doré o que define a conduta, não o som que o quadril faz
- Onde estalalateral, virilha ou profundo já diz qual é a causa provável
De onde vem o estalo
O nome técnico do quadril que estala é coxa saltans, ou quadril em mola. O estalo é quase sempre mecânico: uma estrutura tensionada passa sobre uma proeminência óssea e dá um ressalto audível ou palpável. Localizar de onde vem o som é o primeiro passo, porque o lugar do estalo já aponta a estrutura responsável e diz se vale ou não investigar.
O quadril é uma articulação profunda, em que tendões potentes (iliopsoas na frente, banda iliotibial na lateral) cruzam saliências ósseas a cada passo. Quando uma dessas faixas tensas escorrega e volta sobre o osso, produz um estalo. Há ainda o estalo de dentro da articulação, vindo do lábio acetabular ou da cartilagem, e a velha cavitação, a bolha de gás que estoura no líquido sinovial. São fenômenos diferentes, a maioria de funcionamento, e quase sempre inofensivos quando ocorrem sem dor.
Distinguir o estalo benigno do estalo que importa não depende do volume do som, e sim de duas coisas: onde ele acontece e o que o acompanha. Um saltinho visível na lateral, sem dor, é diferente de um clique seco e profundo na virilha que prende.
| Tipo de estalo | Mecanismo provável | Quanto pesa |
|---|---|---|
| Saltinho visível na lateral, repetível, sem dor | Banda iliotibial deslizando sobre o trocânter maior | Em geral benigno; só importa se há dor lateral ou bursite associada |
| Estalo surdo e profundo na frente da virilha | Tendão do iliopsoas escorregando sobre a eminência iliopectínea | Costuma ser benigno; comum em quem dança ou treina muito flexor |
| Estalo seco e único, sem dor, não repetível | Cavitação: bolha de gás que estoura no líquido articular | Benigno; o mesmo fenômeno de estalar os dedos |
| Clique profundo que prende ou trava, com dor na virilha | Lesão do lábio acetabular, corpo livre ou impacto femoroacetabular | Sinal de alerta: estalo intra-articular merece avaliação |
| Estalo após queda ou trauma, com dor e dificuldade de apoiar | Pode indicar fratura ou lesão estrutural | Avaliar sem demora; não é simples coxa saltans |
O ponto central, válido para quase todos os estalos do quadril, é a separação entre som e sintoma. Um quadril que estala sem dor, sem travamento e sem limitação é, na esmagadora maioria das vezes, um quadril saudável que apenas faz barulho. O que muda a leitura é a companhia do estalo, e é disso que tratam as seções seguintes.
“Se o quadril estala, é artrose ou está se desgastando.”
O estalo é quase sempre um tendão deslizando sobre o osso, não desgaste. Estalo sem dor não indica artrose nem prevê desgaste futuro. O que merece atenção é o estalo que vem com dor, travamento ou falseio.
A localização é decisiva: onde o estalo acontece já diz o que ele é, e se vale ou não investigar. Um saltinho visível na lateral, por cima do osso, é a banda iliotibial passando sobre o trocânter; um estalo surdo e profundo na frente da virilha é o tendão do iliopsoas. Esses dois são tendões deslizando, quase sempre inofensivos, e a imagem costuma só atrapalhar, porque acha achados comuns em quem não tem queixa. O que muda de categoria é o terceiro: um clique seco que prende ou bloqueia bem no fundo da articulação, com dor na virilha, é o padrão do lábio acetabular ou do impacto femoroacetabular, e esse, sim, pede ressonância. Em uma frase: localizar o som vale mais do que medir sua intensidade, e é o que separa o estalo que se observa do estalo que se investiga.
Estalo por fora: a lateral do quadril
O estalo lateral é o mais comum e o mais perceptível, o tal coxa saltans externa. A estrutura responsável é a banda iliotibial, uma faixa espessa de tecido que desce pela lateral da coxa e cruza o trocânter maior, a saliência óssea que se palpa na lateral do quadril. Ao dobrar e esticar o quadril, a banda escorrega para a frente e para trás do trocânter e volta com um ressalto. Boa parte dessas causas é benigna; o que muda a leitura é a dor sobre o osso ou a bursa.
