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Lordose: causas, sintomas e tratamento 

A lordose, ou melhor, a hiperlordose, é uma curvatura acentuada da coluna, geralmente em sua parte inferior, causando a impressão de “bumbum arrebitado”. Na grande maioria dos casos surge associada a escoliose ou a cifose, mais conhecida como corcunda. 

A coluna vertebral é um conjunto ósteo-articular responsável por proteger a medula espinal e por dar estrutura ao corpo, sendo ela o seu eixo de sustentação e movimento. A falta ou o excesso de esforço físico, ou mesmo desvios posturais podem afetar esse equilíbrio, levando a condições patológicas. 

No caso da lordose, suas principais causas incluem luxações do quadril, atrofias musculares progressivas, lesões da coluna lombar, desequilíbrios na região abdominal, retração do iliopsoas, etc. 

Ao longo deste artigo discorreremos em detalhes sobre a doença, suas causas, sintomas e tratamentos. 

 

O que é lordose?

Paciente com e sem lordose

Lordose é uma das curvaturas fisiológicas da coluna vertebral, presente na coluna lombar e cervical. No entanto, é também o nome popular do desvio que acentua essa angulação. A condição é marcada por uma maior projeção “para dentro” da coluna, o que podemos chamar ainda de hiperlordose. 

Para compreendermos melhor o distúrbio, basta termos em mente a coluna vertebral. 

Essa estrutura é composta por 33 vértebras e dividida em cervical, torácica, lombar, sacral e coccígea. Além disso, possui quatro curvaturas padrões, duas lordoses, cervical e lombar, e duas cifoses, torácica e sacral.  

Tais angulações são esperadas, e não há motivo para preocupação. No entanto, alguns fatores podem levar a uma maior amplitude de desvio, o que pode vir a gerar complicações estéticas e fisiológicas ao corpo. 

No que diz respeito a curvas lordóticas leves, geralmente flexíveis e reversíveis dependendo da movimentação do corpo, não há necessidade de tratamento. 

Porém, quando a angulação se mantém alterada independente da posição, levando a prejuízos ao corpo e a qualidade de vida do individuo, é recomendado atendimento médico e tratamento especializado. 

Em geral, uma curvatura de 40 a 60 graus na lombar e de 20 a 40 graus na cervical são consideradas normais. 

 

 

Divisões e curvaturas da coluna vertebral

Divisões e curvaturas da coluna vertebral

 

Qual a diferença entre lordose, cifose e escoliose?

Bem como a lordose, a cifose é uma das angulações normais da coluna vertebral. Enquanto a primeira é “para dentro” (anterior), a outra é “para fora” (posterior), como você pode ver na imagem acima. 

A lordose se desenvolve mais tarde, após o nascimento, já a cifose surge durante o período embrionário. 

Da mesma forma que o termo lordose pode ser utilizado para se referir a uma hiper curvatura lordótica, cifose é usado para descrever o que conhecemos popularmente como corcunda. 

Além disso, outra diferença é importante entre elas. Conforme vimos, a lordose está presente na coluna cervical e lombar, já a cifose, na região torácica e sacral. 

E a escoliose? 

A escoliose é o desvio lateral da coluna, apesar de pequenas angulações serem aceitas, esta não é uma curvatura esperada. A condição faz com que a coluna aparente um formato de S ou C, dependendo da região acometida. 

O problema é predominante em crianças em fase de crescimento.

 

Tipos

O distúrbio é dividido em dois tipos principais de acordo com a região da coluna acometida. 

 

Lordose cervical

A lordose cervical fisiológica apresenta um formato de C, com uma curva que aponta para a parte posterior do pescoço. Se considera desvio qualquer alteração que faça com que tal curvatura não se desenvolva como o esperado. 

No caso da hiperlordose, acontece quando há uma angulação aumentada da região, dificultando a movimentação do pescoço. 

 

Lordose lombar

A lordose lombar também é fisiológica, mas desequilíbrios desta curvatura não são raros. A condição provoca “bumbum arrebitado” e projeção abdominal. Além de desconfortos estéticos, leva a dor, desconforto e se não tratada, pode provocar complicações mais graves.

Dentre as causas comumente relacionadas, fatores genéticos, obesidade e gravidez. Falaremos mais sobre isso a seguir. 

 

 

Causas

A coluna vertebral é mantida em equilíbrio graças aos diversos componentes de sua estrutura, ossos, músculos, ligamentos, articulações, etc. 

Qualquer fator que venha a interferir na fisiologia ou morfologia dessas estruturas pode levar a desvios na coluna. 

Veja abaixo algumas das condições relacionadas a alterações da curvatura do pescoço e da região lombar.