Banda iliotibial sobre o trocânter
A banda iliotibial tensa escorrega para a frente e para trás do trocânter maior ao flexionar e estender o quadril, e produz um estalo lateral repetível. Pista: a pessoa fica de pé, gira ou flexiona o quadril e mostra um saltinho na lateral, sobre o osso, e o reproduz à vontade; indolor, é só anatomia em movimento.
Bursite trocantérica associada
O atrito repetido da banda sobre o trocânter inflama a bursa que os separa (síndrome dolorosa do trocânter maior). Pista: dor na ponta lateral do quadril que piora ao deitar sobre o lado, ao subir escada e ao cruzar a perna; a palpação sobre o trocânter reproduz a dor, e o estalo deixa de ser indolor.
Tendinopatia do glúteo médio
Sobrecarga dos tendões dos glúteos médio e mínimo na inserção do trocânter, frequente em mulheres na meia-idade e em corredores. Pista: dor lateral à compressão e ao apoio monopodal prolongado, fraqueza de abdução e sinal de Trendelenburg; o estalo da banda costuma vir junto com essa dor de inserção.
Glúteo médio fraco e tensor sobrecarregado
Quando o glúteo médio não estabiliza bem a pelve no apoio, o tensor da fáscia lata compensa, encurta e mantém a banda iliotibial tensa sobre o trocânter, perpetuando o ressalto. Pista: estalo que piora com o volume de corrida ou caminhada e melhora ao fortalecer o glúteo; é a engrenagem mecânica por trás de boa parte do estalo externo.
Estalo por dentro: a frente da virilha
O estalo interno, a coxa saltans interna, nasce na frente da virilha e costuma ser mais surdo, mais profundo e menos visível que o lateral. A estrutura é o tendão do iliopsoas, o principal flexor do quadril, que escorrega sobre estruturas ósseas profundas (a eminência iliopectínea ou a cabeça do fêmur) quando o quadril sai da flexão para a extensão, por exemplo ao baixar a perna que estava levantada. É típico de quem dança, faz ballet ou treina muito flexor de quadril.
Tendão do iliopsoas deslizando
O tendão do iliopsoas escorrega sobre a eminência iliopectínea ou a cabeça femoral ao passar da flexão para a extensão do quadril. Pista: estalo surdo e profundo na frente da virilha, reproduzido ao levantar a perna e descê-la, mais sentido do que visto; indolor, é a forma mais comum de estalo interno e é benigno.
Bursite do iliopsoas
O atrito repetido inflama a bursa do iliopsoas, profunda na virilha. Pista: dor anterior na virilha que piora à flexão resistida do quadril e ao subir escada ou degraus altos; o estalo, antes indolor, passa a vir com desconforto profundo, comum em bailarinos e em quem aumentou muito o treino de flexor.
Iliopsoas encurtado e dominante
Um iliopsoas curto e hiperativo desliza com mais ressalto sobre o osso e domina o gesto de flexão. Pista: dificuldade de estender bem o quadril, teste de Thomas positivo e estalo que melhora ao alongar e reequilibrar o flexor; é o terreno mecânico por trás de boa parte do estalo interno repetitivo.
Dor miofascial dos flexores e adutores
Pontos-gatilho no iliopsoas e nos adutores que cercam a virilha somam-se ao estalo e perpetuam o ciclo dor-espasmo-dor. Pista: dor referida na virilha e na face anterior da coxa, banda tensa palpável e dor que a reprodução do estalo agrava; é a dor que costuma acompanhar o ressalto interno, e não o ressalto em si.
Estalo de dentro: dentro da articulação
O terceiro grupo é o menos frequente e o que mais pede atenção. Aqui o estalo nasce de dentro da articulação, da superfície de carga, do lábio acetabular ou de um fragmento solto. É também o grupo em que o estalo mais costuma vir acompanhado de dor profunda na virilha, travamento ou falseio, e por isso o que mais muda a conduta. Diferente dos tendões que deslizam, esse estalo não é fácil de reproduzir à vontade.
Lesão do lábio acetabular
Rasgo da borda de fibrocartilagem que aprofunda o encaixe do quadril. Pista: clique ou ressalto profundo na virilha com dor, sensação de prender ou de travar, dor à flexão com rotação interna (FADIR positivo); comum associado a impacto femoroacetabular e a esportes com pivô.
Impacto femoroacetabular (FAI)
Excesso ósseo no colo do fêmur (cam) ou na borda do acetábulo (pincer) que choca dentro da articulação na flexão com rotação interna. Pista: dor na virilha em quem agacha ou senta muito tempo, perda de rotação interna do quadril e FADIR positivo; quem detalha está na página de impacto femoroacetabular.
Corpo livre articular
Fragmento solto de cartilagem ou osso que circula dentro da articulação. Pista: episódios intermitentes de travamento e estalo que mudam de posição, com o quadril que destrava sozinho ao mexer; pode haver derrame recorrente. Travamento verdadeiro é um sinal de alerta a investigar.
Artrose do quadril (coxartrose)
Desgaste da cartilagem articular, com crepitação áspera mais do que estalo limpo. Pista: dor na virilha e na nádega que piora com o uso, rigidez de poucos minutos ao iniciar o movimento, perda progressiva de rotação interna e de amplitude, em geral a partir da meia-idade; o som é grosseiro e contínuo.
Como diferenciar pelo padrão
O que separa um estalo banal de um que importa não é o som em si, e sim onde ele acontece e a companhia dele. Cruzar a localização do estalo com o sintoma associado resolve a maior parte dos casos antes de qualquer exame. A tabela liga cada combinação de estalo e sintoma à causa mais provável e à conduta inicial.
| Estalo mais sintoma | Causa provável | Conduta inicial |
|---|---|---|
| Saltinho lateral visível, sem dor, repetível à vontade | Banda iliotibial sobre o trocânter | Benigno; tranquilização, sem exame |
| Estalo lateral com dor ao deitar sobre o lado | Bursite trocantérica ou tendinopatia do glúteo | Avaliar; reabilitação e controle de carga |
| Estalo surdo e profundo na virilha, sem dor | Tendão do iliopsoas deslizando | Benigno; alongar e reequilibrar o flexor |
| Estalo na virilha com dor à flexão resistida | Bursite do iliopsoas | Avaliar; ajuste de carga e reabilitação |
| Estalo seco e único, sem dor, não repetível | Cavitação (bolha de gás) | Benigno; sem investigação |
| Clique profundo na virilha com dor, prende ou trava | Lábio acetabular ou impacto femoroacetabular | Avaliar; FADIR e imagem dirigida |
| Trava e destrava de repente, muda de posição | Corpo livre articular | Avaliação; afastar bloqueio mecânico |
| Crepitação áspera com dor e rigidez ao iniciar | Artrose do quadril | Avaliar; exercício é primeira linha |
| Estalo após queda, dor e dificuldade de apoiar | Suspeita de fratura ou lesão estrutural | Avaliação sem demora; cenário agudo |
Vale lembrar que esses quadros podem coexistir: um mesmo quadril pode ter glúteo médio fraco, banda iliotibial tensa e um lábio acetabular já desgastado somando-se na dor. Por isso a avaliação não se prende a um único achado. Para uma visão geral, há o guia de causas e tratamentos da dor no quadril.
Sinais de alerta: quando o estalo pede avaliação
A imensa maioria dos estalos do quadril é inofensiva. Ainda assim, alguns sinais, quase sempre ligados a dor, a travamento ou a trauma, indicam que a avaliação não deve esperar, porque mudam a conduta. Eles não são típicos de um simples quadril em mola, mas devem ser reconhecidos. Procure atendimento sem demora se notar qualquer um destes:
Procure avaliação sem demora se houver
- Estalo logo após queda, torção forte ou acidente, sobretudo com dor intensa e dificuldade para apoiar o peso, que levanta a hipótese de fratura.