 

  • Traumas na porção inferior das costas
  • Má postura
  • Obesidade
  • Carregar muito peso
  • Alterações genéticas
  • Inflamações nas vértebras
  • Osteoporose
  • Espondilolistese
  • Condroplastia
  • Osteossarcoma 
  • Fraqueza muscular 
  • Distrofias musculares
  • Artrogripose
  • Mielomeningocele
  • Acondroplasia
  • Discite
  • Cifose

 

 

Sintomas

Sem dúvidas o principal sintoma do distúrbio é a dor. Assim como a cifose, a lordose costuma ser bastante dolorida. Alguns pacientes relatam ainda dificuldades para realizar certos movimentos. 

Geralmente os sintomas demoram a se manifestar, se apresentando quando a doença já se agravou, por isso é tão importante ficar atento. 

Dentre as principais queixas: 

  • Aumento da curvatura lombar ou cervical
  • Dores nas costas
  • Dores no pescoço
  • Fraqueza na musculatura abdominal 
  • Formigamento no corpo
  • Celulite nos glúteos
  • Dificuldade para pegar peso
  • Rigidez
  • Fraqueza nos músculos da região acometida

 

Alguns sinais apontam o agravamento do problema. É recomendado procurar um médico quando o desvio permanece mesmo diante dos mais diversos movimentos, e em caso de sintomas como: 

  • Entorpecimento
  • Formigamento
  • Fraqueza
  • Dificuldade para controlar a bexiga
  • Dificuldade em manter o controle muscular

 

Tais sinais indicam o agravamento do quadro e merecem atenção. 

 

 

Lordose em grávidas

A lordose é um problema bastante comum entre mulheres grávidas. Como o equilíbrio do corpo é alterado e a coluna passa a ter que lidar com um considerável peso extra, suas angulações acabam intensificadas. 

Neste caso, a dor lombar é a principal queixa. É extremamente importante que a mulher mantenha o abdômen fortalecido e faça o acompanhamento médico adequado. 

Geralmente o desvio desaparece naturalmente quando o bebê nasce, sem necessidade de tratamento especializado. Diante da persistência dos sintomas é necessário um estudo mais aprofundado da paciente. 

 

Paciente com dor nas costas causada por lordose 

Paciente com dor nas costas causada por lordose

 

Diagnóstico

Diante da suspeita de lordose, procure por um ortopedista ou reumatologista, esses são os especialistas relacionados ao distúrbio. 

Mesmo o clínico geral é capaz de reconhecer o problema. Neste caso, fará o encaminhamento ao especialista. 

Cerca de 80% dos casos são identificados exclusivamente pela análise clínica, o que inclui anamnese e exame físico completo. 

Durante a consulta, serão feitas perguntas: 

 

  • Quando os sintomas começaram a surgir?
  • Onde está localizada a dor? Há irradiação?
  • Você notou aumento da curvatura da coluna? 
  • Além da dor, quais são os outros sinais presentes? 
  • Você está em tratamento para algum problema? 
  • Há alguma outra condição associada? 
  • Existem fatores de piora ou melhor? 
  • Você tem feito atividades físicas? 
  • Sofreu algum acidente ou passou por algum trauma?

 

Além dessas questões, também será avaliado o histórico familiar e clínico do paciente, seus hábitos de vida, sua profissão, entre outros fatores relevantes a análise do especialista. 

 

Exame Físico

Após a anamnese, que seria essa breve entrevista inicial, o médico passará para o exame físico. Através de um estudo detalhado da condição atual do paciente e da progressão dos seus sintomas até aqui, o profissional poderá confirmar ou não as suas suspeitas. 

Além de servir ao diagnóstico, a avaliação clínica deve ser repetida durante todo o tratamento, pois proporciona ao médico uma boa maneira de medir a evolução do paciente com a terapia escolhida. 

Esta etapa do diagnóstico geralmente inclui: 

-Palpação: Estudo das anormalidades da coluna através do toque. 

-Verificação de alcance do movimento: O especialista conduzirá o paciente a realização de movimentos de flexão, extensão, curvatura lateral e rotação da coluna, verificando os limites alcançados em cada um dos eixos. 

-Observação de assimetria: Será analisada a existência de possíveis assimetrias que possam vir a indicar a causa e a gravidade do problema.

-Avaliação neurológica: Além de analisar os sintomas nervosos como adormecimento e parestesias, o médico checará a sensação nas extremidades e a função motora, identificando principalmente espasmos e fraquezas. 

 

Exames Complementares

Nem sempre os exames complementares são necessários. No entanto, alguns testes podem cooperar com o diagnóstico, ajudando na identificação das causas. 

Tais procedimentos permitem uma visão mais detalhada da coluna vertebral, ajudando a avaliar suas curvaturas e flexibilidades. Através deles, é ainda possível verificar possíveis alterações ósseas nas vértebras. 

Raio-X:  O paciente é examinado na posição de frente e de perfil. O exame capta imagens internas, permitindo uma análise completa das curvas da coluna vertebral. 