- Travamento verdadeiro: o quadril bloqueia numa posição e custa a destravar, sugerindo corpo livre ou lesão do lábio acetabular interposta.
- Clique profundo na virilha com dor, sensação de prender ou de falseio, que desloca a suspeita para dentro da articulação.
- Dor que acorda à noite, dor em repouso ou febre associada, que pedem afastar infecção, doença inflamatória ou outra causa sistêmica.
- Perda de força na perna, dormência ou dor que desce pela coxa de forma persistente.
- Em corredores e adolescentes, dor de início recente sem trauma claro que não cede com a redução da carga.
Na ausência desses sinais, e com o estalo ocorrendo sem dor, o quadril que estala raramente representa um problema sério e costuma dispensar exames.
Como o quadril que estala é avaliado
A avaliação parte da regra que organiza tudo: investiga-se o sintoma que acompanha o estalo, não o estalo. A história caracteriza onde se sente o som (lateral, virilha ou profundo), em que movimento ele aparece, se dói, se trava e se houve lesão. O exame reproduz o estalo de forma dirigida e separa a origem por fora, por dentro ou de dentro da articulação.
No estalo externo, com o paciente deitado de lado, leva-se o quadril da flexão para a extensão e da abdução para a adução; o ressalto da banda iliotibial sobre o trocânter costuma ser sentido e visto, e o teste de Ober avalia a tensão da banda. No estalo interno, parte-se da flexão, abdução e rotação externa e leva-se à extensão com rotação interna, manobra que reproduz o estalo profundo do iliopsoas e pode ser feita contra resistência. Para o rastreio intra-articular, o FADIR (flexão, adução e rotação interna) e o FABER (flexão, abdução e rotação externa) buscam dor na virilha que sugira lesão do lábio acetabular ou impacto femoroacetabular; avaliam-se ainda a rotação interna do quadril, a marcha e o sinal de Trendelenburg.
A imagem é dirigida pelo exame. A radiografia mostra a morfologia óssea e sinais de impacto femoroacetabular ou artrose; a ressonância (por vezes com contraste intra-articular) reserva-se à suspeita de lesão do lábio acetabular ou de corpo livre; a ultrassonografia dinâmica pode flagrar, em tempo real, o tendão do iliopsoas ou a banda iliotibial deslizando. Pedir imagem sem dor e sem sinais de alerta costuma revelar achados comuns em quem não tem queixa e gera preocupação à toa. O exame muda o manejo, e não o som por si.
O tratamento depende da causa
O princípio que organiza a conduta é direto: trata-se a causa do sintoma, nunca o som. Quando o quadril estala e não dói, não há o que tratar; tranquilizar, explicar a origem mecânica e manter o quadril em movimento resolve a maior parte das consultas, e o estalo costuma persistir mesmo com o quadril funcionando bem, o que é esperado. O tratamento entra em cena quando há dor associada, e aí depende da origem identificada no diagnóstico.
Causa musculoesquelética (a maioria): estalo externo e interno com dor. É a situação mais comum e a que melhor responde. A base é ativa e multimodal: reabilitação e cinesioterapia com alongamento dirigido da banda iliotibial e do iliopsoas e fortalecimento dos estabilizadores do quadril (glúteo médio e máximo) e do tronco. Um glúteo médio mais forte controla a queda da pelve no apoio e reduz a tensão da banda sobre o trocânter; um iliopsoas mais flexível desliza sem ressalto. RPG e Pilates clínico entram como formas estruturadas e bem toleradas do mesmo exercício, escolhidas pelo perfil da pessoa, sem superioridade demonstrada sobre a cinesioterapia.
Ajustar a carga é parte do tratamento: reduzir temporariamente o que mais dispara o ressalto, sem repouso absoluto, e progredir de forma planejada. O exercício é primeira linha, com resposta gradual ao longo de 6 a 12 semanas.
Reabilitação e fisioterapia: a base ativa
É a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança na coxa saltans sintomática e nas tendinopatias do quadril, e o eixo de todo o resto. O objetivo não é silenciar o estalo, e sim reduzir a dor, recuperar força e controle motor e devolver a confiança para usar a articulação. Na clínica, o atendimento é individual, um paciente por sala, com a carga ajustada ao caso e mantida após o alívio para prevenir recorrência.
O componente miofascial da dor, os pontos-gatilho no tensor da fáscia lata, no glúteo médio ou no iliopsoas que perpetuam a dor sobre o trocânter ou na virilha, responde ao agulhamento seco, à infiltração de ponto-gatilho e à acupuntura médica, que abrem janela para o fortalecimento; soltar um ponto-gatilho do glúteo pode reduzir de imediato a dor lateral mesmo que o estalo siga idêntico. Para um componente tendíneo associado, como a tendinopatia do glúteo, as ondas de choque têm a evidência mais consistente, sempre como adjuvante.
Causa intra-articular: lábio acetabular, corpo livre ou impacto femoroacetabular. Aqui a reabilitação trabalha a força e o controle ao redor da articulação e ajusta a carga, e a infiltração guiada por imagem pode aliviar e ajudar a confirmar a origem da dor. Mas o estalo intra-articular doloroso, com travamento ou falseio que não cede, é o cenário em que se avalia uma abordagem do cirurgião de quadril.
Causa vascular, infecciosa ou sistêmica. O papel do cuidado de base é reconhecer e encaminhar. Dor noturna com febre, um quadro inflamatório ou a suspeita de fratura após trauma não se manejam em consultório de reabilitação e pedem o especialista certo, com urgência quando há febre e dor em repouso.
Medicação tem papel adjuvante e por prazo definido. Analgésicos simples (paracetamol, dipirona) e anti-inflamatórios por períodos curtos ajudam na fase de dor mais intensa, sobretudo quando há bursite ou tendinopatia associada, para que a reabilitação avance; não corrigem o estalo, que é mecânico, e os anti-inflamatórios pedem cautela em uso prolongado. A injeção de corticoide é um procedimento dirigido, não um remédio de uso oral contínuo. A prescrição, a dose e a duração cabem ao médico assistente; opioides não têm papel num quadro benigno.
Quando a cirurgia é considerada. Não há papel cirúrgico para o estalo isolado e indolor: opera-se a lesão sintomática, nunca o som. A cirurgia entra em discussão na minoria de casos com estalo doloroso, persistente e refratário a um programa conservador bem conduzido, ou quando o estalo reflete uma lesão intra-articular comprovada (lábio acetabular, corpo livre ou impacto femoroacetabular). A indicação, a técnica e os riscos cabem ao cirurgião de quadril, e essas opções não são realizadas em nossa clínica.
Algumas impressões de consultório sobre o quadril que estala:
Quase sempre dá para diferenciar o tipo pelo modo como a pessoa descreve e mostra o estalo, antes de qualquer exame. O estalo externo vem com um gesto: o paciente fica de pé, gira o tronco ou flexiona o quadril e aponta um saltinho visível na lateral, sobre o osso. Já o estalo interno é descrito com a mão na virilha e a frase “é por dentro, fundo”, costuma aparecer ao subir a perna e descê-la, e é mais sentido do que visto, sobretudo em quem dança, faz ballet ou treina muito flexor de quadril.
O que mais tranquiliza quem chega assustado é ouvir que estalo sem dor, mesmo barulhento e repetido, em geral não é doença nem desgaste e dispensa exame. O que muda essa conversa é a dor profunda na virilha ou a sensação de que o quadril prende e custa a destravar; é esse relato, e não o som, que me faz pensar em algo dentro da articulação e pedir imagem. E atrás da maioria dos estalos benignos costuma haver o mesmo par: flexor de quadril encurtado e glúteo médio preguiçoso. O caminho não é parar de se mexer, e sim soltar o que está curto e acordar o que está fraco; insistir em estalar de propósito tende a irritar o tendão e a bursa e criar a dor que antes não existia.
Referência reconhecida em dor
A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).