Tomografia computadorizada: É feita a reprodução de imagens de uma fatia do corpo, que pode ser analisada de diferentes ângulos. A tomografia computadorizada reproduz de maneira fiel esqueleto, pulmões e órgãos internos. 

Ressonância magnética: O exame é feito por meio de um grande imã que interage com o corpo através de campos magnéticos, criando imagens em alta definição das diferentes camadas do corpo. 

Exames ósseos: Os testes ósseos são muito úteis para descarte de outras patologias ou mesmo para identificação da causa da lordose, ajudam na verificação de possíveis alterações degenerativas e doenças articulares. 

 

 

Tratamento

Apesar de estarmos falando em uma alteração estrutural da coluna, a lordose tem cura e pode ser tratada de acordo com sua gravidade. 

Conforme falado anteriormente, nem todos os pacientes precisam de cuidados, quando do tipo flexível, a doença não leva a grande complicações. 

Uma curvatura mais severa, pode exigir terapia medicamentosa, uso de cintas, fisioterapia e até cirurgia, dependendo do caso. 

Quanto mais jovem o indivíduo, melhor suas chances de melhora. A puberdade é o período mais fácil para se corrigir problemas posturais. 

Veja quais são os tratamentos mais recomendados. 

 

 

Medicamentos para lordose

Não existe nenhum fármaco específico para a lordose, no entanto, medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios são muito úteis no alívio da dor. 

Em geral, o tratamento medicamentoso deve ser feito exclusivamente sob prescrição médicas. A automedicação é contra-indicada e oferece riscos a saúde. 

Dentre os mais usados: 

 

  • Paracetamol
  • Aspirina (ácido acetilsalicílico)
  • Ibuprofeno
  • Dipirona sódica monoidratada
  • Diclofenaco sódico

 

Fisioterapia 

A fisioterapia ajuda no controle da dor, trabalha a flexibilidade e a força muscular, aliviando os sintomas a ajudando na reabilitação. Geralmente o plano de tratamento é individual, combinando diferentes técnicas. 

Diversos equipamentos podem ser utilizados, a mesa de atração, flexão e descompensação dinâmica são bons exemplos. 

 

Reeducação Postural Global (RPG)

A Reeducação Postural Global faz parte do tratamento de diferentes desvios de coluna. A técnica trabalha especificamente a postura, focando em ossos, articulações, músculos e outros tecidos relacionados a movimentação e sustentação do corpo. 

 

Órteses

As órteses são equipamentos muito utilizados em cuidados com o sistema locomotor humano. São estruturas externas que ajudam a manter as articulações em seus locais adequados. 

No caso da lordose, ajudam na imobilização da coluna lombar, impedindo curvaturas acentuadas. 

 

Pilates

O Pilates é recomendado para pessoas de todas as idades, e é uma das melhores formas de aperfeiçoar a musculatura do corpo. A terapia beneficia o corpo como um todo, evita doenças cardiovasculares, elimina o estresse, ajuda a emagrecer, corrige a postura e trabalha a flexibilidade e a coordenação motora.

Além disso, ajuda a controlar os fatores de risco para lordose. 

Pacientes já diagnosticados podem ter seus sintomas amenizados, recuperando sua qualidade de vida. 

 

Exercícios Físicos 

Os exercícios podem ser feitos em casa, no entanto, sempre com acompanhamento adequado. Geralmente são usados atividades que movimentem o quadril e a parte inferior das costas, exercícios de fortalecimento do glúteos e alongamentos. 

Toda a atividade deve ser realizada com bastante cautela, qualquer movimento inadequado pode acabar piorando a dor ao sobrecarregar a coluna. 

 

Acupuntura

A acupuntura é uma ótima alternativa para pacientes com lordose. O tratamento alivia os sintomas e reduz a dor, além de trabalhar o bem-estar geral.. 

A técnica consiste na aplicação de agulhas em pontos específicos do corpo para tratar doenças. A terapia é reconhecida e tem resultados comprovados. 

 

Cirurgia para lordose

Quando o caso é mais grave ou produz riscos a vida do paciente, a cirurgia passa a ser a opção terapêutica indicada. O procedimento e o método deve ser definido pelo cirurgião, levando em conta as especificidades de cada caso. 

Geralmente a cirurgia tem por objetivo endireitar a coluna usando uma haste de meta, parafusos ou ganchos. 

A ideia é impedir a progressão da doença, corrigir a deformidade e recuperar a saúde e a qualidade de vida do paciente.

Independente do tratamento escolhido, na maioria dos casos a lordose tem um bom prognóstico, em especial em indivíduos que seguem a risca às orientações médicas. 

Além das terapias, é importante o acompanhamento médico para avaliação da progressão da doença.

 

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).
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