Perguntas frequentes
Quadril que estala é perigoso?
Na maioria das vezes, não. Estalo sem dor, sem travamento e sem trauma costuma ser apenas um tendão deslizando sobre o osso, e é benigno. O que muda a leitura é o estalo que vem com dor, travamento, falseio ou que surgiu após uma lesão; esse merece avaliação.
Por que meu quadril estala quando ando ou levanto da cadeira?
É o padrão típico do estalo externo: a banda iliotibial desliza sobre o trocânter maior, na lateral do quadril, a cada movimento de flexão e extensão. Costuma ser indolor e muitas vezes a pessoa consegue reproduzi-lo de propósito.
O estalo na virilha é diferente?
Sim. O estalo profundo na frente da virilha costuma ser o tipo interno, do tendão do iliopsoas deslizando sobre estruturas ósseas quando o quadril sai da flexão. Se vem com dor na virilha, travamento ou falseio, vale investigar uma causa dentro da articulação, como o lábio acetabular ou o impacto femoroacetabular.
Estalar o quadril de propósito faz mal?
Um estalo ocasional e indolor não causa dano. Mas provocar o ressalto repetidamente pode irritar o tendão e a bursa ao redor do trocânter e gerar dor com o tempo. Se você sente necessidade de estalar com frequência, vale tratar a causa em vez de repetir o movimento.
Tenho dor junto com o estalo. O que pode ser?
Dor com o estalo desloca a suspeita da simples passagem de um tendão para uma causa que precisa ser tratada: tendinopatia e bursite do lado de fora, ou lesão do lábio acetabular e impacto femoroacetabular por dentro. O exame e, quando indicado, a imagem definem a origem. A avaliação ampla da dor no quadril está descrita na página sobre causas e tratamentos da dor no quadril.
Preciso de cirurgia para parar de estalar?
Quase nunca. O estalo indolor não se opera, e o estalo doloroso responde, na grande maioria dos casos, ao tratamento conservador com exercício e controle de carga. A cirurgia fica reservada a quadros dolorosos e persistentes que não melhoram apesar do tratamento bem conduzido.
Quanto tempo leva para melhorar?
Varia entre pessoas. Quando há dor, muitos quadros começam a responder em algumas semanas de exercício e ajuste de carga, com melhora ao longo de seis a doze semanas. Estalo que persiste com dor ou travamento merece reavaliação.
Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.
Ver a biblioteca científica completaReferências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Walker P; Ellis E; Scofield J; Kongchum T; Sherman WF; Kaye AD. Snapping Hip Syndrome: A Comprehensive Update. Orthopedic reviews. 2021. doi:10.52965/001c.25088. PMID:34745476.
- Sugrañes J; Jackson GR; Warrier AA; Allahabadi S; Chahla J. Snapping Hip Syndrome: Pathoanatomy, Diagnosis, Nonoperative Therapy, and Current Concepts in Operative Management. JBJS reviews. 2023. doi:10.2106/jbjs.rvw.23.00005. PMID:37289915.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Definir se um estalo é benigno ou se merece imagem depende do exame de cada pessoa, e a conduta precisa ser individualizada em consulta.

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Oi já fraturou a bacia a 8 anos e fiquei com sequela dela (não colou um lado) ela não estragava mais agora está muito comum dependendo do movimento os estalos são alto e alguns casos vem a doe. Não sei o porquê e preciso de resposta?
Fui diagnosticada após 4 anos como impacto femuro acetabular ! Estou exausta de tantos tratamentos Em
Clínicas c ultrassom , massagens, osteopatia e tb acumpuntura ! Conheço Dr Jin há 30 anos qdo tive depressão e ele me tratou ! Quero consultar com ele ! Grata
o estrala como se eu tivesse colocando no lugar, quando faço isso dar essa sensação, porém não dói, mas já me preocupa, dirijo muito, então parece que é por causa de movimento repetitivo de mudanças de machas.
Eu sinto dores terríveis,e estalo o dia todo meu quadril esquerdo me dá sensação de alívio mas logo volta aquela sensação de nervo comprimido.